Capitulo 15 ELE FUGIU Dificuldades De Um Amor · Capítulo 16 de 25
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Capitulo 15 ELE FUGIU

CAPÍTULO QUINZE: ELE FUGIU

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Ângela ligou para Camila e pediu para ela a encontrar em sua casa assim que possível. Deixou claro que era apenas para ter uma conversa sincera sobre seu pai para evitar maus entendidos. Camila disse que não poderia, pois tinha um jogo de vôlei naquele horário. Ângela pediu o endereço do local onde iria acontecer o jogo e decidiu que iria assistir. Já havia perdido um dos jogos e não queria perder outro em seguida.

Ela chegou ao ginásio e a plateia já estava cheia. Ela viu que a mãe da morena estava na arquibancada e foi até ela para cumprimentá-la e começar a gravar. Marília a abraçou e ambas sentaram juntas para assistir ao jogo. Elas já haviam estado na plateia ao mesmo tempo, mas por não se conheceram nunca trocaram uma palavra. Era a primeira vez que as mulheres torciam juntas. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​‌‌‍

Estava começando o segundo set e a loira pega sua câmera para gravar cada lance. O time da universidade havia perdido o primeiro set e agora era Carol quem sacava. Ela era alta o bastante para sacar sem precisar pular e acertou a adversária em cheio. Começou um rali acirrado, Camila defendia sem deixar a bola cair e sem se importar com a direção que a bola iria.

— Não é perigoso ela se machucar nessas defesas? — A loira perguntou, olhando Camila cair no chão para evitar que as adversárias fizessem mais um ponto, e imediatamente ela voltar à sua posição. Mesmo tendo visto aquilo algumas vezes ainda era impressionante. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​‌‌‍

— Eu também me preocupava no começo, mas eu sei que ela sempre toma cuidado, e o time está pronto para evitar machucados. — Explicou Marília, sorrindo ao ver a filha levantar a bola. — Eu já vi você em alguns jogos dela. —

— Eu nunca vi a senhora. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​‌‌‍

— Você sempre sentava do outro lado, nem dava para me ver. Eu só via você porque notava os olhares dela para você. — Ângela ficou vermelha com a fala da mulher e, sem querer, abriu um sorriso convencido.

Novamente olhando para a quadra, elas viram o time adversário fazer um ponto de bloqueio e o time se abraçar. A treinadora pediu tempo. O placar estava em quinze para o time adversário e dez para o time de Camila, era uma diferença grande e difícil de ser superada, ainda mais após ter perdido o primeiro set. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​‌‌‍

— Por que ela pediu tempo? — Perguntou Ângela.

— Deve ter percebido algo que às vezes meninas ainda não viram ou só para elas poderem se acalmar para tentar virar. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​‌‌‍

De longe, as duas mulheres viam o time colocar água na boca e depois cuspir em um balde. Enquanto a pequena jogadora fazia isso, ela olhou para a arquibancada e para onde sua mãe estava. Assim que viu quem estava ao lado da mulher, seus olhos arregalaram de surpresa e ela abriu um sorriso ao ver a loira gravando o jogo. As duas se encararam por alguns segundos, a maior acenou com um sorriso apaixonado ate a morena ser chamada pelas colegas.

As jogadoras assumiram seus lugares e o jogo recomeçou e dessa vez o ritmo era diferente, Camila fazia as defesas que pareciam impossíveis, se jogou em cima da arquibancada para defender uma bola e jogá-la e voltar para o outro time. Ponto a ponto, a partida estava se equilibrando. Camila até mesmo fez algumas investidas que impressionavam devido à força. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​‌‌‍

— Parece que você animou ela. — Marília comentou, olhando a filha cheia de orgulho.

— O que? — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​‌‌‍

— Ela está jogando melhor depois que te viu, acho que você inspira ela. — Complementou Marília.

— Não é nada disso, ela só está pensando em vencer, deve ter sido algo que a treinadora falou. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​‌‌‍

A mulher de cabelos grisalhos não rebateu, ela apenas olhou a loira e sorriu feliz por algo que só ela sabia o que era. O jogo continuou e o segundo set foi para o time de Camila. As meninas comemoraram com gritos e pulos em uma roda fechada.

Quando o segundo set começou, o time estava centrado, estavam empatadas e vencer era fundamental para levantar a moral, da mesma forma que perder um terceiro set poderia abalar o psicológico das jogadoras. O set estava equilibrado, sempre que um fazia ponto, o outro fazia logo em seguida, foi assim até o décimo ponto e então uma decisão inesperada. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​‌‌‍

A treinadora pediu tempo novamente e, quando voltaram, Camila estava no bloqueio junto a Carol. As jogadoras do outro time se entreolharam, pois não era comum a menor do time ficar no bloqueio. A partida recomeçou e logo as adversárias perceberam o motivo da troca. Camila pulava mais alto que qualquer outra do seu time.

Com a adição de Camila no bloqueio, as bolas quase não passavam pela rede. Com a defesa das amigas, o time conseguiu virar e vencer o terceiro set. O intervalo foi para comemorar e planejar novas estratégias para vencer o quarto set, se vencessem o jogo acabaria ali. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​‌‌‍

Após uma troca de olhares entre as amantes silenciosas, os times entraram em campo. A morena estava novamente no bloqueio, parando todas as bolas junto de Carol. Dessa vez, o outro time veio mais agressivo, era um set decisivo para elas e estavam dispostas a ir com as melhores jogadoras desde o início. O time de Camila estava com a vantagem e na arquibancada Marilia e a mulher que amava comemoravam cada bloqueio e cada ponto como se fosse o match point.

Estava vinte a vinte e três, faltava pouco para Camila e suas companheiras vencerem. Mais dois pontos e acabava. Elas encaravam as adversárias com seriedade e respeito, de ambos os lados a concentração era máxima. O vigésimo quarto ponto foi feito, era match point e a menor agora respirava com alívio, mas ainda centrada. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​‌‌‍

A atacante ia para o saque e seus olhos encararam os de Camila, um olhar feroz entre as duas e então ela sacou, mas a bola foi em direção à outra ponta. Carol pulou rapidamente, mas a bola passou por ela e saiu fora da área do time. O juiz apitou o fim da partida e o time se reuniu para comemorar, mas antes de se reunirem, a capitã do time adversário chamou o juiz alegando que a bola tocou os dedos de Carol.

— O que aconteceu? Por que elas ainda estão esperando? — Perguntou Ângela, olhando o time parado, esperando enquanto as capitãs falavam com o juiz. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​‌‌‍

— Deve ter sido algum toque na rede ou na bola. — Explicou a mulher mais velha. — Vamos ver no replay. —

O telão mostrou a jogada e, com um zoom nos dedos de Carol, lá estava a prova cabal, a bola relou levemente nos dedos da jovem e o ponto foi invalidado. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​‌‌‍

— Elas podiam só deixar para lá, já é bem claro que vão perder. — A loira falou, frustrada com a decisão do juiz.

— Não é assim, querida. — Marília estava sorrindo com a inocência da jovem a seu lado. — No vôlei não é tão simples. Pode parecer que elas não têm chance, mas uma virada sempre é possível. Ainda mais com um time tão agressivo. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​‌‌‍

O jogo recomeçou e a menor estava novamente no bloqueio, mas não ficou lá por muito tempo, pois o time estava com dificuldade na defesa e acabaram deixando duas bolas caírem. O jogo estava quase empatado quando Camila foi para a defesa. Estava pronta para não deixar uma única bola cair no chão.

Começou um rali e a morena defendia a área com mergulhos rápidos e precisos. No momento mais acirrado da partida, uma atacante mirou na morena e acertou a bola com tanta força no rosto da morena que a derrubou no chão. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​‌‌‍

— Que isso? Ela ficou maluca? — Ângela levantou ao ver a morena colocar as mãos no rosto. Ela nem ligava pra a gravação.

— Calma, querida. — Marília segurava o braço da loira. — Ela está bem. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​‌‌‍

— Mas ela acertou a Camila de propósito. — Gritou a jovem, indignada com o ataque covarde.

Na quadra, o time se reuniu em volta de Camila, ela havia perdido uma bola e as adversárias as alcançaram nos pontos. Com o set empatado, era preciso concentrar ainda mais na defesa. A menor defendia e levantava a bola sempre que podia, e a defesa do outro time não ficava atrás. Um ponto era marcado e logo em seguida o time adversário fazia outro. Estava vinte e sete a vinte e oito. A bola passou pelo bloqueio e a morena se jogou para defender, levantou a bola o bastante para uma inversão e um ataque que terminou com a bola no meio da quadra adversária. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​‌‌‍

— Acho que nunca estive tão nervosa na minha vida. — Ângela falou. Ao lado dela, Marília tinha as mãos juntas à boca. A mulher parecia fazer uma oração silenciosa. — Vai, só mais um ponto! — Agitou e todas as jogadoras olharam.

Era o momento decisivo para Camila e as Artêmis. Só precisavam de mais um ponto para vencerem a liga de vôlei. Carol foi sacar, o time estava todo pronto para o contra-ataque, a capitã mandava os sinais e Carol jogou a bola para o alto. Um rali se iniciou e as jogadoras trocavam de posição rapidamente, em uma das defesas de sua colega a bola foi muito alta, ela estava indo em direção à arquibancada, seria mais um ponto para as adversárias. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​‌‌‍

Determina, Camila correu o mais rápido que pôde, os músculos de sua perna ardiam devido à força que fazia, mas ela perseguiu a bola até devolve-la para o outro lado. Caiu por cima de algumas torcedoras, mas conseguiu. O lindo movimento foi gravado pelo celular de Ângela. As jogadoras defenderam e voltaram a atacar. Com a defesa da menor, o time estava mais confiante e em um vacilo a bola tocou o centro da quadra das adversárias. Vinte sete a vinte nove

As Artêmis se juntaram em um círculo e toda a equipe comemorou com pulos e gritos. Elas se abraçavam em um círculo de união. A loira ajudava Marília a descer da arquibancada para que ela comemorasse com a filha. As duas se aproximaram do time e Camila correu até a mãe assim que a viu. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​‌‌‍

— A gente ganhou, mamãe. — A morena abraçou a mãe com força. — Nós vencemos, mamãe. — Ela tinha algumas lágrimas tímidas nos olhos.

— Parabéns, filha. Eu sempre soube que você conseguiria. — Ela abraçava a filha com força. Estava cheia de orgulho. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​‌‌‍

— Parabéns! — Ângela falou após a morena se separar da mãe. — Você foi incrível! — Ela tinha um sorriso largo.

— Obrigada, eu não esperava que viesse ver o jogo. — As jovens tinham sorrisos apaixonados. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​‌‌‍

— Eu não perderia. — Falou, apertando a mão da morena. — Vai lá, estão chamando você. —

As Artêmis eram as atuais campeãs de vôlei. O time se reuniu para receber o troféu e as medalhas pela vitória. A comemoração continuou em uma pizzaria próxima, onde o time, junto com seus convidados, comemorava a vitória com bastante comida. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​‌‌‍

— E um brinde à nossa baixinha de ouro. — A capitã levantou um pedaço de pizza em vez de um copo com bebida. — Você salvou a gente em vários momentos. Sem você, a moral do time teria baixado e talvez a gente tivesse perdido. —

O time e a treinadora olharam a menor e comemoraram com uma espécie de brinde com pizzas. A comemoração continuou até as oito da noite. Todo mundo estava voltando para suas casas e Camila ajudava a mãe a levantar. Ela havia recusado o convite das companheiras para levarem as duas, pois ambos ainda teriam que trabalhar e levá-las até em casa iria atrasá-las. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​‌‌‍

— Você recusou a carona das suas amigas para que eles não se atrasassem, mas eu não tenho esse problema, então espero que aceite a minha. — Ângela falou, parada em frente às mulheres.

Antes de Camila responder um “não”, Marília tomou a palavra. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​‌‌‍

— Adoraríamos, querida.

— Ótimo, vou pegar o carro. — A mais alta saiu com um sorriso satisfeito. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​‌‌‍

— Mamãe, por que aceitou a carona dela? — A morena perguntou, segurando o braço da mãe.

— Porque ela tem razão e porque você quer mais tempo com ela. — Respondeu já na saída da pizzaria. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​‌‌‍

— Eu não queria mais tempo com ela. —

— Você quer sim, filha. Você quer sim. — A mulher deu algumas batidinhas na mão da filha. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​‌‌‍

O carro de Ângela parou em frente às duas mulheres. Camila ajudou a mãe a sentar no banco de trás e foi na frente com a loira. Marília olhava a filha e sua amiga com atenção. As duas conversavam sobre o jogo, Camila sorria enquanto explicava algum lance que Ângela não entendia. A mais velha sorriu satisfeita com a interação entre as duas, nem as dores que sentia poderiam tirar sua alegria ao ver a filha tão descontraída com alguém além dela.

— Você quer entrar? — Perguntou Camila quando o carro parou em frente à sua casa. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​‌‌‍

— Claro. —

Camila ajudou a mãe a se arrumar para dormir e a tomar todos os remédios enquanto Ângela arrumava a cama para a mulher dormir. Após Marília deitar, as jovens saíram para conversar na sala onde não seriam ouvidas. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​‌‌‍

— Eu procurei informações sobre seu pai. — Ângela falou, sentando-se no sofá.

— Hm, agora você sabe que cada palavra era verdade. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​‌‌‍

— Sim. — Ângela não olhava a colega. — Tentei falar com meu pai sobre o caso. —

— Pelo jeito, não conseguiu. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​‌‌‍

— É, não consegui. — Um suspiro alto cortou o ar. — Ele... disse que nunca ouviu falar de um Pedro Ferreira e não falou nada sobre ter causado qualquer acidente. —

— Do topo da sua fortuna, deve ser difícil ver quem está embaixo. Talvez ele realmente tenha esquecido. Se nem a justiça se importou, por que ele se importaria em lembrar? — A morena apertava os dedos com força para conter a raiva. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​‌‌‍

— Eu sinto muito. — Ângela olhava a colega de longe. Queria se aproximar, mas sentia medo de deixá-la mais irritada. — O que você quer fazer sobre isso? —

— Eu não sei. Eu só quero cuidar da minha mãe. Eu queria justiça para meu pai, mas nós já tentamos tanto. — Um suspirou saiu de seus lábios. — Eu só quero esquecer isso e viver a minha vida em paz. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​‌‌‍

— Eu posso perguntar uma coisa? — A maior pegou a foto de família.

— Pergunte. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​‌‌‍

— Por que você não tem o sobrenome do seu pai? — Perguntou, olhando a morena.

— É que... ele não é meu pai biológico. — Respondeu, olhando a foto nas mãos da loira. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​‌‌‍

— Sério? — Os olhos da loira ganharam um brilho diferente e sua atenção se voltou para a colega.

— É, ele e a minha mãe se conheceram em uma visita do corpo de bombeiros à minha escola. Eu não lembro bem o motivo deles estarem lá, mas foi ali que ele se apaixonou pela minha mãe. — Camila sorriu. Parecia que uma lembrança havia sido desbloqueada. — Naquele mesmo dia eles conversaram e, após descobrir que minha mãe estava solteira, ele a convidou para sair. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​‌‌‍

— Amor à primeira vista? — Ângela sorriu com a ideia.

— Certamente. Eles ficaram saindo por várias semanas. Ele sempre arrumava tempo para sair com a gente e me tratava muito bem, sempre brincando comigo. — A menor se aproximou da loira e pegou a foto de sua família. — Ele já me tratava como filha mesmo antes de namorar a mamãe. Depois do casamento nada mudou. Ele era um máximo. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​‌‌‍

— Que fofo. — A loira falou, olhando a morena. — E o seu pai biológico? Ele morreu? —

— Ah, não. — Camila jogou a cabeça para trás. — Ele e minha mãe se conheceram na faculdade. Ela cursava gastronomia e ele psicologia... mas a mamãe teve que abandonar a faculdade quando engravidou. No começo, ele pareceu aceitar bem, mas um dia, sem motivo nenhum, desapareceu e não procurou mais ela, nem mesmo a família dele se deu ao trabalho de nos procurar. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​‌‌‍

— E você já conheceu ele pessoalmente? — A curiosidade da mais alta falava mais alto que seu bom senso.

— Não. Eu nem sei qual é o nome dele. — Camila devolveu a foto à mesinha. O movimento de devolver a foto fez ela se aproximar da loira. Estavam próximas o bastante para sentirem a respiração uma da outra. — Mas eu tive o melhor pai do mundo. Por poucos anos, mas tive. — Se afastou rapidamente de Ângela. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​‌‌‍

— Você não tem nada dele? Digo, do seu pai biológico? —

— Uma marca de nascença. É tudo que tenho e queria poder cobrir com uma tatuagem. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​‌‌‍

— Entendi. Você não quer nada que lembre ele. — A loira ficou triste e não insistiu nas perguntas.

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