CAPÍTULO 3 — DOZE SESSÕES OU A OUTRA DONA DO CINEMA · Capítulo 4 de 30
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CAPÍTULO 3 — DOZE SESSÕES OU

UMA DEMOLIÇÃO POV: Sofia Chego ao Cinema Aurora às oito e quarenta e nove com dois cafés, quatro croissants e a esperança ingênua de que pontualidade possa ser apresentada como prova de caráter. A chuva da noite deixou as pedras da rua brilhantes, e o céu tem a cor de uma televisão antiga sem sinal. A marquise azul parece ainda mais cansada sob aquela luz. Elise já está dentro. Vejo sua silhueta pela porta de vidro, inclinada sobre o balcão da bilheteria, cercada por pastas empilhadas em alturas que provavelmente obedecem a algum sistema moral. Bato na porta com o cotovelo. Ela ergue os olhos, consulta o relógio da parede e destranca sem demonstrar surpresa, o que me priva da satisfação de anunciar minha chegada antecipada. — Oito e quarenta e nove — informo, entrando com os copos equilibrados. — Trouxe testemunhas e carboidratos. Qualquer acusação de atraso será considerada perseguição. — Você chegou um minuto antes do horário que inventei para você — responde Elise, fechando a porta. — Não transforme um acidente estatístico em identidade. Ela usa uma calça cinza, camisa branca e um colete escuro que realça a linha firme dos ombros. Meu cérebro registra o conjunto antes de lembrar que estamos ali para discutir dívidas. Entrego um dos cafés. Elise observa a etiqueta colada na tampa, onde pedi que escrevessem “sem açúcar, forte, para uma mulher que julga silenciosamente”. — A atendente achou que fosse um pedido de desculpas — explico. — Eu disse que era uma descrição técnica. — Ela escreveu “Elisa” — observa Elise, girando o copo para que eu veja a letra torta na tampa. — Ninguém sai ileso de uma cafeteria turística — respondo, retirando a tampa antes que o erro ortográfico contamine o café. Elise bebe mesmo assim. O canto da boca se move, quase um sorriso, e considero a manhã perigosamente bem-sucedida até ela tirar um papel dobrado de uma pasta. Reconheço o comprovante da passagem antes que o coloque diante de mim. A nova data, quinta-feira, aparece impressa como uma confissão feita por uma companhia ferroviária.

— Você deixou isso na cabine — diz, empurrando o papel pelo balcão. — Não li de propósito. Estava aberto quando encontrei. — Claro. Documentos costumam se abrir sozinhos perto de você, dominados pelo respeito administrativo. — Não precisa justificar a alteração — diz, abrindo a pasta seguinte com uma calma que torna qualquer justificativa ainda mais tentadora. A frase seria mais confortável se Elise não tivesse cuidado de retirar toda curiosidade da voz. Guardo o comprovante no bolso e apoio os croissants entre nós. — Eu precisava estar na primeira sessão — respondo. — Depois volto a Paris, resolvo meus contratos e decidimos como administrar o restante sem encenar uma crise diplomática semanal. — O testamento exige sua presença em dez das doze sessões — lembra Elise, deslizando uma cópia das cláusulas na minha direção. — A tecnologia moderna permite presença em telas. As pessoas passaram anos aparecendo em reuniões dentro de quadrados sem calças adequadas. — Helena especificou presença física — diz, tocando a linha correspondente com a ponta da caneta, como uma professora diante de uma aluna reincidente. Elise abre a primeira pasta. O cheiro de café se mistura ao papel antigo e ao produto usado no piso, criando uma combinação que me leva a manhãs de inventário com minha tia. Sento no banco alto da bilheteria. A chave de bronze pesa no bolso do casaco, inútil e insistente, como uma pergunta feita por alguém que sabe que não receberá resposta educada. A primeira planilha contém as dívidas. Tento ler o total com neutralidade, mas meu corpo reage antes da minha capacidade profissional de fingir calma. — Noventa e seis mil e trezentos euros? — repito, aproximando a folha do rosto como se a distância pudesse ter acrescentado um algarismo. — Incluindo o empréstimo da restauração da fachada, impostos atrasados, duas faturas do sistema de aquecimento e o reparo emergencial do telhado — explica Elise. — Helena pagou os funcionários antes dos credores. — Isso soa exatamente como ela e como uma excelente maneira de assustar bancos. Há também uma estimativa de quarenta e oito mil euros para reparos necessários durante o próximo ano. Caldeira, fiação, poltronas, isolamento e parte do piso do saguão aparecem marcados em vermelho.

— O projetor principal está nessa lista? — pergunto, lembrando do estalo que quase me derrubou sobre Elise na noite anterior. — Não. Luca consegue mantê-lo funcionando, embora tenha começado a conversar com a máquina em italiano quando pensa que ninguém está ouvindo. — Finalmente um profissional com método confiável. Elise gira outra folha na minha direção. As condições das doze sessões ocupam três páginas, porque Helena não acreditava em instruções que coubessem numa única respiração. Precisamos criar uma programação temática, atingir média mínima de cinquenta e cinco por cento da capacidade e apresentar um plano de funcionamento para os dois anos seguintes. Cada sessão deve ter participação direta das duas herdeiras. Dez exigem presença física. Duas podem ser conduzidas por apenas uma, desde que a ausência seja justificada por trabalho ou doença. — Ela escreveu “doença comprovada, não simples indisposição moral” — leio, apertando a ponte do nariz. — Helena passou quanto tempo imaginando minhas desculpas? — Provavelmente menos do que você passou criando-as. Elise distribui os anexos. A sala possui cento e oitenta lugares, embora apenas cento e sessenta e quatro estejam liberados por causa de poltronas quebradas. Para atingir a média, precisamos vender pouco mais de noventa ingressos por sessão. Olho através das portas do saguão para o corredor vazio e tento imaginar noventa pessoas escolhendo o Aurora numa quarta-feira chuvosa. — Quantos ingressos a última sessão vendeu? — Vinte e sete — responde Elise, sem consultar os registros, porque aparentemente também decorou os fracassos do prédio. — Quantos eram parentes de alguém envolvido com o cinema? — Dezenove — confirma, e sua expressão indica que reconhece o problema sem aceitar que eu o transforme numa piada. Mordo o interior da bochecha. O problema deixou de ser uma ideia elegante escrita num testamento e adquiriu a forma concreta de cento e sessenta e quatro assentos esperando corpos que talvez não venham. — Precisamos de divulgação, parcerias e uma razão para alguém sair de casa no meio da semana — digo. — “Cinema antigo prestes a morrer” atrai jornalistas, mas não sustenta doze noites.

— Ainda não anunciamos a situação — informa Elise, mantendo a caneta suspensa sobre a folha, pronta para rejeitar qualquer slogan indigno. — Então começamos pelo anúncio. Não pela parte da morte, talvez. Podemos usar “temporada especial”, que é a forma cultural de fingir que o desespero tem curadoria. Elise anota alguma coisa. Seu modo de escrever continua pequeno e inclinado, sem desperdiçar espaço ou demonstrar entusiasmo antes de a ideia provar valor. Passamos pelas contas de energia, seguros e licenças. Quanto mais números surgem, mais compreendo por que Helena evitou mencioná-los nas nossas ligações. Ela me enviava fotografias da fachada restaurada e comentários sobre clientes irritantes. Nunca mostrou o orçamento que mantinha o prédio respirando por aparelhos. — Há uma proposta de compra — diz Elise, abrindo a pasta mais fina. — Foi entregue três semanas antes de Helena morrer. O documento tem o logotipo discreto da De Wilde Hospitality, grupo responsável por hotéis pequenos em prédios históricos. A oferta é de um milhão e trezentos e cinquenta mil euros. Depois das dívidas, taxas e divisão, cada uma receberia uma quantia capaz de mudar uma vida. — Eles manteriam a fachada — observo, lendo os termos. — Restaurariam o salão e transformariam a sala de exibição num espaço para eventos. — Com oitenta quartos no prédio anexo e um bar onde está a tela. — Não é uma demolição completa. Elise apoia a caneta sobre a pasta. O cuidado do gesto contém mais irritação do que qualquer resposta que poderia dar em voz alta. — Para você, talvez não — responde, mantendo os olhos no documento e encerrando qualquer ilusão de neutralidade naquela conversa. — Para mim, uma parede continua sendo parede mesmo quando muda de função. Não estou dizendo que quero aceitar. Estou lendo o documento. — Você perguntou quanto receberia antes de perguntar o que aconteceria com o cinema. — Porque o que aconteceria está escrito na primeira página, Elise. O valor líquido estava escondido em quatro anexos e uma tabela interminável. Ela cruza os braços. O movimento aperta o tecido da camisa sobre os antebraços, detalhe que não deveria participar de uma discussão financeira e participa mesmo assim.

— O Aurora não é apenas um prédio — diz. — Há pessoas que trabalham aqui, um clube juvenil, festivais e clientes que vêm desde antes de nós nascermos. — Eu sei o que existe aqui — afirmo, embora a sala vazia ao nosso redor torne a certeza menos convincente do que eu gostaria. — Você conhece o que existia há dez anos — corrige Elise, sem elevar a voz, o que torna a frase ainda mais difícil de rebater. A correção encontra seu alvo sem precisar de dureza. Olho para a fotografia antiga atrás do balcão, onde Helena aparece entre nós durante uma sessão de verão. Sofia da imagem usa tinta no nariz e acredita que pode deixar uma cidade sem levar nada consigo. A mulher diante das planilhas sabe que certas bagagens não precisam ser carregadas para ocupar espaço. — Então me mostre — digo. — Não a versão preservada para eu me sentir culpada, nem a versão que Helena enviava para fingir que tudo estava sob controle. Quero ver o cinema como ele está. Elise me examina por alguns segundos. Espero uma acusação, uma lista ou uma recusa. Ela apenas recolhe as pastas e faz sinal para que eu a acompanhe. Começamos pela sala principal. Com todas as luzes acesas, o veludo vermelho mostra manchas, costuras abertas e marcas de uso que a penumbra costuma esconder. Elise aponta as fileiras interditadas, o rodapé solto e uma mancha antiga de umidade perto da saída esquerda. Conhece cada defeito e a data aproximada em que surgiu. No palco, o assoalho cede sob meu pé. Ela segura meu cotovelo, firme, antes que eu transfira o peso para a tábua errada. O toque dura apenas o necessário, mas minha pele permanece atenta depois que seus dedos se afastam. Concentrar-me no risco de cair parece uma escolha mental mais adulta. — Esta área precisa ser substituída — explica. — Marcamos o limite com fita, mas Helena retirava porque achava feio nas fotografias. — Uma mulher coerente até o fim — comento, testando a tábua vizinha antes de avançar pelo palco sem ajuda. Seguimos para o saguão. Elise mostra fissuras, tomadas antigas e a caldeira que decide funcionar conforme o humor e a temperatura externa. Na copa, encontro uma lista de funcionários presa à geladeira: Elise, dois atendentes de meio período, Luca, uma faxineira e Jules Maes, responsável pelas redes sociais como voluntária. — Dezessete anos e acesso às redes sociais de uma empresa em crise — comento. — Gosto da confiança que vocês depositam no caos.

— Jules aumentou nosso alcance mais do que a agência contratada no ano passado. — Então retiro o sarcasmo e ofereço a ela autoridade para humilhar adultos em reuniões. Subimos ao apartamento. Elise hesita antes de abrir a porta, e compreendo que aquele espaço foi casa de Helena, mas também continua sendo a casa dela. Não entro além do corredor. Vejo caixas ainda fechadas junto à parede, o casaco verde de minha tia no cabide e uma caneca azul sobre o aparador. A ausência se torna doméstica. Está na xícara que ninguém guardou, no par de chinelos sob o banco e no calendário parado na semana anterior. — Podemos deixar esta parte para outro dia — digo, recuando antes que Elise precise pedir privacidade. Ela fecha a porta e segura a chave por um momento. Quando se vira, parte da rigidez saiu de seu rosto. — O comprador vem às onze — informa. — Julian De Wilde pediu para apresentar a proposta pessoalmente depois da leitura do testamento. — Você poderia ter mencionado que teremos visita — reclamo, examinando minha roupa como se ainda houvesse tempo para parecer profissional. — Considerei que sua pontualidade talvez não sobrevivesse à pressão. Voltamos ao saguão dois minutos antes das onze. Julian chega sem guarda-chuva, usando um sobretudo azul-marinho que não apresenta uma única gota. Tem pouco mais de quarenta anos, cabelos louros começando a ficar grisalhos e uma expressão educada que não tenta se transformar em charme. — Senhorita Van Acker. Senhorita Moreira — cumprimenta, apertando nossas mãos. — Lamento pela senhora Helena. Ela recusou minha proposta três vezes e melhorou cada uma das versões com comentários ofensivos nas margens. — Isso significa que gostava do senhor — respondo. — Quando não gostava, usava caneta vermelha. Julian sorri e retira uma pasta fina da bolsa. Explica que a oferta continua válida caso cumpramos as condições da herança e decidamos vender depois. Não pressiona, não ameaça e não descreve o hotel como um ato de salvação. Essa razoabilidade torna tudo mais difícil, porque seria mais conveniente odiá-lo. — Preservaríamos a fachada, a marquise e parte do saguão — diz. — Também gostaríamos de manter o nome Aurora no salão principal. — Um nome preservado não mantém um cinema aberto — responde Elise.

— Não — concorda Julian. — Mas mantém parte da memória do lugar. Sei que isso não é suficiente para você. Ele não tenta convencê-la do contrário. Entrega uma cópia atualizada e se despede, deixando um cartão sobre o balcão. A porta se fecha. Elise pega o cartão antes que o vento o arraste, lê o nome e o coloca dentro da pasta sem rasgar, gesto que considero um avanço diplomático. — Ele é irritantemente razoável — digo, observando o cartão desaparecer na pasta em vez de encontrar o destino dramático que eu esperava. — Continua querendo colocar camas onde existem poltronas. — A humanidade faz coisas piores em ambos os lugares. Elise me lança um olhar cansado, mas não esconde o sorriso rápido. A tensão diminui o suficiente para voltarmos à mesa sem parecer que estamos negociando fronteiras. Espalho uma folha em branco e escrevo REGRAS TEMPORÁRIAS no alto. Elise fecha os olhos, como se uma dor conhecida tivesse retornado após anos de remissão. — Não precisamos de regras — afirma Elise, mas sua expressão diante da folha em branco sugere que teme exatamente o contrário. — Duas pessoas que não conversam há uma década acabaram de herdar um prédio endividado. Precisamos de regras, testemunhas e talvez capacetes. Escrevo a primeira: decisões financeiras acima de quinhentos euros exigem duas assinaturas. A segunda: nada de usar “Helena teria querido” como argumento definitivo. Elise protesta contra a terceira, que proíbe reuniões antes das nove, e contra a quarta, que define mensagens sem resposta após as vinte e duas horas como problema do dia seguinte. — Emergências não obedecem a horários — diz, traçando uma linha firme sob a regra como se pretendesse anulá-la por força gráfica. — Emergências podem telefonar. Planilhas não sentem solidão à noite. Incluo uma regra sobre não discutir nossa história durante o expediente. Elise lê duas vezes e apoia a caneta sobre a mesa. — Isso pressupõe que eu pretenda discutir nossa história — observa Elise, deixando a caneta pousada entre nós como um objeto neutro. — Excelente. Será a regra mais fácil de cumprir — respondo, concentrando-me no papel para não acompanhar a reação dela.

A resposta sai leve, mas deixa um desconforto fino entre nós. Corrijo o título da folha, acrescentando “operacionais”, como se uma palavra pudesse limitar o alcance daquilo que evitamos. Minha última proposta é dividir responsabilidades. Elise cuidará de reparos, fornecedores e licenças. Eu assumirei divulgação, programação temática e parcerias. Ela considera a lista, risca “campanha viral garantida” e substitui por “plano de comunicação possível”. Também remove três pontos de exclamação do calendário. — Você trata entusiasmo como risco ocupacional — reclamo. — Em prédios antigos, excesso de pressão derruba estruturas. — Isso foi uma metáfora sobre mim? — pergunto, inclinando a cabeça enquanto ela reorganiza os papéis pela terceira vez. — Foi uma observação sobre pontuação — responde Elise, e o traço de humor em seus olhos desmente a seriedade da voz. Discutimos por mais vinte minutos até a folha ficar cheia de correções, setas e notas. Pela aparência, parece um tratado elaborado durante uma guerra de baixa intensidade. Quando terminamos, restam duas decisões. A primeira sessão continuará sendo Casablanca. A segunda é minha permanência em Ghent. Olho para a passagem dobrada no bolso. Paris contém meu apartamento, meus contratos e a vida que organizei para caber em uma mala. O Aurora contém noventa e seis mil euros em dívidas, uma chave que não abre nada e Elise diante de mim, esperando uma resposta que se recusa a pedir. — Vou mudar a passagem novamente — digo. — Fico pelas doze semanas, desde que consiga organizar o trabalho remoto e voltar a Paris quando houver necessidade. Elise não sorri. Apenas respira devagar, como se tivesse preparado o corpo para outra resposta e não soubesse onde guardar o alívio. — Temporariamente — acrescento. — Depois das sessões, decidimos se vendemos, buscamos investidores ou entregamos o prédio às garças da minha hospedaria. — Temporariamente — repete ela, com cuidado suficiente para transformar a palavra numa cláusula e não numa promessa. Cancelo a passagem pelo celular antes que a parte sensata de mim redija uma defesa. A taxa é ofensiva, mas menor do que o preço de dez viagens semanais. Elise prende nossas regras no quadro de avisos atrás da bilheteria. Minha letra ocupa mais espaço; a dela corrige as margens e alinha os horários.

As duas caligrafias juntas parecem uma discussão que decidiu permanecer no mesmo papel. — Amanhã começamos pelo inventário da sala — diz ela. — As fileiras A e B precisam ser limpas, e algumas poltronas devem sair da interdição. — Trabalho físico antes das dez deveria violar alguma convenção europeia. — Traga roupas que possam sujar — recomenda, apontando para a prancheta antes que eu consiga protestar contra o horário. Pego o mapa dos assentos deixado sobre o balcão. Vários lugares estão marcados com círculos vermelhos, mas um recebeu uma estrela desenhada à mão ao lado da identificação A-12. Passo o polegar sobre a marca, reconhecendo a caligrafia de Helena. A pequena estrela tem o mesmo formato gravado na cabeça da chave de bronze dentro do meu bolso. — Elise — chamo, mostrando a prancheta. — Sua teoria sobre objetos sem função talvez precise de uma revisão. Ela se aproxima para observar. Nossos ombros encostam por um instante, e nenhum de nós se afasta antes de notar a coincidência. A chave ainda não abre nada, mas agora sabemos onde Helena queria que começássemos a procurar.

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