Capitulo 24 SEMTIMENTO MÚTUO Dificuldades De Um Amor · Capítulo 25 de 25
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Capitulo 24 SEMTIMENTO MÚTUO

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CAPÍTULO VINTE E QUATRO: SEMTIMENTO MÚTUO

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A comemoração pós-apresentação foi no restaurante “Céu e Mar”. Carmen parabenizou a jovem e serviu apenas o melhor do menu. A comemoração durou até quase meia-noite, todos os presentes falavam com orgulho da menina e nenhum deles comentou a ausência de Daniel ou sobre o caso Rafael. Não queriam mencionar assuntos que estragariam a noite.

Após o final do jantar, Letícia foi para casa com seus pais. Michelle queria falar com Ângela; Camila aproveitou para falar com sua amiga sobre os times de vôlei que queriam contratá-la. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

— Seu pai não quis vir, eu sinto muito. — Michelle lamentou baixinho.

— Eu nem queria ele aqui mesmo. — Ângela olhava a rua. — Me preocupa mais você ainda tentar convencê-lo a vir. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

— Eu só perguntei, mas ele ainda está... como posso dizer? Está com raiva pela prisão de Rafael. — Michelle respondeu. — Mesmo depois de tantas mulheres o acusarem, ele ainda o defende e tenta ajudar. —

— E o que você pensa disso? — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

— Eu nunca pensei que o homem que amava podia defender alguém assim... estou entrando com o pedido de divórcio. — Michelle falou baixinho, como se não quisesse aceitar o fato de que seu casamento estava acabando.

— Eu não digo que estou feliz com isso, mas eu quero que seja feliz e ao lado dele isso não vai acontecer. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

— Mesmo depois de tudo, você ainda quer minha felicidade? Não sei se mereço isso. — Michelle estava cabisbaixa.

— Não posso evitar isso, mas espero que não faça eu me arrepender. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

— Eu também espero. — A mais velha sorriu. — Eu estou indo. Vou dormir em um apartamento hoje. Não vou conseguir voltar pra mesma casa que ele. — O olhar da mulher era triste. — Eu quero falar com a sua namorada, antes de ir. —

— Tem certeza? Vocês não quer deixar isso para outro dia? — A jovem questionou preocupada pela situação, imagina qual conversa sua mãe queria ter com sua namorada e temia que isso gerasse um novo conflito ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

— Não, é melhor que seja agora. — Michelle falou seria.

— Vou chamar ela. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

Camila ainda estava nos fundos do restaurante conversando com Carmen e com Leandro através do celular. Os amigos estavam comemorando a conquista da morena.

— Isso é uma coisa que um de nós devia ter feito! — Leandro comentou. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

— É mesmo. Por que não fizemos? — Carmen questionou em meio a sorrisos.

— Porque nenhum de nós tinha influência o bastante para nossos pedidos chamarem a atenção de qualquer time. — Camila respondeu e o casal concordou. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

— Amor! — A voz de Ângela tirou o trio de amigos da conversa animada. — Pode vir aqui, por favor? —

— Claro, amor. — Camila sorriu. — Tchau pessoal, amanhã estaremos no Sase. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

— Estaremos lá torcendo por você. — Leandro falou enquanto a amiga se afastava.

— O que foi? Parece preocupada. — A morena olhava a amada atentamente. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

— Minha mãe quer falar com você. — A jovem falou baixinho, estava visivelmente receosa sobre a conversa, mas sabia que não iria mais adiar.

— Eu não sei se quero falar com ela. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

— Eu posso imaginar, eu não vou insistir se não quiser, mas ela parece arrependida. — Segurou a mão da namorada e olhou nos olhos, estava pedindo total atenção para o que iria dizer. — Porem, eu vou te apoiar se escolher não falar com ela. —

Camila ficou em silêncio, refletindo sua próxima ação. A mulher que ajudou a desgraçar sua vida e de sua mãe estava a poucos metros querendo falar com ela, a mesma mulher que era a mãe de sua namorada e com quem teria que conviver até que uma das duas morresse. Optou por ouvi-la, mesmo sem saber o que viria, era melhor encarar de uma vez a situação do que empurra-la com a barriga. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

— Está bem, eu vou lá. — Respondeu apertando a mão de sua amada.

— Obrigada. Eu vou esperar você aqui. — Ângela beijou a testa da menor como carinho. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

A caminhada até Michelle parecia um corredor da morte, parecia que cada passo fazia suas pernas pesarem mais e mais a ponto de doer. Mesmo assim, ela seguiu a passos lentos até onde a mulher estava. Diante de Michelle muitas mulheres pareciam pequenas, Camila seria uma delas, mas de longe parecia que Michelle era pequena perante a grandiosidade aquela pequena mulher.

— O que deseja falar comigo? — A voz firme da morena fez Michelle estremecer. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

— Eu… Ângela me contou sobre seu pai. — Michelle, que sempre foi tão confiante, não conseguia manter os olhos fixos na menor. — Eu quero que saiba que eu sinto muito, não queria meu marido preso e acabamos tomando decisões que prejudicaram sua família. — A respiração da loira era descompassada e apressada. — Meu sei que me perdoar é algo que você não será capaz de fazer, mas eu me arrependo muito do que fizemos a vocês e eu quero que nossa convivência seja o menos difícil possível. —

— Escuta, seu marido matou meu pai, o homem que eu mais amei. Seu marido só precisa se entregar a polícia e logo sairia da cadeia, mas vocês fizeram tudo para burlar a lei e por causa disso a minha mãe adoeceu. — Camila fechou os punhos. — Vocês não “prejudicaram” minha família, vocês destruíram tudo. Mataram meu pai e meu irmão, minha mãe lutou por justiça até a doença se tornar mais forte que ela, eu perdi minha família um por um, não foi um erro, foi um crime que destruiu tudo que eu conhecia. Nada do que você fizer ou disser vai mudar o que aconteceu; mas você é a mãe da mulher que eu amo e não posso evitar você pro resto da vida. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

— Eu imagino o quanto você sofreu, sei que não posso mudar nada disso, mas quero que saiba que eu sinto muito por tudo. —

— Sentir muito não vai trazer minha família de volta. — Novamente o peso da culpa caiu sobre os ombros de Michelle. — Mas eu não quero brigar com você, não por qualquer moral ou sentimento de superioridade ética, mas por ela. — Os olhos de Camila se voltaram para a namorada, seu porto seguro em meio aquela terrível tempestade de emoções. — Eu não vou te tratar como alguém melhor do que você é, não vou fingir gostar de você, mas, dentro do possível, vou te tratar como a mãe dela e só isso. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

— Eu não poderia pedir mais que isso, mas eu farei o que for possível para mostrar meu arrependimento. —

— Ótimo. — Camila concordou. — Acho que você já pode ir. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

Michelle entendeu o recado e se retirou deixando filha e nora sozinhas para voltarem para casa. Já em sua casa, Camila e Ângela tomavam um banho e a mais alta lavava as costas de sua namorada, ela olhava atentamente a pele molhada e a abraçou.

— Amor. — Ela beijou a pele morena. — Você já quis saber quem é seu pai? — Perguntou acariciando o ombro da amada. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

— Eu já sei quem é meu pai. E ele foi o melhor pai de todos. — Respondeu sem nem considerar que Ângela falava do outro pai.

— Eu sei, mas me refiro ao seu pai biológico. — Ângela se afastou, olhando a marca em forma de lua nova nas costas de Camila. Aquela marca que estava presente em quem a machucou e revelava um laço que o destino foi cruel em criar, mas que, naquele momento, não lhe causava nenhum medo pois estava nas costas de alguém que a amava e nunca iria lhe machucar. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

— Não. Por que eu iria querer saber quem ele é? — Camila perguntou, se virando para a namorada.

— Não sei. Mas se você tivesse a chance de saber quem ele é, você iria querer? — Ela acariciou a marca. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

— Amor, eu já tive o melhor pai do mundo. Esse homem, seja lá quem for, não é nada meu e não tenho a mínima vontade de vê-lo. — A firmeza na voz de Camila fez Ângela sorrir satisfeita. — Por que está curiosa a respeito disso? —

— Eu só pensei sobre isso. Não é nada que precise se preocupar. — Beijou os lábios da menor. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

— Está bem. Aliás, aproveitando que você tocou nesse assunto, vou cobrir essa marca de nascença logo. Tem alguma sugestão do que devo colocar no lugar? —

— Hm. — Ângela refletiu sobre a pergunta. — Um cacto. — Sorriu, abraçada à morena enquanto a água molhava seus corpos. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

— Gostei da ideia. — Camila beijou a namorada. Foi um beijo lento, cheio de desejo e toques atrevidos.

No dia em que Camila se apresentou ao time, ela estava tão nervosa que queria desistir e voltar para casa, mas nem Ângela, nem seus amigos, deixariam. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

— Vamos ficar na arquibancada torcendo por você. — Ângela falou.

— Boa sorte, Camila! — Letícia falou e foi seguida pelas outras. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

— Não fica nervosa, você é tão boa quanto elas. — Leandro falou.

— É isso aí, se elas forem espertas você será contratada ainda hoje. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

O teste de adaptação era feito com alguns pequenos testes de reflexo com a bola e uma minipartida para ver como a morena se entrosava com o restante do time. Devido ao nervosismo, Camila começou travada e acabou errando algumas bolas, mas depois de um tempo ela pegou o jeito, se acalmou e conseguiu mostrar o quão boa era naquele esporte. Ela fez ótimas defesas na partida, porém seu time acabou perdendo por um ponto.

Os amigos torciam de longe e Ângela olhava atentamente as expressões da treinadora. Apesar de ela não decidir se Camila ficava, ainda era importante impressioná-la e a morena estava conseguindo fazer isso. As jogadoras estavam animadas, elas tinham um condicionamento melhor e obviamente se saíram melhor que a morena, mas não esconderam o quanto a baixinha era boa em suas posições. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

— Muito bem, eu estou satisfeita com seu desempenho e vou relatar tudo aos chefes. — A treinadora, que se chamava Isabel, falou. — Eu não posso garantir nada, mas posso dizer que você se saiu muito bem hoje e tem boas chances de conseguir um contrato. — A mulher estava feliz com o desempenho da jovem.

— Muito obrigada. Eu agradeço muito a oportunidade. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

— Espere minha resposta em três dias e boa tarde. — Ela apertou a mão de Camila. — Pode usar o vestiário para se trocar. —

Camila foi até os amigos antes de tomar um banho. Eles estavam ansiosos, mas não podia invadir o espaço da treinadora. Assim que ela se aproximou do grupo, Ângela a abraçou com força. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

— O que ela disse? — Leandro perguntou antes de todas as amigas.

— Ela ficou satisfeita com o que mostrei, disse que tenho chances de ser contratada e que devo receber uma resposta em três dias. — A jovem respirava com força. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

— Três dias? — Carmen comentou. — É muito tempo. —

— Ela não decide sozinha, precisa falar com os diretores. Até lá, vamos ter que esperar. — Ângela respondeu às dúvidas que todos poderiam ter. Ela estava abraçava a namora e sorria cheia de orgulho. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

— É, mas meu time perdeu. Talvez isso afete a decisão deles. —

— Tenho certeza de que você vai conseguir. — Letícia falou. — Mesmo com seu time perdendo a partida, você ainda se saiu muito bem. — Observou. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

— Eu espero que sim. Eu vou tomar um banho para irmos para casa. —

Após o banho, todos voltaram para suas casas. Ângela teria que voltar ao seu estágio no hospital do câncer da cidade e Camila teria que trabalhar. O dia seguinte foi apenas para apresentar o TCC de Camila e, como esperado, ela se saiu muito bem com seu artigo sobre a ética médica e os limites da medicina. Sua nota foi um pouco mais baixa que a de Ângela, mas ela havia passado e isso era o que importava. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

Finalmente havia chegado o tão aguardado dia em que receberia a resposta do time. Durante a manhã, Camila olhava o celular a cada dois minutos. À tarde, deviam ir à terapia e foi bom para que Camila não tivesse um ataque, mas a ansiedade continuou quando o casal voltou para casa. Somente à noite, por volta das vinte horas, o celular vibrou com uma mensagem, era um e-mail do time. Camila estava no banheiro e Ângela foi quem viu a mensagem. Ela não abriu, pois queria que sua amada o fizesse, então a resposta ainda era um mistério para ambas.

— Amor! — Ângela chamou após a morena sair do banheiro. O rosto da loira deixava claro que algo havia acontecido. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

— Eles responderam? — A pergunta de Camila foi respondida com um aceno de cabeça. — O que eles disseram? —

— Eu não sei, eu não abri. — A maior entregou o celular para a namorada, que olhou fixamente. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

— Eu... não consigo. Abre você, por favor. — Camila entregou novamente o aparelho.

Ângela conduziu Camila ao quarto e então abriu o e-mail. Ela leu cada linha atentamente como se estivesse lendo o livro do seu destino. Ao final da leitura, as amantes se encararam e os corações pulsavam como se fossem máquinas prestes a explodir. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

— O que foi? Eles me recusaram, né? — Camila já sentia as lágrimas se formarem, seu coração doía com a decepção.

— Não. Eles disseram que você deve se apresentar amanhã com um advogado para assinar o contrato. — Ângela gritou sem conseguir conter sua empolgação. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

Camila não reagiu, somente sentiu seu corpo ser derrubado na cama e os gritos de alegria de sua namorada foram o que fizeram a jovem entender o que estava acontecendo. A morena sorriu, chorou, gritou, abraçou e chorou mais ainda. Não conseguiam formalizar uma só frase que fizesse sentido, mas estava tão feliz que seu coração batia mais rápido do que jamais bateu.

— Amor! — Camila chamou, chorando. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

— Eu sei. — Ângela chorava junto a ela.

O casal rio e comemorou a conquista de Camila. A morena beijou a namorada tantas vezes que Ângela tinha dificuldade para falar. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

— O que a gente faz agora? — Camila perguntou por cima de Ângela.

— Eu tenho várias ideias. — Ângela segurou as pernas de Camila dando a entender que ela queria comemorar de uma forma bem especifica. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

— É um ótimo jeito de comemorar, mas eu não sei se consigo controlar minha ansiedade e fazer direito. —

Ângela levantou devagar e beijou a namorada, ela segurou os fios cacheados enquanto sua língua explorava cada canto da boca de sua amada. Ela segurou a cintura da morena e apertou, arrancando um gemido. Com movimentos suaves, ela girou o corpo e deitou Camila na cama. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

— Deixa que eu faço, amor. — Ela passou a mão pelos músculos do abdômen e beijou os lábios da morena. — Eu te amo. — Sussurrou enquanto sua mão descia.

— Amor! — Camila tinha seu rosto escondido na curva do pescoço da namorada. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

A comemoração do casal durou quase toda a noite, elas ouviam o celular tocar, mas nenhuma tinha a intenção de parar para atender ou responder as mensagens. Ângela se deliciou em cada segundo de prazer que proporcionava a Camila, tocar aquele corpo por si só já lhe deixava em êxtase. Quando o sol brilhou no céu, Ângela acordou para admirar sua namorada que minutos depois abriu os olhos com o rosto um pouco inchado de sono.

— Bom dia. — Camila falou ao acordar. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

— Bom dia, meu amor. — Ângela já estava acordada há bastante tempo. Ela admirava o rosto tranquilo da jovem como se fosse uma obra de arte pintada pelos maiores artistas que caminharam sobre a terra. — Dormiu bem? —

— Você sabe que sim. — Elas trocaram beijos cálidos e Ângela subiu em cima da morena. — Não. Temos que responder o pessoal, dar a notícia e comemorar. — Camila falou abraçando a namorada, mas Ângela sorriu com a última parte. — Comemorar de outro jeito. Ainda preciso de um advogado para assinar tudo e... meu deus, tem tanto a fazer. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

— Amor, calma. Minha mãe tem um advogado, eu vou pedir para ela mandar ele. — Ângela respondeu dando um selinho. — Ok, vamos deixar nossa comemoração pra depois. —

As mensagens e ligações foram todas respondidas, ninguém foi excluído das novidades e os pais de Carmen esperavam a jovem para parabenizá-la e tratar de sua saída para que possa se dedicar ao time. Todos combinaram de se encontrar no restaurante para comemorar a noite. À tarde, o casal foi assinar o contrato. O advogado enviado por Michele já estava esperando as duas. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

— Bom, meus parabéns e o que precisar podem me chamar. — O advogado apertou a mão de Camila e após despedir do casal se dirigiu ao veículo.

— Que bom que você aceitou a ajuda da minha mãe. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

— Não é como se eu estivesse em condições de recusar, mas ainda é estranho receber ajuda dela. — Comentou enquanto caminhavam até o carro.

— Eu posso imaginar, mas ela está fazendo o que pode para se redimir. — Ângela segurou a mão da namorada. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

— Não há redenção para o que aconteceu. — O comentário de Camila fez Ângela afrouxar a mão da namorada e começar a solta-la. — Mas ela está tentando se tornar alguém melhor. — Camila segurou a mão da namorada e a apertou para que a loira soubesse que ela não iria deixa-la.

— Sei que meu pai não tem perdão, nem eu quero perdoa-lo e ele nem fez comigo metade do que fez a você, mas e quanto a minha mãe? — Ângela parou. — Você acha que um dia poderá perdoa-la? — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

— Eu não sei, mas eu espero poder ao menos conviver com ela. Por mais que doa, eu preciso fazer isso ou nossas vidas juntas será um inferno e isso é algo que não vou permitir. — Ela voltou a apertar a mão da namorada.

— Eu também não. — Ângela retribuiu o aperto. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

O gesto das jovens eram uma promessa solene, uma garantia de que ambas estavam em total sintonia em seus objetivos para o futuro de sua relação.

— O que quer fazer agora? — Ângela perguntou após dá um selinho na namorada. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

— Podemos passar no cemitério? — Perguntou com um sorriso tímido.

— Claro, amor. — Ângela sabia o que sua amada queria e foi ao cemitério rapidamente. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

Quando chegaram ao cemitério, ainda havia bastante sol, a luz alaranjada dava ao local um ar de nostalgia, as arvores balança suas folhas voarem soltas. Camila foi até a lápide da mãe, junto dela haviam mais duas lápides onde descansavam os corpos de seu pai e seu irmão. Ângela ficou um pouco mais distante para dar privacidade para a namorada, a morena colocou as flores preferidas de Marilia sobre o chão e então, sentada no chão, começou a falar.

— Oi, mãe. Oi pai. Oi maninho.— Ela começou com um sorriso tímido. — Eu vim aqui para dizer a vocês que eu consegui! Eu fui contratada por um time grande de vôlei, mamãe. — Camila chorava um pouco. — Foi graças a Ângela. Ela fez uns vídeos dos jogos e mandou para os times e eu consegui. — Ela sorriu. — Aliás, nós estamos namorando. Ela fez o pedido. Sabe... foi um período complicado, mas nós conseguimos superar tudo. Tem muita coisa que vocês não sabem sobre ela. — Ela respirou fundo tomando coragem para falar. — Ela é filha do homem que matou o papai. Mamãe, desculpe não ter contado enquanto estava viva, mas eu tive medo da sua reação e você gostava tanto dela. — Ela pensou se deveria falar sobre o que levou as duas a se aproximarem. — Tem outras coisas, mas fazem parte do passado. Ela não é uma pessoa ruim, mãe. Apesar de ser filha daquele homem, ela é uma pessoa melhor que eles. — Camila enxugou as lágrimas. — É isso, mãe, pai e maninho. Eu vim comemorar com vocês e acabei falando mais do que devia. Eu volto outro dia. Fiquem em paz, tá? Eu amo vocês. — Camila levantou e caminhou até Ângela que estava a alguns passos de distância. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

O casal voltou para casa e à noite saíram para comemorar com os amigos. No restaurante, os amigos comemoravam comendo e bebendo o melhor vinho do local, tudo por conta dos donos, que também comemoravam a conquista da afilhada. Eles sempre torceram por ela e, agora que ela havia consigo, eles queriam dar a ela uma comemoração completa. Foi a noite mais feliz daquele ano, todos à mesa festejavam e riam como se a vida fosse perfeita, e naquele momento ela era.

Ao final da noite, todos voltaram para casa um pouco bêbados. Camila e Ângela voltaram de Uber e foram direto dormir. Foi um sono tranquilo, não houve nem um pesadelo e o casal dormia abraçado. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

Com o passar dos dias, Camila treinava com o time, esperando ansiosa por sua estreia. Não foi a tarefa mais fácil controlar sua ansiedade, mas quando a oportunidade finalmente havia chegado ela estava pronta para mostrar que faria sempre o seu melhor.

O dia do jogo de estreia do campeonato nacional de vôlei havia chegado e Camila estava escalada para o primeiro jogo. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

— Vamos gritar bastante da arquibancada. — Leandro comentou.

— Mas não tão alto para não atrapalhar o jogo. — Carmen retrucou para o namorado não se empolgar demais. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

— Boa sorte, Camila. Vamos vibrar a cada lance seu. — Letícia falou.

— Manda ver, amor. Mostra para elas quem manda na quadra. — Ângela beijou a namorada. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

— Tenha certeza disso. — Camila retribuiu o beijo e cada uma seguiu para seu lugar.

Quando a hora de entrar chegou, ela respirou fundo e, com um olhar agradecido para a namorada, ela se preparou para assumir a posição de defesa. Estava pronta para dá o seu melhor, para mostrar que era boa o bastante para estar ali. O apito soou alto e a partida começou. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌‌​​​‍​​‌‌​​​​‍​​‌‌‌​​​‍

Fim.

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