Capitulo 18 DECLARAÇÃO FORMAL
CAPÍTULO DEZOITO: DECLARAÇÃO FORMAL
À meia-noite, o restaurante já estava fechando e todos se desdobravam para limpar tudo a fim de que todos fossem embora o mais rápido possível. As mesas estavam prontas, o chão limpo, as panelas, pratos e talheres todos guardados. Não havia mais nada a ser feito e Camila saiu se despedindo dos colegas. Não sabia se Ângela a esperava, pois ela estava com companhia, mas sorriu ao ver o carro da jovem.
— Quer uma carona? — Ângela perguntou, baixando o vidro, e Letícia fez o mesmo no banco de trás.
— Claro. Melhor que pegar ônibus até em casa. — Sorriu e já ia abrir a porta de trás.
— Eu já estou aqui, Camila. Pode ir lá na frente. — Letícia foi rápida nas palavras e em segurar a porta.
Camila levantou a sobrancelha e sentou no banco da frente ao lado de Ângela, como sempre fazia. Durante o trajeto até a casa de Letícia, as três conversavam sobre o restaurante. A estilista queria saber mais sobre o lugar e perguntava quando foi fundado e quem eram os donos. A morena respondia às perguntas com toda paciência, apesar de estar cansada devido ao trabalho.
Ângela parou em frente ao portão da enorme casa de Letícia e se despediu. A jovem entrou em sua casa e o carro saiu rapidamente para a casa de Camila.
— Ela gosta de fazer perguntas, né? — Camila falou, descansando a cabeça no acento.
— Ela só está curiosa e você cansada demais para responder. —
— Eu não estou reclamando, ela é agradável e gentil. — Camila respondeu.
Elas dirigiram em silêncio a maior parte do trajeto. Ângela não queria que a parceira se cansasse ainda mais. Ela até dirigia mais devagar para não causar solavanco. Já estavam próximas à casa de Camila, mas Ângela teve que parar no sinal vermelho. Sentiu que aquele era o momento de conversar com a garota que há tempos já havia conquistado seu coração.
— Você não quer saber mais sobre os motivos de eu ter terminado com Rafael? — Perguntou, segurando o volante com firmeza.
— Não queria me intrometer, mas você já disse que não gostava dele. — Camila respondeu. — Mas se quiser contar mais sobre isso, eu vou ouvir. —
— Não foi só esse o motivo, eu também... — Ângela respirou fundo para falar. — Na verdade, eu estava disposta a casar com ele mesmo sem amá-lo, mas desde que começamos a... desde que eu beijei você naquela festa, algo mudou. — A loira apertava o volante com força. — Quanto mais eu ficava com você, menos eu conseguia ficar perto dele... eu não conseguia sentir prazer, nem felicidade e nem mesmo conseguia gostar mais da companhia dele. — O sinal abriu e Ângela voltou a dirigir. — Com o passar do tempo, eu percebi que queria ficar cada vez mais ficar com você, a raiva se transformou em... em outra coisa. —
— Que outra coisa? — Camila olhou para Ângela, ansiosa pela resposta.
— Eu acho que você já sabe que sentimento é. — O coração de Ângela recuava, queria voltar no tempo e nunca ter iniciado a conversa, mas já era tarde.
— Eu posso até cogitar qual sentimento é, mas para ter certeza e não criar ilusões, eu preciso que você diga claramente que sentimento é esse ao qual se refere. —
O balançar do carro parou. Finalmente havia chegado à casa de Camila e podia parar para respirar e pensar melhor. Voltar atrás não era uma opção, até poderia ser, mas não queria mais fugir.
— Camila, eu já sei o que sinto e você também já sabe, mas se você quer mesmo ouvir de mim, então eu vou dizer. — Virou para encarar a parceira. — Eu me apaixonei por você. Não sei exatamente em que momento meus sentimentos mudaram, mas sei que tudo que sentia se transformou em carinho, preocupação, amor e... eu quero muito que você sinta o mesmo, mas não vou forçar nada, eu aceitarei qualquer que seja sua resposta... se é que você tem uma. — A respiração de Ângela estava cortada, parecia que ela havia jogado três sets sem ter se preparado antes.
— Eu estou muito feliz. Achava que estava ficando doida, vendo coisas onde não havia nada. — O coração da morena estava batendo mais rápido do que na final do campeonato.
— Quer dizer que você sente o mesmo? — Os olhos da loira se iluminaram.
— Acho que sim. Eu quero ficar com você cada vez mais, fico ansiosa para ver você no restaurante e me preocupo se você está bem. —
As duas se olhavam com alívio nos olhos. Parecia que cada uma havia removido uma pilha de rochas dos ombros. As duas se aproximavam aos poucos, havia um desejo intenso entre as mulheres. Os olhares deixavam isso claro. Os olhos da loira iam dos olhos castanhos para a boca carnuda de maneira quase hipnotizada. Queria arrebatar aqueles lábios para si, mas não sabia se tinha o direito de dar o primeiro passo sem consentimento.
— Eu... posso te beijar? — Apenas alguns centímetros as separavam.
Camila não respondeu. Apenas encerrou a ínfima distância entre elas. O beijo começou tímido e até um pouco desajeitado devido ao cinto, mas Ângela o soltou para se aproximar ainda mais da morena. As mãos de Camila exploravam o corpo da loira. Ela apertava a carne e arrancava gemidos baixos. O beijo só parava para elas recuperarem o fôlego e logo já retornavam como se fossem ímãs.
Ângela explorava os braços e as costas de Camila como sempre desejou. Apertou os ombros, sentindo os músculos daquela área. Camila mordeu levemente o lábio inferior da parceira e a puxou novamente para mais um beijo.
— Você beija tão bem. — Ângela falou, com os lábios ainda próximos aos da parceira.
— Você quer entrar? — A pergunta da menor estava cheia de segundas e até terceiras intenções.
— Não tem problema com a sua mãe? — A maior acariciava a bochecha da morena.
— Ela já deve estar dormindo. — Ela colocou as mãos na nuca da loira e a beijou novamente.
As jovens saíram do carro e entraram na casa sem fazer barulho. Os beijos recomeçaram enquanto elas seguiam para o quarto. Os corpos se atraíam como se a distância fosse uma blasfêmia, cada passo vinha acompanhado de um leve tropeço, mas nada impedia elas de continuarem. Havia uma fome por mais beijos, por mais pele, por mais fluidos e por mais gemidos.
Camila acendeu a luz do quarto e as duas deitaram na cama. A jogadora removeu a blusa da loira enquanto os beijos continuavam. Era finalmente a vez de Ângela remover a roupa de Camila. Ela segurou a camisa com a ponta dos dedos e levantou aos poucos, revelando a pele morena por baixo. Ela jogou a camisa no chão e acariciou o corpo que tanto desejava. Finalmente podia tocar aquela pele morena, finalmente podia sentir seu toque, sua maciez e suas reações ao toque.
Podia sentir os pelos de Camila se eriçarem a cada toque. Não era como quando transavam em seu apartamento, era uma entrega mais suave, sem pressa. Seu toque era cuidadoso e delicado.
— Eu queria tanto sentir seu corpo. Eu achei que isso nunca aconteceria. — Ângela acariciava os braços da morena, eles eram fortes, mas seus abraços eram tão reconfortantes. — Agora que estou vendo você inteira... eu mal consigo acreditar. Eu quero proteger cada pedacinho seu. — Ela abaixou para beijar a parceira. — Você é linda em cada detalhe. — Sussurrou com as mais variadas expressões o rosto da jovem.
Camila não sabia como reagir. Parecia estar mudando diante do toque suave da garota. Suas palavras lhe deixavam envergonhada. Ângela desceu os lábios para o pescoço da morena, beijos suaves eram depositados no pescoço e busto da morena. Ela sugava a pele e logo descia. Já estava depositando beijos na barriga da jovem. Queria cobrir todo o corpo com seus beijos e foi o que fez naquela área.
Camila segurava os sons em sua garganta como se fossem um tesouro que só poderia ser entregue no momento certo. A única peça que restava em seu corpo estava sendo removida pelos dedos finos e ágeis de Ângela. A peça foi retirada, mas a loira não avançou. Ela beijou as pernas definidas da jovem, ela beijou o interior da coxa direita e aos poucos foi em direção ao meio das pernas.
Ângela sentia seu coração explodir em seu peito, era o nervosismo por nunca ter feito algo assim. Sabia o que fazer, mas sentia medo de errar nos momentos mais simples possíveis. Seus dedos abriram os lábios da parceira e os beijou da maneira mais suave que conseguiu. Ela continuou com os toques suaves esperando o momento em que a morena entregaria os sons que estava guardando.
A jogadora segurava firme os sons enquanto sentia os lábios em sua intimidade. A língua de Ângela se movia devagar e seus movimentos eram ágeis. A loira não tinha pressa em seus movimentos, apreciava cada chupada e lambida, ela segurava as pernas da menor e as acariciava com apertos e arranhões.
Camila se contorceu na cama e finalmente deixou um som sair, um suspiro baixo e sôfrego foi o primeiro som que Ângela ouviu. Os sons continuavam a sair aos poucos. Um gemido mais alto cortou o ar e a loira sentiu seu corpo arrepiar. Ela segurou as pernas da morena com mais força. Assumiu consigo mesma a missão de fazer a morena sentir mais prazer do que jamais sentiu. Seus olhos estavam fixos no rosto de Camila, estava atenta a cada reação dela e a cada gemido ela sentia mais e mais prazer.
Suas mãos acariciavam as coxas e a barriga da mulher enquanto a saboreava. Sua língua se movia em círculos e movimentos suaves. A sensação era diferente de tudo que já havia experimentado, era molhado e macio, sentia cada vez mais vontade de lambê-la. Segurou as pernas da morena com mais força e a chupou com mais vontade.
Os gemidos estavam mais altos e Ângela sentiu seus pelos arrepiarem.
Ela continuou em suas investidas enquanto apreciava as sensações. As pernas de Camila começaram a se fechar em volta de sua cabeça e ela já sabia o que aconteceria. Não precisou de muitos movimentos para fazer a morena gozar em sua boca com um gemido longo e manhoso.
A respiração desregulada da morena, sua pele quente, os sons cortados e intensos, os movimentos espontâneos de seu corpo estavam mais intensos e os beijos diminuíam aos poucos. Ângela estava sorrindo incrédula pelo que fez. Ela subiu em cima de Camila e deitou em cima dela para beijá-la.
— Onde aprendeu isso? — Camila questionou.
— Eu preciso mesmo responder? — Ângela olhava a morena com um brilho nos olhos. — Você gostou? — A loira estava insegura e ansiosa.
— Eu preciso mesmo responder? —Respondeu sorrindo. — E agora? — Ângela olhou a morena como quem não entende a pergunta. — O que acontece depois... disso? — Olhou para os corpos nus. — Quer dizer, nós temos algo ou estamos no mesmo ponto em que estávamos antes? — Os olhos da loira estavam cabisbaixos. Sua mente lhe dizia que havia algo entre elas, algo forte que as unia, mas também havia esse outro sentimento dizendo que devia ter cautela e esperar.
— Não estamos no mesmo lugar de antes, mas eu também não sei onde estamos. — Ela deitou ao lado da menor.
— E o que fazemos? —
Camila sentou na cama. Ela tinha consciência de que cobrar um relacionamento naquele momento era insensível, não só por ter sido a primeira relação natural das duas sem haver um contrato entre elas, mas também porque a loira havia acabado de terminar o namoro de anos. Mesmo que não houvesse amor naquela relação, ainda era repentino.
— Eu já disse que gosto... que me apaixonei por você, eu realmente quero você, mas acabei de terminar um namoro que... sinceramente, foi horrível. Mesmo nos momentos felizes entre nós, tudo era apenas uma farsa, uma encenação da minha parte que tentava fingir não ver. — Ângela estava sentada ao lado de Camila. Ambas estavam nuas, não se cobriram para fugir do frio, ele não importava naquele momento. — Eu não estou dizendo que não quero namorar você, mas eu só preciso entender melhor o que aconteceu entre eu e o Rafael e medir meus erros e acertos. Também quero ficar só um tempo. Eu acho que nunca me senti livre na vida e agora eu estou... começando a viver isso e quero ver como é. — Ângela coçava os dedos como se algo estivesse escondido embaixo da pele.
— Essa não é a resposta que eu esperava. — A jogadora falou, olhando as mãos da jovem à sua frente, ela viu que os punhos fecharam no mesmo instante em que falou e então continuou. — Mas eu estou disposta a esperar. Desde que você seja verdadeira comigo e honesta com nossos sentimentos, eu posso esperar até você estar pronta. — Seus olhos ainda estavam olhando as mãos fechadas. Queria segurá-las, mas algo em seu interior a impedia. — Eu não sei o que você sente ou o que passou, mas eu vou estar do seu lado a partir de agora. —
— Não está chateada? Por não ter um nome para o que temos? — Elas se encararam pela primeira vez desde que começaram o assunto.
— Estou um pouco triste. É a primeira vez que quero nomear uma relação, mas eu sei como isso pode ser difícil. — Ângela lembrou-se de quando viu Camila e outra jogadora aos beijos no vestiário, era uma lembrança que lhe causava um sentimento estranho. Talvez ciúme, talvez raiva— Seria muito hipócrita eu exigir algo, sendo que eu neguei essa mesma coisa inúmeras vezes. —
— Ter negado nomear uma relação não te torna hipócrita. É seu direito querer algo sério e manifestar esse desejo não é hipocrisia. — Ângela tinha os olhos fixos no rosto da morena.
— Querer não, mas exigir pode ser. — Camila olhou as próprias mãos. — Eu vou esperar. — Ela abriu a mão, mostrando a palma para a maior, como se estivesse esperando um gesto da jovem.
— Eu vou ser rápida, eu prometo. — A loira colocou sua mão sobre a da morena em um gesto de companheirismo.
Ela aproximou o rosto de Camila. Seus olhos estavam fixados nos lábios carnudos e então ela os arrebatou em um beijo cheio de paixão e carinho. As mãos da menor acariciavam o rosto da parceira em um gesto tão carinhoso que somente o amor pode conceber.
— Eu tenho que te contar uma coisa. — Camila falou, separando as bocas, mas a loira continuava beijando-a.
— Tem que ser agora? — Ângela dava selinhos rápidos tentando excitar a menor para recomeçarem as caricias.
— Tem sim, na verdade eu não sei... — Ela retribuía aos beijos enquanto tentava falar. — mas como estamos confessando coisas, eu — Reuniu todas as forças para segurar o braço da loira. — acho que seria uma boa hora. —
— Está bem. O que é? —
Camila olhou para a loira e puxou o ar para seus pulmões com força, parecia estar procurando coragem para contar o que estava em sua mente. Ela reuniu sua coragem e falou de uma vez. Falou sobre as mulheres que Rafael estava levando ao restaurante nos últimos meses, contou cada detalhe, apesar do medo que sentia de magoar a maior. Ângela ficou muda ao ouvir os relatos. Aquele silêncio incomodava e assustava a menor. Ele a fazia se arrepender da decisão que tomou e desejou recuar e pedir perdão pelo que disse, como se ela tivesse alguma culpa nas traições.
— Eu não devia ter falado isso agora, não é? —
— Não... não é isso. — Ângela parecia ter voltado à realidade. — Eu só... ele não parece o tipo de pessoa que faria isso. — A imagem que ela tinha do rapaz era de alguém sem muita atitude, saber que ele a estava traindo era uma coisa difícil de acreditar.
— Eu também pensei isso quando o vi entrar com uma mulher pela primeira vez. —
— Há quanto tempo isso acontece? — Indagou a loira.
— Pouco mais de um mês. — Camila baixou os olhos, envergonhada.
— Por que não me contou? — A voz de Ângela era calma, não havia raiva para ser temida e isso aliviava o coração da jogadora que temia magoar a companheira.
— Eu... não achei que devia me intrometer nisso, afinal, eu estava fazendo o papel de amante. — Levantou os olhos para olhar a mulher. — Está chateada? —
— Sim, mas entendo seu ponto sobre não querer se intrometer. Bom, chifre trocado não dói, não é? — Ela jogou Camila na cama e deitou sua cabeça sobre os seios da jovem se aconchegando ali.
— Você está muito tranquila sobre isso. — A morena fez carinho nos ombros da loira.
— Hm, eu só não me importo com o que Rafael faz. Para ser sincera, queria que você tivesse me contado para eu ter um motivo para terminar com ele antes. — Ela se aconchegou mais.
— Sinto muito ter atrasado seu término, mas agora você está livre. — Camila apertou a amiga.
As jovens dormiram abraçadas em um gesto de amor e carinho mútuo, o calor de seus corpos estava tão confortável que elas podiam dormir sem os lençóis. Quando o dia amanheceu, Camila acordou sob o olhar carinhoso de Ângela que a admirava em seu sono.