Capitulo 9 ELA É UMA AMIGA Dificuldades De Um Amor · Capítulo 10 de 25
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Capitulo 9 ELA É UMA AMIGA

CAPÍTULO NOVE: ELA É UMA AMIGA

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— Já estava me esperando, filha? — A mulher entrou sem esperar convite.

— Mãe, o que faz aqui? — Dessa vez, Ângela não pode esconder o nervosismo em seu sorriso. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​‌​​‍

— Preciso de motivos para visitar minha filha? — Sentou-se no sofá de maneira elegante. — Eu fui ao lançamento do livro do Adão, ele mandou esse exemplar para você e outro pro seu pai. Passei só para entregar o seu, quero levar logo o de Daniel — Entregou o exemplar para a filha. — Pais carinhosos, filhos felizes. Um manual para criar filhos felizes e responsáveis emocionalmente. É um ótimo livro. —

— Obrigada, mãe. — Ângela falou, colocando o exemplar sobre a mesa. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​‌​​‍

— Será ótimo para quando você tiver seus filhos, mas com um sogro como Adão vocês terão a melhor orientação possível. — A mulher tinha uma postura calma.

Ângela fechou os olhos tentando se acalmar depois das palavras da mãe. Novamente ela estava colocando metas que sua filha não tinha a menor vontade de realizar. Antes de poder responder, duas batidas agressivas cortaram o ar. Ângela foi rapidamente atender à porta, rezando para não ser Camila. No momento em que abriu a porta, deu de cara com a morena que estava de cara fechada como se estivesse diante de um inimigo mortal. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​‌​​‍

— Tive problemas para chegar. — Camila já estava entrando na casa, mas Ângela colocou a mão em seu peito, impedindo-a de entrar.

— Quem é filha? — Michelle perguntou, olhando para a porta. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​‌​​‍

Camila olhou a mulher surpresa. Seu olhar se dividia entre Ângela e Michelle, não sabia o que fazer ou o que dizer para evitar problemas. Foram apenas alguns segundos de silêncio, mas para as duas jovens parecia ser uma eternidade, o medo de serem pegas as paralisou. Ângela se recompôs para remediar a situação.

— É a Camila, mãe. Ela é uma amiga. — Deu passagem para Camila entrar. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​‌​​‍

— Oh! Uma amiga sua. — Michelle levantou para abraçar Camila, que arregalou os olhos com o gesto da mulher. O corpo tenso de Camila e o olhar escondiam um sentimento que mãe e filha não faziam ideia da existência — Olá, querida. — Sorriu, segurando os braços da menor. — Sente. Fique à vontade. —

— Ah, obrigada. — Camila caminhou com a mulher para sentarem juntas no sofá, estava desconfortável, mas preferiu agir amigavelmente. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​‌​​‍

— Onde vocês se conheceram? — Perguntou, com as três já sentadas.

— Na fa... ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​‌​​‍

— No trabalho dela. A Camila trabalha em um restaurante e nos a conhecemos lá. — Ângela cortou a amiga rapidamente.

— Você trabalha em um restaurante? — Michelle abriu um sorriso ainda maior, por outro lado, Camila não sabia como reagir à mentira criada por Ângela. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​‌​​‍

— Sim. — Camila abriu um sorriso forçado, estava confusa e sem saber o que dizer, mas se mantinha na farsa.

— E como uma amizade começa em um restaurante? — As duas jovens se olharam, procurando uma explicação. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​‌​​‍

— Eu estava sem absorventes, Camila me encontrou no banheiro e quando expliquei a situação ela se ofereceu para comprar pra mim. —

— Ah, que atencioso da sua parte! — Michelle segurou a mão de Camila. — É bom ter amizades assim em nossas vidas. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​‌​​‍

— Mãe! —

— Sabe, ela tem uma amiga que já devia ter se formado há dois anos, mas ainda não conseguiu. Andar com ela faz minha filha parecer uma fracassada como ela. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​‌​​‍

— Mamãe, a senhora não tinha que ir para casa entregar o livro do papai? — Ângela lembrou a mãe.

— Ah, é verdade. Daniel deve estar me esperando. — Michelle levantou. — Querida, eu já vou, mas obrigada por visitar minha filha. Ela estava precisando de amizades novas. — Falou baixinho para a filha não ouvir. — Tchau, meninas. Divirtam-se. — Levantou e Ângela a levou até a porta e a trancou assim que a mulher saiu. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​‌​​‍

— Graças a Deus. — Se encostou na porta e suspirou aliviada. — Ela não desconfiou de nada. —

— Sua mãe tem uma personalidade bem diferente da sua. — Camila relaxou no sofá, desviou o olhar para a mesinha de centro e viu o fatídico livro. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​‌​​‍

— Eu gosto de manter minha individualidade. — Ângela passou por Camila e foi para a cozinha.

— Livro de coach para cuidar dos filhos? Nunca pensei que você lesse esses livros. — Largou o livro após olhar bem. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​‌​​‍

— Eu não comprei. O autor é o pai do Rafael, ele me deu de presente. — Ela estava bebendo um copo de água.

— Ah, e ele acha que fez um trabalho tão bom com o filho a ponto de querer ensinar os outros? — Sorriu ironicamente. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​‌​​‍

— Ele é psicólogo infantil, tem propriedade para falar sobre isso. — Sentou na poltrona ao lado de Camila.

— Então, vamos terminar logo com isso? — Camila estava vermelha de vergonha. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​‌​​‍

— Eu não sei se estou afim agora. — Colocou o copo sobre a mesinha.

— Nesse caso, eu vou embora. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​‌​​‍

— Espera! — Ângela se exaltou. — Fica... mais um pouco. —

— Por quê? — Camila olhou, ela já estava de pé, pronta para ir embora. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​‌​​‍

— Para conversar... — A loira não sabia o motivo de estar fazendo aquilo, sabia apenas que queria companhia e até mesmo a de sua rival serviria. — Para o caso de minha mãe perguntar sobre você, eu ter algo para falar. — Ela estava orgulhosa de pensar tão rápido em uma desculpa para a parceira ficar. — Ela pensa que somos amigas, agora. —

— Realmente, seria melhor ela não desconfiar. — Voltou a sentar no sofá. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​‌​​‍

— Sim. — Ângela tentou esconder o sorriso, mas não conseguia. Estava feliz com a presença de alguém em seu apartamento para conversar. Houve um silêncio desconfortável na sala. Nenhuma das mulheres tinha qualquer assunto em comum uma com a outra, mas Ângela começou mesmo assim. — Então, desde quando você trabalha no céu e mar? —

— Foi logo depois de entrar na faculdade. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​‌​​‍

— Sério? Por que o Rafael não te via por lá? — Perguntou, intrigada com a resposta, até se questionou se o namorado havia mentido sobre frequentar o restaurante.

— Ele não frequenta o restaurante a tanto tempo quanto deu a entender. — A morena relaxou no sofá. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​‌​​‍

— Mesmo assim, ele devia ter te visto em algum momento. —

— Eu não trabalhava como garçom. Antes eu trabalhava mais na cozinha, ajudava a preparar os pratos e não ia muito onde os clientes ficam, mas como o restaurante está tendo mais clientes estamos mudando isso. Quando eu atendi vocês, estávamos com muitos clientes e agora eu vou servir as mesas. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​‌​​‍

— Entendi. E como consegue conciliar o trabalho e a faculdade? —

— Os donos são meus padrinhos, e eu só trabalho à noite. Durante o dia eu estudo e me dedico ao vôlei. Eles sempre me dão folga nos jogos e nunca descontam do salário. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​‌​​‍

— A propósito, quando você começou a jogar vôlei? — Ângela estava realmente interessada nessa pergunta. Camila jogava tão bem que deveria ter começado cedo. A jovem até começou a frequentar alguns jogos e fez algumas gravações de tão bonitas que eram as partidas.

— Eu jogo desde criança, sempre fui apaixonada por esse esporte. — Os olhos da morena brilhavam enquanto ela falava. — Eu nunca perdia os jogos que tinham na cidade. — De repente, os olhos de Camila se entristeceram e Ângela percebeu a mudança repentina. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​‌​​‍

— Bom, eu não entendo nada desse esporte. Pra mim, vocês só jogam a bola de um lado pro outro, como no futebol. Outro esporte que também não entendo. — Ângela estava tentando amenizar a situação, por mais que tivesse raiva de sua colega, vê-la triste lhe causou um desconforto, coisa que ela não sentia com frequência por ninguém. — Para mim é futebol que jogam com as mãos. — Ela sorriu com a comparação.

— Não, não compare os dois. Vôlei é muito diferente de futebol, não apenas na maneira como é jogado, mas também nas regras, nas torcidas, na organização. São muito diferentes um do outro. — A morena demonstrava indignação com a comparação, a seu ver, era quase um insulto. — Nunca mais cometa esse erro. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​‌​​‍

— Oh, me desculpe se a ofendi com minhas comparações infundadas a respeito de tão nobre esporte. — Deu uma gargalhada ao terminar a frase. — Como prova de meu arrependimento me ofereço para ser sua aluna e aprender sobre esse esporte. —

— Hm, se quiser mesmo aprender eu posso te ensinar algumas coisas como os tipos de saque, o que é set, como se vence o jogo, o que é set e match point, tie-break e todo o resto. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​‌​​‍

— Esses nomes são engraçados, mas eu gostaria de aprender sim. Eu tenho visto alguns jogos e seria bom entender invés de só gritar quando vejo um lance bonito. — A loira sorria lembrando da confusão que sentiu na primeira vez que assistiu a uma partida de vôlei de Camila.

— Está bem. — Camila cruzou as pernas para ficar mais à vontade. Estava genuinamente feliz em falar do seu esporte favorito. — Começando pelo jogo em si, não há um limite de tempo. Ele dura até que um dos times vença. — Começou a explicar, mas percebeu que a jovem não estava entendendo e decidiu recomeçar. — Ok, o jogo pode ter até cinco sets, cada set é vencido quando um time chega aos vinte e cinco pontos, mas é preciso que o vencedor tenha dois pontos de diferença. — Essa explicação foi mais fácil para Ângela entender. — Se um time vencer três sets ele vence o jogo, se caso os times empatarem em dois sets cada, o jogo vai para o tie-break, esse é o nome do quinto set, e esse pode ir até o infinito. — Ângela estava empenhada e fascinada com a forma apaixonada com a qual Camila falava. Parecia uma criança, até o brilho nos olhos estavam presentes e o sorriso era tão genuíno que aqueceu seu coração, era uma visão apaixonante. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​‌​​‍

Camila explicou várias coisas sobre o esporte que tanto amava para a loira. Ela não sentia o tempo passar e estava aproveitando cada segundo da situação. A morena sorria e Ângela sentia seu coração errar uma batida quando isso acontecia. Nunca havia notado o quão linda ela era ao sorrir. Os dentes alvos, os lábios levemente carnudos, as marcas suaves ao redor da boca quando sorria, era tudo lindo. Ao final da explicação, Camila voltou a seu estado normal.

— Acho que já sabe o bastante para caso sua mãe pergunte sobre mim. Eu vou embora. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​‌​​‍

— E você não quer saber mais sobre mim? — Ângela levantou.

— Por quê? Sua mãe não vai andar por aí me procurando e ninguém que eu conheço perguntaria por você. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​‌​​‍

— É, tem razão. — Ângela sorriu desconfortável, ela só queria passar mais tempo com a morena.

Em frente à porta, a dupla se encarou por alguns breves segundos. Foi um olhar intenso, penetrante, um olhar que escondia sentimentos novos em ambas. Os olhos de Ângela estavam fixados nos lábios carnudos de Camila. Ela fechou as mãos intensamente, contendo a vontade de abraça-la. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​‌​​‍

— Não vai abrir a porta? — A morena apontou para a porta.

— Ah, claro. — A loira saiu de seu transe e abriu a porta. — Tchau. — Camila apenas acenou a cabeça. — Deus, o que foi isso? — Ângela colocou a mão sobre o peito, sentindo as batidas aceleradas. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​‌​​‍

A conversa com Camila foi tão boa que a após a saída da jovem o apartamento parecia maior e até mais frio. Ângela voltou para o sofá e pegou o celular, mandando uma mensagem para Letícia. Queria uma companhia para aquela noite e decidiu que iria visitar a amiga.

Fora do prédio, Camila andava sem prestar muita atenção ao que acontecia ao seu redor. Estava, ainda, reprisando o momento de descontração com Ângela. Nunca pensou que algo assim poderia acontecer, não com a loira. Antes de chegar em sua casa, recebeu uma mensagem dos amigos a convidando para sair. Pensou a respeito, mas antes precisaria falar com a mãe. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​‌​​‍

Após confirmar com a mulher, Camila afirmou que iria encontrar os amigos em um bar não muito longe de onde estava. Chegou ao local e viu a dupla dinâmica sentada em uma mesa mais afastada. Foi recebida com um abraço e sentou para conversarem.

— O que o meu casal preferido estava fazendo? — Perguntou descontraída. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​‌​​‍

— Casal? Não brinque com essas coisas. — Leandro bateu na mesa de madeira.

— Eu nunca namoraria alguém tão desleixado e que não me trata bem. — Carmen falou. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​‌​​‍

— Engraçado, vocês andam tão grudados que eu pensei que estavam namorando escondido. — Pegou um copo de bebida.

— Eu só estou ajudando ele a estudar, nada mais que isso. — Carmem se apressou em dizer. — Além do mais, eu nunca esconderia algo assim de você. Você é minha melhor amiga. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​‌​​‍

— É, eu também não esconderia. — Leandro, que não queria ficar de fora, falou rapidamente.

— Agradeço a confiança. — Deu um sorriso contido. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​‌​​‍

— E você? — Leandro virou o rosto para Camila.

— O que tem eu? — A morena pegou alguns petiscos e levou à boca. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​‌​​‍

— Se estivesse namorando, você contaria para gente, né? — Os dois amigos olharam, esperando uma resposta.

— Claro, por que não? — Deu de ombros como se não se importasse. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​‌​​‍

— Sei lá. Você anda muito indisponível já faz um tempo. —

— Leo, a gente já falou disso. — Carmen interrompeu o rapaz. — A Camila não tem que nos dar satisfação da vida dela. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​‌​​‍

— Mas… —

— Nada de “mas”. Você é inconveniente. Devia se preocupar mais com seus estudos. Por acaso já respondeu o questionário que fiz para você? — Carmen virou o rosto para o amigo indignada. Camila apenas olhava a situação sorrindo. Em silêncio agradecia o ciúme de Carmen pois ele a livrou de precisar inventar uma história, mentir não era o ponto forte de Camila. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​‌​​‍

— Vocês parecem um casal de velhos que estão casados há cinquenta anos. — Camila riu do próprio comentário, era fácil para ela imaginar os amigos casados ou no mínimo namorando por muito tempo. Desde que se conheceram, eram daquele jeito meio “amor e ódio”, mas sempre se ajudavam muito.

— Você anda muito engraçadinha. — Carmen apontou o dedo para a amiga. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​‌​​‍

— Eu só falo o que vejo. — Piscou o olho na intenção de provocar mais a amiga. Carmen até tentou retrucar, mas Camila foi mais rápida. — Então, você está ajudando o Leo a estudar? —

— Sim. Ela insistiu e agora eu tenho que responder questionários e mais questionários. — Leandro apoiou a cabeça na mão direita. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​‌​​‍

— Você não estava indo bem nas provas? — Olhou para os dois colegas.

— Não muito. Eu não estava conseguindo tempo para estudar. — Leandro estava com um olhar triste. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​‌​​‍

— Ele estava indo pessimamente, mas agora acho que ele conseguirá se sair bem. — Carmen falou orgulhosa de seu trabalho. — Ele é inteligente, só não tinha uma orientação nos estudos. —

— E como você conseguiu tempo para estudar para o seu curso e ajudar a elaborar questões de outro curso? — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​‌​​‍

— Eu sou muito boa e tenho bastante tempo para estudar. — Gabou-se Carmen, bebendo um pouco. — Você também precisa de ajuda? —

— Nada que vocês possam fazer no momento. — Camila bebeu também. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​‌​​‍

— Eu tenho que voltar para casa. — Leandro olhou o relógio — Daqui a pouco eu tenho que ir trabalhar. Tchau, meninas. — Pegou a mochila e saiu. Leandro fazia entregas na pizzaria dos pais, ele tinha que está no trabalho cedo, mas sempre conseguia tempo para as amigas.

— Quero fazer uma pergunta. — Carmen comentou, pegando um dos últimos petiscos e comendo. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​‌​​‍

— Pergunte. —

— Tem algo acontecendo entre você e a Ângela? — A pergunta de Carmen fez Camila quase engasgar. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​‌​​‍

— Como? O que te faz pensar isso? — Falou, após beber um gole do refrigerante que tinha.

— Sei lá. Desde que vocês começaram aquele trabalho, você tem estado estranha. — Carmen olhava a amiga. — Quando ela te chamou para conversarem depois do trabalho, você ficou toda enfurecida, depois você sumiu por um dia e ela te procurou, aí ela saiu em viagem e você ficou toda irritada. Além disso, você e a Carol se afastaram. Só achei estranho. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​‌​​‍

— Primeiro que falar com aquela vadia já é motivo o bastante para irritar qualquer um; segundo que já expliquei que fiquei com um livro dela. E sobre o que aconteceu quando ela ficou fora, eu só estava de TPM. — Camila estava nervosa, mas se esforçava para não demonstrar. Sempre soube que Carmen era observadora, tanto que ela foi a primeira a saber de sua relação com Carol e agora podia descobrir o que estava acontecendo entre ela e Ângela.

— Está bem, mas saiba que, se estiver acontecendo algo, eu e o Leandro estamos aqui. ¬¬— Carmen falou. — Eu não quero me intrometer na sua vida, você sabe, mas qualquer coisa que esteja passando, eu quero ajudar. Nós queremos ajudar. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​‌​​‍

O encontro entre amigas acabou pouco depois da conversa, Camila agradeceu o convide pois foi divertido e retornou para casa para mais tarde ir trabalhar. Carmen acompanhou a amiga por uma parte do trajeto, porem sua casa ficava em outra direção e a morena voltou para casa sozinha.

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