Capitulo 7 PERIGOS Dificuldades De Um Amor · Capítulo 8 de 25
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Capitulo 7 PERIGOS

CAPÍTULO SETE: PERIGOS

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Na manhã seguinte ao ato, Ângela chegou à aula mais tarde do que o habitual. Sabia que encontraria Camila e, após o que fizeram, não queria encará-la, mas, ainda que fosse atrasada, ela precisaria ir à aula. Ao entrar na sala, esperava encontrar sua colega na cadeira de sempre, mas não estava lá. A aula começou e a jovem não aparecia na porta, nem mesmo no campus ela apareceu.

— O que acha de um jantar no restaurante...? — Rafael falou, olhando a namorada, mas suas palavras não haviam surtido efeito na moça. — Você está me ouvindo? — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

— O que? — Ângela finalmente percebeu que alguém falava com ela. Até aquele momento, ela estava observando os amigos de sua colega e amante, esperando que ela aparecesse em algum momento.

— Perguntei se você quer sair para jantar. — Ele reforçou, esperando uma resposta satisfatória. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

— Ah, eu preciso estudar mais para... —

— Ah, de novo isso? Você estuda demais. — O rapaz bufou. — A gente não sai para se divertir há semanas. — Rafael cruzou os braços mostrando o quanto estava frustrado com a decisão da namorada. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

Ângela não tinha a menor intenção de sair com o rapaz e a vontade só diminuía quando ele fazia birra, mas de fato eles não saíam há bastante tempo e isso poderia lhe causar problemas com seus pais caso ele falasse com eles. Quando o casal tinha um problema, era certeza que o rapaz iria apelar para os pais de Ângela, em especial para sua mãe, que sempre conseguia tudo que queria da filha. Isso acontecia sempre que brigavam por algo que o rapaz fez e não queria se desculpar, mas dessa vez apenas queria que a namorada voltasse a sair com ele.

— Está bem, vamos jantar fora hoje. — Sua voz estava mais grossa, demonstrando uma irritação com toda a situação, mas Rafael nem reparou nesse detalhe, ou melhor, ele não ligava se ela estava desconfortável desde que ele conseguisse o que queria. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

— Você é a melhor namorada do mundo. — Ele beijou a bochecha da menina que apenas revirou os olhos.

— Finalmente achei vocês. — Letícia sentou-se em frente ao casal. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

— Oi, Letícia. — Ângela cumprimentou com um sorriso largo.

— Olá, Letícia. — Rafael sorriu de maneira forçada. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

— Por que demorou tanto? — Ângela questionou, fechando seu notebook.

— Estava esperando a Camila para falar dos uniformes, mas ela não apareceu. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

— Você está desenhando o novo uniforme do time? — Rafael perguntou.

— Estou tentando, mas está dando muito trabalho. — Letícia suspirou, cansada. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

— Você vai conseguir, é a melhor designer daqui. — Rafael elogiou, não que ele se importasse, mas Letícia era próxima a Ângela e ficar bem com ela seria importante caso o casal tivesse problemas no futuro.

Ângela observava a interação deles sem muita atenção. Ela sabia que a amiga sentia algo por Rafael, no fundo ela torcia para ela falar logo o que sentia, mas naquele momento ela estava pensando em outra coisa. Enquanto Rafael e Letícia conversavam, Ângela mantinha os olhos discretos nos amigos de Camila até eles saírem. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

— Eu tenho que ir. — Ângela levantou rápido para perder a dupla de vista.

— Para onde você vai? — Rafael segurou a namorada pelo braço. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

— Eu preciso ver uma coisa, nos falamos depois. — Ângela se soltou do rapaz e se afastou.

— Está bem, mas não esquece do nosso jantar. — Ele falou e Ângela acenou. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

— Vai levar ela para jantar? — Letícia questionou, olhando o rapaz e disfarçando a tristeza.

— Sim, faz tempo que não saímos. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

— Já sabe onde vai levá-la? — Letícia olhava com atenção.

— Estou pensando se vale a pena levá-la a um restaurante que frequento. — O rapaz suspirou com a mão no queixo. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

— E por que não valeria? — Letícia questiona, confusa.

— É que… — O rapaz parecia pensar no que falaria. — Ângela não é fácil de agradar, parece que nada do que faço é bom o bastante pra ela. — O rapaz conseguiu pensar em algo bem rápido. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

— Talvez ela não seja a garota que você realmente quer, talvez... — Letícia colocou uma mecha de cabelo para trás. — Você encontre outras garotas de que goste e se prenda a Ângela só pelo compromisso que seus pais impuseram a vocês. — Rafael não respondeu, ele apenas deu uma risada involuntária.

O momento de silêncio foi interrompido pela vibração do celular de Rafael, na tela um nome conhecido por ambos brilhava. Letícia olhou atenta ao rosto, mas Rafael pegou o celular rapidamente para atender a ligação. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

— A gente se vê depois. — Rafael falou antes de sair deixando Letícia só.

Longe dos amigos, Ângela seguia a dupla de amigos que se direcionou para a biblioteca, ela se apressou mais ainda para alcançá-los. Quando finalmente chegou perto o bastante, ela chamou pela dupla que parou sem acreditar em quem os chamava. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

— O que quer com a gente? — Carmen perguntou após se virar.

— Vocês falaram com a Camila hoje? — A loira indagou ansiosa por alguma notícia de Camila. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

— Por que quer saber? — Leandro perguntou.

— Eu... — O que diria para eles? Não podia dizer que estava preocupada com a ausência da moça que até outro dia ela insultava sem dó. — Ela está com meu livro sobre o holocausto brasileiro, preciso dele de volta. — Foi a melhor desculpa que conseguiu inventar. — Vocês podem avisar a ela? — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

Leandro, que já não gostava de Ângela, deu um passo à frente e disse:

— Não somos garotos de re‐ — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

— Falamos sim, pode deixar. — Carmen tomou a frente do rapaz para evitar uma briga.

— Obrigada. — Ângela agradeceu e se afastou. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

Ângela se afastou nervosa, pensando sobre o que faria, não queria voltar para onde Rafael estava, não queria passar mais tempo com ele do que o necessário. Decidiu voltar para seu apartamento em vez de continuar no campo. Ela encontraria Letícia à tarde, mas não iria levá-la para casa pois, a jovem ficaria mais devido a ser o fim de seu curso.

Após seu banho, ela ouviu a campainha e, já sabendo de quem se tratava, mandou entrar. Letícia entrou no apartamento e sentou no sofá, esperando a amiga. Enquanto esperava, Letícia pegou seu caderno e começou a rabiscar. Estava cansada de pensar no design do uniforme e queria algo diferente. As linhas suaves convergiam para formar um terno, todo o desenho era pensado para que aquela roupa um dia fosse usada por Rafael. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

— Que lindo. — Ângela falou, tocando o ombro da amiga.

— Por que você gosta tanto de me assustar? — Letícia tinha a mão sobre o peito, tentando regular a respiração após o leve susto. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

— Ah, para. Você sabe que somente eu estava aqui. — Ela sentou ao lado da amiga. — Quem mais poderia aparecer? — Sorriu descontraída.

— Sei lá. Você poderia ter convidado alguém. — Letícia fechou o caderno. — Aliás, você não acha que está sendo muito descuidada? Você mandou entrar sem nem ao menos perguntar quem era. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

— Ora, eu sabia que era você. —

— Mas podia não ser, mas vamos deixar isso para lá. — Letícia conhecia a amiga e sabia bem que ela era fácil de se irritar em discussões. — Então, você vai jantar com o Rafael? — Olhou com sorriso. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

— Nem me lembre. — Ângela jogou a cabeça para trás e suspirou alto. — Era a última coisa que eu queria fazer. —

— Por que você não gosta de sair com o Rafael? Ele é seu namorado. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

— Eu gostaria de sair com ele, se ele não fosse um mala que não aceita ser contrariado. — Ângela desviou os olhos, lembrando da personalidade do rapaz.

— Ele não é tão ruim, só quer passar mais tempo com a namorada. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

— Ele devia tá mais preocupado com os estudos. — Comentou Ângela. — Mas já sabe que vai se formar independente de qualquer coisa. — Revirou os olhos. — Mas vamos deixar ele para lá. — Falou rude. Falar de Rafael era estressante e ser cobrada para dar mais atenção a ele era ainda pior. — O que você tem feito? — Estava genuinamente preocupada com a amiga e com sua vida.

— Você sabe. Não há nada muito importante acontecendo além dos trabalhos da faculdade. — Letícia não era o tipo de garota que falava muito de sua vida, sempre acreditou que era desinteressante, apesar de se esforçar para parecer o contrário, pelo menos quando estava em público. — Meus pais me forçaram a ir a um restaurante para comemorar a formatura da minha prima. — Seu tom ficou levemente mais triste. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

— Ei, não fica assim. — Ângela segurou a mão da amiga ao perceber a sutil mudança de expressão.

— Como não? Ela é quatro anos mais nova que eu e já se formou, enquanto eu... eu continuo me esforçando. — A jovem permanecia de cabeça baixa. — Talvez minha mãe tenha razão e eu seja só um desperdício de dinheiro. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

— Não tem, não. — Ângela puxou a mão da amiga com força. — Olha para mim. — Segurou o rosto de Letícia para que se encarassem. — Sua mãe é, com o perdão da palavra, uma cuzona que não enxerga o quanto a filha é incrível. — Ela enxugou uma lágrima nos olhos da amiga. — Você é uma estilista incrível e vai conseguir se formar. Repete comigo: sou uma grande estilista e vou me formar esse ano. —

— Sou uma estilista incrível e vou me formar esse ano. — Letícia tinha um biquinho. — E eu vou mostrar para minha mãe que sou capaz. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

— É claro que você é capaz, e não precisa provar isso para ninguém além de si mesma. — Beijou a testa da amiga. — Precisa de algo mais? —

— Tem sorvete? — Perguntou Letícia, enxugando uma lágrima. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

— Claro, eu vou pegar pra gente. — Ângela levantou para ir até a cozinha.

Enquanto esperava Ângela, Letícia viu o celular da amiga vibrando em cima da mesa e a surpresa veio ao ler o nome de quem ligava. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

— Tem alguém te ligando. —

— Quem é? — Perguntou Ângela enquanto tirava o sorvete da geladeira. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

— A Camila?! — Os olhos de Letícia quase saltaram para fora quando viu o nome. Frequentemente, Ângela reclamava das brigas que tinha com a colega e agora ela estava ligando para ela, as informações eram conflitantes para a moça.

— Me dá aqui! — Ângela pegou o celular rapidamente. — Alô. — Se afastou para ter certeza de que não seria ouvida. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

“Que droga foi essa de dizer aos meus amigos que eu tenho um livro seu?” A voz de Camila estava baixa, como se ela não quisesse ser ouvida, mas era possível notar sua raiva e até mesmo sentir como se seu olhar penetrante estivesse a encarando.

— Eu não tive escolha. Precisava inventar uma desculpa para os seus amigos. — Ângela olhou para trás para ter certeza de que estava longe o bastante de Letícia. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

“E o que você queria falando com eles? Até onde eu saiba, você nunca suportou a gente.”

— Eu... — A dúvida tomou conta da jovem. Nem mesmo ela sabia o porquê de ter procurado os amigos da colega, quer dizer, ela sabia que queria informações sobre Camila, mas por que ela queria isso? Essa era a real dúvida da moça. — Eu precisava falar com você para ter certeza de que não contou nada para ninguém. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

“Você é idiota? É claro que eu não contei.” O tom de Camila agora estava mais áspero que nunca. “Então não inventa mais mentiras sobre mim, se quiser saber algo, pergunta para mim.”

— E você não me liga sem avisar antes. A Letícia viu sua ligação e agora vou precisar inventar algo. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

“Então se vira, como eu fiz.”

A ligação foi encerrada e Ângela colocou o sorvete na taças para tomar com Letícia. Chegando na sala, encontrou a amiga sentada procurando um filme para verem. Respirou firme para poder parecer tranquila e evitar perguntas sobre a ligação. Letícia era uma das poucas pessoas que conseguiam perceber as mudanças dela quando mentia. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

— Aqui está o sorvete! — Falou, sentando ao lado da amiga.

— Oba! — Letícia pegou sua colher. — O que a Camila queria falar com você? — Olhou a amiga de forma suspeita. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

— Ela queria falar sobre um livro que acabou ficando com ela durante o nosso trabalho. — Ângela pegou um pouco de sorvete.

— E por que você não falou disso antes? Já faz um tempo que fizeram esse trabalho, não é? — Letícia parecia desconfiada de tudo que estava acontecendo. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

— É que só agora eu precisei do livro. — A naturalidade de Ângela ao falar era bastante convincente e Letícia se deu por satisfeita pois, não tinha intensão de se intrometer onde não lhe chamaram.

As horas passaram rapidamente para as amigas e logo já eram dezenove horas. Ângela pediu que a amiga a ajudasse a escolher uma roupa para o jantar com Rafael. Ela queria algo simples que não o fizesse feliz demais, mas que ainda realçasse sua beleza. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

— Um vestido vermelho decotado. — Leticia segurou o vestido, exibindo-o para a amiga.

— Nem pensar, ele vai ficar olhando para os meus seios o tempo todo. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

— Hm. E esse azul longo? —

— Nada disso. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

— E que tal um pretinho básico, acima do joelho, costas caídas e com um decote discreto? Uma cor discreta em um corte lindo, tecido leve e fácil para andar à noite. Perfeito para uma jovem sair à noite. — Letícia segurava a peça.

— Você está falando como aquelas velhas que trabalham em lojas de roupas. — Ângela riu. — Mas eu gostei desse. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

— Eu acho que estou pegando os trejeitos do professor Rubem. — Se juntou à amiga nas risadas. — Para os sapatos, que tal esses aqui? Salto levemente alto, em couro, sem detalhes chamativos? —

— Acertou de primeira. — Ângela pegou os saltos. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

— Quer ajuda para escolher a bolsa e outros adornos? — Letícia sentou na cama.

— Adornos? — Sorriu novamente do palavreado da amiga. — Escolha a bolsa, eu escolho os acessórios, pode ser? — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

— Eu disse, o professor está colocando essas palavras na minha cabeça. — Letícia colocou as mãos na cabeça como se tentasse lutar contra algo.

— Ah, ainda tenho que fazer maquiagem. — Ângela se jogou na cama. — É tão cansativo sair. — Ela ficou olhando enquanto Letícia pegava uma bolsa pequena sem alça. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

— Então eu preciso voltar pra casa, boa noite para vocês. — Ângela levou a amiga até a porta e elas se despediram com um abraço afetuoso.

Após o banho, Ângela começou a se arrumar. A maquiagem não era um problema para ela, algo suave para a noite, a roupa foi colocada rapidamente e de acessórios ela escolheu apenas uma pulseira e evitou colares. Às oito e quinze, Rafael chegou, mal abriu a porta e ele avançou sobre ela, lhe dando um beijo que borrou seu batom. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

— Por que fez isso? — Ela o afastou com as mãos. — Agora eu vou ter que passar tudo de novo. —

— Desculpe, eu... — O rapaz apenas abaixou a cabeça fingindo se sentir mal de uma forma extravagante. — Mas, e se a gente deixar o jantar para outro dia e bagunçar o restante da maquiagem e a roupa de brinde? — Sorriu de lado segurando a namorada pela cintura e a puxando. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

— Não. Agora senta aí e espera. — Empurrou o rapaz, fazendo-o sentar no sofá.

Em seu quarto, Ângela segurava sua irritação para não descontar nos objetos. Teve vontade de dar um tapa em Rafael, de mandá-lo embora e terminar tudo com ele a ponto de nem sequer voltarem a viver no mesmo país, mas conteve sua ira. Apesar da frustração, Ângela refez a maquiagem, mas dessa vez colocou algo ainda mais leve, quase imperceptível, pois sabia que ele não gostava. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

— Já está pronta? — Ouviu a voz do rapaz do lado de fora.

— Já estou saindo. — Conteve a irritação na voz. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

O casal saiu do apartamento com Rafael segurando a namorada pela cintura. Ângela, por sua vez, mantinha o sorriso e qualquer pessoa que a visse jurava que eram o casal mais apaixonado do mundo. O restaurante escolhido foi o “Céu e Mar”, era um restaurante que estava adquirindo certa fama e aos poucos se tornava famoso entre a elite. Os lugares já estavam reservados. Estavam na mesa mais distante do centro e mais confortável.

— Eu não conhecia esse restaurante. — Ângela falou ao sentar e observar o lugar e constatar que era elegante e discreto. — E bonito. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

— Não é? Ele está ficando conhecido aos poucos, a parte ruim é que agora eu tenho que esperar mais para conseguir uma mesa. — Respondeu o rapaz sentando à frente da namorada. — Antes não era assim. —

— Você o conhecia antes? — A morena perguntou. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

— Ah... sim. — Rafael travou como se dito algo errado. — Eu... vinha aqui com meus amigos. Você saberia se aceitasse sair comigo mais vezes. — Falou em tom acusatório.

Ângela apenas estreitou os olhos como forma de mostrar sua irritação com a provocação do namorado. Era mais uma tentativa fracassada de conscientizar o rapaz a respeito de suas cobranças infundadas. Passado algum tempo, um garçom veio à mesa do casal entregar o menu. Havia pratos italianos refinados, os preços ainda estavam em transição de valores, portanto, ainda eram acessíveis para algumas pessoas de classe média baixa. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

Pularam a entrada e optaram por um macarrão à carbonara, o segundo prato foi a bisteca ala Fiorentina e para sobremesa optaram por uma panna cotta. O garçom anotou cada pedido e se retirou, deixando o casal novamente a sós. Ângela ainda estava fascinada com o lugar que conseguia ser tão elegante e aconchegante ao mesmo tempo.

Na cozinha, os cozinheiros preparavam os pratos rapidamente, tomando todos os cuidados para que cada um saísse com o máximo de sabor. Os garçons estavam muito atarefados e precisavam que outros os ajudassem a atender as mesas. Logo os pratos do casal estavam prontos, e uma bela jovem pegou para servir à mesa. Ao se aproximar e ver os rostos familiares, a jovem quis retornar, mas não podia voltar com os pratos e atrasar o pedido, então seguiu em frente. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

— Aqui está. — Falou ao se aproximar da mesa.

Os olhos de Ângela se arregalaram e os pelos de seu corpo se arrepiaram ao ver a morena vestindo um terninho preto e seu cabelo cacheado curtinho lindo. O vermelho tomou conta de seu corpo e, instintivamente, olhou o namorado na intenção de chamá-lo para sair, mas se conteve. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

— Olha só! Nossa colega está nos servindo hoje. Eu nunca te vi antes. — Rafael comentou, pegando o guardanapo. — O que aconteceu? Toda a sua petulância da sala sumiu agora que sabemos onde você trabalha? — O rapaz tinha um sorriso zombeteiro nos lábios.

— Não me envergonho do meu trabalho, senhor, apenas não tenho que falar com os clientes. — Serviu os pratos. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

— Olha só. Senhor. Eu gostei disso. — Comentou, rindo, enquanto Camila retornava à cozinha.

— Vamos vir aqui mais vezes a partir de agora. — Olhou a namorada, ainda sorrindo com o encontro. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

— Fale por si mesmo. — Ângela já havia se recuperado do susto e voltado à normalidade.

— Por quê? Achei que você a odiava. Ouvir ela te chamando de senhora não é bom? — Rafael inclinou levemente a cabeça como quem duvida que Ângela recusaria viver tal situação mais vezes. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

— É justamente porque eu não suporto ela que não quero voltar aqui. — Ângela mexeu a comida. Rafael nada mais falou e apenas aceitou que a namorada não estava de bom humor. Eles fizeram a refeição enquanto trocavam poucas palavras. O rapaz falava sobre seus amigos e suas noites divertidas que tivera nos últimos dias, já Ângela nem tentava prestar atenção ao que ele dizia e apenas olhava para a cozinha esperando que Camila retornasse em algum momento para poder admira-la.

Após o jantar, Rafael levou a namorada para seu apartamento. Ao entrar, o rapaz não perdeu tempo em agarrar a namorada e puxá-la para um beijo. Ângela não protestou, estava genuinamente interessada em uma transa demorada. Eles removiam as roupas enquanto os beijos continuavam cada vez mais ardentes, a jovem enfiava os dedos nos cabelos do rapaz e o puxava para o quarto. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

— Eu gosto de você assim. — Falou antes de descer para baixar seu pescoço, tentando deixar uma marca.

Ângela agarrava o rapaz para juntar os corpos, queria aumentar o atrito, sentir pelo menos uma vez uma conexão entre os corpos, algo além do sexo banal e morno que sempre faziam, mas nada surtia efeito. Os lábios eram frios, os toques não causavam arrepios em sua pele, as mãos eram fracas e não a apertavam como queria. Nem mesmo a penetração, que em outras épocas causava algum prazer, estava fazendo efeito. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

A frustração estava tomando conta de Ângela. Ela esperava uma noite ao menos morna na cama, mas estava mais frio que a prisão de Lúcifer. Sua mente vagou traiçoeiramente procurando sentir algum prazer e lembrou de Camila, o olhar sério, a boca carnuda, as mãos pequenas, mas firmes, a língua, o cabelo cacheado cortado em um moicano atraente e a voz grosaa. Deixou um gemido escapar, finalmente estava sentindo o corpo arrepiado, mesmo com vergonha permitiu que a imaginação trouxesse de volta aquela mulher que por muito tempo desprezou. Tomada pelo prazer, ela guiou o rapaz até os seios, fazendo-o sugá-los. Lembrou novamente de Camila, dos lábios em volta de seus mamilos e, como mágica, seu corpo respondeu, enviando mais prazer.

Estava tudo perfeito, os gemidos aumentavam, todo o resto que antes lhe frustrava já não importava mais. Poderia continuar naquele ritmo a noite toda, mas então Rafael parou os movimentos e relaxou em cima da mulher. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

— Você é demais. — Rafael falou ofegante e beijou a bochecha da namorada.

— O que? Você... — Ângela não sabia como reagir, tamanha a frustração que sentia, empurrou o rapaz e levantou correndo para o banheiro. — Idiota. — Murmurou irritada. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌​‌‍

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