Capitulo 5 DINHEIRO É UM BOM PERSUAVISO
CAPÍTULO CINCO: DINHEIRO É UM BOM PERSUASIVO.
O fim de semana chegou e Ângela estava na casa de seus pais, na verdade, estava mais para uma mansão do que uma casa. O casal estava em volta da piscina quando a filha chegou usando um biquíni vermelho e com um óculos escuro para proteger os olhos azuis da luz.
— Vem dar um mergulho, filha. — Michelle levantou uma taça de champanhe sentada à beira da piscina.
— Obrigada, mãe, mas não estou afim. — Ela sentou um pouco distante. — Só quero pegar um pouco de sol.
— Pena. Nadar é um ótimo exercício e você está precisando perder uns quilinhos na barriga. — Apontou para a filha.
— Eu vou me exercitar mais, mãe. — Ângela ficou envergonhada e colocou os braços por cima da barriga. — Desculpe, mãe. —
— Tudo bem, querida. —Michelle sorriu. — Não está ruim assim, mas tome cuidado para não engordar. — Voltou seu olhar para o marido que nadava como um atleta.
— Que tal? Eu poderia até competir no mundial, hein? — O homem saiu da água mostrando seu corpo magro e alto. Seus cabelos grisalhos indicavam a idade acima dos cinquenta, mas ainda era um homem bonito.
— Claro, pai. — Ela sorriu quando ele se sentou na cadeira a seu lado.
— Como está indo a faculdade? — Pegou uma taça e encheu de champanhe.
— Muito bem. Como sempre, sou a melhor da turma. — Ângela omitiu que havia outra aluna quase tão boa quanto ela e que não tinha a mesma condição financeira que ela. Seria bem constrangedor dizer que alguém que provavelmente vive em uma favela é tão boa quanto ela que sempre teve os melhores professores.
— Ótimo. — O homem deu um tapinha no ombro da filha. — Quando estiver formada, irá trabalhar comigo no nosso hospital. — Bebeu o líquido cheio de orgulho. — Será uma das melhores cirurgiãs do Brasil. —
— A melhor, amor! — Michelle olhou os dois. — Estamos dando todo o suporte para você ser a melhor cirurgiã do país, nunca se contente com pouco ou acabara com nada. —
Ângela deu um sorriso amarelo, cheio de ansiedade e culpa. As altas expectativas de seus pais não eram simples de se alcançar, mas tudo que ela tem foi dado por eles, então era seu dever e obrigação ter todo o sucesso possível, pelo menos era isso que acreditava. A família desfrutou de mais alguns minutos juntos, não era sempre que Daniel conseguia folga no hospital. Apesar de ser o dono, ele sempre deu o exemplo de profissionalismo. Depois do almoço, Daniel foi trabalhar, deixando a esposa e a filha com expectativas para conversar, o que, segundo ele, eram “coisas de mulher”.
— E quanto a Rafael? Ele já fez o pedido? — Michelle já estava quase planejando o casamento da filha, só esperava o pedido acontecer.
— Mãe, e se não quipaímos casar? — Tentou ficar confortável, mas qualquer lugar do sofá lhe causava algum incômodo. — Não acho que eu e Rafael possamos ser felizes juntos. Nós não combinamos em nada. —
— Como não combinam?! Vocês são perfeitos juntos. — Michelle estava sentada confortavelmente. Sua maquiagem leve, os lábios rosados, o vestido rosa e o cabelo muito bem arrumado a faziam parecer mais jovem, quase da idade da filha que estava no auge de seus vinte e dois anos. — Ele é filho de um grande psicólogo e escritor, tem um futuro brilhante e você é a herdeira da família Viviera, praticamente o destino quer vocês juntos. — A mulher sorriu.
— E se nós não quisermos? — Sua voz saiu fraca, tímida, receosa de como sua mãe reagiria.
— Filha, é normal ter dúvidas sobre esse tipo de coisa. — Sentou ao lado de Ângela. — Mas com o tempo essas dúvidas vão sumir, elas não perduram para sempre e com o tempo você verá que casar com Rafael é a melhor coisa que poderia fazer. — Ela segurava as mãos da filha tentando convencê-la pelos argumentos, mas quando percebeu que não estava funcionando, ela fechou a cara. — Mas se você não se sente bem com isso, não podemos forçá-la. — Soltou a mão da filha e virou o rosto. — É uma pena, já que nós sempre cuidamos de você e planejamos cada passo da sua vida. Você nunca precisou se preocupar com nada em relação ao seu futuro desde o momento em que foi adotada. Tudo que eu queria era o casamento perfeito, mas tudo bem, você não precisa fazer isso apenas para agradar pessoas que nem são seus pais de verdade. — Tocou a parte inferior do olho com o dedo para enxugar uma lágrima.
— Não foi isso que quis dizer, mãe! — Ângela tentou segurar as mãos da mãe, mas a mulher recusou.
— Você não precisa mentir só para agradar uma estranha. — Era quase palpável a decepção de Michelle
— Eu não estava falando de mim. — Mentiu Ângela sem ver outra alternativa para se redimir.
— Não? — A mais velha virou com o rosto franzido.
— Eu estava falando do Rafael, às vezes ele fica distante. — Desviou os olhos para as próprias mãos. — Talvez ele não sinta amor por mim e não queira continuar comigo. — Não havia em seu rosto ou postura qualquer sinal de que estava mentindo, depois de anos ela sabia como mentir.
— Ah, filha, eu sinto muito. — Sua voz voltava a ter um tom suave e gentil. — Não se preocupe, eu mesma falarei com ele. — Os olhos de Ângela se arregalaram ao ouvir o que sua mãe disse.
— Não. — A palavra saiu quase como um grito desesperado. — Quer dizer: eu vou falar com ele. Se a senhora for, ele só vai ficar mais estranho comigo. — Ela segurava as mãos da mãe como se estivesse fazendo uma súplica. — E já que somos um casal, devemos resolver nossas coisas sozinhos, não é? —
— Acho que você tem razão. Se ele está indeciso, é melhor não pressionar. — As palavras de Michelle saíram calmas como antes.
— Não se preocupe, nós iremos resolver. — Ângela olhou suas fotos de infância. — Mamãe. — Um tom triste se fez presente.
— Sim.
— A senhora alguma vez se arrependeu de me adotar? — Seu olhar triste estava direcionado a uma foto específica. A foto em questão era do dia em que foi adotada, seus cabelos negros ondulados e o sorriso inocente de uma criança que acabara de encontrar sua família.
— Nunca, filha! — Virou-se completamente para a menor. — Adotar você foi a melhor coisa que aconteceu em nossas vidas. — Abraçou Ângela e fez carinho em seus cabelos. — No momento em que te vimos, sabíamos que seria perfeita para nós. —
— Obrigada, mãe, por ter me escolhido. — Abraçou a mãe pela cintura como uma criança assustada. — Eu nunca vou conseguir retribuir tudo que fizeram por mim. —
— Claro que vai, filha. Nós já pavimentamos seu caminho, você só precisa segui-lo. — Plantou um beijo no topo da cabeça.
— Eu vou para o meu quarto, mãe. — A mais alta saiu do abraço.
— Está bem. Depois falamos mais. — Ângela levantou.
Em seu antigo quarto, Ângela segurava uma de suas pelúcias. Ela sentou na cama, refletindo sobre as palavras de Michelle. Ela sabia que não seria feliz com Rafael, ela nunca o amou, mas seus pais estavam tão felizes com o relacionamento dos dois, ainda mais depois que ela insinuou estar gostando de uma colega quando ainda estava no fundamental. Desde o dia em que chegou àquela mansão, tinha em mente que precisaria se esforçar muito para provar a seus novos pais que não escolheram a órfã errada. Não passava por sua cabeça que nada disso deveria interferir no amor dos seus pais por ela. Para Ângela, era uma ingratidão não dar orgulho a seus pais, em especial a Michelle, que sempre fez questão de lembrar de onde veio, sempre a tratou como uma linda boneca, que todos os aspectos de sua vida estavam bem resolvidos, como em uma brincadeira.
O momento de contemplação foi interrompido quando o celular começou a vibrar em seu bolso. Alguém estava ligando e, ao ver de quem se tratava, ela arregalou os olhos.
— O que você quer, Camila? — Estava irritada e já esperando alguma chantagem para a morena não a delatar sobre sua proposta.
— Eu aceito sua proposta. —