Ato 2 - Cena XV
CENA XVFelisberto e os ditos
Felisberto – Oh!
Que me rebenta o nariz!
Adriano
(Submisso) – Eu lhe fiz mal... ofendi-o?...
Felisberto – Não
foi nada... trago o dinheiro a Vossa Senhoria.
Adriano – A
minha senhoria... a minha senhoria acaba de receber a sua demissão.
Felisberto – Não
o compreendo, meu prezado amigo.
Adriano – Digo,
que agora aparecem suas dúvidas a respeito do negócio.
Felisberto –
Que, senhor Adriano! Vossa Senhoria quereria faltar a palavra!... (À parte)
Diabo! E eu que já tratei a cessão da casa com vinte por cento de lucro!
Adriano – Não é
isso, mas devo dizer...
Felisberto –
Nada quero ouvir: tenho a sua palavra, e um homem honrado, senhor, não tem
senão uma palavra: eis aqui o contrato de venda para assinar.
Adriano –
Todavia...
Felisberto – Ah!
senhor Adriano! É possível que tenha em tão pouco a sua palavra?...
Adriano – Senhor
Felisberto!...
Felisberto –
Esta hesitação me dá o direito de dizer o que disse.
Adriano – E o
senhor não se arrependerá deste contrato?...
Felisberto – De
modo nenhum.– E aconteça o que
acontecer não se queixará de mim?...
Felisberto – Eu
queixar-me?... e de quê?... assine, tenha Vossa Senhoria a bondade de assinar.
Adriano (À
parte) – Com efeito... posso bem fazer este negócio... a casa é minha, e eu
ganho nesta venda quatro contos de réis; (Assinando) vamos, pois que o senhor o
exige, eu assino.
Felisberto –
Para lhe provar que o negócio me convém, ajuntei ao dinheiro, que lhe entrego,
um recibo de conta que me devia, e portanto estamos quites.
Adriano (Recebe
e conta o dinheiro) – Como?... minha conta também?... ah!
Celestina, eis aqui um remorso de adversidade!
Felisberto – O que quer dizer com isso?...