Ato 2 - Cena V O Primo da Califórnia · Capítulo 20 de 31
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Ato 2 - Cena V

CENA VAdriano e Celestina Celestina – Eu

não posso compreender isto...

Adriano –

Consola-te comigo, minha amiga; é um prodígio, é um fenômeno estupendo para

quem está no último apuro do infortúnio, como eu: sim... porque tudo o estás

vendo, é impossível que eu desça mais abaixo, por quanto estou morando quase em

cima do telhado.

Celestina –

Fizeste algum presente à senhora Beatriz?

Adriano – Qual!

Apesar do meu gênio um pouco extravagante, numa me veio ao pensamento

semelhante asneira; mas, enfim, deixemos a minha grotesca criada; dize: como

achas o meu novo domicílio?...

Celestina –

Excelente.

Adriano – Muito

pequeno, não é isso?...

Celestina – Não

vejo razão para que te estejas lastimando (Canta)

No rico palácioDe outro fulgenteNem sempre o viventeEncontra o prazer.

As vezes num ranchoDe palha formadoSe vê, como o fadoDá grato viver.

Ah, sim, que se gozaO néctar mais puro,Se no rancho escuroDois podem caber.

Adriano – É

assim, certamente que é assim; mas sempre com a condição de caberem dois no tal

ranchinho; e este é o meu rancho... e se algumas economias me fossem possíveis,

eu daria aqui mesmo um lugar a ti, como minha legítima mulher.

Celestina – Isso é verdade, Adriano?...

bem verdade?... Ah! tu não compreendes como esse pensamento é doce para o meu

coração!

Adriano – Não

tenho te dito já, Celestina, que logo que as circunstâncias o permitam...

Felisberto

(Dentro) – Mais acima?... obrigado.

Adriano – Ainda

este maçante alfaiate!...

Celestina – Eu

me retiro...

Adriano – Não, pelo contrário, demora-te: talvez que a tua vista lhe diminua a ferocidade; ah! que demônios seriam os que inventaram os credores!!! Celestina – Sem dúvida, Adriano, foram os devedores.

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