Capitulo 6 AS REGRS DEVEM VIR PRIMEIRO
CAPÍTULO SEIS: AS REGRAS DEVEM VIR PRIMEIRO
As palavras de Camila ainda ecoavam em sua mente, a deixando muda. Teorias sobre as reais intenções de Camila começavam a vir à tona: primeiro, ela pensou se tratar de uma pegadinha para expor sua pessoa; depois, achou que se tratava de um engano e a morena baixinha não estava realmente falando sobre transar; a possibilidade de Camila ter o caráter fraco e se render à tentação do dinheiro não foi descartada.
— Ok, você não estava falando sério. — Camila parecia mais arrependida do que nunca.
— Não, espera! — Ângela gritou e em seguida tampou a boca. — Está falando sério? Ou é uma pegadinha? — Sussurrou, com medo de sua mãe ouvir.
— Acha que eu ia me submeter a essa vergonha por uma pegadinha? Eu não sou uma adolescente idiota. — Camila também estava sussurrando.
— Eu não posso falar agora. — Olhou a porta para ter certeza de que Michelle não estava lá, a ausência da sombra na parte inferior indicava que tudo estava bem. — Se tiver tempo, vai até o meu apartamento e lá conversamos. Eu chego em meia hora. — Ela nem esperou uma resposta e desligou o celular.
Ângela largou tudo que tinha e saiu do quarto para falar com sua mãe. A única coisa que conseguia pensar era em chegar em sua casa o mais rápido possível. Ao chegar na cozinha e ver sua mãe ajudando as empregadas, ou melhor dizendo, dando ordens, ela sabia que precisaria de alguma explicação convincente para sair sem que sua mãe desconfiasse de algo.
— Oi, querida. Quer nos ajudar aqui? — Apontou para as mulheres que mexiam nos alimentos.
— Na verdade, mamãe... — Colocou a mão atrás da caneca e fez uma cara de tristeza. — Eu tenho que ir. —
— Mas já? Faz tanto tempo que você não visita a gente! — Foi até a filha.
— Eu sei, mas eu preciso voltar para casa. — Insistiu a loira.
— Nada disso. Você tem que ficar. — Sua voz calma, o suspiro cansado e o olhar de tristeza de uma criança não estavam funcionando. Por sorte, Ângela sabia que havia coisas que sua mãe prezava.
— Eu preciso estudar, mamãe. — Se aproximou, segurando nos braços da mulher. — Estamos quase nos formando, não posso desleixar nos estudos logo agora. —
— Mas tão cedo? — Fez cara de desapontada.
— Mamãe, eu prometo vir mais vezes visitar vocês. — Forçou um sorriso que não demonstrava o tamanho de sua pressa. — Virei aqui no próximo fim de semana também, que tal? — Ela não tinha a real intenção de vir, mas sabia que não conseguia dobrar a mãe a menos que usasse tudo que podia.
— Promete? — Colocou o dedo mindinho na frente do rosto. Era algo que fazia desde criança, todas as promessas feitas dessa forma deveriam ser cumpridas, caso contrário haveria consequência, Ângela sabia disso.
— Prometo. — Se rendeu, mesmo sabendo que teria de cumprir a promessa.
Seus dedos apertavam o volante com força, seu olhar se dividia entre a estrada e o relógio de pulso, sua mente estava cheia de flashbacks da primeira vez que ficou com Camila, a primeira vez que teve um orgasmo de verdade. Ela balançou a cabeça para afastar suas lembranças, não era hora para deixar esses sentimentos tomarem conta. Precisava manter-se sóbria para não cair em pegadinhas, mas contrariando a razão, suas pernas roçavam uma na outra à procura de algum alívio.
Em seu apartamento, ela subiu depressa apenas para encontrar Camila parada em frente à porta, a esperando. Seu coração se apertou de medo, desejo e vergonha. Uma mistura que não esperava sentir na presença daquela mulher. Do outro lado, a situação era semelhante, a diferença era que o sentimento mais forte era de raiva.
— Achei que não vinha mais. — Sua voz ríspida deixava claro seu descontentamento em se prestar àquela humilhação.
— Foram cinco minutos de atraso. — Abriu a porta e, com um pouco de nervosismo, elas entraram.
O coração de Ângela pulsava tão forte que ela teve medo de cada pulsar ser ouvido por Camila. O silêncio se instalou de forma desagradável, a loira evitava olhar nos olhos da colega de tanta vergonha que sentia.
— Então, você realmente vai aceitar? — Não havia forma delicada de começar essa conversa. — Não é uma pegadinha? —
— Eu não me sujeitaria a uma humilhação dessas só por uma pegadinha. — Camila estava parada no mesmo lugar, seus pulsos fechados demonstravam o quão difícil era sua decisão.
— Então, nós vamos... — Ela coçava os dedos para tentar se acalmar. — Fazer mesmo? —
— É, eu vou te foder e você vai... — Cerrou os dentes, ficando vermelha. — Vai pagar por isso. —
Ao ouvir as palavras de Camila, a respiração de Ângela ficou ofegante, sua mente já estava bastante nebulosa e, antes de conseguir raciocinar, já estava agarrando a menor e a beijando desesperadamente. No início, Camila resistia, estava com raiva da situação, da humilhação, mas não podia negar que os lábios da mais alta, apesar do beijo rude, eram macios. Então, ela encaixou melhor as bocas e o beijo ficou mais lento e prazeroso. Ângela empurrou Camila para o sofá e, sentada em seu colo, continuaram os beijos. Suas mãos foram direto para a barra da camisa da menor e a puxou para cima, estava com mais vontade do que queria admitir.
— Espera! — Camila segurou suas mãos. — Isso precisa de regras. — Segurava os braços da outra. —
— Falamos disso depois. — Segurou o rosto da morena e a beijou novamente.
— Não! — Insistiu, segurando os braços mais firmemente, mas cuidando para não machucar. — As regras vêm primeiro. —
— Ok. Como quiser. — Levantou contra sua vontade. — Quer um contrato para assinarmos? —
— Não estou para brincadeiras. — Fechou a cara.
— Certo. Então como vai ser? — Sentou-se ao lado da outra.
Seus lábios inchados, a vermelhidão de seu rosto e os mamilos eriçados eram uma visão tentadora para qualquer outra pessoa. Mesmo Camila a odiando, não podia negar que sentia desejo por aquele corpo, mesmo assim sabia que era melhor não se deixar levar.
— Não posso vir aos fins de semana. — Engoliu em seco.
— Certo. Eu vou enviar uma mensagem sempre que... quiser te ver. — Ângela sentia-se angustiada pois sabia que Camila não estava à vontade com aquilo.
— Ok. Não quero que saibam que estamos fazendo isso. Já é humilhante o bastante estar aqui, não quero que todos saibam. —
— Não é minha intenção espalhar que estou ficando com uma sapatão pobretona. — Ângela mudou a expressão para irritada. — Ainda mais tendo que pagar. —
— Já se passou pela sua cabeça que, se você quer transar com uma “sapatão”, talvez você seja uma também? — Sua ironia irritava Ângela e ela gostava disso.
— Só estou curiosa, não sou como você. — Cruzou os braços. — E quanto vai querer receber? — Sua fala mais uma vez deixou Camila vermelha de vergonha. — Não quer falar? Ok, então eu decido. — Olhou para cima, pensando sobre o que deveria pagar. — Que tal quinhentos por semana? — Olhou a menor.
— É, está bom esse valor. —
— Nós iremos nos encontrar aqui, você terá uma chave reserva. — Falou. — O que mais gostaria de acrescentar? —
— Não importa o que aconteça aqui, isso é apenas sexo e nada sairá daqui. — Voltou à sua postura séria.
— De acordo. —
Os minutos seguintes foram desconfortáveis, a presença uma da outra era o suficiente para deixá-las desconfortáveis, porém o acordo que acabaram de criar deixava tudo ainda pior. Camila estava com raiva, com ódio até da situação em que foi obrigada a se submeter, mas ela já havia aceitado e queria acabar com aquilo o mais rápido possível. A menor timidamente se aproximou de Ângela para consumar o acordo. Ansiosa, a loira beijou a outra desajeitadamente. Para sua sorte, Camila encaixou o beijo de maneira que fosse mais suave e prazeroso. O beijo trouxe consigo sentimentos que tentavam esconder uma da outra e até de si mesmas, os corações estavam acelerados enquanto as bocas moviam-se lenta e sensualmente revelando uma sintonia anormal entre os corpos.
Camila segurou a borda da camisa de Ângela e a puxou para cima, revelando os seios nus. A pele clara estava vermelha e os mamilos estavam rígidos, esperando o toque suave de sua boca. Instintivamente, Camila abaixa para beijar os montinhos rosados, seu movimento arrancou um gemido contigo seguido por sua sessão de contorcionismo. Sua língua contornava o seio e sugava o máximo, hora com força, hora de forma mais suave, suas mãos passeavam por cada centímetro do corpo divinamente desenhado. Suas mãos eram ásperas devido aos trabalhos e mesmo assim seu toque era gentil e causava arrepios em cada parte da mulher. Lentamente, suas mãos desciam para a calça que a loira usava, seus dedos tocavam o zíper, abrindo a calça e a tirando lentamente. Ela se ajoelhou, removendo a peça e deixando apenas uma calcinha vermelha que contrastava com a pele branca.
“Essa cretina é mesmo gostosa”, Foi o único pensamento que Camila teve ao levantar e contemplar o corpo de Ângela.
Os olhares se cruzaram por poucos instantes e então ela se ajoelhou para remover o pequeno tecido que cobria a intimidade de Ângela. Devagar, ela retirou a calcinha, revelando o que tanto queria tocar. Estava molhada e tinha alguns poucos pelinhos, se aproximou beijando os lábios, causando um choque de sensações na loira, sua língua suavemente passou entre os lábios, parando no clitóris, onde ela se dedicou a chupar. Camila segurou as pernas da mais alta e as colocou sobre seus ombros. De joelhos naquele sofá, ela chupou a boceta da mulher que acreditou que odiaria pelo resto da vida, mas nada dura para sempre, nem mesmo o ódio. Sua boca se deliciava com os sabores e seu ego inflava a cada gemido solto pela parceira, foram longos minutos que passou entre aquelas pernas, foi mais tempo do que esperava passar ali. Um gemido mais alto e longo a fez perceber que Ângela estava prestes a gozar, sua língua moveu-se no mesmo ritmo, mas suas mãos passeavam pelas pernas como se estivesse tocando uma obra de arte. Não levou muito tempo para sentir que sua parceira estava gozando.
— Nossa! — Ângela estava com o corpo inteiro tremendo.
Camila saiu do meio das pernas da parceira e levantou, sua feição era de alguém profundamente arrependido do que havia feito. Levou apenas alguns minutos para se recuperar e logo ela pegou sua jaqueta e saiu porta afora sem nem olhar para trás. O caminho percorrido foi difícil, sua mente estava desorientada a ponto de precisar segurar nas paredes para se manter de pé. No caminho até sua casa, Camila sente uma vibração no bolso da frente de sua calça e, ao verificar o celular, ela vê uma mensagem em seu pix com o valor combinado. Camila parou sua caminhada ao sentir sua respiração irregular.
— É por ela, vale a pena. — Ela falava para si mesma, sentada em uma calçada. — Ela precisa desse dinheiro. — Ela tinha a mão cobrindo o rosto para evitar que a vissem seu estado.
De volta ao apartamento, Ângela tomava seu banho após pagar o valor que devia. Sua satisfação com o ato havia acabado quando percebeu que sua companheira a havia deixado sozinha. Sua mente viajava entre os momentos de prazer que teve e as futuras desculpas que teria de dar para manter esse segredo. A culpa era um sentimento muito distante para ela. Ângela aprendeu a mentir muito cedo para se manter bem com os pais que a adotaram, portanto, mentir para seu namorado não seria um sacrifício, afinal, até seu namoro era mais uma das coisas que fazia apenas para agradar os pais.
Após o banho, ela vestiu sua melhor roupa e saiu para fazer compras. Precisaria comprar algo para sua mãe a desculpar por deixá-la sozinha. Ângela estava no shopping para comprar algo que sua mãe iria gostar, mas precisaria ser algo que realmente a fizesse feliz. Andou de loja em loja à procura do objeto perfeito, foi numa loja de joias que encontrou o presente perfeito. Um anel de prata com aro grosso, tinha um lindo rubi no centro e pequenas pedras de diamantes que agregaram valor e beleza.
— Com licença, quanto é esse aqui? — Apontou o anel.
— Esse aqui é uma joia extremamente cobiçada, o rubi é uma das pedras mais valiosas e lindas do mundo e esse aqui tem uma das lapidações mais lindas do mundo inteiro. —
— É realmente muito lindo, ele tem um vermelho intenso como sangue. — Segurou a joia entre os dedos. — Quanto custa? —
— Esse aqui está saindo pela bagatela de 6.579. — A vendedora falou com um sorriso típico de vendedores quando querem ganhar a simpatia dos clientes. — É um preço baixo para uma joia tão bonita. —
— Sim, bastante baixo. — Sorriu com tom sarcástico e mexeu em sua bolsa procurando o cartão.
A compra foi feita e Ângela saiu da loja satisfeita com o objeto, parou apenas para comprar algumas maquiagens e roupas. Ao retornar para a casa, ela se depara com o sofá no qual havia transado com Camila. Ela tocou os braços, lembrando de como era o toque da outra, de como era firme e quente.
— Droga! — Balançou a cabeça e foi para o quarto.