Ato 2 - Cena II O Primo da Califórnia · Capítulo 17 de 31
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Ato 2 - Cena II

CENA II

Beatriz

(Sentando-se) – Havia de ter que ver, se eu me fatigasse por um músico tão

ordinário: nada... vou ler o jornal, que o barbeiro da esquina me emprestou; já

há de estar desesperado por ele: em quanto aos arranjos desta mansarda, o

senhor musicozinho pode muito bem esperar. Vejamos. (Tira o jornal, põe os

óculos e lê) “Guerra do Oriente... os Russos e os Turcos... “ Ah! quem me dera

ver esta súcia de Turcos toda ela enforcada!...

eu cá sou Russa... Russa até os cabelos!... não posso levar a paciência

, que hajam homens, cada um dos quais se case com cinqüenta mulheres!... todas

as senhoras devem ser Russas. (Lê) “Fala-se em mudança de ministério...” Que me

importa?... para mim suba quem subir é sempre a mesma coisa! Quem vê um, viu

todos. (Lê) “ontem estiveram expostos durante todo dia no campo da Aclamação um

burro, dois cachorros, e três gatos mortos...” Ora que asneira! Pois o campo da

Aclamação não é mesmo o lugar do despejo público?... (Lê) “Uma carta da

Califórnia , datada de 25 de outubro próximo passado, anuncia com certeza a

morte de um Brasileiro de nome Paulo Cláudio Jenipapo...” Jenipapo?... é o

mesmo nome do tal musicozinho das dúzias. (Continua a ler baixo e espantada)

Oh! Meu Deus!... será possível!... era seu primo!... e ele fica seu único herdeiro!...

só se eu me engano... (Ergue-se e esfrega os óculos) Vejamos... vejamos... (Lê)

Não... está aqui!... impresso!... em letra redonda!... o senhor Adriano

milionário!... e eu chamá-lo musicozinho... não, língua danada! É um musicozão,

maior que Rossini, que Donizetti, e que toda essa gente da casa da ópera! É

maior que... que... é maior que tudo enfim: o senhor Adriano milionário, vai

ter uma casa... criados... é bem capaz de me tomar para sua criada grave... Que

inconseqüência havê-lo tratado sem o devido respeito... então eu... eu que

sempre tive ao senhor Adriano a maior amizade... mesmo uma amizade que faria

desconfiar, se eu já não fosse maior de cinqüenta... vamos pois... zelo...

cuidado... trabalhemos com boa vontade... (Arruma os trastes com ardor) Eu não sou velha enfezada,Menos beata fingida;Sou uma boa criada, Que gosta da vida. E o amorzinho que eu tenhoÉ bom como um serafim, É uma jóia, um tesouro, Um cupido de alfenim.

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