Capitulo 4 PPROPOSTA INDECENTE
CAPÍTULO QUATRO: PPROPOSTA INDECENTE.
A manhã seguinte foi de grandes arrependimentos, mas não havia tempo para lamentação, pois as aulas começavam cedo. Quando Camila chegou à universidade, percebeu que Ângela não estava lá, então a primeira aula seguiu sem problemas. A única diferença era que estava mais difícil prestar atenção.
Como era o hábito após a primeira aula, ela foi falar com os amigos para marcarem um dia de estudo, e foi nesse pequeno intervalo de tempo que Ângela surgiu segurando o braço de Rafael. O que chamava atenção no casal, no entanto, não era a beleza e sim as marcas que estavam expostas em seu pescoço. Todos cochichavam quando os dois passavam e Camila olhava a mulher com um misto de raiva e orgulho. Tal olhar não passou despercebido pela baixinha de cabelo cacheado.
— O Casal Maravilha está com tudo, hein. — Leandro bebia um refrigerante de canudo. — Estranho. — Olhou para Rafael.
— O que? — Carmen estava anotando o horário para estudarem.
— Pelas fofocas que rolam por aí, ele não parece ser o tipo de cara que deixa aquelas marcas. — Olhou para Camila. — O que acha, Camila? —
— Por que está me perguntando? — Seu rosto não expressa qualquer emoção que entregasse o que aconteceu.
— Você é de longe a mais experiente entre nós nesse quesito, talvez tenha alguma opinião. — Carmen apenas observava enquanto os amigos conversavam.
— Pois eu não tenho. — Camila estava séria, quase com raiva das perguntas.
— Melhor irmos. — Carmen chamou a atenção dos dois. — A vida íntima dos outros não é da nossa conta. — Os amigos continuavam se encarando.
— Podem ir na frente, eu vou ao banheiro. — O rapaz saiu em direção ao banheiro.
Assim que se afastaram de seu amigo, Carmen começou com as perguntas.
— O que aconteceu? — Carmen olhou a amiga desconfiada.
— Não aconteceu nada. — Respondeu irritada com a pergunta.
— Aconteceu sim. Você está toda irritadiça, até com o Leandro você está irritada. — Como era seu hábito, Carmen mantinha sua seriedade. — Deu para ver que você ficou mais chateada quando viu a Ângela. — Os olhos de Camila se abriram um pouco mais.
— O que? — Encarou a amiga que continuava sem perder a calma.
— Não estou insinuando que tem a ver com ela, mas óbvio que ver aqueles dois te deixou chateada. — Ela avaliava as expressões da amiga. — Eu não sei o que aconteceu para você ficar assim, mas se precisar conversar ou qualquer coisa… —
— Eu sei. — Camila estava mais calma. — Não precisa se preocupar, eu vou ficar bem. —
— Espero que esteja mesmo, eu me importo com você. — Carmen sorriu.
Cada uma das mulheres seguiu para sua próxima aula. Camila mal entrou e deu de cara com Ângela e Rafael trocando carícias. Sentada em seu lugar, ela tentava a todo custo prestar atenção nas explicações do professor sobre doenças degenerativas e como surgiam, mas seus sentidos estavam voltados para o casal.
Ao final das aulas, Camila estava se dirigindo ao treino de vôlei quando uma voz irritante e autoritária a chamou.
— Vem comigo. — A loira ordenou.
— Como é? — Camila estava descrente da maneira como Ângela se dirigia a ela.
— Preciso falar com você. — A mais alta amansou a voz.
Camila bufou irritada, mas seguiu a mais alta, pois não estava afim de uma cena. Elas seguiram para a biblioteca. Fugindo dos olhos curiosos, elas seguiram para os fundos da biblioteca, onde poucos iam e sabiam que não iriam incomoda-las.
— O que quer comigo? — Ajeitou sua mochila, olhando a colega. Ângela ficou em silêncio, criando coragem para dizer o que estava pensando. — Ok. Se não quer falar, então eu vou embora. — Virou as costas.
— Não. — Gritou, segurando o braço da menor, ela não era tão alta, mas Camila ainda precisava olhar para coma para encara-la. — Eu vou falar, só espera. — Camila puxou o braço enquanto Ângela respirava devagar, buscando sua coragem. Conforme formulava as palavras, sua pele ficava cada vez mais vermelha e quente. — Eu... q-quero transar com... v-você... de novo. — A última palavra quase não foi ouvida.
— O que? — A menor segurava o riso. — Você quer o quê? — Seus lábios já desenhavam um sorriso debochado de superioridade.
— Você ouviu. — A vermelhidão agora era uma mistura de vergonha e raiva.
— Ouvi, só não acredito. — Segurar o riso estava cada vez mais difícil. — Eu realmente sou muito boa. — Não podia perder a oportunidade de se gabar.
— Eu posso pagar. — Sua tática de conseguir o que queria sempre era oferecer a maior quantidade de dinheiro disponível. — Eu vou pagar toda vez que... precisar dos seus... serviços. — O silêncio tomou conta do lugar rapidamente.
— Você me dá nojo. — Falou com seus olhos transbordando ódio. — Pega o seu dinheiro e enfia no rabo. — Ela falava cada palavra como se estivesse lançando facas em um alvo bem grande.
— Qual é o problema? Você precisa de dinheiro e eu... — Antes de terminar sua frase, sentiu uma mão em seu maxilar e suas costas sendo pressionadas contra uma estante.
— Eu não sou como vocês que fazem qualquer coisa por dinheiro. — O olhar de Camila estava cheio de fúria enquanto Ângela continuava vermelha, mas não de raiva. A menor largou a outra e virou as costas sem se importar se haveria punição para o que fez.
Ângela ficou parada na mesma posição sem mover um músculo, seu cabelo estava levemente jogado sobre o rosto, seu peito subia e descia freneticamente e seus lábios tremiam devido ao susto com a reação de Camila. Suas reações não eram somente de raiva, era uma mistura de medo, desejo, tesão e submissão que a deixaram desconcertada.
— Maldição. — A morena falou, segurando uma lágrima. — Quem aquela vadia pensa que é? — Camila murmurava enquanto seus passos ficavam cada vez mais rápidos. — Puta desgraçada. — Deu um soco em uma das paredes.
— Ei! — Uma voz feminina chamou a atenção de Camila. — Danificar propriedade do governo não é legal, viu? — Uma mulher alta de longos cabelos castanhos e usando jaleco caminhou até a jovem.
— É que... — A jovem ponderava se deveria ou não falar o que aconteceu, seria bom se livrar de uma possível acusação de agressão logo de cara, mas a vergonha pela proposta não era algo fácil de encarar. — Só estou nervosa com meu desempenho nas aulas e no vôlei, professora. — Preferiu não falar sobre o que lhe causara o surto violento.
— Não precisa se preocupar. Em alguns meses você vai ganhar o campeonato e ano que vem começa a residir. — Se aproximou mais, ficando a centímetros da aluna. — E quanto ao time, você é ótima na sua posição. — Sua voz aveludada era um sinal vermelho para Camila, que deu alguns passos para trás.
— Eu tenho que ir, professora Luiza. — A pele morena de Camila estava quente de vergonha devido à aproximação da professora. — Nós vemos depois. —
Os treinos do vôlei foram tranquilos, arremessos e bloqueios eram o foco, pois esse era o ponto fraco das garotas. Alguns metros longe da quadra estava, Ângela observando o time. Seus olhos admiravam os saltos absurdamente altos de Camila, os arremessos também a deixavam encantada, mas sem dúvida as pernas atléticas eram o principal foco de sua atenção.
— Ângela, o que faz aqui? — A voz de Letícia fez a moça dar um pulinho.
— Oi, Leticia. — Imediatamente após ver a amiga, Ângela começou a procurar respostas em sua mente. — O que faz aqui? — Ela sorria desconcertada.
— O professor pediu para desenharmos os novos uniformes do time feminino. O melhor design vai ser usado, além é claro da nota. — Letícia estava empolgada com a oportunidade que estava tendo. — E o que você está fazendo aqui? — Sua surpresa não era por sua amiga estar vendo o time, mas por saber que seu maior desafeto fazia parte do time.
— Eu… eu… — Olhava de um lado para o outro tentando achar uma resposta convincente. — Ah, amiga! Eu acabei gostando de ver o treino das meninas de tanto vir aqui e esperar aquela babaca. — De certa forma, não era mentira, ela realmente passou a gostar do esporte, mas não era apenas isso que a fez estar ali. — Acabei gostando do jogo. —
— Então me ajuda, vou falar com as meninas sobre os modelos antes dos outros. — Passou pela amiga que foi logo atrás. — Boa tarde, meninas! — Suas palavras foram suficientes para distrair o time e fazer Camila levar uma balada no meio da cara.
— Ei, você está bem? — Carol correu até a colega.
— Eu estou sim, só fui pega de surpresa. — Ela passou a mão no rosto.
— Desculpe por isso, Camila. — Letícia se ajoelhou perto da morena. — Eu não queria causar um acidente. —
— Tudo bem, eu que devia ter prestado mais atenção. — Camila não se distraiu com a chegada de Letícia. O real motivo de sua distração estava atrás da ruiva, olhando tudo de longe com aquele olhar assustado.
— O que você quer? — Monica, a capitã do time, segurava a bola. — Está atrapalhando o treino. — Mônica era a mais alta do time, e sua cara sempre seria intimidava qualquer pessoa que não a conhecesse.
— Ah, sobre o motivo de vir aqui. — Letícia, levantou e ficou de frente para a capitã. — O professor quer que desenhemos os novos uniformes do time de vôlei, então eu vim falar com vocês sobre isso. —
— E desde quando precisa falar com a gente? — Carol não entendia a necessidade da presença da menor.
— Bom, eu só quero falar do design, mas preciso saber dos gostos de vocês. — Ela pegou seu caderno para anotar o que seria dito em sua entrevista. — O que vocês acham dos uniformes atuais? —
— Ele é bom. — Mônica estava impaciente. — Cumpre o objetivo. —
— Certo, vocês gostariam de mudar algo nas roupas de vocês? —
— Os shorts poderiam ser mais longos, isso parece uma calcinha. — Carol mostrou o quão curto eram os shorts atuais.
As perguntas continuaram e o time estava aberto aos questionamentos da estudante de moda. Elas viram uma chance de melhorar seus uniformes nela e estavam gostando de serem consultadas. As únicas alheias às perguntas eram Camila e Ângela, que se encaravam, uma com raiva, a outra com vergonha, e ambas sem coragem de falar algo. Após a minientrevista, Letícia guardou seus materiais e pegou uma fita.
— Com licença. — Ela foi até Camila e passou a mão em seu quadril.
— Ei! — Camila olhou confusa.
— Preciso das suas medidas. — Esclareceu. — Ângela, me ajuda aqui! — Olhou a amiga que corou, mas foi até ela. — Faz as medidas enquanto eu anoto, por favor. — A loira segurou a fita.
— Para que isso? — A morena estava desconfortável em ficar tão perto da mulher que fez a proposta mais indecente e imoral que poderiam lhe fazer.
— Preciso de um modelo para poder fazer o uniforme. — Respondeu, olhando a medida dos braços. — Aliás, se puder, gostaria que vestisse na apresentação para o professor.
— O que? — Moveu o corpo para olhar a futura estilista.
— Não é preciso se não quiser, mas será bem melhor se tiver alguém do time para vestir. — Anotou as medidas do pescoço. — Agora as pernas. —
Ângela se ajoelhou e passou a fita entre as pernas da líbero, as pernas que, apesar de não admitir, ela gostava de admirar. Camila tentava a todo custo dar um fim naquilo e afastar a colega de curso, mas suportou o que considerou um tormento até o fim.
— Obrigada, meninas. — Letícia guardou suas anotações. — Virei aqui se precisar de mais alguma coisa, viu? — Mandou um beijo no ar e saiu. — Bom treino pra vocês. — Quando saíram, as amigas passaram por Leandro e Carmen que estavam indo assistir ao treino da amiga.