Capitulo 22 NÃO FOI SUA CULPA!
CAPÍTULO VINTE E DOIS: NÃO FOI SUA CULPA!
Dias passaram com uma velocidade absurda, como se o tempo quisesse afastar a lembrança de Marília, no entanto, ainda havia coisas a serem resolvidas. O caso de Ângela ainda estava aberto, a delegada não voltou a chamá-la e nem a Rafael, o rapaz permanecia livre para caminhar e até para fazer seus jantares semanais no restaurante “Céu e Mar”, onde Camila logo voltaria a trabalhar, mas desde o ocorrido ele não retornou ao lugar.
Ângela começava a perder as esperanças de ter alguma justiça em seu caso, mas tudo que conseguia fazer era esperar por notícias. Diante da situação com seus pais, sentia que não podia recorrer a ninguém além de si mesma, mas tudo mudou quando, um dia antes de Camila voltar a trabalhar, elas receberam a visita dos amigos. Leandro e Carmen visitaram o casal esperando poder ajudá-las em seus problemas.
— Então o caso está sendo engavetado? — Leandro falou, sentado ao lado da namorada.
— Eu não sei, não falaram mais nada e ele ainda está solto como se nada tivesse acontecido. — Ângela respondeu, olhando o chão. — Eu ainda não te agradeci por me acompanhar e auxiliar na delegacia. Eu gostaria de te d… —
— Nem pense em falar sobre dinheiro, sua grana não vai me comprar e eu fiz pela Camila. — A resposta do rapaz pesou o clima, tanto Ângela quanto Camila sentiam o desconforto, mas não se deixaram levar por ele. — Mas eu estive pensando, vocês já pensaram em tornar o caso público? —
— Eu não sei se conseguiria. — A loira falou. Ela procurou a mão de sua amada e a apertou com força e recebeu o mesmo aperto.
— Expor uma coisa como essa é abrir espaço para julgamento e coisas ainda piores. — Alertou Camila, segurando sua amada com força.
— Eu sei, mas essa pode ser uma forma de fazer a polícia agir ou ao menos conseguir atenção para o caso. — Carmen retrucou, ela apoiava a ideia de seu namorado pois achava que se não agissem, Rafael continuaria sem punição.
— Ou poderia tornar tudo pior. Ele é rico, bonito, nunca sequer cometeu um ato rude em público. — Foi Ângela quem falou. Estava considerando todas as possibilidades de dar errado e ela ser mais julgada do que o próprio criminoso.
— Entendemos isso, e é um risco bem alto, mas se mudarem de ideia, eu conheço um jornalista que tem uma página bem grande, além de trabalhar em um jornal de muito alcance e pode ajudar a gente... quer dizer, vocês. — Leandro avisou.
Após a saída do casal, Ângela e Camila voltaram à sua rotina. Estavam estudando para concluir o curso de medicina, embora nenhuma tivesse ânimo para tal tarefa, era algo que faziam uma pela outra. Enquanto lia um livro sobre ética médica, Camila olhava a loira que parecia distante. Ela tinha algo em sua mente que queria compartilhar com a jovem.
— Eu estive pensando. — A voz de Camila estava baixa. — Talvez... as moças que ele leva ao restaurante tenham sofrido algo também e, nesse caso, elas poderiam fazer a denúncia junto a você. —
— Não sei se é o caso. — Ângela parou de ler seu livro sobre a luta antimanicomial no Brasil.
— Você acha que ele não fez nada com as outras? —
— Ele só foi atrás de mim porque... eu terminei com ele, estava com tanta raiva de mim que... somente de mim, entende? O problema dele era comigo. — Ângela se encolheu. Vergonha pairava sobre aquela mulher em todos os momentos em que o crime era citado, essa seria uma sombra eterna que teria de carregar.
— Amor, esse tipo de coisa não acontece do nada, esses crimes não são deslizes ou mera reação. É sempre planejado, idealizado, saboreado, não pelo ato, mas por saber que a pessoa sofre. O término foi uma desculpa conveniente para essa situação, mas ele planejou tudo, agiu consciente da dor que causaria e agiu principalmente sabendo que causaria essa dor. Ele queria te machucar, e você não pode deixar que ele saia impune. — Camila olhava fixamente os olhos azuis.
— Se não foi pelo término... quer dizer que ele poderia fazer em qualquer outra situação... por que... por que se não é pela raiva, é por quê? Pelo prazer de te machucar? De humilhar? Então... ele faria em qualquer outra circunstância, mesmo que eu fosse a mulher mais apaixonada do mundo. — Ângela soluçava enquanto procurava cenários em que as coisas não teriam seguido o caminho que seguiram.
— Não dá para saber, e eu não quero que você viva um eterno “e se”, não faça isso com você, amor. — Camila acariciou o rosto da loira.
— Talvez seja uma punição... pelo que eu fiz com você. — Ângela sussurrou, jogando o livro fora.
— Não, não, não, não. Não é nada disso. — Camila se aproximou. — Nada disso é punição, castigo ou lição. É um crime, nada justifica isso, nem os erros do passado e nem os do futuro. —
— Mas parece que foi. Parece que é uma punição por tudo que fiz. — Ângela procurou os braços da morena e deitou em seu colo.
— Mas não é. É sua mente tentando achar justificativas. Tentando achar um lugar onde isso não aconteceria. —
— Eu não consigo ver desse jeito. —
— Você sofreu muito, sua mente ainda está processando tudo. Talvez você precise de ajuda para isso. —
— Hm eu vou vender o apartamento... não quero mais voltar para lá. — Sussurrou, com o rosto escondido na curva do pescoço da morena. Não queria continuar aquele assunto.
— Seus pais vão deixar? Quer dizer, você vai falar para eles? — Camila retrucou enquanto fazia carinho nos cabelos da jovem.
— Eles não têm que deixar, o apartamento é meu e nesse momento vamos precisar desse dinheiro e eu não quero mais ele. — Ângela estava mais calma, mudar de assunto fez sua mente mudar.
— Eu gosto de você ser tão decidida, e gosto mais ainda quando você fala de nós como casal. — Camila abriu um sorriso bobo.
— Nós somos, não é? Quer dizer, mesmo sem um pedido, nós estamos juntas. — A loira olhou para sua amada. — Você acha que é hora de um pedido? —
— Eu disse que iria esperar você se sentir à vontade para isso e eu vou continuar esperando. —
Ângela refletiu sobre as palavras de Camila, sua escolha de esperar até estar pronta para um novo compromisso, mas nessa altura ela já sabia que ambas se amavam e que, apesar da história conturbada, ambas estariam juntas daquele momento em diante. Amar a morena foi um desafio no início, seus preconceitos a impediam de ver a mulher como um par romântico, mas agora nem sequer podia cogitar um futuro sem ela.
Ângela segurou os ombros da morena, fazendo-a se afastar levemente. Camila, a princípio, não entendeu a ação, mas aceitou. Ambas estavam sentadas de frente uma para a outra, a loira segurou as mãos um pouco menores que as suas e sorriu.
— Os últimos acontecimentos foram intensos, mas mesmo assim fizeram ter certeza de que eu amo você e não pretendo fugir desse sentimento. — O coração de Ângela estava batendo tão rápido que teve medo de Camila o ouvir. A única coisa mais rápida do que o coração dela era o da morena que estava quase pulando para fora. — Aceita namorar comigo e ficar comigo até que a morte decida tirar uma de nós desse mundo? — A voz da loira estava trêmula, mas ela falou o mais rápido que podia.
A resposta da morena não veio em palavras, até porque as palavras não saíam, embora ela abrisse sua boca, mas quando as palavras faltam, é hora de agir. Suas mãos seguraram o rosto delicado de Ângela, seus longos dedos apertavam suas bochechas enquanto seus lábios tocavam os da mais alta.
Não havia nada de sexual naquele beijo, ele era apenas uma demonstração de amor mútuo, era a confirmação de que o passado não interferiria mais na relação das duas. Uma única lágrima brotou do olho direito de Ângela e ela encerrou o beijo com vários selinhos.
— Isso é um sim? — Ângela perguntou, ainda estava levemente embriagada pelo beijo.
Novamente, Camila beijou a loira, mas desta vez um pouco mais intenso, como se isso fosse suficiente para mostrar o quanto amava sua namorada.
— Ainda precisa de uma resposta? — Respondeu com o rosto a centímetros do rosto da namorada.
— Preciso sim. —
A resposta era uma provocação e, como esperado, mais beijos vieram, beijos que não tinham o objetivo de criar mais tensão sexual e sim de tornar cada segundo mais leve. Aquele momento repleto de amor mostrava para ambas as mulheres que, pelo menos por alguns poucos minutos, a vida podia ser muito boa. Mesmo depois de uma desgraça, ainda havia espaço para bons momentos.
O dia de retornar ao trabalho chegou e Camila já estava pronta para ir trabalhar. Ângela iria buscá-la assim que ela saísse do trabalho. Naquela noite, o restaurante não estava tão cheio, então ela podia respirar entre um atendimento e outro. Todos os trabalhadores do restaurante prestaram condolências pela perda de Camila e, apesar do desconforto, a jovem agradeceu o carinho e consideração de todos.
Todo o trabalho de Camila, naquele dia, se resumia a anotar pedidos, mas entregar estava sob a responsabilidade de outra pessoa, pois todos ali sabiam que, além da morte da mãe, a jovem ainda tinha que concluir o curso de medicina. A jovem estava entregando um pedido aos cozinheiros quando ouviu, entrando no restaurante, uma das acompanhantes de Rafael. O rapaz não estava com ela, em vez dele, havia uma moça de cabelos longos e usando um lindo e longo vestido preto.
— Carmen! — Chamou a amiga, ainda olhando as duas. — Qual o nome da ruiva que está sentada na mesa número dez? —
— Se não me engano, o nome dela é Fernanda, não foi uma das moças que acompanhavam o Rafael? — Carmen olhava as duas. — Ele veio com ela? — Carmen estava pronta para expulsar o canalha do restaurante.
— Não sei, mas preciso falar com ela. — Camila já estava pronta para ir até a mesa da jovem, mas Carmen segurou seu braço.
— Espera, vamos esperar para ver se ele aparece e então falamos com ela. — Camila estava prestes a retrucar, mas Carmen não permitiria. — Espera. Se ele aparecer, iremos expulsá-lo, mas vamos ver o que acontece antes de partir para cima dela. —
Camila concordou com tudo e esperou que Rafael aparecesse. Ela não tirou os olhos da mesa por minutos e nada de Rafael entrar, então Fernanda levantou e foi em direção ao banheiro. Era a oportunidade perfeita de abordá-la, então a garçonete saiu da cozinha e foi em direção ao local onde a mulher estava.
Antes de falar com a ruiva, Camila olhou se não havia outras pessoas no local, olhou em cada cabine enquanto Fernanda arrumava sua maquiagem. Após se certificar de que estavam sozinhas, a jovem se aproximou e então a coragem de falar veio.
— Com licença. — Falou atrás dela.
— Olá, posso ajudar em algo? — Perguntou Fernanda, intrigada com o motivo de a garçonete estar falando com ela.
— Talvez sim. Não sei se lembra, mas eu atendi você e... um outro rapaz quando vocês vieram aqui há algumas semanas. — As mãos de Camila não pararam um só instante, elas se agitavam pelo nervosismo.
— Ah, sim. Eu lembro, infelizmente eu lembro de tudo. — As palavras da ruiva saíram com certa amargura, tal sentimento era um alerta de que algo ruim aconteceu entre os dois.
— Ótimo. Eu preciso fazer uma pergunta e tudo que peço é para que seja honesta. — As palavras de Camila eram hesitantes. — O rapaz que estava com você naquela noite... ele demonstrou algum... — Ela procurava as palavras adequadas para fazer a pergunta. — Algum comportamento agressivo ou perigoso? —
— Por que quer saber disso? — Indagou a ruiva.
— Bom, é que… —
— Já sei. Você não o viu e está preocupada de não receber a alta gorjeta que ele deu para guardar nosso segredo. — A jovem falou sem sequer cogitar qualquer outra possibilidade, o que deixou Camila irada. — Não se preocupe, ele com certeza vai arrumar outra para... enganar. —
— NÃO É NADA DISSO! — Camila gritou, mas logo se recompôs. — É que ele é um canalha criminoso e... ele tentou abusar da minha namorada depois que ela terminou com ele, eu não sei exatamente o que havia entre vocês, mas eu pensei que você poderia dar algum depoimento sobre o comportamento dele. — Camila já estava olhando para o chão, as palavras saiam no automático, confusas, mas verdadeiras. — Sei lá, talvez ele já tenha demonstrado algum sinal de que era um criminoso ou tenha assediado você de alguma forma. Eu só quero que esse desgraçado vá para a cadeia e pague pelo que fez à minha namorada. —
— Ela denunciou? —
— Sim, mas a investigação não está avançando, pode ser que os pais dele estejam pagando bastante para ele não ser preso. — Explicou Camila. — Eu vim falar com você porque queremos levar o caso a público e mais pessoas que podem ter sido vítimas dariam mais credibilidade. —
— E vocês acham que isso vai funcionar? — Fernanda levantou a sobrancelha.
— Não há certezas, mas esperamos que sim. —
— Olha, aquele maldito é um canalha que não consegue ouvir um não. — Relatou Fernanda, olhando o chão. — Quando aceitei sair com ele, eu pensei que era um bom rapaz, ele era um pouco arrogante e controlador, mas eu achava que era por ele ser comprometido, acontece que não era por isso. Ele era um grande escroto, eu não cheguei a sofrer nenhum abuso sexual, mas ele me bateu quando eu disse que não queria fazer sexo com ele. —
— Você aceita fazer a denúncia com a gente? — Camila questionou.
— Aceito, mas eu não quero meu nome citado. Já basta minha mãe dizendo que não teria acontecido nada se eu não tivesse saído com um homem comprometido. Não preciso de estranhos dizendo isso. —
— Eu entendo, as pessoas são maldosas. Vou falar para não citarem seu nome. Pode me dar seu número? Quando falar com o jornalista para entrevistá-las, eu te ligo. —
As moças trocaram números de celular para se manterem informadas. Pela primeira vez, desde a morte de sua mãe, Camila sentia que as coisas iriam se resolver de verdade. Saber que havia chances de conseguirem prendê-lo deixava Camila aliviada.
— E como ela está? — Fernanda questionou, mas Camila estava confusa com a pergunta. — Sua namorada, como ela está? —
— Se recuperando. Ela se recusa a se deixar abalar com o que aconteceu. Ela não demonstra fraqueza diante dos outros, mas eu sei que ela está assustada e, por isso mesmo, eu não posso deixá-la cuidar disso sozinha. — Respondeu Camila com um olhar de tristeza.
— Ela tem sorte em ter você para cuidar dela. — Havia um pouco de inveja na fala de Fernanda, mas ela também estava aliviada por alguém estar empenhada em colocar Rafael atrás das grades.
Ângela veio ao restaurante apenas para buscar sua, agora, namorada. Estava se sentindo insegura e assustada em estar sozinha lá fora, mas ela se mantinha firme pensando que logo sua morena de estatura mediana estaria com ela. Após a meia-noite, ela viu alguns cozinheiros e garçons saindo. Logo, sua morena surgiu com sua jaqueta em mãos. Ela buzinou e, em questão de segundos, Camila estava entrando no carro.
— Preciso te contar uma coisa. — Camila falou assim que estavam deitadas.
— O que? Que nós precisamos comprar uma cama maior? — A loira sorriu.
— Não. — Camila sorriu pela resposta inesperada. — É que... eu falei com uma das moças que saíam com o... — Parou por um instante, mas continuou. — Rafael. — A menção ao rapaz causou um certo calafrio na maior.
— Por quê? —
— Eu queria saber se ela estaria disposta a nos ajudar. Falei sobre a ideia de expor o caso ao público e perguntei se ele já havia feito algo com ela. —
— E o que ela disse? — Ângela olhou nos olhos dela.
— Ele bateu nela, não cometeu nenhum abuso, graças a Deus, mas ela está disposta a denunciá-lo com a gente. Mas, claro, só se você topar expor o caso. — Os dedos de Camila deslizaram suaves pelas bochechas macias de Ângela.
— Eu acho que não temos outro jeito. — A loira se aconchegou nos braços da morena. — Vamos falar com seu amigo. —
— Vou ligar para ele agora. —
— Nada disso. — Ângela puxou a namorada para seus braços. — Fazemos isso amanhã. Quero dormir e você faz eu me sentir segura. — A morena cedeu a vontade da loira e a aconchegou em seus braços até o dia amanhecer.
Leandro já havia falado com o jornalista, o rapaz era um ex-aluno da faculdade que pediu ajuda a ele para uma entrevista sobre a vida dos entregadores. A partir da entrevista, os dois se tornaram amigos e agora o rapaz estava disposto a ajudá-lo. Os, agora cinco, amigos, estavam juntos discutindo os últimos passos antes da entrevista.
— Qual o nome dele mesmo? — Letícia perguntou a Leandro. Os dois casais estavam na casa de Camila.
— Pedro. Ele trabalha em um jornal e tem um site bastante acessado. — Leandro respondeu.
— Você pretende deixar ele usar seu nome? — Carmen perguntou.
— Não. Não quero deixar meu nome ligado a isso, só quero que saibam o que ele fez.
— E seus pais, como eles estão com isso? — Carmen perguntou, mas se arrependeu assim que viu o rosto da jovem.
— Minha mãe liga às vezes para saber como estou, mas meu pai não falou nada comigo, ele ainda acha que o filho do amigo dele é inocente. —
— Pelo menos sua mãe mostrou que se importa com você. — Camila falou, servindo bolo de macaxeira para todos.
— Não quero mais falar deles, eu vou mantê-los informados à medida que for possível. — Ângela disse, se sentia desconfortável de falar sobre seus pais, ainda mais sabendo que todos ali detestavam seu pai.
— Espero que não tenha falado sobre a entrevista. Se ele souber o que vai fazer, vai tomar medidas para evitar tudo ou até usar isso contra você. — Leandro alertou, já pensando que teria de enfrentar problemas.
— Não, claro que não falei nada. —
— Ótimo. Você já falou com aquela moça? — O rapaz olhou a amiga que acenou positivamente. — Nesse caso, a entrevista vai ser nesse sábado, espero que dê tudo certo. —
— Obrigada de novo, a vocês todos. Eu não tenho palavras para agradecer. —
— Pois é, meu namorado é incrível. — Carmen beijou a bochecha do rapaz, o deixando vermelho.
Leticia olhava os dois casais com carinho nos olhos, estava feliz de ver sua amiga feliz com alguém, pois sempre soube que ela não era feliz com o ex namorado. Apesar de satisfeita por sua amiga estar, finalmente, em um relacionamento que a deixava feliz, a jovem também sentia o gosto amargo e quase ácido da inveja, sentimento esse que era amplificado por estar de vela em meio aos casais.
— Pessoal, eu tenho que ir para o estúdio, tenho alguns designs para criar. — Leticia avisou.
A jovem apenas não queria ficar de vela e trabalhar era o melhor que podia fazer para evitar tanto a situação quanto os sentimentos controversos. Ela não estava com raiva ou amargurada por toda a frustração amorosa que era sua vida, mas queria superar o sentimento e ficar de vela não era a melhor solução.
Os outros casais também precisaram deixar a casa para seguir em suas vidas. Ângela, Camila e Carmen estavam trabalhando em seus artigos para concluir o curso, já Leandro tinha que trabalhar e depois estudar para as provas pois ele não havia se saído tão bem quanto as outras.