Campos, Fábricas e Oficinas: Apêndice I - A Indústria Algodoeira nos Estados Unidos
Há alguns anos, a indústria algodoeira nos Estados Unidos chamou a atenção dos fabricantes de algodão de Manchester, e temos agora duas obras muito interessantes, escritas por pessoas que foram especialmente aos Estados Unidos para estudar o rápido progresso feito ali na fiação e no trabalho dos teares.
Essas duas investigações confirmam plenamente o que foi dito no texto deste livro sobre o rápido progresso da indústria americana em geral, e em especial sobre o desenvolvimento de uma maquinaria muito aperfeiçoada para os teares algodoeiros. No prefácio ao livro do senhor Young, o senhor Helm diz: “Os resultados dessa investigação talvez possam, sem incorreção, ser chamados uma revelação para Lancashire. Já se sabia, por certo, entre alguns deste lado do oceano, que havia largas diferenças entre os métodos e a organização dos moinhos algodoeiros americanos e ingleses. Só nos últimos três ou quatro anos, contudo, surgiu entre nós a suspeita de que nossos concorrentes nos Estados Unidos marchavam à nossa frente no caminho do menor custo de produção.”
A diferença mais importante entre os métodos britânicos e americanos estava, na opinião do senhor Helm, no “uso amplo do tear automático”. A investigação do senhor Young sobre o assunto não deixava dúvida de que o emprego desse tear “reduz substancialmente o custo de produção e, ao mesmo tempo, aumenta os ganhos do operário do tear, porque lhe permite conduzir maior número de teares” (p. 15). Em geral, aprendemos pelas observações do senhor Helm que há agora 85.000 teares automáticos em funcionamento nos Estados Unidos, e que “a procura por operários de tear é maior que nunca” (p. 16). Em um moinho de Rhode Island, 743 teares comuns exigiam 100 operários, ao passo que 2.000 teares Northrop, ou Draper, podiam ser conduzidos por apenas 134 operários, o que dá uma média de quinze teares para cada operário. Em Burlington, Vermont, de dezesseis a vinte teares Northrop eram conduzidos por cada operário, e esses teares se difundem com grande rapidez. As melhorias não se limitaram aos teares. “As armações de fiação”, informa o senhor Young, “com 112 fusos em cada lado, eram atendidas por moças que cuidavam de quatro, seis, oito ou dez lados cada uma, segundo a destreza de cada moça. A média para boas fiandeiras era de cerca de oito lados, ou 896 fusos” (p. 10).
Em um moinho de fiação fina de New Bedford, as fiandeiras de anel cuidavam de 1.200 fusos cada uma (p. 16).
Também importa notar a velocidade com que a indústria algodoeira se desenvolveu ultimamente nos Estados Unidos. O censo de 1900 dava um total de 19.008.350 fusos. Em 1909, encontramos já 28.178.860 fusos apenas para o algodão, ou 34.500.000 se incluirmos seda, lã e lã penteada. O ponto ainda mais importante é que a maior parte desse aumento coube aos Estados do Sul, onde a maquinaria é também mais perfeita, tanto para a fiação quanto para os teares, e onde a maior parte do trabalho é feita por brancos. Em um moinho de algodão estampado da Carolina do Sul, com 1.000 teares Draper, a média para teares estreitos era de 15½ teares por operário. (T. W. Uttley, l.c., pp. 4, 50 etc.)
Quanto à concorrência americana nos mercados chineses, o senhor Helm apresenta números imponentes.