Universo da obra
Universo da obra
Nous allons devant nous comme des exilés Ne pouvant pas fouler deux fois la même place, Goûter la même joie, et sans cesse appelés Par l'horizon nouveau que nous ouvre l'espace.
Que d'impuissance éclate en ce môt tout humain !
Se souvenir ! - se voir lentement disparaître, Sentir vibrer toujours comme l'écho lointain D'une vie à laquelle on ne peut plus renaître !
M. Guyau.
Para tão grande morto - o sol, só mesmo esse catafalco : a noite .
Vêde-me essa treva lentejada de estrellas ; vêdeme essa corôa branca, o plenilunio, cujas fitas rastejam na terra ; vêdé a porção de flores da Via Lactea Visões e sonhos e agora escutai a antiphona das cousas e dizei-me se não são solemnes os funeraes do dia.
E' morto o grande Pan ! Não , o grande Pan não morre ; os funeraes não são por elle - a Natureza bem sabe que elle ha de tornar-os funeraes que vemos são os dos nossos momentos que o minotauro levou para a furna do Occidente.
Horas felizes que não mais tornais , o vosso memento é a saudade.
Quanto dariamos nós para poder retroceder um passo no caminho da Vida tornando a certo instante feliz !
Hontem é um fosso profundo que nos separa do Passado . Como vai recuando a nossa mocidade ! Como se desfazem as nossas illusões !
Quantas alegrias e quantas lagrimas, quantas esperanças e quantos desenganos leva para o occaso o sol de um dia! Como vai carregado esse respigador purpureo que andou de coração em coração deixando em todos a saudade. Já que levas o melhor da vida porque tambem não levas a memoria, esse abutre d'alma ?
Vamos seguindo : somos o rebanho do sol, elle é que nos conduz. A' noite repousamoslá vai elle para a sua cabana e nós ficamos expostos á loba esfaimada -a Morte, que uiva sinistramente no valle da Vida, onde as lagrimas são rios.
Quando acordamos olhando em torno vemos, com Visões e sonhos tristeza, que já não nos achamos no mesmo sitio em que adormecemos. Caminhamos, então, d'olhos fechados, através da treva, emquanto o pastor dormia ? Sim , caminhamos fugindo á loba e, dentro da sombra do somno, vimos espectros tragicos.
Mal apparece o sol: - «Eia ! rebanho. Eia ! » brada, e lá vamos nós , tristes ovelhinhas, seguindo em magóte - para onde ? o sol não diz e, fustigando sempre com o seu latego de fogo, brada inexoravelmente : <<Eia ! rebanho . Eia ! » E não poder a gente regressar a certo sitio onde foi feliz, á certa sombra onde repousou , á certa fonte clara onde matou a sêde, á certa mouta onde vio uma madre-silva que nunca mais verá. «Eia ! rebanho. Eia ! » Que dor !
Sentir vibrer toujours comme l'écho lointain D'une vie à laquelle on ne peut plus renaître .
Cantamos o amo que nasce para não chorar o amo que foi. A anciedade de ver faz com que esqueçamos o que vimos ... com que esqueçamos ? digo malcom que nos resignemos da perda visto como, de instante a instante, voltamos os olhos para traz e vemos os nossos passos sulcando o caminho como um arado forte e, nos sulcos, quanta saudade ! « Eia ! rebanho.
Eia >!>> Mas, para onde vamos nós ? onde é o aprisco ? a Visões e sonhos loba investe, ouve-se um gritolá vai uma ovelha na fauce da Morte. « Eia ! rebanho . Eia ! »
Emfim, como vão todas juntas para o mesmo destino, as ovelhinhas resignam-se. De vez em quando perguntam : « Onde é o aprisco ? » O pastor inclemente responde com o mesmo brado : « Eia ! rebanho . Eia ! »
E lá seguem .
Nous allons devant nous comme des exilés Ne pouvant pas fouler deux fois la même place ... ....
Leia gratuitamente Romanceiro, de Coelho Neto, obra brasileira em domínio público publicada em 1906, com poemas narrativos e páginas líricas organizadas para leitura online por capítulos no Literunico. Esta edição digital foi preparada a partir do exemplar público preservado no Wikimedia Commons/HathiTrust, com capa nova no padrão Literunico, reforçando busca, redes sociais e pesquisa por IA.
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