Capitulo 14 SUA VINDA FOI O PRESENTE PERFEITO NA HORA PERFEITA Dificuldades De Um Amor · Capítulo 15 de 25
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Capitulo 14 SUA VINDA FOI O PRESENTE PERFEITO NA HORA PERFEITA

CAPÍTULO CATORZE: SUA VINDA FOI O PRESENTE PERFEITO NA HORA PERFEITA.

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Ângela suspirou ao olhar para Camila através da janela do carro. Gastou um bom tempo olhando a morena e gravando os detalhes. O carro de Ângela saiu em direção à sua casa e Camila entrou em casa. Seus sentimentos estavam confusos com o que falou e ouviu de Ângela. O que aconteceria depois de tudo isso era um mistério.

— Filha, onde está sua amiga? — A mãe de Camila entrou na sala. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Ela já foi. Estava... atrasada para... um compromisso. — Camila caminhou em direção à mãe. — Por que levantou? Precisa de algo? — Segurou sua mão para ajudá-la a caminhar.

— Não, eu só queria falar com você. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— O que quer falar? — Camila sentou no sofá.

— Na verdade, eu quero perguntar. Queria perguntar o que há entre você e aquela moça. — A respiração de Marília estava curta. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Já dissemos, somos amigas da faculdade. —

— E tem mais alguma coisa? Ela parecia preocupada com você. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Amigos se preocupam uns com os outros, mãe. — Camila começou a ficar nervosa com as perguntas da mãe. Ela não tinha a mesma sagacidade de Ângela para pensar em mentiras tão rapidamente.

— É verdade, mas parecia algo mais, sem falar que você... — Marília parou para tossir. Era uma tosse seca e cansada, cada gesto parecia machucar seus pulmões. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Respira devagar, mãe. — A morena sentou ao lado da mãe. — Isso. —

— Eu estou bem, já está passando. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Eu vou pegar os remédios. —

— Não, eu já estou bem. — Segurou a mão da filha para que não saísse de seu lado. Sua respiração ainda estava cansada. — Eu só quero saber se essa sua amiga é o motivo de você estar tão triste nos últimos dias. Vocês brigaram? Foi por isso que ela veio aqui? — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Nã- —

— Não minta. Eu sei que esse negócio de pedir ajuda com as aulas não é verdade. Vocês não conversaram o bastante para esclarecer dúvidas sobre artigos. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Sim, nós brigamos. Mas não pergunte o motivo, por favor. — O coração da Camila estava acelerado, o medo de as perguntas de sua mãe continuarem aumentava a cada segundo.

— Está bem. Dá para ver que você ainda está magoada. Mas essa menina veio aqui por você. Eu não sei qual a relação de vocês, mas espero que se ajeitem. Ela parece uma boa pessoa. Se errou com você, tenho certeza de que vai consertar. — Ela segurou a mão da filha. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Tem males que não podem ser remediados, mãe. — Camila abaixou a cabeça.

— Nesse caso, eu estarei com você, apoiando sua decisão. Confio nas suas decisões. — Marília acariciou os cachos da filha. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Obrigada, mãe. —

— Vou cuidar da comida. Daqui a pouco você tem que ir para o restaurante. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Não. Eu faço. — Camila levantou. — A senhora já está cansada e eu não fiz nada demais hoje. —

— Filha, você está trabalhando tanto. Deixa eu aliviar um pouco seu peso, pelo menos em casa. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Eu me esforço sim e vou continuar. — O sorriso de Camila era singelo. — Agora eu vou fazer um macarrão. Se quiser, pode vir ajudar. —

Mãe e filha foram para a cozinha preparar a refeição. Em meio a conversas amenas e orientações de como preparar tudo os pensamentos de Camila se acalmaram. A refeição estava deliciosa, afinal, Marilia era cozinheira e sabia como usar ingredientes. Ao fim do jantar, Camila deixou a mãe sozinha e seguiu para seu trabalho um pouco mais cedo. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Chegou cedo hoje. — Carmen falou com alguns pratos nas mãos.

— Sim. Hoje foi calmo em casa. — Camila ajudou a amiga. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Bom, hoje eu vou sair mais cedo. — A menor falou, arrumando outros pratos.

— Por que? — Camila olhou estranho para a amiga. Não era comum Carmen faltar com o trabalho, sempre tratou de dar o exemplo para os demais funcionários, mas já fazia um tempo que ela sempre saia mais cedo. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Eu vou encontrar com o Leandro. Ele está precisando de ajuda com alguns questionários. —

— Ah, entendi. — Camila sorriu, convencida de que sabia o que estava acontecendo, e seu tom não passou despercebido pela menor. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— O que? Eu só vou ajudá-lo com as questões. — As palavras de Carmen fizeram a morena sorrir sem mostrar seus dentes.

— Eu não disse nada. — Camila deu de ombros. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— E é melhor continuar sem dizer. — Carmen foi incisiva. — E que bom que você está mais animada, já estava preocupada com seu mau humor dos últimos dias. O que aconteceu pra te deixar feliz? —

— Nada. — Respondeu o mais rápido que pôde. Ao ouvir a pergunta foi impossível não pensar na visita da loira, mas não sabia como falar sobre aquilo sem revelar o que fez com ela. — Só dormi bem na última noite. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Hm, acho que ninguém pode ficar enfezado para sempre. — Comentou Carmen, sorrindo.

O restaurante abriu no horário de sempre e os clientes entravam ocupando todo o espaço. Era gratificante para as amigas verem o local lotado. Mesmo que não estivessem presentes quando o restaurante foi criado, elas tinham ciência de como foi difícil o começo. Camila e Carmen pegaram os cardápios e levaram para atender os clientes. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

Como em toda quinta-feira, a mesa mais ao fundo estava reservada e Camila nem precisava ver as reservas para saber quem sentaria ali. A morena então já sabia o que ele pediria de antemão. Era sempre o prato mais caro do dia. Era o jeito do rapaz impressionar as jovens e funcionava quase todas as vezes.

Rafael chegou, como sempre, acompanhado de uma bela jovem. Essa era de cabelos castanhos claros, olhos de um azul profundo como o mar, lábios finos e pele bastante clara. Ao ver o casal, a morena se impressionou com a jovem, mas sua beleza não resistiu à primeira interação entre elas. A mulher tinha um ar de quem se sentia superior, não olhou para Camila, não lhe dirigiu a palavra e nem ao menos respondeu seu boa noite. Realmente, a mulher não era tão bela quanto pensou que seria ao vê-la de longe. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Que criaturinha insuportável. — Falou após entregar o pedido para o cozinheiro.

— De quem está falando? — Carmen perguntou, entrando com outro pedido. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Da nova acompanhante do filhote de cruz credo. — Camila respondeu, passando pela amiga. — Acho que gente rica só consegue se envolver com seus iguais. —

— Nem sempre. Ele já trouxe moças educadas antes. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— É, e nenhuma delas merecia ser amante dele. — Camila comentou.

— De ninguém, mas dele vale menos a pena ainda. — Carmen sorriu. — Vamos lá que hoje está cheio. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

As moças foram servir outras mesas junto aos outros garçons. Camila fazia todo o serviço de forma excelente e sempre recebia boas gorjetas. Não eram o suficiente para ajudar com as dificuldades, mas pelo menos ela tinha o bastante para as passagens de ônibus. Quando o pedido de Rafael ficou pronto, ela foi servi-lo. Sempre era ela, ele fazia questão.

— Droga! — Ouviu a voz de Rafael. — Temos que ir embora. — Ele falou, levantando da mesa. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

Camila olhou para onde o rapaz olhava e viu o motivo de seu alarde. A jovem loira na entrada do restaurante era o suficiente para deixá-lo em pânico. Camila continuou olhando a loira, que estava em um vestido preto curto, lábios vermelhos, sua pele parecia macia, seus cabelos estavam soltos e pareciam brilhar, caindo sobre os ombros.

— Ei, você já sabe o que fazer, certo? — Questionou o rapaz, chamando a atenção de Camila. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— O que está acontecendo? Por que você quer sair tão cedo? — A mulher questionou, olhando Rafael sem entender o motivo de sua abrupta mudança.

— Clarice, meu anjo, nós temos que ir agora. — Pediu o rapaz, tentando fazer sua voz parecer menos desesperada. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— E por quê?! —

— É que... — O rapaz olhou para a entrada, Ângela ainda não havia notado sua presença, estava conversando com a hostess sobre a mesa que queria sentar. — Tem uma moça que sempre está atrás de mim na entrada do restaurante. Se ela me vir aqui vai querer armar um escândalo por nos ver juntos. — Camila levantou uma sobrancelha. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Por que ela faria isso? E por que você falou com essa garçonete como se isso acontecesse com frequência? — Clarice permanecia sentada.

— Meu bem, essa moça é apaixonada, ela sempre acha um jeito de me constranger quando me vê e, se vir outra mulher comigo, vai fazer um alarde enorme. — Por mais desesperado que estivesse, Rafael não ficava vermelho, sua voz apenas ficou levemente acelerada, mas logo ele a controlou a fim de passar mais naturalidade. — Vamos, antes que ela me veja e venha correndo até nós. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Está bem, mas você está me devendo um jantar romântico. — Clarice levantou e Rafael colocou o dinheiro sobre a mesa antes de saírem. Enquanto o casal se afastava juntos, Camila ainda pôde ouvir a mulher questionar o motivo dele ter deixado tanto dinheiro para ela, mas nada além disso.

A morena foi avisar os cozinheiros que não precisaria de sobremesa para a mesa de Rafael e então foi atender Ângela, que sentou em uma mesa próxima à mesa onde o namorado estava há poucos minutos. Passou olhando para a mesa ao lado. Queria que ele estivesse ali para que Ângela o visse com outra e terminasse aquele namoro ridículo. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Boa noite, o que deseja essa noite? — Falou, olhando para a loira.

— Boa noite. — Ângela respondeu com um olhar carinhoso. — Eu quero um vinho tinto e o especial do dia, por favor. — O sorriso de Ângela permanecia em seus lábios. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Claro. — Camila sorriu genuinamente como uma resposta ao sorriso de Ângela e não como o dever de uma garçonete.

Enquanto não servia Ângela, a morena atendia os demais clientes, mas sempre sob os olhares da loira que a seguiam por todo o restaurante. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Eu já estou indo. Não posso demorar tanto. — Carmen falou, olhando a amiga.

— Você vai dormir lá? — A morena sorriu. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Talvez e nem pense em insinuar nada. — Apontou o dedo indicador para a amiga. — Agora vai lá servir a mesa da sua namorada. —

— O que? — Camila travou com a fala de Carmen. — Por que está dizendo isso? — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Toda vez que ela vem é você quem serve ela. É só uma brincadeira, relaxa, eu sei da sua repulsa por ela. — Deu uma piscadela. — Até amanhã. —

Ao servir à mesa de Ângela, Camila notou que a loira bebeu pouco do vinho, talvez não tivesse gostado. Serviu o prato escolhido pela colega e com os olhos atentos sobre ela. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Não gostou do vinho? — Perguntou baixinho.

— Pelo contrário, está uma delícia. — Respondeu, olhando a morena. — Só não estou afim de beber tanto. Talvez me falte uma companhia interessante. — A fala fez Camila sorrir timidamente. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Entendo. Espero que o prato esteja de seu agrado. —

— Certamente estará, obrigada. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

Os olhares das mulheres se cruzaram rapidamente e o sorriso surgiu em ambas instantaneamente, como se o sorrio de uma convidasse o da outra a lhe fazer companhia.

— Bom apetite. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

A loira jantou sozinha, acompanhando de longe a morena em seus afazeres. Estava feliz em vê-la mesmo que de longe. Ela fez a refeição devagar, não tinha pressa para finalizar e menos ainda para ir embora. Desfrutava do vinho com calma, apreciando o sabor doce que tanto gostava. Enquanto tomava mais um pouco do vinho, viu seu celular vibrando e o pegou para ver a mensagem.

Se tratava de seu noivo que mandou uma foto assistindo um filme com a mensagem “você podia vir aqui hoje?”. A mulher revirou os olhos e respondeu negativamente, mas dando margem para marcarem algo em outro dia, o que o rapaz respondeu com uma data aleatória e assim acabaram a conversa. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

Camila voltou à mesa com a conta e entregou para a loira, que pagou deixando uma generosa gorjeta. Ângela agradeceu e saiu para pegar seu carro. Enquanto a loira estava esperando, a morena permanecia servindo as mesas e ajudando na cozinha sempre que possível. Sentia falta dos olhos da loira sobre si, queria que ela tivesse demorado mais, mas, por outro lado, estava feliz, pois sem ela conseguia se concentrar no trabalho.

— Vamos tirar as mesas. — Outro garçom falou, se aproximando da morena que estava sentada. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Ah, vamos lá. — Ela levantou, bocejando.

Limpar as mesas e lavar os pratos era a pior parte de todo o serviço, não só por ser mais demorado, mas também por todos já estarem cansados do trabalho, mas os funcionários conversavam para ajudar uns aos outros a se manter acordados. Terminaram e Camila finalmente poderia voltar para casa. Levaria mais uma hora, mas pelo menos já estava no caminho de casa. Quando saiu do restaurante, viu o carro de Ângela ainda parado e, quando passou por ele, ouviu a buzina. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Quer uma carona? — Ângela falou após baixar o vidro do carro.

— O que? — Camila perguntou, sem acreditar em quem estava ali. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Perguntei se quer uma carona. Não é difícil de responder. —

— Quero, obrigada. — Camila sorriu. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Entra aí. —

A jogadora entrou no carro e a loira não podia estar mais feliz. Pelo menos por alguns minutos ela teria a companhia da jogadora que tanto gostava. A morena colocou o cinto e a loira colocou o carro para andar devagar, não queria perder a companhia tão rápido. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Você ficou me esperando esse tempo todo? —

— Ah, não. Eu encontrei... ok, eu fiquei sim. — Ângela suspirou. — Não tem motivo para ficar negando. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— E por quê? —

— Achei que você estaria cansada quando terminasse o trabalho e quis te poupar tempo, além do mais, também pensei na sua mãe. — A sinceridade de mais alta deixou a menor surpresa. Não esperava que a loira pudesse agir daquela forma. Mesmo elas não se odiando como no início, ou talvez de forma nenhuma, não esperava tanta preocupação com sua mãe. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Obrigada. — Falou baixo. — Eu não esperava que você fizesse algo assim por mim. —

— Por quê? Eu já te dei carona antes. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Eu sei, mas é difícil tirar aquela imagem de uma pessoa arrogante que você tinha. — Camila jogou a cabeça para trás.

— Achei que tivéssemos superado isso naquele dia. — A maior parou em um sinal vermelho. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Não é tão simples. Mesmo que você seja uma pessoa menos escrota do que pensei, ainda tem muita coisa que preciso repensar. — Confessou, olhando a loira.

— Bom, eu fico feliz que você esteja aberta a repensar sua visão sobre mim. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— É importante para você? — Olhou para a companheira, esperando uma resposta.

— Honestamente? — A maior olhou para a morena que acenou positivamente. — Sim. Você é uma boa pessoa e ainda tem tudo que você falou que meu pai fez. Eu quero melhorar nossa relação. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Falando nisso, você procurou informações sobre o caso? — Camila mudou de assunto, pois não sabia como reagir às informações que recebeu. Ela sentiu seu coração disparar, nas não queria demonstrar.

— Ainda não, mas não se preocupe, eu garanto que vou. — Ângela agradeceu mentalmente pela mudança de assunto. — Chegamos. — Estacionou o carro. — Escuta, eu posso visitar vocês outro dia. — Apertou o volante com força. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Claro. Você será bem-vinda quando quiser aparecer. — Internamente, Camila estava feliz com o pedido da companheira.

— Obrigada. Boa noite. — Falou com a voz baixinha. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Boa noite para você também. — Camila respondeu com a voz igualmente baixa.

A maior esperou a colega entrar em casa para sair, acelerou o carro para chegar em casa mais rápido e descansar. Em sua casa, a loira deitou na cama com o computador no colo, pronta para começar sua procura por informações sobre seu pai e sobre Pedro Ferreira. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

A mulher visitou um site após o outro, procurou informações nos sites de justiça, jornais antigos, sites de fofoca e não encontrava nada relevante sobre o famigerado acidente. Já estava para desistir quando viu um título que chamou atenção: “Quando as mãos que deviam salvar, matam”. Era um site pequeno que não era atualizado há bastante tempo, mas a postagem era da mesma época que Camila lhe falou.

Antes de começar a ler, ela copiou o link para não perdê-lo e então começou a ler a matéria. A notícia era, de fato, correspondente aos relatos da pequena jogadora. De acordo com o estudante de jornalismo que cobriu o caso, o senhor Pedro Ferreira e seu filho, Lucas Ferreira Castro, foram atropelados por uma Ferrari no dia dezenove de maio. O homem e seu filho estavam a caminho do ginásio da cidade para assistir ao jogo de vôlei de sua filha, Camila Castro. A menina estava com a mãe, Marília Castro, e só ficaram sabendo do ocorrido após o fim do jogo. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

A matéria cobria em detalhes o que ocorreu após o acidente, de acordo com duas testemunhas, a Ferrari estava em alta velocidade e invadiu a calçada, após jogar o homem e seu filho contra a parede, o motorista deu a partida sem prestar socorro, mas um morador da vizinhança que estava gravando um vídeo de recordação com os amigos conseguiu gravar o acidente.

Pedro e Lucas foram levados para o hospital municipal da cidade. Mãe e filha passaram a noite no hospital esperando notícias. Lucas, o caçula da família, morreu poucas horas após chegar ao hospital. Pedro ficou dois dias em UTI, mas devido a uma hemorragia interna acabou falecendo. Marília fez a denúncia conforme era esperado, o jovem que gravou o acidente forneceu o vídeo que, mesmo com imagens precárias, serviu para identificar o responsável. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

A polícia identificou o senhor Daniel Viviera como o dono da Ferrari e responsável pelo acidente, infelizmente o homem sequer foi levado à delegacia. O caso foi encerrado antes mesmo de começar, a polícia alegou que as imagens não eram suficientes, mesmo já tendo identificado o veículo. Marília Castro tentou recorrer, mas desistiu, pois sua saúde estava se fragilizando cada vez mais.

A matéria também falava sobre o silêncio da mídia sobre o caso, não houve uma única matéria em nenhum jornal do país, o nome de Daniel Viviera nunca foi associado à morte daquele homem. Até onde o jovem estudante de jornalismo conseguiu investigar, a família Viviera desembolsou uma quantia considerável para silenciar páginas de fofoca e na mesma época o homem e sua esposa adotaram a única filha do casal e com isso a única notícia da família na época foi sobre a adoção da pequena Ângela Viviera. O estudante estava associando a adoção de Ângela ao crime cometido por Daniel e isso deixou a jovem mais abismada do que qualquer outra coisa. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Meu Deus! — Ângela colocou as mãos nas têmporas, massageando para aliviar o estresse. — O que é tudo isso? Meu pai fez mesmo isso? —

A mulher sentou na cama com os olhos fechados. Estava com a cabeça latejando devido às informações que teve e a noite em claro. Decidiu que não podia pensar claramente sobre a situação naquele momento. Pegou um remédio para dormir afim de acalmar a mente. Levou longos minutos, mas o remédio fez efeito. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

No dia seguinte, Ângela levantou com dor de cabeça, mas nada que a impedisse de lembrar o que viu na noite passada. Ela teria que trabalhar em seu artigo como sempre, mas não conseguia sequer pegar nos livros sem antes resolver suas questões com os pais.

Após tomar um banho demorado, ela desceu ao estacionamento e pegou o carro para ir à mansão dos seus pais. O caminho à sua frente parecia mais rápido do que em outros momentos, como se o medo de encarar seus pais fizesse sua percepção de tempo mudar. Em certo momento, ela diminuiu a velocidade, pois estava com medo de encontrar Daniel questiona-lo. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

Eram dez da manhã quando a loira parou em frente à casa de seus pais. Ficou alguns minutos apertando o volante antes de descer do carro. Estava tomando coragem e formulando perguntas para fazer ao pai. Após dez minutos, que para ela pareceram dez segundos, ela entrou na casa encontrando Daniel e Michelle ainda sentados à mesa do café da manhã.

— Filha, o que faz aqui tão cedo? — Michelle perguntou. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

Ao ouvir a voz da mãe tão alegre e espontânea, a coragem de Ângela começou a diminuir, encolheu os ombros e decidiu que faria suas perguntas em outro momento.

— Eu... eu vim tomar café com vocês, faz tempo que não venho aqui. — Abriu um sorriso amarelo. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Oh, meu amor. — Michelle foi até a filha. — Sente aqui do meu lado.

— Desculpem chegar sem avisar. — Sentou ao lado da mãe, olhando Daniel tomar um café. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Não precisa nos avisar. Você é nossa filha. — Daniel falou, olhando para Ângela.

A família fez o desjejum junta, Michelle estava feliz com a presença da filha, sempre gostou de ter uma família reunida para as refeições e não tinha mais esse prazer desde que a filha começou a fazer a faculdade. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Por que está tão quieta? — Michelle perguntou após minutos de conversa na qual apenas ela falava.

— Ah, eu só estava pensando. — Ângela respondeu. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Problemas com o TCC? — Daniel perguntou, olhando para a filha. A loira sabia como o homem dava importância à excelência nos estudos.

— Não, o artigo está indo muito bem. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Então, no que está pensando? — Michelle insistiu.

— Hm. É só uns problemas com uma amiga. Ela... tem um problema com a mãe. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Ah, é aquela sua amiga do cabelo bonitinho que encontrei no seu apartamento? — Michelle perguntou e a loira acenou positivamente. — Sinto muito por ela, parece uma moça tão boa e esforçada. —

— Ela é, eu quero ajudá-la no que puder. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Tenho orgulho do seu bom coração, filha — Michelle sorriu.

— Só não deixe ela se aproveitar da sua boa vontade e lembre-se: não faça amizade com pessoas que não estão à sua altura. — Daniel falou e jovem cerrou os dentes. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Nem todas as amizades precisam ser entre pessoas da mesma classe, pai. — Falou, olhando o pai.

— Amizades com classes mais baixas te arrastam para baixo, os pobres sempre tentam se aproveitar dos amigos com melhores condições. Convidam para todas as festividades a fim de ganhar presentes caros, estão sempre convidando para sair a fim de comer e se divertir às nossas custas, são parasitas e é melhor se manter alerta para não se aproveitarem de você. — Daniel nem olhava a filha, estava respondendo algo em seu celular. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Não, isso é só um preconceito e mesmo que outros fossem assim, ela não é. — Afirmou com a voz levemente alterada.

— Querido, a moça é um doce de pessoa e não precisa se preocupar de ela se aproveitar da nossa filhinha. — Michelle interveio, não queria lidar com uma discussão logo de manhã. Na verdade, ela nunca queria. — Bom, eu tenho uma depilação marcada para hoje. Quer vir comigo, filha? — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Não, mãe. Eu vou ficar por aqui mesmo. — Agradeceu pela mãe sair de casa para que ela pudesse falar com seu pai sem medo.

Michelle saiu para a clínica, deixando pai e filha sozinhos em casa. Daniel deixou a mesa do café e seguiu para seu escritório, onde lia e-mails de pacientes e clientes. Enquanto fazia isso, avistou a filha entrando no recinto e a olhou por cima dos óculos. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Quer alguma coisa? — Perguntou, escrevendo em seu notebook.

— Queria perguntar algumas coisas. — Ângela sentou-se no sofá que estava perto da enorme janela. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Pergunte, então.

— Eu queria saber o motivo de vocês terem me adotado. — Ela estava deitada no sofá, tentando parecer à vontade, mesmo que estivesse tremendo só de pensar na próxima pergunta. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Achei que sua mãe já tinha contado sobre isso. — Observou Daniel.

— Sim, ela contou, mas... eu nunca perguntei pra você. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Hm. Nós estávamos em um momento delicado da nossa vida, queríamos uma criança para... — Ele olhou para a filha. — Alegrar a casa e nossa vida. Você foi um presente que a vida nos deu na hora certa, e você tem nos dado tanta alegria. —

— E que momento era esse? Vocês estavam brigando? — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Por que está perguntando isso? — O homem pousou o queijo sobre os dedos entrelaçados.

— Eu só queria entender o motivo de vocês. Ser adotada por vocês fez muita diferença pra mim, mas eu ainda não sei o quão importante foi para vocês e o que mudou nas suas vidas. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Você salvou nossa família. Estávamos brigando um pouco devido a algumas escolhas que eu fiz e sua mãe estava decepcionada comigo. Achamos que uma filha poderia consertar nossa relação e foi o que aconteceu. Você chegou e mudou o rumo que estávamos tomando. —

Ângela ficou em silêncio, a resposta de seu pai foi vaga, mas ela já esperava por isso. A questão agora era como ela poderia prosseguir a conversa até chegar ao acidente. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Já que você veio fazer perguntas, eu vou tomar essa liberdade também. — Daniel falou. — Essa sua amiga da qual falou, qual exatamente é a situação dela e como pretende ajudá-la? —

Os olhos de Ângela brilharam ao ouvir a pergunta do pai, estava aliviada por ele tocar nesse assunto, pois já estava sem ideias para abordar o tema. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— A mãe dela está doente. Ela adoeceu depois que o pai morreu em um acidente. — A loira falou, estava tentando arrancar alguma emoção do pai que o entregasse. — O nome dele era Pedro Ferreira, o senhor já ouviu falar? —

Daniel sorriu, soltando o ar pelo nariz. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Por que eu conheceria alguém dessa classe? Nunca ouvi falar desse homem. —

— Talvez ele tenha ido para o hospital quando foi atropelado, não é? — Ela olhava o pai atentamente. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Não, eu não me lembro de conhecer nenhum Pedro Ferreira. — Daniel parecia não lembrar de fato do homem, talvez o ocorrido tenha sido tão insignificante para ele que nem o nome do homem ele fez questão de lembrar. — E como pretende ajudar ela? —

— Ah, acho que posso ajudar financeiramente conseguindo algum trabalho melhor ou até comprar alguns dos remédios de que mãe dela precisa. — Olhou para o teto. ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Já falei sobre isso, não deixe ela explorar você. —

— Não precisa se preocupar, talvez ela tenha mais a fazer por mim do que eu por ela. — Comentou um pouco mais baixo. — Eu vou para casa. Quero terminar meu trabalho. — ​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

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