Ato 2 - Cena XI O Primo da Califórnia · Capítulo 26 de 31
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Ato 2 - Cena XI

CENA XIAdriano e Felisberto Adriano –

Celestina! Celestina! Eis aqui como são as mulheres! Deitam-nos sempre água na

fervura.

Felisberto – Ainda eu!

Adriano – Senhor

Felisberto, eu lhe rogo que para outra vez se faça anunciar; não se entra na

casa de um homem da minha hierarquia, como aí na espelunca de qualquer...

Felisberto –

Perdão! Mil vezes perdão: porém, um negócio da maior

transcendência... (Enquanto Adriano procura uma cadeira e

senta-se, diz Felisberto à parte) Tenho presentemente a certeza de que esta

casa se acha no alinhamento da rua projetada, e portanto ela me é necessária

por todo preço.

Adriano

(Sentado) – Então que temos?...

Felisberto –

Senhor Adriano, Vossa Senhoria me faz um grande mal.

Adriano –

Deveras?...

Felisberto –

Sim: acabo de sair da casa do senhor Pantaleão, que me assegurou ter vendido

esta propriedade a Vossa Senhoria.

Adriano – É

certo; e que mais?...

Felisberto – Mas é que Vossa Senhoria

não sabe, que eu tenho absoluta necessidade desta casa: eu a desejo

ardentemente... certas recordações de família...

Adriano – Sim...

sim... tudo isso é muito possível; mas também eu tenho aqui minhas recordações,

e portanto conservarei a propriedade.

Felisberto –

Quê! Pois Vossa Senhoria não quereria ceder-ma!

Adriano – O que

há de ser! Veio-me o desejo de representar o papel de proprietário:

despediram-me tantas vezes de casas onde morava, que tenho vontade de pôr

também os outros no meio da rua; é mais agradável ter inquilinos do que sê-lo;

e olhe, não se pode aturar inquilinos! Põem um homem doido... não pagam ao

senhorio!

Felisberto – E

se eu desse por esta casa quatorze contes de réis?...

Adriano –

Quatorze contos?... o que são nesta vida quatorze contos de réis?...

Felisberto – Oh!

É dinheiro, que se custa a ganhar!...

– Ah! ah! ah!... a

quem diz o senhor isso?...

Felisberto –

Está bem, darei dezesseis contos à vista...

Adriano –

Dezesseis contos!... (À parte) É verdade que todos me falam de milhões, que eu

possuo, mas confesso, que não me desagradaria ter já e quanto antes alguns

bilhetes do banco no bolso... (A

FELISBERTO) – Pois bem.... quero ser condescendente... aceito.

Felisberto –

Dentro em meia hora trago-lhe o dinheiro; é negócio concluído.

Adriano – Eu lhe dou a minha palavra...

também... olhe: por ora é a única coisa que eu tenho para dar.

Felisberto – Ela

me basta, honrado amigo.

Felisberto (Canta) – Que bom negócio, Que vou fazer;Oh que ventura!

Oh que prazer! Adriano – Que chuva de ouroEstá-me a chover!

Oh que ventura!

Oh que prazer! Felisberto – Parto depressaSem mais tardar, E o seu dinheiro Vou já buscar. Adriano – Parta depressaSem mais tardarE o meu dinheiro Vá já buscar.

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