XXIV O Cacaulista · Capítulo 26 de 27
Obra Menu

XXIV

A tristeza reinava na fazenda S. Miguel. D. Ana, sentada na maqueira da varanda, embalava-se de leve, mas não com aquela doce serenidade dos outros tempos. O cachimbo ficava horas e horas apagado, e quando dele se lembrava a respeitável senhora apanhava-o dando um suspiro, e gritava com a voz repassada de angústia:

— Gertrudes, traze fogo.

As mulatas cosiam sentadas na esteira e cochichavam mas sem aquelas risadinhas de outrora. Os moleques vagavam pela casa, sem ânimo de folgar, e ao longe, no cacaual, a voz monótona da guariba e o canto agoureiro do acauã. Só os japiins pareciam alegres cantando na mangueira.

O padre José viera visitar a irmã e contara-lhe a partida do sobrinho, declarando não saber explicar aquela cabeçada. D. Ana ouvia-o parecendo seguir atentamente os movimentos de uma galinha, que ciscava ali perto. José Fernandes voltara no dia seguinte para Óbidos, e todos pareciam resignados à ausência do rapaz.

O velho Capucho vinha como dantes passar algumas tardes na fazenda, e não deixava de exclamar mastigando:

— Ora, pois se aquilo foi sorte da Maria Mocoim... Em Camutá nunca acontece disto, apesar do Catá.

E o velho cacaulista parecia seguro do que afirmava.

Recife — 24 de junho de 1875.

1/1
Menu

Fazer anotação