Capitulo 23 MÃE E FILHA
CAPÍTULO VINTE E TRÊS: MÃE E FILHA
O sábado chegou e Ângela se preparava mentalmente para a entrevista. Tudo seria feito pela Internet, a intenção era não aumentar o desconforto da loira. Camila estava o tempo todo ao lado da namorada. Segurava sua mão, trazia água para ela e estava pronta para qualquer coisa que ela precisasse.
Duas horas depois, a entrevista de Ângela terminou e o casal finalmente pôde descansar. A morena pediu uma folga para ficar com sua namorada e seus padrinhos cederam sem nem pensar. Em casa, Camila fazia um chá para sua amada, era uma receita que sua mãe ensinou para dores de cabeça muito fortes, enquanto isso sua namorada estava em um banho. O luto pelo qual a morena ainda estava passando diminuía aos poucos. Aos poucos, a jovem se acostumava à ausência da mãe e ter a namorada morando com ela ajudava nesse processo, mas era em meio ao silêncio que a saudade batia e naquele momento seu peito doía enquanto lembrava de Marília.
Em meio ao silêncio, quatro batidas fortes na porta ecoaram pela casa. A jovem deixou o chá na mesa da cozinha e foi rapidamente até a porta. Do lado de fora da casa, uma mulher loira e muito bem vestida estava esperando ser recebida. A mulher deu um sorriso para a anfitriã.
— Então é você, a mulher que minha filha ama!? — A mulher perguntou espantada. A pequena interação com Camila foi tão insignificante para Michelle que nem sequer passou por sua cabeça que a moça de quem sua filha falava era ela.
— E você é a mãe da Ângela. — Camila olhou com indiferença. — O que faz aqui? E como encontrou minha casa? — O olhar de julgamento foi inevitável.
— Ângela me deu seu endereço em uma de nossas trocas de mensagens e, bom, eu vim ver ela. — A mulher logo percebeu que a morena não estava gostando de sua presença. — Olha, eu toquei a campainha, mas acho que ela está com problema. Eu posso entrar para falar com minha filha, por favor? —
— A campainha está quebrada, as crianças da rua quebraram há alguns meses. —
Camila deu passagem para a mulher entrar em sua casa. Ela observou enquanto a mulher olhava cada canto de sua casa como se fosse um local exótico e ela apenas revirou os olhos.
— Ela está tomando banho. Já deve estar terminando, então não deve demorar. — Informou, sentando no sofá. — Quer algo para beber? Café, água, chá...? —
— Eu aceito um chá. — A senhora sentou no sofá e não escondeu o desconforto, não que a casa fosse mal arrumada, mas certamente não era o ambiente ao qual Michelle estava acostumada.
Camila pegou duas xícaras de chá e trouxe para a mulher. Quando chegou à sala onde Michelle está, percebeu que Ângela havia acabado de sair do quarto, ainda com os cabelos pingando água. A jovem olhou para a mãe sentada na sala e já sabia que seria uma conversa difícil.
— O que faz aqui, mãe? — Perguntou, fechando a porta.
— Eu já não aguentava ficar sem notícias suas e, como você me deu o endereço da sua amiga, eu vim te ver. —
— Namorada. — Afirmou Ângela com a voz firme. — Camila é minha namorada, não só minha amiga. — Camila passou pela mulher e entregou a xícara de chá para a namorada e depositou um beijo em sua testa.
— Claro, desculpe. — A mais velha se desculpou, pois não queria brigas.
— O que quer falar? — Perguntou novamente a loira. Michelle olhou a morena ao lado de sua filha e Camila logo entendeu o desconforto.
— Eu vou colocar a roupa no varal. — A jovem beijou a testa de sua amada e então sussurrou em seu ouvido. — Se precisar de mim, me chama. —
— Agora que ela saiu, me diga o que deseja falar. — Ângela sentou e bebeu um pouco do chá.
— Eu quero saber como está, o que está precisando. —
— Mãe, já passou mais de um mês, é meio tarde para oferecer ajuda, não acha? —
— Eu sei, mas eu não estava em condição de fazer nada. —
— Não estava? Você poderia ter me procurado, poderia ter pedido ao seu marido que parasse de ajudar o meu agressor, poderia ter me acompanhado na delegacia ao menos uma vez, mas você sequer tentou.
— Se você queria ajuda, era só ter pedido! — Michelle alterou a voz.
— Eu precisava pedir? O Rafael pediu para vocês irem ao meu apartamento? Ele pediu para seu marido defendê-lo? Por que eu teria que pedir? — Ângela sequer conseguia compreender o motivo de ainda estar tentando argumentar com a mãe, talvez ela ainda nutrisse alguma esperança de que salvaria a relação com a mãe.
— Como eu poderia saber se você não falava? —
— Eu quase fui abusada, minha namorada perdeu a mãe, eu tive que sair da minha casa, como você ainda pergunta uma coisa dessas? Você não veio me ajudar porque não era importante para você. — Ângela já estava de pé, mais alguns segundos e expulsaria a mãe.
— Filha, eu não vim aqui para brigar, eu só queria ver você e saber que estava bem. — Michelle sentia todas as mágoas da filha, não sabia como poderia prosseguir e fazer a filha acreditar que estava ali por ela e que se importava com ela. — Mas se a minha presença te desagradou, então eu irei embora. —
— Eu não quero que você vá. — Ângela encarou a mulher com seu coração acelerado. Seria realmente tão difícil para sua mãe compreender seu papel e oferecer a ela um pouco de amor? — Só quero que pare de agir como uma estranha, eu não preciso que me questione, mas você insiste em ficar cada vez mais distante. Para você, parece que só perguntar como eu estou é suficiente para cumprir seu papel de mãe. —
Aquelas palavras cortaram fundo o tecido do coração de Michelle, sabia que não era a melhor das mães, mas esperava que ao menos parecesse que se importava. Por alguns segundos, a mulher ficou apenas parada no mesmo local, assimilando as palavras da filha. Como ela poderia saber que era uma mãe tão ruim se a filha nunca a confrontara? E como poderia saber mais sobre a filha se ela nunca falava? Ela devia ter insistido mais e forçado a filha a falar sobre sua vida? Talvez, mas havia uma opção melhor. Construir uma relação de confiança, permitindo que a filha mostrasse suas falhas e suas emoções de forma segura, mas Michelle nunca saberia lidar com a vulnerabilidade de outra pessoa, tudo para ela sempre tinha que ser o mais simples e claro possível, até aquele momento.
— Me perdoe, eu não fazia ideia de que você se sentia assim, eu sempre sonhei em ser mãe e em ter uma relação saudável de mãe e filha, mas acho que idealizar é mais fácil que fazer. — Michelle se aproximou da filha. — Eu estou aqui por você, eu não vim antes por... medo, por não saber o que fazer, mas agora eu vim para você. Pode ser tarde, mas eu estou aqui e não pretendo sair da sua vida. —
Michelle, talvez pela primeira vez, estava vendo a filha de verdade, não como a idealização da filha perfeita, não como uma boneca que ela vestia e tratava como achava melhor, mas sim como um ser humano com os próprios sentimentos.
Ângela olhou a mãe com os olhos cheios de lágrimas, por mais frio que seja, o coração ainda é frágil e o amor é a maior de suas fraquezas. Bastaram algumas palavras sinceras e a loira se rendeu ao abraço da mulher. Pela primeira vez em sua vida, Ângela sentia que o abraço da mulher era maternal e não uma felicitação por uma ação que correspondia às suas expectativas. Era apenas uma mãe confortando a filha em seu pior momento.
Mãe e filha haviam finalmente começado a se entender. Embora não houvesse garantias de que tal reconciliação duraria, ainda assim, era um momento para ser desfrutado sem que houvesse indagação do que estaria por vir.
— Eu vou falar com seu pai, ele vai repensar o assunto, eu tenho certeza. — Michelle falou após vários minutos de conversa.
— Eu não acho que ele vai mudar de ideia e, mesmo que faça isso, será tarde demais. — Ângela retrucou, segurando a mão da mãe. Michelle fez menção a abrir a boca, mas foi calada pela filha. — E não quero falar mais sobre ele. A justiça cuidará de Rafael e eu pretendo ficar com Camila e vender o apartamento. —
— Está bem. — Concordou a mais velha. — Eu vou falar com alguns corretores para te ajudar na venda, você não vai nem precisar falar com os compradores. — Afirmou com total convicção. — Quanto à sua... namorada... Eu ainda preciso aceitar bem essa ideia. —
— Não precisa aceitar nada, apenas se acostume, pois é com ela que quero casar. — A loira retrucou irritada, lembrou-se de como tratava Camila antes de começar a se relacionar com ela. Todo aquele preconceito que aprendeu com os pais e, no fim, foi com ela que descobriu o que era amor de verdade.
— Certo, não vamos discutir quanto a isso. — Michelle recuou ao perceber a irritação da filha. — Posso falar com sua… namorada?—
— Não acho que devia falar com ela agora. — Ângela temia pela conversa que sua mãe queria ter, temia um conflito entre as duas que a obrigaram a escolher entre uma delas de novo. — O homem que o papai atropelou, era o pai dela. —
— Como você descobriu? — Michelle indagou incrédula.
— Ela me contou. Eu nunca imaginaria que minha história e a dela estavam ligadas, mas ela sabia e… me odiava por isso. — A jovem tinha os olhos voltados para o chão, o lábio contraia enquanto as lembranças retornavam. — E ainda assim ela conseguiu me amar, ela superou o ódio dela pelo meu pai e me amou. Eu não vou deixar vocês atrapalharem isso. —
— Eu… sinto muito. — A voz da mais velha era apenas um fio.
— Isso você deve dizer a ela, mas em outro momento. — Ângela recuperou a firmeza na voz.
— Certo. Eu estou indo então, Nós veremos assim que possível. — A mais velha levantou. — Prometo que nada mais ira nos afastar. — Abraçou a menor. Suas mãos finas acariciavam as costas da filha enquanto recebia o mesmo carinho, o abraço durou o suficiente para que ambas abrissem um sorriso genuíno.
Após Michelle sair, Ângela foi de encontro à namorada que estava sentada no quintal tomando um copinho de café. Ela soprava o líquido enquanto olhava a árvore carregada de mangas na casa vizinha.
— Amor. — A voz suave de Ângela fez Camila sair de seus pensamentos. — Ela já foi. Obrigada por nos deixar a sós. —
— Não há o que agradecer. — A mais baixa foi até a namorada. — Como foi a conversa? —
— Conseguimos nos acertar, ou pelo menos, começamos a fazer isso. — A loira pegou o copo americano e bebeu um pouco do café. — Seu café é ótimo. No que estava pensando antes de eu te chamar? Você parecia bastante concentrada. —
— Que talvez eu devesse pegar umas frutas para fazer um suco. — Ambas as jovens riram. — E também estava pensando na gente, em como vamos conseguir manter nossa vida juntas, quer dizer, isso aqui... — Apontou a casa pequena. — Não é o tipo de lugar que você está acostumada. —
— Você está certa sobre isso, mas eu não pretendo desistir de nós e, se para ficar com você eu precisar morar numa kitnet, eu faria sem pensar duas vezes, e sua casa é muito aconchegante. — Lançou um olhar açucarado para a morena. — Além do mais, logo começaremos a trabalhar, e eu ainda tenho uma parte da herança dos meus pais e o dinheiro do apartamento. Não passaremos nenhuma necessidade. — Deu vários beijos na bochecha da namorada. — A menos que você seja muito orgulhosa para aceitar meu dinheiro. —
— Não é nada disso. Eu só... não quero que você seja a única a contribuir para nosso bem-estar. Eu quero fazer minha parte e não depender de você ou da sua família. —
— Não tenha receios quanto a isso. Você conseguirá trabalhar com o que gosta e ganhará muito bem para isso. — Ângela falou com ar de certeza.
Os dias passaram e a entrevista finalmente veio a público, revelando o crime de Rafael. Após o caso ficar conhecido, outras mulheres tomaram coragem para denunciar outros abusos cometidos por ele. Nem todas tinham sofrido agressões sexuais, muitas tinham sofrido violências domésticas como: puxões de cabelo quando ele estava de mau humor, apertos que deixavam marcas em seus corpos, tapas; em outras situações as moças alegavam que ele as ameaçava com fotos e vídeos íntimos, que elas não tinham conhecimento da existência, para que nunca falassem sobre o caso deles, mas também havia as que o defendiam alegando que ele nunca fora agressivo com elas. Era esperado que isso acontecesse, pois Rafael sabia bem com quem ele podia passar dos limites, por isso mesmo nunca o fez com Ângela enquanto namoravam. Todos os crimes pareciam coisas menores diante do crime de que Ângela foi vítima, mas todas as dez mulheres foram vítimas de um ser violento e controlador e, por mais que elas estivessem erradas em se envolverem com ele, o erro não justificava o crime.
Rafael foi preso dias depois da entrevista ir ao ar na página do segundo maior jornal do país e isso trouxe a todos uma sensação de alívio, mas nem todos estavam aliviados. Mesmo com a prisão do ex, Ângela não conseguia relaxar, ela ainda tinha pesadelos com aquela noite. Muitas vezes acordava durante a madrugada, sentindo o corpo agitado, rígido, e nessas ocasiões, ela procurava em sua amada a segurança necessária para voltar a dormir.
— Eu achei que os pesadelos iam acabar quando ele fosse preso. — Ângela comentou enquanto Camila a abraçava por trás. Era uma cochicha diferente, pois a morena era bem menor que a loira, mas ainda era confortável. — Acho que eles nunca vão parar. —
— O que eu devo dizer? — Camila perguntou, genuinamente confusa, pois sabia que as palavras erradas poderiam gerar ainda mais medo e angústia. Já havia lido sobre isso, sabia que até a melhor das intenções podia piorar a situação quando se tratava de abuso e a última coisa que queria era piorar a condição de sua amada.
— Eu não sei, eu só quero ir embora para bem longe, nunca mais ver outras pessoas, me isolar em um lugar longe de tudo e de todos. — Ângela chorou, um choro baixo, envergonhado e culposo. — Antes de dormir eu vi alguns posts sobre o Rafael. —
— E ai? —
— As pessoas estão falando coisas horríveis. Entre tentativas de colocar a culpa em mim ou minimizar o ocorrido, haviam pessoas dizendo ele seria estuprado na prisão e que ele merecia isso. —
— Isso te incomodou? — Camila olhou com mais atenção.
— Sim. Essas pessoas acham que estupro é uma punição válida… ele pensava assim também. — Ângela se encolheu. — Eles pensam que é uma exceção, mas o que ele fez foi com a mesma lógica. Eu não tenho pena dele, mas ver tantas pessoas defendendo isso me deixa muito mais assustada do que em paz. —
— Talvez você devesse começar uma terapia, vai ajudar a lidar com seu medo, com esses comentários. — Camila se ajeitou na cama e trouxe a namorada para seus braços.
— Eu não quero mais falar do que aconteceu, eu não tenho mais estômago para ouvir uma palavra sobre isso. — A loira se encolheu. — Toda vez que falam disso, eu me sinto como se meu corpo estivesse sendo repartido para cada pessoa analisar os pedaços à procura de algo, é nojento, humilhante e sujo. — Ela agarrou o próprio corpo tentando cobri-lo de todas as formas.
Camila engoliu em seco, indagando-se sobre a sua capacidade de fornecer segurança. Não entendia o que a namorada sentia, mas sabia que ela se sentia segura com ela.
— Nenhuma profissional faria isso, ela só vai ajudar você a lidar com as consequências. Eu não quero forçar você a fazer algo que não quer e se não quiser mais falar disso eu vou entender, mas eu quero que saiba que eu gostaria que você procurasse uma profissional para te ajudar. — Apertou a loira em seus braços, procurando demonstrar sua proteção.
Ângela apenas se aconchegou nos braços de sua namorada, nenhuma palavra saiu de seus lábios e ela não pretendia protestar ou concordar, apenas queria que a sensação desagradável em seu corpo passasse e isso estava acontecendo. Dias se passaram e o casal não voltou a falar sobre a terapia, apenas se mantinham estudando, pois logo iriam apresentar seus trabalhos.
Faltava apenas um dia para Ângela apresentar seu TCC e logo depois começaria a residir em um hospital de linha. Nesse dia, a jovem tomou duas decisões que mudariam o rumo de sua vida, a primeira foi fazer uma transição capilar, queria recuperar os cabelos escuros naturais que tinha e se desvincular da pessoa que foi até ali. A segunda decisão foi falar com a namorada. Naquela tarde, ela encontrou a morena sentada no sofá, estudando, pois ainda estava nervosa com sua apresentação.
— Amor. — Chamou, ela estava com os cabelos pintados. Tomou a decisão antes de iniciar a transição pois queria que sua namorada visse logo como ficaria.
— Nossa, você está... linda. — Camila não tirava os olhos dos cabelos escuros como a noite, eram mais escuros até que os seus e longos, pareciam uma cachoeira negra.
— Gostou? — Ângela não escondeu o rubor em seu rosto.
— Eu amei. Combina com você. — A morena sorriu com o contraste da pele clara e os cabelos escuros.
— Que bom que gostou. — O sorriso de Ângela era tímido, não sabia qual seria a reação da namorada e estava feliz de ver o encanto da jovem.
— Por que você mudou? —
— Eu não sei ao certo, acho que só queria voltar ao natural, eu gostava dele e só deixei loiro por causa da minha mãe. Bom, eu pretendo fazer uma transição, mas antes queria saber como ficaria e por isso eu queria pintar antes. — Ela sentou no sofá e a namorada veio logo em seguida. — Tem outra coisa que eu quero fazer... — Ela fez uma pausa de alguns segundos. — Eu decidi que vou procurar uma terapeuta para mim, mas eu não quero fazer isso sozinha. —
— Eu nunca vou deixar você sozinha. — Camila segurou a mão da namorada.
— Eu sei, eu quero que você faça comigo também... você aceita essa condição? —
— Claro que sim, faremos isso juntas. — Ela abraçou a namorada.
— Eu te amo. — Ela beijou a namorada. — Tenho uma terceira coisa a te contar que eu ainda não tive coragem... Lembra que eu assisti a alguns dos seus jogos? — Camila acenou positivamente. — Eu gravei alguns dos jogos e enviei as filmagens para alguns times de vôlei para que talvez algum se interesse em contratar você.
— Quando você fez isso? — Camila perguntou incrédula, sabia das gravações, mas não esperava que fosse para enviar a times grandes.
— Em todos, na verdade, mesmo quando você nem gostava de mim. E ontem, dois times responderam dizendo que gostariam que você fosse a um teste com as jogadoras. Eu não sabia exatamente como falar para você, pensei que poderia ficar brava por eu me intrometer. — Ela desviou os olhos envergonhada.
Camila respondeu com um abraço forte e cheio de carinho, a jovem estava agradecida pela atitude da namorada em ajudá-la a realizar seu sonho. Ela beijou o rosto da namorada enquanto chorava de alegria com a notícia.
— Eu não sei como agradecer. —
— Não há o que agradecer, só se prepare porque em uma semana você precisa se apresentar aos times para fazer os testes e escolher um. — Ângela deu um selinho na namorada.
— Você é a melhor coisa que aconteceu na minha vida desde... desde bastante tempo. — A morena sorriu. — Agora vamos nos preparar. Sua apresentação será em duas horas. — Levantou segurando a namorada. — Sua mãe vai estar presente? —
— Ela disse que estaria, mas eu não sei. Espero que ela não leve meu pai. —
— É melhor assim. —
Às duas da tarde, a apresentação de Ângela começou, seu artigo era sobre a história e a importância da enfermagem ao longo da história da medicina. Presentes na apresentação estavam Camila, Michelle, Letícia e seus pais. Foram horas de leitura, ela respondeu todas as perguntas feitas pela banca e conseguiu com isso passar com uma ótima nota.