Ato 2 - Cena I O Primo da Califórnia · Capítulo 16 de 31
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Ato 2 - Cena I

CENA IAdriano e Beatriz Adriano – Eis-me

aqui em uma mansarda! Por cima de um terceiro andar! Se vou neste subir

continuado, em pouco tempo mandam-me morar nas montanhas da lua! Não pode haver

dúvida nenhuma, eu me acho em uma alta posição! Brigam tanto por esse mundo por

causa das altas posições... e eu me vejo sossegadamente de posse da que me

concedeu o meu amigo do monopólio do toucinho!... Vamos, senhora Beatriz,

acabemos com isto.

Beatriz – É

necessário não ter muita pressa; já estou bastante moída, e fique sabendo, que

se me não tivesse pago o mês adiantado, não era capaz de me obrigar a subir até

este buraco.

Adriano – Pois a

viagem não é das mais longas... do terceiro andar a este meu novo palácio não

há senão uma escada.

Beatriz – Mas

quando se tem já subido dez vezes!...

Adriano – Sempre

lhe acho de mau humor, senhora Beatriz!

Beatriz – E

queria que estivesse muito derretida?... é boa!... uma senhora, que era no

outro tempo chamada a formosa Beatriz, e que depois foi casada com um

cabode-esquadra, ver-se enfim reduzida a representar o papel de criada de um

músico!

Adriano (À parte) – A

maldita velha é mil vezes pior que uma maitaca! E eu forçado a sofrer seus maus

modos, e suas insolências! Oh! Sorte de uma figa!...

Beatriz – Toda

vossa mobília se reduz a isto, ou tendes mais alguma coisa lá embaixo?...

Adriano –

Senhora Beatriz, no que diz respeito à mobília, dixit! Mas lá embaixo ainda está o que eu tenho de mais precioso, o

meu violão e as minhas músicas.

Beatriz – As músicas?... assim mesmo talvez que algum

fogueteiro as quisesse comprar para fazer bombas, e desse por elas duas ou três

patacas; e se além disso o senhor vendesse estes trastes a algum belchior,

poderia ser que...

Adriano – Silêncio! A senhora parece haver prometido aos santos de sua maior devoção o não abrir a boca hoje, que não seja para dizer parvoíces; fique pois grunhindo sozinha, que irei eu mesmo buscar aqueles inapreciáveis objetos. (Vai-se)

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