Ato 2 - Cena IV
CENA IVBeatriz , Adriano e Celestina, trazendo manuscritos de música e chapas de cobre.
Celestina – Bom
dia, Adriano; trago-te as minhas chapas de música, para que admires os meus
progressos.
Beatriz – Oh!
Que calamidade! Mãos tão delicadas carregando semelhante peso!
Dê-me isso, senhora, dê-me... ande... sente-se... eis aqui
uma caixa... descanse...
Celestina
(Admirada) – Obrigada... agradecida... senhora Beatriz; (A ADRIANO)
Adriano, como se explica isto?...
Adriano (A CELESTINA) – Celestina, isto como se
explica?...
Celestina –
Senhora Beatriz, olhe bem para mim: a senhora está bem certa de quem eu sou?
Beatriz – Oh! Se
estou! A senhora é a moça mais bela, mais modesta e mais perfeita das vinte
províncias do Império do Brasil, e isto é o que eu tenho sempre dito e
sustentado.
Adriano –
Senhora Beatriz, pois que enfim a senhora acaba de fazer ponto, concluindo a
oração com um sentido perfeito; aproveito o ensejo para pedir-lhe que vá lá
para baixo procurar por mim, e ver se me descobre escondido em algum canto.
Beatriz – Pois não, meu senhor, eu
deixo Vossa Senhora em liberdade; (À parte) vou em um pulo dar a notícia ao
senhor Pantaleão.
Celestina (À
parte, pondo uma caixa de relógio na gaveta) – Ele não me está olhando...
aproveitemos o momento.
Beatriz – Se
Vossa Senhoria tiver necessidade de mim, basta um simples aceno; estou e
estarei sempre pronta a servi-lo com gosto; (A CELESTINA) sua serva... (A ADRIANO)
senhor... (A CELESTINA) senhora... (A ADRIANO) senhor... (Vai-se fazendo mil
cumprimentos, e sem jamais dar as costas)