Campos, Fábricas e Oficinas: Capítulo I - A Descentralização das Indústrias
Kropotkin inicia o primeiro capítulo retomando a célebre abertura de Adam Smith sobre a divisão do trabalho. Mesmo autores de seu tempo que raramente voltavam ao pai da ciência da riqueza conheciam aquele capítulo quase de memória, tantas vezes ele fora copiado e repetido. A divisão do trabalho convertera-se em artigo de fé. A história material do século posterior a Smith parecia, para muitos, comentário vivo dessa doutrina. A palavra de ordem era dividir funções, subdividi-las e fixá-las, até que a humanidade se aproximasse de castas tão rígidas quanto as da velha Índia.
A primeira grande divisão separava produtores e consumidores. De um lado, produtores que consumiam pouco. De outro, consumidores que produziam pouco. Entre os produtores, surgiam novas separações: trabalhador manual e trabalhador intelectual, trabalhador agrícola e trabalhador manufatureiro, cada qual afastado do outro em prejuízo de ambos. Dentro da massa fabril, as subdivisões tornavam-se tão finas que o ideal moderno parecia ser o homem, a mulher, a moça ou o menino sem conhecimento real de ofício, sem ideia do ramo inteiro em que trabalhava, capaz apenas de repetir durante toda a vida uma parte mínima de um objeto.
O antigo artesão qualificado era tratado como sobrevivência condenada. O artista que encontrava prazer estético no trabalho das mãos dava lugar ao servo humano de um servo de ferro. O trabalhador agrícola, que antes encontrava algum alívio na casa de seus antepassados, no campo que poderia ser dos filhos e no contato livre com a natureza, também era declarado antiquado. Em seu lugar, queria-se o criado ocasional da grande fazenda, contratado para a estação e dispensado no outono, sem voltar a ver o campo que ajudara a colher.
Deslumbrados pelos resultados de um século de invenções, especialmente na Inglaterra, teóricos da riqueza e homens políticos levaram ainda mais longe o sonho de divisão. Passaram a imaginar a humanidade inteira como conjunto de oficinas nacionais, cada qual com sua especialidade: Hungria e Rússia produziriam trigo para alimentar países industriais, a Grã-Bretanha forneceria algodões, ferro e carvão ao mercado mundial, e a Bélgica cuidaria das manufaturas de lã. Dentro de cada país, cada região também receberia sua função. Fortunas haviam sido feitas dessa maneira, e os defensores da especialização esperavam que continuassem a ser feitas.
A teoria afirmava que a riqueza das nações se media pelos lucros de poucos e que os maiores lucros vinham da especialização do trabalho. Quase ninguém perguntava se seres humanos aceitariam indefinidamente essa redução, ou se nações poderiam ser especializadas como operários isolados. A doutrina servia ao presente e recusava pensar no amanhã. O próprio amanhã, contudo, trouxe outra direção. A vida não confirmou a ideia estreita segundo a qual o lucro seria o único motivo condutor da sociedade. A humanidade começou a perceber que não havia vantagem comunitária em prender uma pessoa, por toda a existência, ao mesmo ponto de uma oficina ou de uma mina.
À medida que o trabalho exigido do indivíduo pela produção moderna se tornava mais simples, mais fácil de aprender, mais monótono e mais cansativo, crescia a necessidade de variar atividades e exercitar todas as capacidades. Nenhuma comunidade ganha ao privar alguém de trabalhos que o ponham em contato livre com a natureza, com a ciência, com a arte e com a criação. Também as nações recusam a especialização rígida. Cada povo reúne gostos, recursos, necessidades e aptidões variadas. Cada território contém solos, climas, colinas, vales e relações diversas. Essa variedade pede variedade de ocupações.
A agricultura chama as manufaturas à existência, e as manufaturas sustentam a agricultura. As duas são inseparáveis. Quando o conhecimento técnico se torna virtualmente acessível a todos e deixa de ficar preso a fronteiras artificiais, cada região pode aplicar suas energias a atividades industriais e agrícolas variadas. A tendência presente é reunir o maior número possível de trabalhos em cada país e em cada território, lado a lado com o cultivo da terra. A divisão temporária de funções continua útil em tarefas específicas. A divisão permanente, que fixa uma vida inteira em uma função estreita, está condenada a desaparecer diante da integração do trabalho.
Quando se abandona a escolástica dos manuais e se observa a vida humana inteira, torna-se claro que as vantagens da divisão temporária do trabalho devem ser preservadas. O que precisa ser reivindicado, com igual energia, são as vantagens da integração do trabalho. A ciência da riqueza insistira até então quase só na divisão. Kropotkin propunha a integração. O ideal social, isto é, o estado para o qual a própria sociedade já caminhava, seria uma sociedade de trabalho combinado, na qual cada pessoa produzisse tanto por esforço manual quanto por esforço intelectual.
Nessa sociedade, todo ser humano apto ao trabalho seria trabalhador, e cada trabalhador conheceria tanto o campo quanto a oficina. Uma reunião de pessoas bastante ampla para dispor de recursos naturais variados, seja nação, seja região, produziria e consumiria grande parte de seus alimentos e de seus produtos manufaturados. A questão deixava de ser a glória abstrata da especialização e passava a ser a capacidade concreta de sustentar uma vida rica, variada e menos dependente de centros distantes.
Enquanto a sociedade permanecesse organizada para permitir que proprietários da terra e do capital se apropriassem, sob proteção do Estado e de direitos históricos, do excedente anual da produção humana, nenhuma mudança desse tipo poderia realizar-se por inteiro. Mesmo com essa condição, o sistema industrial baseado na especialização permanente já carregava dentro de si os germes de sua própria ruína. As crises industriais cresciam em duração e intensidade, agravadas por armamentos e guerras ligados ao mesmo regime. Sua manutenção ficava, a cada período, mais difícil.
Os trabalhadores mostravam com clareza que não aceitariam para sempre a miséria causada por cada crise. E cada crise aproximava o dia em que as instituições de propriedade individual e de produção seriam abaladas em seus fundamentos. A intensidade das lutas dependeria, em parte, do grau de sensatez das classes privilegiadas. Kropotkin não tratava a crise como acidente isolado. Via nela sinal de uma organização produtiva que separava capacidades, concentrava meios de vida e tornava massas inteiras vulneráveis a interrupções fabricadas pela própria ordem existente.
Qualquer tentativa socialista de remodelar as relações entre capital e trabalho fracassaria se ignorasse essas tendências de integração. As escolas socialistas ainda não lhes davam atenção suficiente, segundo Kropotkin, embora tivessem de fazê-lo. Uma sociedade reorganizada precisaria abandonar a ilusão de povos especializados em produzir apenas alimentos ou apenas manufaturas. Teria de apoiar-se em si própria para produzir alimento e grande parte das matérias necessárias. Teria de descobrir os melhores meios de combinar agricultura e manufatura, trabalho no campo e indústria descentralizada.
Essa sociedade também precisaria de educação integrada. Desde a infância, ciência e ofício manual deveriam ser ensinados juntos, porque somente essa formação poderia dar ao corpo social mulheres e homens capazes de produzir, inventar, cultivar, reparar e compreender. O lema final dessa passagem é direto: cada povo, seu próprio agricultor e manufatureiro. Cada pessoa trabalhando no campo e em alguma arte industrial. Cada pessoa reunindo conhecimento científico e conhecimento de ofício. Para Kropotkin, essa era a tendência presente das nações civilizadas.
O crescimento prodigioso das indústrias na Grã-Bretanha, junto com o desenvolvimento do tráfego internacional capaz de transportar matérias e alimentos em escala gigantesca, criou uma impressão poderosa. Parecia que algumas nações da Europa ocidental estavam destinadas a tornar-se as fabricantes do mundo. Bastaria fornecer ao mercado mundial produtos manufaturados. Em troca, receberiam de toda a superfície da terra o alimento que não cultivassem e as matérias necessárias às suas fábricas.
A velocidade crescente das comunicações oceânicas e as facilidades cada vez maiores do transporte marítimo reforçaram essa impressão. Nas descrições entusiasmadas do comércio internacional, podia-se cair em admiração diante dos resultados alcançados. Por que cultivar trigo, criar bois e ovelhas, cuidar de pomares e realizar o trabalho duro do lavrador, perguntavam muitos europeus ocidentais, se era possível receber grãos da Índia, da América, da Hungria ou da Rússia, carne da Nova Zelândia, legumes dos Açores, maçãs do Canadá e uvas de Málaga?
A própria alimentação de famílias modestas já reunia produtos vindos de várias partes do mundo. A roupa era feita com fibras e lãs colhidas em terras distantes. Pradarias americanas e australianas, montanhas e estepes asiáticas, regiões geladas do norte, desertos africanos, oceanos, trópicos e terras do sol da meia-noite pareciam trabalhar como tributários da Europa industrial. Todas as raças contribuíam para fornecer alimento, luxo, vestuário simples e roupa requintada, enquanto os países manufatureiros ofereciam em troca os produtos de sua técnica, de sua organização comercial e de seu saber industrial.
À primeira vista, o espetáculo era grandioso, embora Kropotkin perguntasse se não seria, antes, um pesadelo: era necessário, a que custo fora obtido e quanto tempo poderia durar? Essas perguntas deslocam o brilho das estatísticas para a estrutura concreta que as sustentava. A circulação mundial de mercadorias parecia provar a superioridade de alguns países, mas dependia de uma divisão artificial entre povos agrícolas e povos industriais, de desigualdades técnicas, de impérios comerciais e de formas brutais de extração.
Para examinar a questão, Kropotkin recua um século: a França saíra sangrando das guerras napoleônicas, sua indústria jovem, que começara a crescer no fim do século XVIII, fora esmagada, e Alemanha e Itália tinham pouca força no campo industrial. Os exércitos da grande República haviam golpeado duramente a servidão no continente, mas a reação tentou reanimar a instituição em declínio. Onde a servidão dominava, a indústria digna desse nome dificilmente florescia. A disputa entre França e Inglaterra, muitas vezes explicada por causas apenas políticas, tinha sentido material profundo: era luta pela supremacia no mercado mundial.
Essas guerras foram também guerras contra a indústria e o comércio franceses, apoiados pela marinha que a França começara a construir. A Grã-Bretanha venceu a batalha e tornou-se soberana nos mares. Bordeaux deixou de rivalizar com Londres, e as indústrias francesas pareciam cortadas no começo. Com a ajuda do impulso dado às ciências naturais e à técnica por uma era de invenções, e sem competidores sérios na Europa, a Grã-Bretanha desenvolveu suas manufaturas em grande escala. Produzir muito e em massas enormes tornou-se palavra de ordem.
As forças humanas necessárias estavam disponíveis. Parte do campesinato fora expulsa da terra pela força, e outra parte fora atraída às cidades por salários altos. As máquinas necessárias foram criadas, e a produção britânica de manufaturas avançou em ritmo gigantesco. Em menos de setenta anos, de 1810 a 1878, a extração de carvão passou de dez milhões para cento e trinta e três milhões de toneladas. As importações de matérias saltaram de trinta milhões para trezentos e oitenta milhões de toneladas. As exportações de produtos manufaturados subiram de quarenta e seis milhões para duzentos milhões de libras.
A frota comercial quase triplicou sua tonelagem, e cerca de quinze mil milhas de ferrovias foram construídas. Esses números pareciam confirmar a doutrina da especialização nacional. Um país industrial, apoiado por carvão, máquinas, navios, ferrovias, capital acumulado e domínio marítimo, convertia-se em oficina mundial. O que muitos elogiavam como triunfo da organização moderna tinha, contudo, outro lado. Kropotkin não deixava esse custo desaparecer sob o brilho da estatística.
As revelações terríveis das comissões parlamentares de 1840 a 1842 sobre a condição atroz das classes manufatureiras ainda estavam vivas na memória. As histórias de propriedades esvaziadas, famílias arrancadas da terra e crianças raptadas permaneciam como monumentos do modo pelo qual a grande indústria fora implantada no país. A riqueza acumulou-se nas mãos das classes privilegiadas com velocidade antes impensável. As fortunas privadas que surpreendiam estrangeiros na Inglaterra foram reunidas nesse período, junto com um padrão de vida tão caro que alguém considerado rico no continente podia parecer apenas confortável em solo britânico.
A propriedade tributada duplicou durante os últimos trinta anos daquele ciclo. No mesmo período, enormes somas foram investidas por capitalistas ingleses em indústrias estrangeiras ou em empréstimos externos. O resultado era uma concentração de poder sem precedente, mas esse poder não poderia permanecer privilégio exclusivo das ilhas britânicas. Nem o conhecimento industrial nem a iniciativa técnica podiam ficar guardados para sempre dentro de um território. Necessariamente, começaram a passar para o continente.
Na França, a grande Revolução havia criado uma classe numerosa de pequenos proprietários rurais, que viveu durante quase meio século com relativo bem-estar ou, ao menos, com trabalho garantido. A população urbana sem casa própria crescia devagar. Apesar disso, a revolução burguesa de 1789 a 1793 distinguira camponeses proprietários e proletários de aldeia, favorecendo os primeiros em prejuízo dos segundos. Trabalhadores sem casa nem terra foram empurrados para fora de suas localidades e formaram o primeiro núcleo de classes operárias entregues ao poder dos fabricantes.
Os próprios pequenos proprietários, depois de um período de prosperidade real, começaram a sentir a pressão dos tempos difíceis. Seus filhos buscaram emprego nas manufaturas. Guerras e revoluções haviam freado o crescimento industrial, mas ele voltou a avançar na segunda metade do século XIX, desenvolveu-se e melhorou. Mesmo depois da perda da Alsácia, a França já não era a tributária da Inglaterra em produtos manufaturados que fora sessenta anos antes. Suas exportações industriais aproximavam-se de metade das britânicas, enquanto o consumo interno mostrava tendência clara à autossuficiência.
A Alemanha seguia a mesma direção. Durante os cinquenta anos anteriores, sobretudo depois da última guerra, sua indústria passara por profunda reorganização. A população crescera rapidamente de quarenta para sessenta milhões, e esse aumento fora absorvido quase por inteiro pelas cidades, sem retirar braços da agricultura. Nas cidades, a nova população engrossou principalmente as fileiras do trabalho industrial. O maquinário foi renovado, e as manufaturas recém-formadas passaram a operar com equipamentos que representavam, em grande parte, o ponto mais recente do progresso técnico.
O país dispunha de muitos trabalhadores e técnicos dotados de formação científica e prática superior. Um exército de químicos, físicos e engenheiros oferecia auxílio poderoso à indústria, tanto para aperfeiçoá-la de modo direto quanto para espalhar conhecimentos sérios pelo território. Tomada em conjunto, a Alemanha apresentava o espetáculo de uma nação em período de súbito desenvolvimento, com forças novas em quase todos os domínios da vida. Cinquenta anos antes, fora cliente da Inglaterra. Agora, já competia nos mercados europeu e asiático, e sua concorrência prometia tornar-se cada vez mais sensível.
Ao mesmo tempo, a onda de produção industrial que nascera no noroeste da Europa avançava para leste e sudeste, cobrindo círculo cada vez mais largo. À medida que penetrava em países mais jovens, levava consigo melhorias derivadas de um século de invenções mecânicas e químicas. Tomava da ciência toda ajuda que a ciência podia dar à indústria, e encontrava populações dispostas a apropriar-se dos resultados mais recentes do saber moderno. As novas manufaturas alemãs começavam no ponto a que Manchester chegara depois de um século de experiências, e a Rússia começava onde Manchester e Saxônia já estavam.
A Rússia, por sua vez, tentava libertar-se da dependência em relação à Europa ocidental. Passava a fabricar rapidamente muitos dos bens que antes importava da Grã-Bretanha ou da Alemanha. Tarifas protetoras às vezes podiam ajudar o nascimento de certas indústrias, embora quase sempre à custa de outras que também cresciam e com prejuízo para o aperfeiçoamento das que já existiam. A descentralização das manufaturas avançava com tarifas ou sem elas, e Kropotkin chega a dizer que avançava apesar delas.
Áustria, Hungria e Itália seguiam caminho semelhante, desenvolvendo indústrias internas. Espanha e Sérvia também se aproximavam da família das nações manufatureiras. Índia, Brasil e México, apoiados por capital e saber ingleses, franceses e alemães, começavam a criar indústrias em seus próprios territórios. Por fim, os Estados Unidos surgiam como competidor temível para todos os países manufatureiros da Europa. Com a difusão crescente da educação técnica, suas manufaturas avançavam em velocidade americana, e os mercados até então neutros logo seriam invadidos por mercadorias vindas dali.
O monopólio dos primeiros ocupantes do campo industrial deixara de existir. E não voltaria a existir, por maiores que fossem os esforços espasmódicos para restaurar um estado de coisas já entregue à história. Novos caminhos e novas saídas precisariam ser buscados. O passado vivera e já não poderia viver outra vez.
Antes de avançar, Kropotkin decide ilustrar com alguns números a marcha das indústrias para o leste. Escolhe a Rússia em primeiro lugar, não só por conhecê-la melhor, e sim porque ela era uma das recém-chegadas ao campo industrial. Cinquenta anos antes, a Rússia fora vista como ideal de nação agrícola, supostamente condenada pela própria natureza a alimentar outros povos e a receber do ocidente os bens manufaturados. De certo modo, isso fora verdade. Agora já não era.
Em 1861, ano da emancipação dos servos, Rússia e Polônia tinham apenas 14.060 estabelecimentos manufatureiros, com produção anual avaliada em 296 milhões de rublos, cerca de 36 milhões de libras. Vinte anos depois, o número de estabelecimentos subira para 35.160, e a produção anual aproximava-se de quatro vezes o valor inicial, chegando a 1.305 milhões de rublos. Em 1894, embora o censo deixasse de fora as manufaturas menores e todos os ramos sujeitos a impostos especiais, como açúcar, bebidas e fósforos, a produção total do império alcançava 1.759 milhões de rublos, ou cerca de 180 milhões de libras.
O traço mais notável desse aumento estava na relação entre produção e número de trabalhadores. Desde 1861, o número de operários empregados nas manufaturas nem sequer dobrara. Chegou a 1.555.000 em 1894 e a 1.902.750 em 1910. A produção por trabalhador, nos ramos principais, tinha mais que triplicado. A média anual, inferior a setenta libras em 1861, alcançava então duzentas e dezenove libras. O aumento da produção vinha, portanto, sobretudo do aperfeiçoamento das máquinas.
Quando se observam ramos separados, principalmente as indústrias ligadas ao algodão e as oficinas de máquinas, o progresso aparece com força maior. Nos dezoito anos anteriores a 1879, antes que as taxas de importação fossem elevadas em quase trinta por cento e antes da adoção definitiva de uma política protetora, a massa produzida em algodões aumentou três vezes. O número de trabalhadores desse ramo cresceu apenas vinte e cinco por cento. A produção anual de cada trabalhador passou de quarenta e cinco para cento e dezessete libras.
Nos nove anos seguintes, de 1880 a 1889, os retornos anuais mais que dobraram, alcançando quarenta e nove milhões de libras em dinheiro e 3.200.000 quintais em volume. De 1890 a 1900, duplicaram outra vez. A quantidade de algodão cru trabalhada nas fábricas russas passou de 255.000 para 520.700 quintais, enquanto o número de fusos subiu de 3.457.000 para 6.646.000 em 1900 e para 8.306.000 em 1910.
Com uma população de 165 milhões de habitantes, o mercado interno para algodões russos era quase ilimitado. Parte desses produtos também seguia para a Pérsia e a Ásia Central. O exemplo russo mostrava que uma nação antes tratada como fornecedora agrícola podia, em poucas décadas, criar base industrial própria e disputar espaços que pareciam reservados aos países mais antigos da manufatura europeia.
Era verdade que os fios mais finos, junto com o algodão de costura, ainda precisavam ser importados. Kropotkin observava, contudo, que os fabricantes de Lancashire logo cuidariam disso, pois começavam a instalar suas próprias fábricas em solo russo. Duas grandes unidades destinadas à fiação dos fios mais finos de algodão foram abertas na Rússia em 1897, com ajuda de capital inglês e de engenheiros ingleses. Uma fábrica para produzir arame fino usado no cardamento do algodão também fora aberta em Moscou por um conhecido industrial de Manchester. Outras seguiram o mesmo caminho.
O capital era internacional. Com proteção alfandegária ou sem ela, cruzava fronteiras quando encontrava vantagem. A descentralização industrial, portanto, não podia ser explicada apenas por decretos nacionais ou tarifas. Era o próprio movimento da técnica, do investimento e da formação dos trabalhadores que levava a manufatura para novos territórios. A tentativa de reservar para alguns países o papel exclusivo de oficina mundial tornava-se cada vez menos realista.
O mesmo ocorria com a lã. Nesse ramo, a Rússia estivera relativamente atrasada por certo tempo. Aos poucos, fábricas de preparação, fiação e manufatura de lã, providas das melhores máquinas modernas, foram construídas todos os anos na Rússia e na Polônia por proprietários ingleses, alemães e belgas. O resultado era que quatro quintos da lã comum e parcela semelhante das melhores lãs obtidas na própria Rússia já eram preparados e fiados dentro do país. Só um quinto de cada tipo seguia para fora.
Os tempos em que a Rússia era conhecida como exportadora de lã bruta haviam terminado. A antiga função agrícola e primária dava lugar a atividades mais complexas, realizadas no próprio território. Esse detalhe interessava muito a Kropotkin, porque mostrava que a descentralização não se limitava a grandes estatísticas nacionais. Ela penetrava em ramos específicos, modificava o destino das matérias, criava trabalhadores treinados e transformava regiões antes subordinadas em centros ativos de produção.
O caso russo também mostrava uma contradição comum ao sistema industrial moderno. Os mesmos capitais ingleses, alemães e belgas que antes lucravam com a concentração da manufatura nos países antigos ajudavam agora a espalhar máquinas, métodos e fábricas para fora deles. Ao buscar novos lucros, contribuíam para destruir o privilégio que sustentara a velha supremacia. A técnica, uma vez difundida, já não obedecia às fronteiras imaginadas pelos defensores da especialização nacional.
Kropotkin prepara, com esses exemplos, a passagem para outro conjunto de provas: oficinas de máquinas, instrumentos agrícolas, ofícios domésticos, mineração, metalurgia e importações. Todos esses casos serviriam para mostrar que a Rússia já não era simples apêndice agrícola da Europa ocidental. Seu desenvolvimento indicava tendência mais ampla, na qual cada região procurava reunir alimento, indústria e saber técnico em formas próprias.
Nas oficinas de máquinas, a comparação entre o presente de Kropotkin e os anos de 1861 ou 1870 já não era possível. Graças, primeiro, a engenheiros ingleses e franceses, e depois ao progresso técnico interno, a Rússia já não precisava importar parte alguma de seu equipamento ferroviário. Quanto às máquinas agrícolas, relatórios consulares britânicos mostravam que ceifadeiras e arados russos competiam com êxito contra instrumentos semelhantes de fabricação americana e inglesa.
Entre 1880 e 1890, esse ramo de manufaturas desenvolveu-se muito nos Urais meridionais, em forma de indústria de aldeia estimulada pela Escola Técnica de Krasnoufimsk, ligada ao conselho distrital local, o zemstvo. O mesmo ocorreu, com força especial, nas planícies que descem para o mar de Azov. Sobre essa região, o vice-cônsul Green registrou em 1894 que, além de oito ou dez fábricas importantes, todo o distrito consular estava salpicado de pequenas oficinas mecânicas dedicadas sobretudo à produção de máquinas e instrumentos agrícolas, muitas delas com fundições próprias.
A cidade de Berdyansk, acrescentava ele, já podia orgulhar-se da maior fábrica de ceifadeiras da Europa, capaz de entregar três mil máquinas por ano. Esse detalhe era importante para Kropotkin porque deslocava a análise das capitais industriais para distritos e cidades menores. A descentralização não significava atraso técnico. Podia significar presença de ferramentas modernas em centros locais, próximos às necessidades agrícolas e ao saber prático de quem cultivava.
Os números citados até ali incluíam apenas manufaturas com retorno anual superior a duzentas libras. Ficava de fora, portanto, a imensa variedade de ofícios domésticos que também haviam crescido ao lado das fábricas. Esses trabalhos nas casas eram característicos da Rússia e muito necessários em seu clima. Ocupavam mais de 7.500.000 camponeses, e sua produção agregada fora estimada, poucos anos antes, acima do valor produzido por todas as manufaturas reunidas. Passava de 180 milhões de libras por ano.
Kropotkin prometia voltar depois a esse assunto e, por isso, limitava os números. Mesmo nas principais províncias manufatureiras próximas de Moscou, a produção doméstica em teares destinada ao comércio alcançava retorno anual de 4.500.000 libras. No norte do Cáucaso, onde os pequenos ofícios tinham origem recente, havia nas casas camponesas 45.000 teares, com produção anual de 200.000 libras. A casa camponesa, nesse quadro, não aparecia como resto morto de passado. Era parte ativa da produção moderna.
Nas indústrias de mineração, apesar do excesso de proteção e da concorrência da lenha e da nafta, a produção das minas de carvão russas duplicou entre 1896 e 1904. Na Polônia, aumentou quatro vezes. Quase todo o aço, três quartos do ferro e dois terços do ferro-gusa usados na Rússia já eram produzidos dentro do país. As oito fábricas russas de trilhos de aço tinham força suficiente para lançar no mercado mais de dez milhões de quintais de trilhos por ano.
Diante disso, não surpreendia que as importações de produtos manufaturados para a Rússia fossem tão pequenas. Desde 1870, nove anos antes do aumento geral das tarifas, a proporção desses produtos dentro das importações caía de modo constante. Os bens manufaturados representavam então apenas um quinto das entradas, subindo em ocasiões particulares a um terço, como ocorreu em 1910, ano de importações máximas.
As mercadorias vindas da Grã-Bretanha para a Rússia, avaliadas em 16.300.000 libras em 1872, caíram para uma faixa entre 6.884.500 e 11.320.000 libras nos anos de 1894 a 1909. Dentro desse total, os produtos manufaturados valiam pouco acima de dois milhões de libras. O restante era formado por alimentos ou por matérias cruas e semielaboradas, como metais e fios. Em 1910, ano máximo, as entradas chegaram a 15.300.000 libras e consistiam sobretudo em máquinas e carvão.
Na prática, as importações de produtos britânicos propriamente ditos haviam caído, em dez anos, de 8.800.000 para 5.000.000 de libras. Em 1910, isso reduzia os bens manufaturados britânicos comprados pela Rússia a itens bastante modestos: máquinas, algodões e fios de algodão, lãs manufaturadas e fios de lã, além de produtos químicos. A queda de valor dos produtos britânicos importados era ainda mais impressionante. Em 1876, a Rússia importara oito milhões de quintais de metais britânicos e pagara seis milhões de libras por eles. Em 1884, comprou a mesma quantidade e pagou apenas 3.400.000 libras.
A mesma queda de valor aparecia em todos os bens importados, embora em proporções diferentes. Kropotkin queria mostrar que os números não indicavam simples retração comercial. Indicavam mudança no lugar ocupado pela Rússia dentro da produção mundial. Um país tratado durante décadas como fornecedor de alimento e comprador de artigos prontos começava a produzir máquinas, metais, fios, instrumentos agrícolas e uma grande quantidade de artigos locais.
Seria erro grosseiro imaginar que a queda das importações estrangeiras se devia principalmente às altas tarifas protetoras. Kropotkin explicava essa queda pelo crescimento das indústrias internas. As tarifas contribuíram, sem dúvida, junto com outras causas, para atrair fabricantes alemães e ingleses à Polônia e à Rússia. Lodz, chamada de Manchester polonesa, era quase uma cidade alemã, e os diretórios comerciais russos estavam cheios de nomes ingleses e alemães.
Capitalistas ingleses e alemães, engenheiros e contramestres ingleses, instalaram dentro da Rússia as manufaturas aperfeiçoadas de algodão de seus países de origem. Naquele momento, trabalhavam para melhorar os ramos da lã e a produção de máquinas. Belgas haviam criado rapidamente uma grande indústria do ferro no sul da Rússia. Para Kropotkin, não havia dúvida, e essa opinião era compartilhada por fabricantes russos, de que uma política de livre comércio não impediria o crescimento posterior das indústrias russas. Ela apenas reduziria os altos lucros daqueles fabricantes que não melhoravam suas instalações e dependiam sobretudo de trabalho barato e jornadas longas.
Além disso, quando a Rússia obtivesse maior liberdade, novo crescimento industrial viria logo. A educação técnica, por muito tempo reprimida de modo sistemático pelo governo, espalhar-se-ia rapidamente. Em poucos anos, com seus recursos naturais e sua juventude laboriosa, que já tentava combinar ofício e ciência, a Rússia veria suas forças industriais multiplicarem-se. No campo industrial, ela faria por si mesma. Fabricaria tudo de que precisasse e permaneceria, ao mesmo tempo, nação agrícola.
Naquele momento, pouco acima de 1.500.000 mulheres e homens, dentro de uma população de 112 milhões na Rússia europeia, trabalhavam em manufaturas. Outros 7.500.000 combinavam agricultura e produção doméstica. Esse número poderia triplicar sem que a Rússia deixasse de ser país agrícola. Se triplicasse, não haveria espaço para produtos manufaturados importados, porque uma região agrícola pode produzi-los a custo menor que países dependentes de alimento trazido de fora.
Kropotkin pedia que se recordasse a escala britânica para entender o ponto. No Reino Unido, pouco acima de um milhão de pessoas trabalhavam em todos os ramos ligados a fios e panos na Inglaterra, Escócia, Irlanda e País de Gales, e apenas cerca de trezentas mil eram homens acima de dezoito anos. Esse conjunto mantinha em funcionamento milhões de fusos e centenas de milhares de teares só nas fábricas de algodão. Sua produção anual alcançava valores formidáveis, e as exportações atingiam somas imensas.
A comparação servia para mostrar que não era preciso transformar a Rússia inteira em país fabril no velho sentido inglês. Bastaria ampliar de modo organizado a integração já existente entre agricultura, ofícios domésticos, oficinas, minas, máquinas e educação técnica. O resultado seria uma sociedade ainda agrícola, mas capaz de produzir grande parte dos próprios instrumentos, bens e matérias trabalhadas. Essa era, para Kropotkin, a tendência decisiva contra a velha divisão internacional do trabalho.
O mesmo movimento era ainda mais visível em outras nações europeias, já muito adiantadas no desenvolvimento industrial, sobretudo na Alemanha. Kropotkin observava que se escrevera muito sobre a concorrência alemã ao comércio britânico, inclusive nos próprios mercados da Grã-Bretanha. Bastava olhar vitrines de Londres, relatórios consulares, debates públicos e discursos políticos para perceber a importância dessa força nova. A formação técnica de trabalhadores, engenheiros e homens de ciência alemães também já era tema frequente entre defensores da educação técnica na Inglaterra. O crescimento súbito da Alemanha como potência industrial não podia ser negado.
Onde em outros tempos se exigia meio século para desenvolver uma indústria, poucos anos bastavam agora. Em 1864, a Alemanha importava apenas 160.000 quintais de algodão cru e exportava quantidade muito pequena de artigos de algodão. A fiação e a manufatura desse ramo ainda eram, em grande parte, trabalhos domésticos de pouco alcance. Vinte anos depois, as importações de algodão cru já alcançavam 3.600.000 quintais. Outros vinte anos elevaram o total a 7.400.000 quintais. As exportações de algodões e fios, avaliadas em 3.600.000 libras em 1883 e 7.662.000 libras em 1893, chegaram a 19 milhões de libras em 1905.
Uma grande indústria fora criada em menos de trinta anos e continuava crescendo. A habilidade técnica necessária desenvolveu-se dentro do país. Naquele momento, a Alemanha ainda dependia de Lancashire apenas nos fios mais finos. Mesmo essa desvantagem parecia próxima de ser superada. Fiações de alta precisão haviam sido erguidas recentemente, e a emancipação em relação a Liverpool avançava com a criação de uma bolsa de algodão em Bremen.
No ramo da lã, Kropotkin apontava crescimento rápido semelhante. Em 1910, o valor das exportações de artigos de lã alcançava 13.152.500 libras, contra 8.220.300 em 1894. Uma parte expressiva seguia para o Reino Unido. O linho crescera em ritmo ainda mais acelerado, e na seda a Alemanha ficava atrás apenas da França. Em cada ramo, a tese era a mesma: o conhecimento técnico e a organização industrial já não podiam permanecer concentrados em um único país.
Esses dados reforçavam a ideia central do capítulo. A descentralização das indústrias não era sonho moral, plano administrativo ou desejo isolado. Era fato histórico em curso. Países que antes compravam de fora aprendiam, instalavam máquinas, formavam trabalhadores, organizavam mercados internos e começavam a vender. A antiga hierarquia entre oficina mundial e regiões consumidoras desfazia-se sob a pressão combinada de ciência, técnica, capital móvel, mão de obra instruída e mercados nacionais em crescimento.
O progresso alemão no ramo químico era bem conhecido e bastante sentido na Escócia e em Northumberland. Relatórios sobre ferro e aço mostravam crescimento formidável da produção alemã desde 1871. Não surpreendia que as importações de ferro e aço para a Alemanha tivessem caído pela metade em vinte anos, enquanto as exportações quase quadruplicavam. Nas oficinas de máquinas, os alemães haviam cometido, segundo Kropotkin, o erro de copiar modelos ingleses com submissão excessiva, em vez de abrir caminho próprio como fizeram os americanos. Mesmo com essa limitação, suas cópias eram boas e competiam com êxito pelo preço.
O aparato científico alemão também era reconhecido por homens de ciência, inclusive na França. Em consequência desse avanço, as importações de bens manufaturados para a Alemanha tendiam a cair. A entrada total de artigos ligados a fios e panos, incluindo fios, ficava tão baixa que era compensada por valores quase iguais de exportação. Kropotkin considerava provável que os mercados alemães para esses ramos logo se perdessem para outros países manufatureiros, e que a concorrência alemã fosse cada vez mais forte nos mercados neutros e na Europa ocidental.
Era fácil conquistar aplauso de plateias desinformadas dizendo que os produtos alemães jamais se igualariam aos ingleses. O fato era outro: competiam em preço e, quando necessário, também em boa execução. A explicação não podia ser reduzida à mão de obra barata. Investigações recentes já mostravam que baixos salários e jornadas longas não significam necessariamente produto barato. Trabalho barato e proteção significavam, muitas vezes, apenas a possibilidade de alguns patrões continuarem usando máquinas velhas e ruins.
Nas indústrias mais desenvolvidas, como algodão e ferro, o produto mais barato era obtido com bons salários, jornadas curtas e as melhores máquinas. Quando o número de operários exigido por mil fusos podia variar de dezessete, em muitas fábricas russas, a três, na Inglaterra, e quando um tecelão podia vigiar vinte teares Northrop nos Estados Unidos ou apenas dois em fábricas atrasadas, nenhuma redução salarial compensava diferença tão grande. Por isso, nas melhores fábricas alemãs de algodão e ferro, os salários não eram inferiores aos britânicos. O trabalhador alemão obtinha mais pelo salário recebido do que o trabalhador do país dominado por intermediários.
A causa principal do sucesso alemão era a mesma observada nos Estados Unidos. Ambos os países tinham entrado tarde na fase industrial e entraram com energia de juventude. Ambos possuíam educação científica e técnica muito difundida. Ambos erguiam fábricas segundo os modelos mais recentes, elaborados em outros lugares. Ambos viviam período de despertar em literatura, ciência, indústria e comércio. Entravam na fase que a Grã-Bretanha vivera na primeira metade do século XIX, quando trabalhadores britânicos participaram intensamente da invenção da maquinaria moderna.
Kropotkin via ali um fato de desenvolvimento sucessivo das nações. Em vez de difamar ou tentar bloquear esse avanço, seria melhor perguntar se as duas pioneiras da grande indústria, Grã-Bretanha e França, não poderiam tomar nova iniciativa. A saída para seu gênio criador deveria ser procurada em outra direção: usar a terra e as forças industriais humanas para garantir bem-estar a toda a nação, em lugar de concentrá-lo nas mãos de poucos.
Notas ao Capítulo I
A nota 1 remete ao Apêndice A, e a nota 2 ao Apêndice B. Na nota 3, Kropotkin informa que, depois da guerra japonesa, as estatísticas russas tinham ficado menos seguras, mas dados de 1910 indicavam 19.983 estabelecimentos industriais no império, incluindo ramos sujeitos a impostos especiais, com 2.253.790 pessoas empregadas e produção anual de 4.565.400.000 rublos. Dentro da Rússia europeia, Polônia e quatro províncias do norte do Cáucaso, os estabelecimentos supervisionados por inspetores de fábrica somavam 15.720, com 1.951.955 trabalhadores, entre homens, mulheres e crianças.
Na nota 4, ele acrescenta que as importações anuais de algodão cru vindas da Ásia Central e da Transcaucásia representavam, em regra, cerca de um décimo das importações totais de algodão cru. Esse crescimento era recente, ligado à introdução do algodoeiro americano no Turquestão pelos russos e à criação dos primeiros estabelecimentos de seleção e prensagem. A boa qualidade dos algodões estampados russos e o preço relativamente baixo dos algodões simples chamaram atenção do comissário britânico na exposição de Nijni Novgorod de 1897.
A nota 5 registra que as 1.037 fábricas de lã da Rússia e da Polônia, com 149.850 trabalhadores, produziam cerca de 25 milhões de libras em 1910, contra 12 milhões em 1894. Na nota 6, Kropotkin cita o relatório do vice-cônsul Green, publicado em periódico britânico de 9 de junho de 1894, sobre ceifadeiras russas duráveis, vendidas por quinze a dezessete libras, e sobre a venda, em um único distrito, de 20.000 ceifadeiras e 50.000 arados em 1893. A mesma nota critica as tarifas proibitivas sobre ferro-gusa estrangeiro e remete ao estudo de A A Radzig sobre a indústria mundial do ferro.
Na nota 7, ele informa que, dos 1.500 vapores que circulavam nos rios russos, um quarto usava nafta como combustível e metade usava madeira, que também era o combustível principal das ferrovias e das siderúrgicas dos Urais. A nota 8 registra a produção de carvão em 1910: 24.146.000 toneladas na Rússia europeia e 1.065.000 na Sibéria. A nota 9 remete ao Apêndice C.
A nota 10 apresenta dados do censo oficial britânico de 1908. Na indústria do algodão, trabalhavam 220.563 homens e meninos, 262.245 mulheres e 90.061 meninas com menos de dezoito anos. A produção de panos de algodão e fios alcançava números enormes por pessoa empregada. Para lã penteada e lã comum, havia mais de 250.000 trabalhadores entre homens, mulheres e menores. Kropotkin usa esses números para mostrar quanto a maquinaria moderna permite produzir, e critica autores da ciência da riqueza, inclusive russos, que queriam proletarizar dezenas de milhões de camponeses para criar grande indústria.
Na nota 11, ele menciona o livro Made in Germany, de E E Williams, embora ressalve que o desenvolvimento industrial alemão era muitas vezes usado em espírito partidário para defender proteção. A nota 12 remete ao estudo de Francke sobre o desenvolvimento recente da indústria de fios e panos na Alemanha. A nota 13 cita Schulze Gaevernitz e os Apêndices D, E e F. A nota 14 informa que as entradas de artigos alemães de lã no Reino Unido cresceram de modo constante entre 1890 e 1910, enquanto as exportações britânicas para a Alemanha também cresceram, só que em proporção menor.