Capitulo 16 UMA NOVA PROPOSTA Dificuldades De Um Amor · Capítulo 17 de 25
Obra Menu

Capitulo 16 UMA NOVA PROPOSTA

CAPÍTULO DEZESSEIS: UMA NOVA PROPOSTA

​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌​​‍

Após a conversa, um silêncio estranho se instalou na sala. As jovens não conseguiam se encarar com naturalidade e as conversas eram ainda mais difíceis.

— Eu queria saber... você ainda tem muita raiva da proposta que fiz? — Ângela começou uma nova conversa. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌​​‍

— Eu não sei. Eu estou mais à vontade com você, eu acho que você foi uma escrota insensível, mas fico feliz quando encontro você em qualquer lugar... — Camila ficou com as mãos sobre os joelhos e Ângela segurou uma delas.

— Eu também gosto de você. Gosto muito. — A mais alta inclinou sua cabeça em direção a menor na intenção de beijá-la, mas a morena se afastou. — Desculpa, eu... eu pensei que... — Ângela se afastou nervosa. — É que você disse... — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌​​‍

— É que... tudo que aconteceu ainda é recente e... é estranho depois de tudo. — Respondeu nervosa.

— Já nos beijamos antes. Não que isso seja motivo, mas não é como se fosse a primeira vez. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌​​‍

— É, mas antes você me pagava. Não é a mesma coisa. —

Ângela ficou em silêncio depois de ouvir as palavras de Camila. Era incômodo ouvir aquilo, mas ela precisava encarar a verdade. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌​​‍

— Eu estava pensando e eu quero ajudar você com os remédios da sua mãe. —

— Por que você quer fazer isso? — Camila olhou a loira, surpresa. — É para amenizar o que seu pai fez? — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌​​‍

— Hm, talvez tenha um pouco disso, mas eu quero ajudar porque me importo com você. — Os olhos de Ângela estavam sobre o rosto de Camila. Era um olhar cheio de carinho. — E com a sua mãe, eu também me importo com ela. Por favor, aceite a minha ajuda... eu quero que vocês fiquem bem. —

— Eu queria dizer não, mas não estou em condição de ser orgulhosa mesmo. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌​​‍

— Obrigada por me deixar ajudar. Eu vou comprar os remédios amanhã. Eu vi que estão acabando. —

— É, eu estava economizando para comprar tudo. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌​​‍

— Não precisa mais se preocupar com isso. —

— Obrigada. — Camila ficou em silêncio, estava nervosa. — Então quer fazer algo? — Perguntou, olhando para Ângela, e ambas se encararam. — Que não seja sexual. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌​​‍

— Hm, eu estou cansada. Mas não quero voltar para casa. —

— Bom, pode dormir aqui... se quiser. — A menor apertou as mãos, estava envergonhada devido à proposta. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌​​‍

— Não é incômodo para você? Ou sua mãe? — A loira olhou para a colega.

— Eu posso tolerar isso por uma noite. — A morena sorriu de lado. — Vem. Você pode tomar um banho e usar um pijama meu. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌​​‍

Elas foram até o banheiro. A morena entregou-lhe uma toalha e deixou um pijama em cima da cama para ela usar por aquela noite. Ficou esperando no quarto até a loira voltar para poder tomar banho, não queria dividir o banheiro com a loira pois sabia o quão lindo era o seu corpo. Camila se trocou no banheiro e, quando voltou para o quarto, encontrou a maior vestida com seu pijama de zebra.

— Zebrinha? — A loira perguntou, levantando as mãos. Como Ângela era maior, o pijama ficou pequeno e levemente apertado, ele se resumia a um short e uma camisa pequena que deixava sua barriga à mostra. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌​​‍

— Estava em promoção. — A morena baixou a cabeça, envergonhada.

— Pena que é um pouco apertado, mas obrigada. — A loira olhou em volta. — Onde eu vou dormir? — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌​​‍

— Bom, nós temos um quarto extra, mas ele está ocupado com alguns móveis, então... você pode dormir aqui na minha cama. —

— Não, não posso ficar com a sua cama. Você precisa trabalhar e, para isso, tem que dormir bem. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌​​‍

— Não se preocupe. Você está acostumada a dormir em colchões finos, eu durmo em qualquer lugar. Vou pegar um colchão para colocar aqui. — Camila saiu para pegar o colchão.

O quarto da jogadora era bem arrumado. Um espelho grande de corpo inteiro, um armário com suas roupas, os tênis do time de vôlei estavam organizados, as roupas sujas separadas por cores como se estivessem prontas para ir para a máquina. Havia uma foto de sua família em uma mesinha de cabeceira. Ângela sorriu ao ver o sorriso de Camila com uma janelinha. Ela estava nos braços de Pedro e Marília. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌​​‍

— Voltei. — Camila entrou no quarto com o colchão. — Estava um pouco alto para eu alcançar. —

— Podia ter me chamado. — Ângela ajudou Camila a colocar o colchão ao lado da cama. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌​​‍

— Eu consegui sozinha. —

O colchão estava ao lado da cama e um lençol foi colocado por cima. As jovens deitaram e ficaram em silêncio por alguns minutos. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌​​‍

— Tem certeza de que está tudo bem você dormir aí e eu na sua cama? — Ângela perguntou, olhando para Camila.

— Tudo bem sim. — Camila sorriu. — Está confortável? — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌​​‍

— É um pouco duro, mas está bom. Tem seu cheiro nos lençóis. — A loira acariciou os lençóis.

Camila nada falou, apenas ficou olhando a loira. Sua pele estava quente com as palavras que ouviu. Ângela ficou igualmente envergonhada com as palavras, mas não quis retirá-las, pois eram verdade. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌​​‍

— Como era seu pai? —

— Meu pai? Ele era... carinhoso. Um homem grande com um grande coração. — A jogadora sorriu. — Eu já disse que ele sempre me tratou como filha? Eu sei que pode ser repetitivo, mas isso é muito importante para mim. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌​​‍

— Eu posso imaginar. E seu irmão? —

— Ele era só uma criança. Alegre, apegado a mim, fofo como toda criança e arteiro. Mas por que está perguntando sobre eles? — Camila olhou para a loira. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌​​‍

— Eu... só queria saber como é ter um pai normal. —

— Seu pai não é carinhoso? — Perguntou a morena. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌​​‍

— Ele é um homem... pragmático. Tudo tem que ser útil para sua vida, desde suas compras até... — Ângela se deteve antes de terminar o que ia dizer.

— Até... ter uma filha? — Camila completou. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌​​‍

— Adotar uma. — A fala de Ângela deixou Camila muda. — Eles me adotaram na mesma época em que seu pai morreu. Provavelmente a matéria estava certa e minha adoção era apenas para a mídia ter algo para falar e abafar o caso do atropelamento. — Os olhos dela estavam tristes. Era a primeira vez que ela constatava aquilo em voz alta e Camila percebeu a delicadeza da situação.

— Eu sinto muito. — A voz da menor era baixa. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌​​‍

— Eu que sinto por você e por tudo que sua família passou. —

— Como foi quando você foi adotada? — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌​​‍

— Eu fiquei muito feliz. Eu já era mais velha, então já estava perdendo as esperanças de sair de lá. — Ângela estava com uma expressão nostálgica no rosto. — Quando eles me escolheram, eu não acreditei, parecia um sonho. Eu chorei tanto naquele dia. Nem imaginava o motivo de terem me escolhido. — Seus olhos ganharam um ar de tristeza. — Sabe aquela foto que você viu no meu apartamento? —

— Que você está com seus pais e seu cabelo está preto? — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌​​‍

— Essa mesma. Tiramos ela no dia em que fui adotada. Aquele cabelo era meu mesmo. Não estava pintado. —

— Por que você pinta então? ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌​​‍

— Minha mãe sempre quis ter uma filha de cabelos loiros. Ela mandou pintar logo que cheguei e desde então ela sempre me trata como aquelas bonecas caras. — A voz de Ângela estava baixa.

— Sua mãe parece uma pessoa bem sem noção. — Camila estava irritada só de imaginar como Michelle era e piorou ao lembrar de quando a conheceu. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌​​‍

— Ela não é ruim, só não gosta de ser contrariada e lidar com as responsabilidades. — Ângela sentia-se impelida a defender a mãe.

— Ou talvez você pense assim porque se sente em dívida por ela ter te acolhido. — As palavras saíram sem que a morena tivesse controle. — Desculpe, eu não quis... — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌​​‍

— Obviamente, você está certa. Eu devo muito a eles. — A voz baixa da loira denunciava sua tristeza.

— Considerando o que você falou, eu diria que eles devem mais a você do que você a eles. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌​​‍

— Hm, acho que devíamos dormir. — Ângela não queria prosseguir naquele assunto.

— Boa noite. — Ambas disseram e se aconchegaram cada uma em seu lugar. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌​​‍

Por volta da uma da manhã, Ângela acordou de um sonho um tanto incomum. Sonhou com uma boneca de corda e uma garota de cabelos loiros cacheados. A menina brincava com a boneca, mas não como uma criança faz. Em seu sonho, a menina brincava como se fosse uma mãe de fato, cuidando e arrumando a boneca. Era uma cena um tanto estranha. Em um momento, a cabeça da boneca virou para a direção em que Ângela estava e então ela acordou.

A loira ficou estática na cama, lembrando do sonho do qual havia acabado de acordar. Nada além de silêncio no quarto, mas havia um som, um som leve de respiração. A seu lado, Camila dormia meio jogada no colchão. A morena estava com uma mão sobre o peito e a outra acima da cabeça, ela respirava como uma gatinha dormindo. Ângela sorriu ao ver a colega dormindo. Era fofo e, ainda com seu coração apertado devido ao sonho, ela tomou uma decisão. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌​​‍

A loira desceu de onde estava e se aconchegou ao lado de sua amada no colchão. Ela deitou sua cabeça no peito da morena e ouviu as batidas de seu coração. Aos poucos, o sono voltou e ela caiu em um sono profundo, dessa vez mais leve e sem sonhos estranhos.

O alarme de Camila tocou às seis em ponto e ela acordou sentindo um peso sobre seu corpo. Ao abrir os olhos, deparou-se com uma cabeleira loira sobre seus seios e então lembrou que havia convidado Ângela para dormir em sua casa. A morena balançou o corpo de Ângela levemente para que ela acordasse. A loira gemeu e se agarrou com mais força ao corpo de Camila. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌​​‍

— Ei, eu tenho que levantar. — Falou, mexendo nos braços da jovem, e aos poucos ela abria os olhos.

— Que horas são? — Perguntou com a voz rouca. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌​​‍

— Seis e cinco da manhã. —

— É muito cedo para levantar. — Ângela esfregou os olhos. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌​​‍

— Para você deve ser mesmo, mas é normal para mim. Fazer café cedo, lavar louça e pegar ônibus, preciso sempre acordar cedo. — Ângela sentou no colchão. — Por que deitou comigo em vez de ficar na cama? — A loira ficou vermelha com a pergunta.

— É que... eu tive um sonho ruim e não consegui dormir depois. — Ela estava envergonhada por ter sido pega. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌​​‍

— E então achou que deitar comigo ia ajudar? —

— É que eu estava com medo. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌​​‍

— E por que não me acordou? —

— Você estava dormindo tão pesado que eu achei que seria cruel te acordar. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌​​‍

— Pelo menos dormiu. Vem, vamos levantar. —

— Eu tenho que ir para casa. — A loira se espreguiçou. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌​​‍

— Dorme comigo e de manhã vai embora sem nem tomar café. — A morena sorriu com o próprio comentário.

— Não, eu só não quero incomodar. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌​​‍

— Não vai ser incômodo. —

— Nesse caso, eu aceito. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌​​‍

Camila tomou um banho e, após Ângela entrar no banheiro, ela foi para a cozinha fazer o café. Ovos, pães, café e leite eram de regra na mesa. Enquanto estava preparando tudo, Ângela entrou na cozinha e então começou a ajudar a fazer os ovos, enquanto Camila ia ajudar a mãe a levantar.

Marília sempre precisava da ajuda da filha para levantar, mas naquela manhã sentia mais dificuldade ainda. Sua tosse começou cedo devido ao tempo frio que fazia e isso a deixava mais cansada. Ao ir em direção ao banheiro, ela viu que Ângela ainda estava em sua casa e sorriu por vê-la ali. Sentia o alívio por ver a filha próxima de alguém novamente e saber que ela não carregava seus pesos sozinha. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌​​‍

— Eu posso terminar tudo sozinha, filha. — A mulher falou embaixo do chuveiro.

— Se precisar de ajuda, grita. Não precisa de vergonha para me chamar. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌​​‍

— Está bem. Agora vai lá com sua amiga. — A mulher sorriu para a filha.

Quando chegou à cozinha, encontrou a mesa pronta e Ângela estava lavando a louça. Foi uma surpresa ver aquela cena, uma surpresa agradável. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌​​‍

— Não precisava lavar a louça. — Falou, se aproximando.

— Eu sei, mas eu não ia deixar tudo sujo para você limpar. — Respondeu com um sorriso gentil. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌​​‍

— Bom, eu vou guardar as coisas então. —

Após tudo estar arrumado, as três mulheres sentaram para tomar o café. Marília sorria e conversava com Ângela sobre seus estudos. A jovem respondia às perguntas com empolgação. Camila apenas olhava as duas conversando, a alegria em seu rosto parecia que nunca iria embora. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌​​‍

— E os seus pais, filha? Como eles são? —

A pergunta de Marília fez o sorriso de Ângela e Camila sumir. As duas jovens se olharam como quem pergunta uma para a outra o que deveriam responder. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌​​‍

— Ah, eles são... — A loira pensava nas possibilidades de resposta para evitar mais problemas. — Empresários. Meus pais trabalham fornecendo assistência a hospitais particulares. — Foi rápida no pensamento.

— Ah, então eles são do ramo da saúde? — Marília se surpreendeu. — Eles devem ter muito orgulho de você. — Falou e recebeu um sorriso amarelo como resposta. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌​​‍

Não passava pela cabeça de Marília que a jovem sentada a seu lado e quem parecia fazer tão bem à sua filha era, na verdade, filha do homem que matou seu marido e seu filho, que ainda era uma criança. Após o encerramento do caso de seu marido, ela não procurou mais informações sobre Daniel e sua família, não queria ouvir nada dele e, portanto, não sabia que Ângela e a jovem adotada para abafar o crime contra seu marido eram a mesma pessoa.

Após o café, Camila e Ângela arrumaram tudo e então a loira decidiu voltar para casa. Se despediu da morena e de sua mãe, dando um abraço na mais velha. Em seu carro, sentia o coração apertado por saber que aquela mulher tão gentil sofreu tanto por culpa de seu pai. Pensava que não merecia toda a gentileza que recebeu daquela mulher e que, se caso ela soubesse quem era seu pai, iria depositar o ódio que sentia por ele, nela. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌​​‍

Ela continuou dirigindo até chegar ao seu apartamento, mas continuou pensando em Camila e sua mãe e como poderia ajudá-las sem contar a Marília quem era seu pai. Sua ideia era seguir com a ideia que teve sobre seu pai ser um empresário e nunca falar muito sobre ele. Quando chegou em casa, encontrou o namorado na porta de seu apartamento. Assim que viu a namorada, o rapaz correu até ela.

​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​‌​​‍

1/1
Menu

Fazer anotação