Ato 2 - Cena XVI O Primo da Califórnia · Capítulo 31 de 31
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Ato 2 - Cena XVI

CENA XVIOs ditos, Pantaleão e Beatriz Pantaleão – Isso

é um horror! É uma ladroeira!... uma infâmia!...

Todos – Que

aconteceu?...

Pantaleão – O

senhor músico, meu locatário, é vítima de uma mistificação! Ele é tão rico,

como aqui, a velha Beatriz!

Felisberto – Que

diabo é isto?... quem me dará um fio para sair deste labirinto!

Pantaleão – O fio é que eu continuo a

despedir desta casa e de mestre da minha filha ao tal senhor Adriano Jenipapo!

Adriano – Senhor

Pantaleão! O senhor tem um coração abjeto... o senhor é indigno do nome de

homem que usurpa!

Pantaleão –

Parece-me que o senhor me quer insultar!

Adriano – Sair

desta casa! Sairemos dela ambos, miserável taberneiro! Porquanto acabo de

vendê-la ao senhor Felisberto...

Pantaleão

– Eu vou levá-lo já ao chefe de polícia!

Adriano – Oh!

Pois não! Irei mesmo com prazer; tenho que referir ao chefe de polícia uma

certa história de monopólio de toucinho e carne fresca... Ah! já se cala?...

acabemos com isto: senhor Pantaleão, eu lhe pago a casa que lhe comprei, e o

mais que lhe devo e por minha vez, senhor, ouvi todos, ouvi: senhor Pantaleão,

rejeito a mão de sua filha que ainda há pouco me ofereceu!

Pantaleão – Ah!

ah! ah! e pensava, que eu ainda tinha as mesmas disposições?...

Adriano – Celestina, esta gente não tem

vergonha, não?... (Outro tom) – Eu não sei se me devo rir deles!... miseráveis!

Vós que me desprezais, lembrai-vos, que abaixastes a cabeça diante de mim!

Estúpidos! (Outro tom) Estúpidos?... estúpido sou eu... eles pensam e praticam,

como quase todos, isto é a moda... é a época... é o mundo... atualmente o que

melhor se sabe do padre-nosso, é o venha a nós!

Celestina –

Senhores, vós o vedes, vosso gracejo teve boas conseqüências...

Ernesto – Tanto

melhor para ele nô-lo perdoar.

Adriano – De

todo o coração, que até vô-lo agradeço.

Felisberto – Mas

então o único, que aqui fica com cara de pau, sou eu?... juro, que ainda não

compreendi nada desta moxinifada.

Celestina – Pois

é muito simples... o primo da Califórnia...

Felisberto – Não

está morto?...

Adriano – Nem

nascido, mestre Felisberto!

Felisberto (À

parte) – Ai que cabeçada!... e a

conte que ele me devia!

Adriano – Mas

graças a esta invenção, graças à só presunção, de que me achava rico, fui

cercado de respeitos, de obséquios, e de amigos; ofereceram-me casa, mulher e

dinheiro!...

Celestina –

Obrigaram-se a imprimir suas músicas, contrataram-no para uma orquestra, e

compraram-lhe uma ópera!

Adriano –

Puseram-me a salvo das privações da pobreza...

Beatriz – Ora, o

que tem isso?... lembremo-nos do adágio antigo: a água corre para o mar.

Adriano – O dinheiro é um feitiçoQue a todo mundo enlouquece; Aos ricos todos festejam, O pobre nada merece. Celestina – As senhoras melhor sabemDo dinheiro o valimento;Moça rica que tem dote,Nunca perde casamento. Pantaleão –O rico nunca tem frio,Traz sempre a barriga cheia; E até por coisas que eu sei Jamais visita a cadeia. Felisberto –Homem pobre é sempre feioBicho mau e desprezado;Quem tem dinheiro é bonito, É sábio, sempre engraçado. Coro Geral–Dinheiro! Venha dinheiro!

Dinheiro é tudo na terra;Dá prazeres, glória, amores, Faz a paz e move a guerra. FIM DO SEGUNDO E ÚLTIMO ATO FIM

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