Capitulo 20 MONSTROS NÃO PRECISAM DE MOTIVOS Dificuldades De Um Amor · Capítulo 21 de 25
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Capitulo 20 MONSTROS NÃO PRECISAM DE MOTIVOS

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CAPÍTULO VINTE: MONSTROS NÃO PRECISAM DE MOTIVOS

O apartamento de Ângela estava silencioso, a mão sobre a boca delicada e rosadas impedia qualquer som de escapar, os gritos abafados não eram altos o bastante para chamar atenção dos vizinhos e o desespero só aumentava. As mãos grandes puxavam a roupa sem dar atenção aos movimentos da mulher, ele também não percebeu quando uma figura pequena surgiu na porta do quarto. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

Os olhos de Ângela se voltaram para a porta com lágrimas apenas para ver a jovem de 1.66 correndo em direção ao rapaz. O peso sobre seu corpo desapareceu em um instante, as lágrimas não pararam e ela só conseguia gritar por socorro.

— O que você fez com ela?! — Camila gritou socando o rosto de Rafael com força. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

O rapaz segurou os braços de Camila e a jogou longe, a morena caiu sentada no chão com a força aplicada. O rosto de Rafael estava coberto de sangue, certamente o nariz estava quebrado.

— O que essa favelada tá fazendo aqui? — Ele limpou a boca olhando a morena levantar. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— O que estava fazendo com ela? — A pergunta se Camila saiu como um grito desesperado, as lágrimas quase saiam de seus olhos, mas ela as segurava com uma resistência estoica.

— Eu vim aqui me reconciliar com ela, não vê como ela estava se entregando?! — Provocou lambendo o sangue que escorria da boca. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

Ângela permanecia imóvel, chorando, tentando desamarrar as mãos, Camila ao ver a situação sentiu se coração se encher de uma fúria que nunca achou ser possível. Do outro lado Rafael entendia o que acontecia entre elas, seu ódio só aumentava e já havia decidido sair dali com uma vítima, não importando quem seria, mas uma delas pagaria por sua humilhação.

— Então foi por isso aí que você ne largou? — O rapaz apontou para a morena. — Uma favelada, preta, minúscula e finge ser homem? — Cuspiu no chão deixando o carpete sujo de sangue e saliva. — Eu devia ter te ensinado a me respeitar antes, se eu tivesse chegado mais cedo ia fazer o serviço todo e você ia ficar com as sobras. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

A visão de Camila escureceu, seu corpo se moveu sozinho em direção ao rapaz se jogando em cima dele, ela não estava mais tentando entender, não se continha, apenas batia sem dar atenção as dores que sentia em sua mão. Nenhuma dor era maior que saber o que aquele desgraçado queria fazer com Ângela.

Um instante de descuido ao dar um soco errado foi o bastante para Rafael acertar um enorme calhamaço na cabeça da morena. Foi o suficiente para ela se desorienta e ele conseguir sair do quarto. Ângela não tinha força e nem coragem de tentar impedir, ela apenas correu até sua amada para socorre-la enquanto Rafael mancava em direção a saída. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

Letícia chegou no prédio às vinte e três horas e encontrou o vigia dormindo, ela passou por ele e foi até o elevador. Assim que as portas se abriram, Rafael saiu correndo, ele esbarrou com Letícia e quase caiu por cima dela.

— Rafael, o que aconteceu? — Letícia perguntou enquanto a porta do elevador se fechava e ele subia de novo. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Eu... vim falar com a Ângela, mas a amante dela apareceu e partiu pra cima de mim, acho que tá vindo atrás de mim, ela deve ter batido na Ângela também. — O rapaz respirava com dificuldade.

— Eu preciso ir antes que ela me ache. — O rapaz saiu correndo sem dar chance de Letícia entender nada. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

A estilista dispensou o elevador e correu para as escadas para socorrer a amiga, seus passos eram apressados e quase caiu duas vezes, mas enfim chegou ao andar destinado. A porta aperta com sangue na maçaneta fizeram seu peito explodir em desespero e ela entrou sem avisar, chamou por ela o mais alto que pode. Foi direto ao quarto onde encontrou Camila agachada com uma bolsa de gelo colocando sobre o rosto de Ângela, a morena chorava baixinho enquanto passava o gelo e Ângela estava imóvel para evitar que seu corpo doesse mais ainda.

— O que aconteceu aqui? — Letícia largou tudo e caminhou até a amiga. Não fez julgamentos, não acusou nem aceitou as acusações de Rafael, estava mais preocupada com o estado da amiga. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Ele esteve aqui, Letícia. — Ângela não conteve as lagrimas. — Ele queria abusar de mim. —

Letícia correu e abraçou a amiga com força, não havia uma dúvida em seu coração, nem a sombra de algo que não fosse preocupação pela loira. Camila parou alguns segundos para que as amigas se abraçassem, sua expressão era de preocupação, medo e angústia, mas seu coração tinha um pouco de alívio por ter chegado a tempo. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Eu vi o Rafael saindo daqui. — Letícia falou ao se afastar de Ângela. Ela tinha lagrimas nos olhos, mas se conteve para entender tudo. — Ele tava ensanguentado, machucado. — Segurou a mão da amiga e Camila voltou a colocar o saco de gelo improvisado no rosto da amada. — Ele disse que foi você. — Olhou Camila que continuava concentrada em cuidar da amada. — Disse que você bateu nele depois de ver pegar ele e a Ângela juntos, que você bateu nela. — Foi então que Camila a olhou, descrente que aquele desgraçado realmente distorceu tudo.

— Não, eu nunca machucaria ela. — Camila falou com raiva. — Eu amo a Ângela. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

A declaração de Camila foi até mais verdade que fez em toda sua vida, Ângela segurou o braço da morena e a abraçou buscando o conforto que só ela podia lhe dar.

— O que aconteceu? Ele saiu machucado, eu chego aqui e encostou a Ângela toda machucada e você sangrando. — Letícia questionava. — Tudo está confuso. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Você acreditou nele? — Ângela perguntou voltando a deitar na cama.

— Pra ser sincera, eu não acreditei nem um pouco. Você nunca ficaria com ele de novo, e ele sair fugindo sem te ajudar, era uma coisa muito covarde. Não dá pra acreditar naquela conversa. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Ele invadiu minha casa quando eu estava fora. — Ângela, ela puxou Camila para perto e a abraçou. — Ele tentou abusar de mim, me bateu, me amarrou. — Ângela apertou o braço de Camila como se eles fossem uma barreira entre ela e o horror que viveu. — A Camila chegou na hora, ele estava quase tirando o resto da minha roupa. Ela tirou ele de cima de mim e bateu até ele ir embora. Ela me salvou. — Suas lagrimas voltaram a cair.

— Eu vou chamar a polícia. — Letícia falou levantando. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Não, eu não quero mais falar disso. Eu não quero mais ficar nesse lugar, quero ir embora pra qualquer lugar. — Se escondeu novamente nos braços de Camila.

— Amor, você vai ficar comigo, não vou te deixar sozinha, nunca. Mas, ele não pode ficar impune, precisamos chamar a polícia. — A morena falou abraçando a loira como se fosse uma muralha. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Ângela, escuta. — Letícia sentou na cama e segurou o rosto da amiga. — Ele já tem uma história pronta pra contar, ele saiu daqui machucado, sangrando. Se você não denunciar ele, ele quem vai pra polícia e ai quem vai estar com problemas é a… — Ela olhou para a morena.

Ângela concordou e Letícia ligou para a polícia, Camila pegou algumas roupas para vestir Ângela, tirar a roupa rasgada para entregá-la a polícia. Quando a polícia chegou, pegaram o depoimento de ambas as mulheres, as amostras de sangue e roupas foram recolhidas. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Camila, fica com ela, eu vou pegar o carro. — Letícia falou ao se aproximar das duas.

Camila estava sendo atendida pois tinha um corte na cabeça por causa do livro. Ângela estava a seu lado segurando sua mão enquanto os médicos cuidavam de seus ferimentos. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

Letícia chegou dirigindo o carro de Ângela, Camila segurou o braço de Ângela e conduziu até o veículo. A estilista ajudou ambas a entrarem e se dirigiu a delegacia onde faria os exames.

— Ei, eu te amo. — Camila falou antes de Ângela entrar na sala. Seus olhos estavam marejados, mas a voz não tremeu nem por um instante. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Eu também te amo. — A loira abraçou a jovem. Suas lagrimas escorreram, mas os braços da morena traziam a calma que ela precisava.

Letícia e Camila ficaram esperando que a loira fosse liberada, uma espera que parecia infinita. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Eu vou falar com a minha mãe, volto logo. — Camila falou se ausentando enquanto Letícia continuava sentada nos bancos.

Letícia observava de longe a morena completar a ligação, de onde estava não podia ouvir qualquer coisa e nem era sua intenção, apenas se perguntava como a pessoa que sempre amou e admirou poderia ter causado tamanho sofrimento a alguém que também amava. Ainda com os pensamentos afoitos, Letícia viu a morena se virar para ela, podia ver a tristeza estampada em seus olhos e seu rosto não era diferente, a tristeza era refletida nos rostos uma da outra e Camila só podia desejar que sua amada voltasse para seus braços para que pudesse protegê-la. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Obrigada por acreditar em mim e por chamar a por chamar a polícia. — Camila falou sentando ao lado de Letícia.

— Não tem o que agradecer. A história do Rafael estava muito estranha e eu nunca duvidaria da Ângela. Mesmo que ela tenha escondido coisas de mim, ela nunca negou que não o amava e só estava com ele por pressão dos pais, então não tinha como ela ter aceitado voltar com ele. — A jovem estilista falou olhando os dedos entrelaçados. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Ainda assim, obrigada. — Os olhos da menor estejam marejados, os ombros caídos e a mãos agitadas.

Seguiu-se o silêncio desconfortável, cada uma em seus próprios mundos tentando o que fariam, quais as consequências do ato e como lidariam com elas. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

Horas mais tarde Ângela foi liberada, os exames foram concluídos, mas Ângela saiu abalada. Sua pele estava marcada, vermelha demais, os machucados estavam mais visíveis, o rosto da jovem abatido como se apenas ele estivesse presente e a mente já estivesse em outro lugar. Ao ver a jovem, Camila correu e a abraçou tentando conforta-la.

— Camila, vamos levar ela pra casa, ela precisa descansar. — Letícia falou em voz baixa. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Eu não quero ficar na minha casa. Por favor, deixa eu ficar na sua casa. — Pediu para a morena enquanto escondia o rosto machucado em seu pescoço.

— Claro, amor! Você vai ficar na minha casa! Não se preocupe! — A morena abraçou a loira como se estivesse tentando protegê-la do mundo todo. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Ok, vamos levar ela pro carro. — A estilista se colocou ao lado da amiga para ajuda-la a caminhar, mas Camila a pegou nos braços para que ela não se cansasse.

Camila levou Ângela até o carro e lá ficou abraçada à jovem que tremia e chorava. Letícia dirigiu até o prédio de Ângela e deixou o casal no carro enquanto subia para pegar roupas e qualquer coisa que Ângela poderia precisar. O lugar estava silencioso, calmo demais para tudo que havia acontecido, o quarto de Ângela parecia um cenário apocalíptico com objetos quebrados e sangue no chão. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

Ela pegou o que a amiga iria precisar e retornou para o veículo com uma mochila com algumas roupas confortáveis para ela. Letícia dirigia devagar para não causar solavancos.

— Não devíamos chamar os pais dela? — Camila perguntou, segurando o corpo adormecido de Ângela com cuidado. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Duvido que ela queira chamar eles, o melhor é esperar ela acordar e perguntar se quer falar com eles. — A loira respondeu, parando em um sinal vermelho.

— Eu estava trabalhando, pedi pra sair mais cedo pra ficar com ela, mas ainda assim ele machucou ela. — A voz de Camila tinha culpa, ódio e tristeza. Tudo em uma mistura dolorosa e amargurada. — Ela precisou de mim e eu não estava lá. — Fechou os punhos com força. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Não foi sua culpa, você não tinha como saber, nenhuma de nós tinha. — Letícia olhava o casal no banco de trás. — Não se culpe, nem tente imaginar situações em que você poderia protegê-la, isso não mudará nada.— A voz séria da estilista era como uma pedra amarrada aos pés de Camila que a trazia de volta ao chão. — Ela vai precisar de você inteira para se recuperar, de todos nós na verdade, mas principalmente de você. E você precisa estar inteira para ajudá-la a seguir em frente. Você impediu o pior, concentre-se nisso.—

— Obrigada. Eu não posso esquecer o que realmente é importante agora. — Camila havia sofrido um pequeno choque de realidade, mas não sabia quanto tempo duraria. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

Chegando à casa de Camila, elas encontraram Marília na porta esperando a filha. O carro parou em frente à casa e as três jovens saíram do veículo. Camila entrou com Ângela em seus braços, Marília seguiu a filha para ajudá-la a acomodar a loira.

— Oi, filha. — Marília segurava a mão de Ângela enquanto Camila colocava um lençol sobre a loira. — Você vai ficar bem aqui, pode descansar. — A mulher começou a tossir logo após falar. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Mãe, não devia ter ficado lá fora. — Camila falou, indo até a mãe. — Sabe que pode fazer mal à sua saúde. —

— Você não pode dizer que estava numa delegacia e esperar que eu fique bem com isso. — Retrucou Marília fazendo pouco caso das palavras da filha. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Amor, eu volto logo para a cama. — Camila foi até Ângela e a beijou em sua testa.

— Está bem, amor. — A loira se encolheu na cama. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

Camila levou sua mãe até a sala onde Letícia esperava. Marília estava preocupada com a situação, mas esperava que sua filha falasse por conta própria invés de se intrometer. Após dar à sua mãe os remédios, Camila sentou-se em seu sofá procurando as palavras certas para falar o que aconteceu.

— Mamãe, eu não vou entrar em detalhes. — Camila começou a falar com a voz séria. — Mas a Ângela vai ficar aqui por algum tempo. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Filha, sabe que eu não me importo. Sua namorada sempre será bem-vinda aqui, mas você vai me falar o que aconteceu? —

Camila e Letícia trocaram olhares silenciosos como se estivessem procurando saber o que deveriam dizer. Não havia muitas opções e Camila não queria mentir para a mãe. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Ela... foi atacada. Invadiram a casa dela e isso é tudo que eu posso falar. — Falou tocando as mãos da mãe.

— Está bem, eu vou aceitar essa resposta. — Marília falou entendendo o que a filha queria dizer, mas não podia. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Obrigada, mãe. — Camila agradeceu aos céus por Marília não insistir.

— Camila, meu Uber está chegando. Eu quero ver ela antes de ir embora. — Letícia falou. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Claro. Vem comigo. —

A morena levou Letícia até seu quarto para que ela se despedisse de sua amiga. As amigas se abraçaram com promessas que se veriam em breve, a força de Letícia era pouca para não machuca-la. Ângela nem tentava forçar um sorriso, apenas mexia a cabeça concordando com qualquer coisa que sua amiga falava. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Eu volto amanhã para vê-la. — Letícia falou. — Obrigada por receber Ângela aqui, senhora. —

— Me chame de Marília. Eu não poderia ignorar a namorada da minha filha em um momento de necessidade. Ela é uma ótima menina e nós cuidaremos dela muito bem, pode ter certeza disso. — Marília sorria de forma fraterna, como uma mãe cuidando dos filhos. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Ela é sim. — Concordou a jovem estilista. — Até mais, Camila. Cuida bem dela. — Falou se voltando para a morena.

— Pode deixar. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

A jovem entrou no carro e voltou em direção à sua casa. Camila e sua mãe voltaram para casa e Marília deitou em seu quarto. A morena arrumou o que ainda precisava na casa e depois entrou em seu quarto e sentou na beirada da cama, acariciou o rosto de sua amada, seu coração apertou ao olhar o machucado em seu rosto.

— Amor, deita comigo. — A loira pediu baixinho. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Claro, meu amor. Só vou pegar uma compressa para o seu rosto e um remédio para a dor. — Ela deu um beijo a testa de Ângela.

Camila foi até a cozinha fazer uma compressa gelada para aplicar no machucado. Ela colocou a compressa no local, fazendo Ângela contrair o rosto em uma careta, os gemidos de dor partiam o coração da menor. A morena suavizou o movimento para não a machucar mais ainda. Ângela olhava a amada com aqueles olhinhos azuis cansados. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Desculpe não ter chegado mais cedo. — Falou Camila, sua voz embargada delatava seu estado emocional.

— Você não sabia, não tinha como saber. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Mesmo assim, eu devia estar lá, se eu tivesse chegado ant... —

— Não faça isso. — Ângela interrompeu a morena colocando sua mão sobre os lábios dela. — Não se culpe por algo que você não controla. Só há um culpado e não é você. — Ela segurou a mão de Camila. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Tem razão, agora o importante é cuidar de você. — Camila deitou ao lado de sua amada. — Por hoje eu posso dormir ao seu lado e cuidar de você. —

— Obrigada. É tudo que preciso agora. — Ângela abraçou a amada que a envolveu em seus braços sem a apertar. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

As duas ficaram em silêncio na cama aconchegadas em um abraço, os olhos fechados e apenas elas estavam a respiração cortavam o silêncio.

— Camila. — Chamou com a voz mais baixa possível. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Sim?! — Respondeu a morena com os braços em volta de seu corpo.

— Você estava falando sério quando disse que me amava? — Ângela estava com os olhos fechados e com a cabeça sobre o peito de Camila, então ela podia ouvir o coração de sua amada. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Claro que eu te amo, eu não tenho dúvidas disso. — Camila respondeu rapidamente, sem titubear.

Ângela não esperava uma resposta tão rápida e direta. Não houve um vacilo, uma tentativa de mudar de assunto, só a resposta que queria ouvir e isso a fez chorar em silêncio. Camila fez uma carícia gentil e delicada nos fios loiros, um gesto de amor e carinho que carregava toda a história de ambas. Não havia mágoa, rancor ou medo em relação ao passado e aos sentimentos de ambas. Havia apenas amor. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Eu também te amo. Eu nunca tive tanta certeza de algo como tenho disso. Eu te amo. — Sussurrou, com as mãos sobre o abdômen da morena. Ela tentava se agarrar ao sentimento como se ele pudesse tira-la do sofrimento em que estava e, enquanto estivesse nos braços dela, ele pedia.

As carícias gentis continuaram, Camila passava seus dedos pelos fios delicados e macios da loira que aos poucos se entregava ao sono. Apesar do desconforto da cama pequena e das dores em seu corpo, ela adormeceu nos braços fortes, mas gentis de sua amada. As horas passaram silenciosamente, até as motos que em outros dias passavam fazendo barulhos deixaram aquela rua vazia. Era como se o universo quisesse dar uma noite de descanso para a duas. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

A manhã veio com pouca luz, pois o céu estava com algumas nuvens o cobrindo. Seus corpos se espreguiçaram, mas, diferente de Camila, Ângela gemeu de dor.

— Amor, não faça movimentos intensos. — Camila segurou os ombros da loira. — Você está muito machucada. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Meu corpo todo está doendo. Eu posso ficar na cama mais um pouco? — Ela deitou o corpo em Camila.

— Claro. Fique aqui e durma mais um pouco. Eu vou fazer o café e ver se minha mãe está bem. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

Camila fez o café com tapioca e foi acordar sua mãe. Marília ainda estava deitada e tossia bastante, ainda enrolada nos lençóis. Camila sentou na cama com os remédios e os entregou a ela.

— Você está tossindo muito. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— É esse tempo frio. — Marília tossiu com força, fazendo o seu peito doer.

— Mais tarde faremos os exercícios para seu pulmão, até lá fique deitada. Vou trazer seu café. — Camila era quem instruía a mãe nos exercícios para os pulmões para que ela não se esforçasse demais para não piorar seu quadro, ela começou a fazer isso antes mesmo de entrar na faculdade. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

Ela serviu sua mãe na cama para que ela não saísse e piorasse. Após servir sua mãe com leite, queijo e pães frescos, ela seguiu para o seu quarto, onde a loira estava deitada. A morena entrou no quarto com uma bandeja com mamão, café, tapioca, pães e queijo, colocando a bandeja na cama.

— Café na cama? Que romântica. — Ângela falou, sentando na cama. O corpo ainda doía, mas aos poucos e com movimentos suaves ela melhorava. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Eu sou romântica. — Camila sorriu de lado.

— Estou percebendo. — A loira pegou o mamão, mas o sorriso de Camila murchou de repente ao olhar as marcas roxas nos braços de Ângela. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Você vai falar com seus pais sobre... o que aconteceu? —

— Eu não tenho certeza. Eu estou com medo. — O rosto da loira se entristeceu. — Não sei se devo falar com eles. Já foi difícil o bastante falar para a polícia, eu não suporto pensar em como vão me olhar, o que meus pais vão pensar. Como vou encarar as pessoas depois disso? — Ela se encolheu, abraçando as pernas. — Parece que tudo e todos olham para mim e eu estou com medo até de sair da cama. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Não, tudo vai melhorar. — A morena se aproximou. — Você foi uma vítima, não tem que ter vergonha e nem medo de falar, ele quem vai ter que pagar pelo que fez. —

— Eu não sei o que fazer. A gente viu tantas vezes como agir nessas situações e eu não consigo aplicar em mim mesma... eu só quero deitar e esquecer tudo. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Tudo bem, meu amor! Deita e dorme. Fique deitada o tempo que precisar. — Os dedos morenos acariciaram a pele clara com cuidado.

— Eu não posso. Eu preciso falar com meus pais, resolver tudo com a polícia, mas eu estou me sentindo horrível e não quero fazer isso. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Amor, eu vou estar com você em cada um desses momentos, entendeu? Eu não deixaria você sozinha e vamos passar por isso juntas. — Ela segurava as mãos de sua amada tentando acalmá-la. — Mas você precisa descansar. Sua mente ainda está muito agitada. —

— Eu sei, amor. Você é a única coisa que está me segurando à realidade. Eu não sei o que faria se você não estivesse na minha vida. — As palavras tocaram fundo o coração de Camila. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

Ângela deitou novamente nos braços de sua amada e descansou, ela pegou o mamão e começou a comer devagar. Sabia que precisaria de força para encarar a batalha que estava por vir. Após o café, Camila lavou a louça enquanto Ângela tomava um banho. Elas iriam até a delegacia prestar mais esclarecimentos.

— Mamãe, vamos sair e voltamos mais tarde. — Camila falou, cobrindo a mãe com o lençol. — Não saia da cama até eu voltar, está bem? — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Está bem, filha... — Marília respirava com dificuldade. — Eu não vou levantar. Prometo. — Ela falava com um pouco de dificuldade. — Cuide bem dela, viu. — Falou segurando a mão da filha.

Na delegacia, as jovens prestaram mais depoimentos. A delegada pediu que Ângela relatasse tudo novamente, parecia ser uma tortura lenta para Ângela, que tremia só de lembrar o que aconteceu, Camila também precisava prestar esclarecimentos pois, além de ter testemunhado o crime ainda agiu para que impedir que Rafael consumasse o ato. Após todos os esclarecimentos, a delegada liberou a loira para voltar à sua cama. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— E quanto a ele? — Ângela perguntou após sair da sala.

— Estamos conduzindo a investigação com cautela, não podemos revelar os próximos passos. — A delegada respondeu. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— O que mais vocês vão esperar? — Camila perguntou, segurando sua amada. — Já está claro o que aconteceu, tem provas, vocês já pegaram as imagens do prédio dela? —

— Senhorita, eu peço que se acalme. — A delegada pediu. — Nós sabemos bem o que precisamos fazer, mas as coisas levam tempo para serem feitas de forma adequada e para não deixarmos brechas que poderão ser usadas para liberar ele. — Respondeu com o rosto sério. — Agora voltem para casa, deixem o resto com a gente. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Vamos, amor. Deixa isso para depois. — Ângela puxava o braço de sua amada.

A voz da loira acalmou Camila que atendeu ao pedido. Juntas foram até o carro, a jovem não estava satisfeita com a resposta da delegada, não entendia a demora em prender um criminoso com tantas provas irrefutáveis. Durante o trajeto, ela pensava no quanto sua amada havia sofrido e na dor que sentiria se aquele maldito escapasse sem punição. Havia visto o bastante do mundo para saber que não era difícil que tal coisa acontecesse, mas tinha esperança de que fosse diferente, pois os pais de sua amada, mesmo sendo dois criminosos, ainda eram influentes e não deixariam a filha passar por isso. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

Chegando em casa, as mulheres se depararam com Marília em uma crise de tosse violenta. A mulher tossia tanto que suas costelas doíam e sua respiração estava cortada. Camila se apressou em socorrer a mãe. Havia uma pomada para tosse sobre uma mesinha e foi ela que a morena usou para ajudar a mãe.

— Como ela está? — Ângela perguntou quando Camila saiu do quarto. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Está cansada, parece ser início de uma gripe. —

— Mas no estado dela, ela não pode gripar. — Ângela falou algo que Camila já sabia há muito tempo, mas tentava não pensar a respeito, pois não queria lidar com a possibilidade. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Acho que vou ter que levá-la ao hospital. — Camila estava nervosa com o estado de sua mãe. — Ela já esteve pior que isso e se recuperou, se eu levá-la logo tenho certeza que ela se recupera rápido. — A morena se acalmou ao planejar os próximos passos.

As meninas pegaram Marília para levá-la ao hospital. Camila vestiu a mãe enquanto Ângela pegava um pouco de dinheiro para o caso de elas demorarem por lá. No carro, Marília e Camila iam no banco de trás. Ângela teve que assumir a tarefa de dirigir mesmo estando cansada e dolorida. No banco, a mulher tossia com força e, aos poucos, o pano que ela tinha ficava sujo com sangue. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

Chegaram ao hospital com Marília ainda tossindo bastante. O médico que sempre a atendia estava de plantão, mas ainda havia cinco pessoas à sua frente. Quando finalmente foi atendida, ela entrou com a filha, o médico decidiu que a mulher seria internada para tratamento, pois sua fibrose pulmonar idiopática estava piorando. O médico tranquilizou Camila informando que ela ficaria em observação, mas que havia grandes chances de ela ficar bem, pois a trouxeram cedo.

Marília ficou em uma sala com sua filha e Ângela a seu lado. A mulher tinha um aparelho para auxiliá-la a respirar. As enfermeiras aplicaram os medicamentos para sua recuperação e nas dores. A morena estava mais tranquila, pois via a mãe respirando sem sentir dor e ali teve a certeza de que ela ficaria bem. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Você quer voltar para casa? — Camila perguntou. — Eu posso ficar até ela ser liberada. —

— Não, eu quero ficar com você até tudo ficar bem. — A jovem pegou a mão de sua amada e a segurou com carinho. O amor em seus olhos transbordava. Havia outro motivo para Ângela querer ficar, ela não queria ficar sozinha em casa por muito tempo. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

Marília estava vendo as duas e sorria contente com o que presenciava, sabia que não estavam namorando, mas sabia que o amor de ambas era real, pois o via em cada gesto de carinho de uma com a outra. A mulher estava feliz de ver que sua filha estava com alguém que a amava e que ela amava igualmente. A mulher já considerava a loira como sua nora.

Após algum tempo na sala, Ângela recebeu uma ligação de seu pai. Não sabia o que ele queria, mas imaginou que poderia haver com a noite horrorosa que teve. Ela pediu licença e foi atender o celular no corredor, de fato a ligação era sobre o crime que havia sofrido, mas não era no tom que esperava. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

“Por que você mandou a polícia atrás do Rafael?”, Daniel questionou com a voz alterada.

— Do que está falando? — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

“O pai dele acabou de me mandar mensagem dizendo que ele está na delegacia prestando depoimento. Ele disse que você inventou uma mentira sobre ele e por isso a polícia foi atrás dele. Não bastou ter humilhado ele, trocando-o por uma... sapatão, você ainda inventa coisas sobre ele para a polícia?!”

— Eu não inventei nada! — Ângela quase gritou, mas lembrou-se de que estava em um hospital. — Já parou para pensar que talvez ele tenha feito algo de errado e por isso a polícia está atrás dele! É tão difícil acreditar pensar nisso?— ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

“O que ele poderia ter feito para a polícia ir atrás dele? Ele nunca fez nada de errado.”

— Por que não vai e pergunta a ele, já que ele é mais seu filho que eu? — Ângela encerrou a ligação. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

A loira apoiou as mãos nos joelhos, respirando com dificuldade. Ela segurou o choro, mas as lágrimas insistiam em se formar em seus olhos contra sua vontade. Tudo que aconteceu com ela era surreal, mas seu pai cogitar que ela faria algo assim era mais do que ela poderia aguentar. Ela se ajoelhou devagar no chão, já sentindo o rosto molhado de lágrimas.

— Amor?! — A voz de Camila foi como uma lufada de ar dentro de uma caverna apertada e escura. — O que aconteceu? — Ela se aproximou devagar. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Meu pai me ligou. — Respondeu, enxugando as lágrimas. — A polícia foi atrás do Rafael, ele disse que eu inventei algo sobre ele e meu pai acreditou. —

— Não é possível. Como ele pode acreditar naquele desgraçado e não em você? — Camila abraçou a maior. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Como ele pode cogitar que eu faria algo assim? — Ângela se apoiou na morena e ela a ajudou a se levantar.

— Independente do que ele ou sua mãe pensem, a polícia fará seu trabalho e ele vai para a cadeia. — Elas se abraçaram. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Vamos ficar com sua mãe. Ela pode precisar de nós. — Ângela mudou de assunto pois doía demais as palavras de seu pai.

As moças ficaram com Marília por bastante tempo, de hora em hora elas saíam para beber algo ou comprar alguma comida, mas uma sempre ficava com Marília. O primeiro dia passou com o casal dormindo no hospital. No dia seguinte, Camila pediu para Ângela voltar para casa e descansar um pouco. Apesar dos protestos da loira, ela aceitou, pois Camila prometeu que em seguida iria para casa descansar. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

Enquanto Ângela estava em sua casa, Camila ligava para os amigos para avisá-los do ocorrido. Obviamente ela omitiu o que aconteceu com Ângela e apenas falou sobre o estado de sua mãe. Leandro e Carmen obviamente ficaram preocupados com a situação da amiga e decidiram que iriam vê-la o mais rápido possível.

Leandro e Carmen chegaram ao hospital meia hora depois, foram direto até a amiga e a abraçaram com força. Os amigos pegaram três copos de café e beberam enquanto conversavam. Camila explicava o estado da mãe para os amigos que estavam ansiosos por explicações. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— E por que ela estava fora de casa a uma hora daquelas? — Carmen perguntou.

Camila estava pensando em uma resposta, mas Ângela apareceu para seu alívio, pois não queria responder à pergunta. A loira foi direto até a amada e a abraçou, entregando uma marmita com comida. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— O que ela faz aqui? — Leandro perguntou, olhando a loira com raiva.

— Ela está comigo! — Camila respondeu, se colocando entre os dois. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Como? Por quê? —

— Olha, é uma longa história, vocês só precisam saber que estamos juntas e... que ela me ajudou muito com a minha mãe. — A morena sentiu a pele esquentar. — Agora eu preciso ajuda-la. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Juntas, tipo: namorando? Ou juntas, tipo: amigas? — Leandro questionou.

— Juntas, tipo, pessoas que se gostam e querem o bem uma da outra. — Ângela respondeu antes da morena. Sua expressão era de alguém irritada com a ousadia do casal. Ela estava aliviada por estar de volta a presença de sua amada, não aguentava mais ficar sozinha mesmo que por pouco tempo. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Tá bem, depois falamos disso. — Carmen tomou a frente do namorado após olhar Ângela com atenção e notar os machucados.

— Depois eu explico mais. Por hora isso é tudo que vocês saberão. — Camila interveio, impedindo qualquer possível resposta dos amigos, em especial de Leandro, que já estava engatilhando uma resposta. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Agora você precisa comer. Está desde cedo sem comer nada. — Ângela falou para a morena, levando-a para sentar.

Os quatro sentaram nos bancos enquanto Camila comia um frango frito com arroz, feijão e salada. Enquanto a morena se alimentava, Ângela mexia em seu celular à procura de informações sobre Rafael, mas nada surgia em nenhum pagina de notícias. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Isso está muito bom, foi você quem fez? — Perguntou Camila, saboreando a refeição.

— Sim. Eu imaginei que não voltaria para casa até a noite, então fiz para você. — Respondeu com um sorriso caloroso. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

O casal ao lado observou a breve interação com perplexidade, não esperavam que as duas estivessem tão próximas e ali estavam como se estivessem recém-casadas. Após as dezessete horas, o casal estava pronto para ir embora. Carmen explicou que iria falar com seus pais e que Camila não precisaria se preocupar com o trabalho.

— Vocês podem levá-la até em casa? — Ângela perguntou ao lado de Camila. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Não quero ir agora. — A morena retrucou, mas Ângela insistiu, explicando que seria melhor ela ir com eles e voltar de Uber, pois economizaria tempo e dinheiro. — Não se preocupe, não vou sair do lado da sua mãe. — Segurou a mão de sua amada sem se importar de estar em público.

— Não é isso que me preocupa. — Camila olhou a parceira com preocupação. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— É um hospital, eu vou ficar bem. — Ângela tentou acalmar a amada.

— Eu vou, mas volto rapidinho. — Respondeu a morena ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Está bem. Prometo que ficarei bem. — A loira falou acariciando as bochechas da menor.

Camila concordou com a ideia de Ângela e aceitou ir com o casal, mas antes saiu por um momento para conversar com sua amada sozinhas. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Se eles perguntarem sobre você? Sobre o motivo de você estar na minha casa, considerando que eles vão perceber suas coisas... o que eu devo dizer? —

— A verdade, só não entre em detalhes. — Ângela tentou vestir a capa de uma mulher forte, mas a verdade era que preferia nunca mais falar do assunto, porém, temia ser o motivo de um desentendimento entre sua amada e os amigos. As amantes se despediram e a morena acompanhou o casal até sua casa. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Você vai contar o que está rolando entre vocês ou vai deixar ela decidir por você? — Leandro lançou a pergunta com a intenção de provocar uma resposta.

— Eu já disse, estamos juntas. Só que é um pouco complicado de explicar tudo. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Nós entendemos e não vamos mais perguntar, não é? — Carmen levantou a sobrancelha até o namorado responder positivamente. Chegando em sua casa, Camila desceu e, como esperado, o casal quis entrar.

Dentro de casa, Camila tomou um banho enquanto seus amigos olhavam tudo em volta. Notaram que no quarto da amiga havia coisas que não eram dela e muito menos do gosto pessoal dela. Assim que a morena saiu do banho e se vestiu, o casal começou a questioná-la sobre os objetos que viram em sua casa. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Por que vocês querem saber de quem são essas coisas? — Camila perguntou, guardando as roupas em seu quarto.

— Por que não é o tipo de coisa que você usa?! — Leandro retrucou desconfiado. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Tá, essas coisas são da Ângela, ela vai passar alguns dias aqui. — Respondeu a contragosto.

— Por que ela está ficando aqui? Vocês disseram que não estavam namorando, mas estão morando juntas? — O rapaz estava esperando uma resposta convincente, pois sabia que havia algo estranho. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Aconteceu alguma coisa para ela vir ficar aqui? — Carmen perguntou mais calma que o namorado.

— Ela... ela terminou com o Rafael, só que ele não aceitou o final e invadiu a casa dela. Não vou entrar em detalhes, mas ela não quer voltar para casa e vai ficar aqui até decidir que pode ou não voltar para lá. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Eu não pensei que fosse isso... sinto muito por ela. — Leandro falou, aceitou a explicação da amiga sem exigir maiores detalhes. — Ela prestou queixa contra ele? — Perguntou o rapaz, já pensando na burocracia e em como ajudar a amiga caso seja preciso.

— Sim, a polícia já está resolvendo tudo, mas eu não posso falar mais nada. Ela não quer falar disso e já deve estar sendo muito difícil para ela sem ter que falar disso para outras pessoas. Agora eu vou voltar para o hospital. Não quero deixar ela sozinha nessa situação. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

Camila pediu um Uber e se despediu dos amigos, deixando a casa trancada. O carro pegou um caminho rápido, parecia que o universo estava cooperando com ela, até o trânsito estava mais tranquilo. Chegou ao hospital quarenta minutos depois e foi direto até sua amada, que estava sentada tomando um café com uma enfermeira.

Ela se aproxima dando um beijo na bochecha de Ângela. A enfermeira relatou a ela o que estava contando para a loira. Marília teve uma pequena complicação devido ao resfriado que não melhorava, mas não havia motivos para preocupação, pois os remédios já estavam sendo aplicados. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

As palavras da enfermeira não tiveram o efeito desejado na jovem, o pedido para não se preocupar havia entrado por um ouvido e viajado até sair pelo outro, deixando apenas a parte em que falava da piora no caso de sua mãe. A morena sentou na cadeira e a loira estava a seu lado tentando acalmá-la. Eram duas pessoas com a mente em colapso por dois motivos diferentes e ambas encontravam força para suportar tudo uma na outra. As duas estavam juntas no corredor e eventualmente saíam, mas logo voltavam. Passou aquele dia com elas dormindo no hospital.

Passaram-se mais dois dias sem notícias, até receberam uma ligação da delegada pedindo para que Ângela se apresentasse à delegacia em algumas horas. O objetivo era um novo depoimento, pois Rafael já havia feito o dele e foi liberado para voltar para casa. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Como podem ter liberado ele? — Camila estava abraçando sua amada que estava desacreditada da informação que recebeu.

— Eu não quero ir, amor. — Ângela abraçava a morena com força. — Eu não vou, não vou! — Seu rosto estava escondido na volta do pescoço da morena. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Amor, você precisa ir. Não podemos deixar que esse canalha saia ileso disso. — A menor dizia ao mesmo tempo em que fazia carícias nas costas da loira.

— Mas eu não quero voltar lá e falar tudo de novo, não sozinha. — A voz da jovem já estava demonstrando os sinais de choro contido. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Você não vai sozinha, eu vou com você. — Afirmou, apertando-a em seus braços fortes, um ato de proteção contra tudo que poderia acontecer de ruim.

— Não. Você tem que ficar com a sua mãe, nós duas temos. Não podemos deixá-la sozinha. — Ângela afastou o corpo da morena e enxugou as lágrimas. Novamente ela não se deixou abalar por muito tempo pois queria ajudar a amada e não ser mais um fardo para ela. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Ei, eu vou pedir para a Carmen e o Leandro virem aqui, eles vão ajudar a gente. Não vou deixar você sozinha. — Afirmou segurando o rosto da loira.

— Eu vou pedir para a Letícia vir também. Você não pode deixar a sua mãe e, se ela estiver comigo, eu me sentirei tão segura quanto ao seu lado. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

Camila concordou e cada uma chamou os amigos para ajudá-las com a situação. A morena sabia que seus amigos, em especial Leandro, não gostavam de Ângela, mas esperava que o rapaz pudesse ajudá-la na delegacia. Quando os três chegaram ao hospital, todos ficaram a par das notícias e Camila pediu ao amigo que acompanhasse sua amada na delegacia, pois, como estudante de direito, ele poderia auxiliá-la em algo, já que a jovem ainda não havia chamado um advogado.

— Quer que eu as acompanhe e ajude? Você tá brincando? — Perguntou o rapaz indignado. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Olha, ela está nervosa, ainda não tem advogado e você é a única pessoa que conheço que pode ajudar nisso. —

— Escuta, amor. — Carmen interveio, ela sabia que namorado a ouviria mesmo que não gostasse. — Ela precisa da sua ajuda e você pode fazer isso, eu vou com você se quiser, mas vá com ela. — A jovem segurou as mãos do namorado que soltou uma lufada de ar como forma de rendição. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Está bem, mas você vem comigo. — Olhou para a namorada.

— Obrigada. Você não imagina como isso é importante para mim. — Camila abraçou o rapaz e este retribuiu o abraço com um sorriso caloroso. — Você também baixinha, obrigada por me ajudar com esse cabeça dura. — Ela abraçou Carmen também. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Você não é exatamente a pessoa mais alta que conhecemos. — Carmen rio da amiga.

— Amor, o Leo vai com você para ajudar com a parte jurídica. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Amor, não...

— Não recuse, por favor. Você ainda está sem advogado e ele vai ajudar. — Segurou as mãos da maior. — Por favor, aceite. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Está bem, não é como se eu tivesse muitas escolhas. — A loira sorriu apertando a mão da amada. — Ah, obrigada vocês dois. — Agradeceu olhando o casal ao lado.

Letícia falou com Camila sobre a situação e lamentou pelo estado de sua mãe, desejando a ela uma recuperação rápida. A estilista também agradeceu por falar com Leandro para acompanhá-las e isso foi tudo que as duas falaram. Camila se despediu de sua amada com um abraço forte de quem não quer soltar a pessoa nunca mais. Sua mão direita estava sobre a cabeça de Ângela e a esquerda estava em sua cintura, apertando-a mais contra si. O esforço de ambas para se separarem era visível para todos, mas conseguiram se afastar e a loira entrou no banco da frente enquanto o casal sentou atrás. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

Sozinha novamente no hospital, Camila estava tomando um copo de café para se manter alerta, pegou o celular e escreveu uma mensagem carinhosa para Ângela afim encorajá-la. No hospital, ela via pessoas indo e voltando, mulheres visitando parentes doentes e outras pessoas esperando serem atendidas. Ela esperou por uma hora até o médico aparecer. O homem se aproximou da jovem que já era conhecida, pois era ele quem fazia o tratamento de Marília.

— Como ela está? — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Houve uma complicação. — O doutor Paulo tinha a boca rígida como se estivesse tentando não falar coisas sem pensar. — O resfriado agravou o pulmão dela. Achamos que os remédios conseguiriam controlar, mas... eles não estão surtindo o efeito esperado. —

— E... o que isso quer dizer? — A voz de Camila estava tensa, carregada de medo e angústia, seu lábio inferior tremia como se estivesse no gelo. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Quer dizer que teremos que testar novos medicamentos e mantê-la na UTI. —

— Paulo, por favor, eu quero saber quais as chances da saúde dela piorar ou dela... — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Escute, filha. Eu não posso afirmar nada, mas estamos cuidando de tudo. Sua mãe está sendo bem tratada. — Paulo fazia seu melhor para acalmar Camila e manter suas esperanças.

— Não minta para mim. — As lagrimas já se formavam. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Não estou mentindo, fique calma, sua mãe vai conseguir sair dessa. — Paulo forçou um sorriso.

O médico se retirou para voltar a cuidar dos demais pacientes. Os pensamentos da morena estavam afoitos, tantas coisas haviam acontecido em tão pouco tempo que poderia jurar que estava fazendo parte de uma conspiração do mal de um drama mal escrito, mas era apenas sua vida mostrando como coisas ruins podem acontecer sem explicação. Sentada em uma cadeira, a morena coçava suas mãos e batia o pé freneticamente, sem conseguir conter sua ansiedade. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

Mais algumas horas se passaram, Ângela já estava voltando para o hospital e estava em ligação com sua amada. Em ligação, ela contou que havia dado um novo depoimento e que a delegada não revelou o que iria acontecer com Rafael. Já era tarde, o sol já se despedia da cidade quando a loira chegou ao hospital e foi direto para os braços de sua jogadora preferida.

— Tem mais alguma notícia da sua mãe? — Ângela perguntou após se separarem do abraço. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Ainda não, só a que já falei para vocês. — Respondeu, olhando os demais.

— Por que eles não falaram mais nada? — Carmen perguntou ao lado de Leandro. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Provavelmente estão esperando ela melhorar ou dar algum sinal de reação. — Camila respondeu.

— É possível, mas eles não podem deixar você sem informação por tanto tempo, isso é desrespeitoso e angustiante. — Leandro falou, o rapaz tinha uma cara cansada, Camila não deu atenção e chamou o rapaz para conversar a sós. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— O que você achou do caso? Foi tudo bem? —

— Saiu tudo bem, sim. Quanto ao caso em si... a delegada não falou muita coisa, mas pelo cuidado que teve ao falar do caso e quando Ângela o acusou, eu acho que não irão prendê-lo. — Leandro respondeu com desânimo. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Ela garantiu que estava cuidando de tudo. —

— Eu não duvido que esteja, mas os pais deles são ricos e os advogados já devem estar exigindo diversas coisas para dificultar a continuidade do processo, sem falar na influência dos pais. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Os pais dela também são ricos e conhecidos. —

— Então é melhor ela falar com eles sobre isso. Conseguir bons advogados para evitar que ele saia impune, e levar o caso a público. — Respondeu. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Eu vou falar com ela, obrigada de novo por ajudar e q… —

— Nem pense em me oferecer dinheiro como agradecimento. Eu nem deveria estar auxiliando ela. Você é minha melhor amiga e vai precisar de dinheiro para quando sua mãe sair do hospital e eu nunca aceitaria dinheiro para ajudar você. — O rapaz pôs a mão no ombro da amiga como forma de consolá-la. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Então, pessoal. — Letícia chamou quando os dois amigos voltaram a se aproximar do grupo. — Eu preciso ir. Mais tarde tenho que ir trabalhar. Vocês querem carona? — Perguntou para os dois amigos que ajudaram sua amiga e ambos aceitaram.

— Obrigada por me acompanharem. — Ângela agradeceu, olhando o casal que antes nem imaginava que poderia lhe ajudar em algo. — Desculpem pelas vezes que discutimos. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Isso são águas passadas, não se preocupe. — Carmen falou, segurando o braço do namorado. — Desejamos melhoras para você. E Camila, não se preocupe com o trabalho, pode tirar o tempo que precisar. —

Camila agradeceu e Ângela abraçou Letícia antes dos três entrarem no carro. O casal e a estilista se despediram e as mulheres voltaram para dentro do hospital para mais uma noite de espera. Camila pedia para a loira voltar para sua casa para descansar, porém Ângela não deixaria sua amada sozinha e ela mesma não queria ficar só, queria a segurança dos braços da morena. A noite chegou e o casal ainda estava esperando por notícias. Já era tarde da noite e ambos estavam conversando baixinho. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Acho que você devia falar com seus pais. — Camila falou enquanto Ângela estava com a cabeça encostada em seu ombro.

— Eu imaginei que falaríamos disso em algum momento. Acho que amanhã eu posso ir falar com eles. — Ângela estava com a voz baixa, parecia estar com sono. — Estou com medo deles não acreditarem em mim. — A jovem deitou a cabeça na perna da morena. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Eles são seus pais, mesmo que você tenha desagradado eles rompendo o casamento, eles ainda te amam. — Camila tocou os fios loiros e fez um carinho de cima para baixo. — Eles vão exigir a prisão daquele maldito logo que ouvirem você. Agora durma, amanhã cedo você vai falar com eles. — Camila nunca pensou que algum dia na vida contaria com as pessoas que tanto odiava para protegerem quem ela amava. Era a maior das ironias que a vida poderia lhe jogar, sem dúvidas.

— Eu te amo. — Sussurrou Ângela com os olhos fechados. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Eu te amo também. — Camila respondeu e depositou um beijo na bochecha da loira.

Enquanto Ângela dormia, uma enfermeira trouxe notícias sobre Marília. A mulher estava dormindo com auxílio de aparelhos e ainda não apresentava sinais de melhora. No meio da noite a loira choramingava e falava palavras desconexas, Camila, ao notar os movimentos bruscos, percebeu que se tratava de um pesadelo e a acalmou falando palavras de proteção, seus braços a envolveram em um abraço protetor, pouco a pouco Ângela se acalmou e voltou a dormir. Quando a manhã chegou, Ângela acordou toda dolorida, sua cabeça estava nas pernas de Camila. Já a morena estava com sua cabeça encostada na parede e parecia ter caído no sono daquele jeito. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Bom dia, você dormiu bem? — Camila acordou ao sentir o corpo da loira se mexer.

— Se eu disser que dormi bem, estarei mentindo, mas pelo menos estava com você. — A jovem mexeu a cabeça para destravar os músculos. — Eu tive um sonho horrível. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Eu sei. Você choramingou enquanto dormia, mas eu consegui te acalmar. —

— Eu ouvi sua voz. Parecia um anjo me tirando da escuridão. — Ângela abraçou a morena. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Quer falar do seu sonho? — Camila retribuiu o gesto, sua perna doía, mas nada que impedisse de demonstrar seu amor ou mesmo de andar.

— Não lembro bem, mas ele estava no sonho. — A loira apertou ainda mais a morena. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Não se preocupe, ele não vai te fazer mal, nunca mais. — Camila acariciava os ombros da amada, as palavras que saíam de sua boca não eram mero consolo, eram uma promessa de que aquele homem nunca mais tocaria nela, mesmo que ele não fosse preso e a prova de sua promessa estava nas mãos ainda machucadas daquela noite maldita. — Você quer ir para casa antes de ver seus pais? —

— Sim. Eu vou pedir para a Letícia me acompanhar enquanto você fica com sua mãe. Quer que eu traga algo para você? ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Não precisa. Quando você voltar eu vou comer um pouco e aí eu volto. — Seus olhos estavam cansados.

— Vou deixar comida pronta para você. — Deu um selinho na namorada. — Vamos escovar os dentes no banheiro. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

Ângela ligou para Letícia pedindo que ela a acompanhasse até a casa de seus pais para conversarem. Quando saíram do hospital, a estilista já estava esperando em frente ao veículo. As duas chegaram à casa de Daniel e Michelle antes das nove da manhã. Daniel estava em seu escritório e Michelle estava na sala fazendo uma ligação quando as amigas entraram.

— Filha, finalmente você apareceu! — Michelle desligou na hora e correu ate a filha. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— A senhora estava preocupada? — Ângela parecia não acreditar no que estava vendo.

— Claro, filha. Os últimos dias têm sido voltados a saber o que aconteceu e tentar resolver isso tudo. — Michelle respondeu com naturalidade. — Precisamos que você esclareça tudo para que Rafael seja inocentado. O que aconteceu com você? — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— O que? Inocentar o Rafael? — Perguntou Ângela, mortificada com as palavras de sua mãe.

Daniel, que estava no escritório quando Ângela chegou, saiu assim que ouviu sua voz na sala. Ele ficou esperando até que ela fizesse a pergunta para poder falar. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Você o acusou de invasão e tentativa de estupro apenas para se livrar dele, não foi isso? — O homem perguntou, entrando na sala. — Faz ideia do que essas acusações fazem com a vida de um homem? —

— Como pode imaginar que eu faria algo assim? Acha que eu acusaria alguém de algo tão nojento sem que fosse verdade? — A menor perguntou indignada com o que sua mãe dizia. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Foi o que ele disse, negou todas as acusações, disse que vocês estavam se reconciliando e uma... qualquer apareceu quando vocês estavam juntos, bateu nele e agora você estava invertendo tudo para livrar ela da prisão. — Explicou Michelle.

— Mãe, eu nunca acusaria alguém disso sem motivos. Ele invadiu minha casa! — A jovem quase gritava. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Está dizendo que ele realmente... — Michelle não conseguia finalizar a pergunta.

— Sim, senhora Michelle. — Letícia respondeu ao ver o corpo de sua amiga tremer de medo. — Fui eu e outra pessoa quem a socorreu e vi ele saindo do prédio. Rafael fez isso e está tentando enganá-los com mentiras. — As palavras da jovem doíam tanto nela quanto na mãe de sua amiga. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Por que ele faria isso? Não há nenhuma razão para acreditar que um garoto como ele faria algo assim, ele sempre foi um jovem de caráter, honesto, esforçado. Ele que saiu com nariz quebrado, ossos fraturados. — Daniel retrucou. — Você, por outro lado, usa suas mentiras desde que chegou nessa casa para conseguir tudo que quer e agora quer acabar com a família do meu melhor amigo. E para que? Pra proteger uma qualquer que flagrou vocês dois juntos? —

— Você ficou louco? Ele é um doente que não aceita ser largado. Ele me traiu com várias meninas, que caráter é esse que ele diz ter? — A loira respondia com raiva a cada acusação de seu pai. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Que provas você tem disso? Tudo que ele disse é bem coerente, você não quer admitir que queria ficar com ele.— O homem estava mais preocupado em defender o filho de seu amigo do que em ouvir o que sua filha tinha a dizer e ponderar os fatos. Todas as resposta que Ângela dava entravam por um ouvido e saiam imediatamente pelo outro.

— Se eu quisesse ficar com ele, eu não teria terminado. Acha que eu faria isso comigo? — A jovem mostrou seus braços que ainda tinham marcas roxas, além do olho que ainda estava machucado. — Você nem sequer está preocupado comigo. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Por que eu me preocuparia com uma mentirosa que está tentando manchar a imagem da nossa família e do filho do meu melhor amigo? —

Ângela sequer estava conseguindo falar ou raciocinar. Parecia que as palavras de seu pai eram parte de uma conspiração fajuta da internet, não parecia real que seu pai era aquela pessoa tão cruel e estúpida a ponto de falar aquela asneira sem cabimento. Michelle estava em silêncio ouvindo seu marido e esperando sua filha se defender, os dois nunca brigaram, nunca sequer discutiram em voz alta sobre algo, as conversas entre eles nunca haviam passado de discussões nas quais a menina sempre se rendia às ideias do pai, mas ali não havia chance dela ceder. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Querido, vamos parar pra pensar. Ele não fez uma denuncia sobre a agressão que sofreu, nem sequer tentou falar com a Ângela depois disso e ainda ficou bastante nervoso quando pedimos detalhes. — Michelle falou, se aproximando do marido. — Precisamos pensar bem nisso, queijo. —

— Você vai acreditar nisso? Você não viu o Rafael chorar e jurar para nós e para os pais que nunca faria algo assim? Não viu o estado em que ele estava?.— Daniel se voltou para a esposa irritado. — Ela nem sequer nos procurou, não atendia nossas ligações e aparece aqui com essa calma toda. Isso não é comportamento de uma vítima. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Quem é você para dizer como uma vítima de estupro deve agir? Um assassino que deixou pai e filho morrendo, que direito você pensa que tem para julgar como eu deveria reagir? — Ângela estava gritando a plenos pulmões enquanto Letícia a segurava, incrédula.

— Saia dessa casa! — Daniel falou com a voz séria e o olhar centrado na filha. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Amor, você não pode expulsar nossa filha de novo, ela veio nós ver depois de tudo que você disse e você vai fazer isso?! — Michelle alterou a voz pela primeira vez. — Eu não permito! —

— Acontece que eu não pedi sua permissão e nem quero saber o que acha, eu só estou mandando ela sair da minha casa. — Daniel olhava a esposa com uma frieza que nunca demonstrou antes. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Filha, não leve isso a sério, seu pai não estava pensando direito. —

— Não me importa. Eu pensei que vocês poderiam me ajudar, mas eu não vou mais ocupar vocês. — Ângela segurou as lágrimas. — Vamos embora. A Camila deve estar esperando a gente. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

— Para onde você vai? — Michelle perguntou.

— Vou ficar com a Camila. Ela está precisando de mim e eu dela. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌​​‌​‍

Ângela saiu da sala sendo seguida por Letícia, que não sabia o que poderia dizer ou fazer para aliviar a situação, mas o melhor era apenas permanecer calada. No carro, Ângela recebeu uma ligação de Camila. Ao atender, ela ouviu a voz de choro de sua amada.

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