Campos, Fábricas e Oficinas: Apêndice P - Importações de Hortaliças para o Reino Unido
Que a terra deste país não é utilizada o bastante para a horticultura comercial, e que a maior parte das hortaliças importadas do exterior poderia ser cultivada neste país, já foi dito muitas vezes nos últimos vinte e cinco anos.
É certo que melhorias consideráveis ocorreram recentemente, tendo aumentado muito a área de hortas comerciais, e em especial a área sob vidro para o cultivo de frutas e hortaliças. Desse modo, em lugar dos 38.957 acres destinados à horticultura comercial na Grã-Bretanha em 1875, havia em 1894, excluídos os cultivos de hortaliças em fazendas, 88.210 acres destinados a esse fim (The Gardener’s Chronicle, 20 de abril de 1895, p. 483). Mas esse aumento continua pequeno em comparação com aumentos semelhantes na França, na Bélgica e nos Estados Unidos. Na França, a área destinada à horticultura comercial foi estimada em 1892 pelo senhor Baltet, em L’horticulture dans les cinq parties du monde, Paris, Hachette, 1895, em 1.075.000 acres, quatro vezes mais, em proporção à área cultivável, que neste país. O ponto mais notável é que extensões consideráveis de terra antes tratadas como incultiváveis foram recuperadas para a horticultura comercial e também para a fruticultura.
No estado atual das coisas neste país, constata-se que são importadas quantidades muito grandes das hortaliças mais comuns, todas elas possíveis de cultivar aqui.
Alfaces são importadas, não apenas dos Açores ou do sul da França, pois continuam a ser importadas da França até junho, onde são cultivadas em sua maior parte não ao ar livre, e sim em caixilhos. Pepinos precoces, também cultivados em caixilhos, são importados em grande quantidade da Holanda e vendidos tão barato que muitos jardineiros ingleses deixaram de cultivá-los. Até beterraba e repolho para conserva são importados da Holanda e da Bretanha, nas vizinhanças de Saint-Malo, onde os vi cultivados em solo arenoso, que nada produziria sem forte adubação com guano, como segunda colheita depois de uma primeira de batatas. E, embora cebolas fossem antes cultivadas em grande escala neste país, constata-se que, em 1894, 5.288.512 bushels de cebolas, no valor de £765.049, foram importados da Bélgica, principal exportadora, da Alemanha, da Holanda, da França e de outros países.
Também é natural que batatas precoces sejam importadas dos Açores e do sul da França. Não é tão natural que mais de 50.000 toneladas de batatas, 58.060 toneladas, no valor de £521.141 em média durante os anos de 1891 a 1894, sejam importadas das ilhas do Canal, pois há centenas, se não milhares, de acres no sul de Devon, e muito provavelmente também em outras partes da costa sul, onde batatas precoces poderiam ser cultivadas com igual êxito. Além das 90.000 toneladas de batatas precoces, no valor de mais de £700.000, importadas para este país, enormes quantidades de batatas tardias são importadas da Holanda, da Alemanha e da Bélgica, de modo que as importações totais de batatas alcançam de 200.000 a 450.000 toneladas a cada ano. Além disso, este país importa todos os anos hortaliças verdes de toda espécie, pela soma de pelo menos £4.000.000, e frutas de toda espécie por £5.000.000, sem contar frutas exóticas, enquanto milhares de acres permanecem ociosos, e a população rural é empurrada para as cidades em busca de trabalho, sem encontrá-lo.