Indesejado
Não me conhece? Nem queira;
Sou mau, sou vil;reconheço.
Um ser sem fim nem começo
Um ser sem eira nem beira.
Jura que não me conhece?
Pois continue assim:
Sem saber nada de mim.
A sua vida agradece.
Não queira me ver por perto;
Viva na paz e alegria:
Viver sem mim é um acerto.
Mas, se insistes nessa dor
De ter minha companhia...
Prazer: meu nome é Amor.
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Meus Meninos
Pensei em repetir um texto já publicado, aproveitando o dia dos pais (já que não sou um). Lembrei que havia feito o texto inspirado em alguma pérola da Cris Ribeiro (ela tem tanta coisa espetacular que o difícil é não se inspirar no que ela escreve). Pra quem já leu, passe. Pra quem não leu... Bem, leia, talvez valha a pena...
Meus meninos ainda não eram meus meninos quando os conheci; um já tinha 8 e o outro, 5. E eu, justo eu, um autista que não há tinha sido um bom tio, nem um bom primo, nem um bom irmão, nem um bom cunhado mais velho, fiquei com a incumbência de ser um bom padrasto.
Eles não gostaram de mim logo de cara; achavam que eu estava vindo pra tomar o lugar do pai. Não era verdade; o pai já havia abandonado esse posto, e o que eu estava fazendo era tentar preencher um espaço já vago, mas como demonstrar isso para duas crianças?
Talvez por isso eu tenha sido tão duro, tão intransigente, tão crítico e austero. Talvez por isso, eles, que nunca haviam encontrado limite e autoridade, tenham se apegado a mim como um porto seguro - algo que eu não era, inconstante que fui, genioso e chato e ranzinza e exigente.
Mas... O tempo foi passando. E o amor que eu antes tinha pela mãe deles foi virando um amor por três, um amor pela família que não era minha. Eu me cobrei como pai e exigi tudo o que eles poderiam ser como filhos.
E quantas vezes um deles não veio me mostrar algo incrível, e eu não deixei porque não tinha tempo? Quantas vezes os impedi de falar sobre a nova série, o novo jogo, o novo livro, porque havia "trabalho importante" a ser feito? Hoje, olho para dentro de mim, com os olhos do passado, e encontro momentos em que eu poderia ter estado mais com eles, em que eu deveria ter mandado às favas aqueles chefes que sequer sabiam meu nome, nem que eu tinha filhos e família e que devia ser exemplo. Olho para trás com a percepção de que devia ter sido mais presente, mais amigo, mais amoroso. Mais pai.
Mas, hoje, um deles gosta de rock, é músico, está trabalhando com TI. Tudo isso é exemplo do padrasto. O outro, mais novo, adora desenhar e ler, e torce para o meu Flamengo, em vez do Corinthians do pai. Em que momento eu fui tão importante na vida deles? Em que momento eu fui exemplo de alguma coisa?
Hoje eu olho para trás com orgulho, com a certeza de que passei bons valores e bons pensamentos. Olho para trás e percebo que errei muito, e que eles não tiveram a melhor das vidas, e que muito é culpa minha, mesmo eu sabendo que, no fundo, caí de para-quedas nas vidas deles e fiz o melhor que pude. A vida não dá novas chances, não te permite testes nem reloads. Fiz o que achei certo, e, se hoje acho que poderia ter feito melhor, é porque, assim como eles, eu cresci.
E eles cresceram! E hoje eu consigo ser o amigo, o padrasto, o pai, porque eles já evoluíram e aprenderam sobre as minhas limitações. Eles me criaram, mais do que eu a eles. Eles me compreenderam porque, por óbvio, se tornaram pessoas muito melhores que eu. Opa! Mas será que também eu não tenho alguma parcela de mérito nisso?...
Ainda tenho saudade da época em que podia ajustar algo na educação deles. Ainda não percebi que hoje, ainda posso fazer isso. Ainda tenho tristeza em perceber que, um dia, eu fui jovem como eles, e tinha meus ídolos, ainda que hoje já os veja como pessoas comuns. Ainda tenho um certo orgulho de chegar até aqui, vivo, tendo passado dias de dificuldade. Ainda olho para trás e não sei se fui um bom pai, se devia ter sido, se tomei o lugar alheio ou se simplesmente fui improvisando, porque a vida não permite ensaio.
Ainda vou me orgulhar do que fui para eles. Ainda vou me orgulhar do que fui para mim. Ainda vou me orgulhar do que sou, enfim.
E, aí, sim, a vida terá válido a pena. Porque há algo que aprendi tentando ser pai: viver não é algo que façamos por nós mesmos.
Pensei em repetir um texto já publicado, aproveitando o dia dos pais (já que não sou um). Lembrei que havia feito o texto inspirado em alguma pérola da Cris Ribeiro (ela tem tanta coisa espetacular que o difícil é não se inspirar no que ela escreve). Pra quem já leu, passe. Pra quem não leu... Bem, leia, talvez valha a pena...
Meus meninos ainda não eram meus meninos quando os conheci; um já tinha 8 e o outro, 5. E eu, justo eu, um autista que não há tinha sido um bom tio, nem um bom primo, nem um bom irmão, nem um bom cunhado mais velho, fiquei com a incumbência de ser um bom padrasto.
Eles não gostaram de mim logo de cara; achavam que eu estava vindo pra tomar o lugar do pai. Não era verdade; o pai já havia abandonado esse posto, e o que eu estava fazendo era tentar preencher um espaço já vago, mas como demonstrar isso para duas crianças?
Talvez por isso eu tenha sido tão duro, tão intransigente, tão crítico e austero. Talvez por isso, eles, que nunca haviam encontrado limite e autoridade, tenham se apegado a mim como um porto seguro - algo que eu não era, inconstante que fui, genioso e chato e ranzinza e exigente.
Mas... O tempo foi passando. E o amor que eu antes tinha pela mãe deles foi virando um amor por três, um amor pela família que não era minha. Eu me cobrei como pai e exigi tudo o que eles poderiam ser como filhos.
E quantas vezes um deles não veio me mostrar algo incrível, e eu não deixei porque não tinha tempo? Quantas vezes os impedi de falar sobre a nova série, o novo jogo, o novo livro, porque havia "trabalho importante" a ser feito? Hoje, olho para dentro de mim, com os olhos do passado, e encontro momentos em que eu poderia ter estado mais com eles, em que eu deveria ter mandado às favas aqueles chefes que sequer sabiam meu nome, nem que eu tinha filhos e família e que devia ser exemplo. Olho para trás com a percepção de que devia ter sido mais presente, mais amigo, mais amoroso. Mais pai.
Mas, hoje, um deles gosta de rock, é músico, está trabalhando com TI. Tudo isso é exemplo do padrasto. O outro, mais novo, adora desenhar e ler, e torce para o meu Flamengo, em vez do Corinthians do pai. Em que momento eu fui tão importante na vida deles? Em que momento eu fui exemplo de alguma coisa?
Hoje eu olho para trás com orgulho, com a certeza de que passei bons valores e bons pensamentos. Olho para trás e percebo que errei muito, e que eles não tiveram a melhor das vidas, e que muito é culpa minha, mesmo eu sabendo que, no fundo, caí de para-quedas nas vidas deles e fiz o melhor que pude. A vida não dá novas chances, não te permite testes nem reloads. Fiz o que achei certo, e, se hoje acho que poderia ter feito melhor, é porque, assim como eles, eu cresci.
E eles cresceram! E hoje eu consigo ser o amigo, o padrasto, o pai, porque eles já evoluíram e aprenderam sobre as minhas limitações. Eles me criaram, mais do que eu a eles. Eles me compreenderam porque, por óbvio, se tornaram pessoas muito melhores que eu. Opa! Mas será que também eu não tenho alguma parcela de mérito nisso?...
Ainda tenho saudade da época em que podia ajustar algo na educação deles. Ainda não percebi que hoje, ainda posso fazer isso. Ainda tenho tristeza em perceber que, um dia, eu fui jovem como eles, e tinha meus ídolos, ainda que hoje já os veja como pessoas comuns. Ainda tenho um certo orgulho de chegar até aqui, vivo, tendo passado dias de dificuldade. Ainda olho para trás e não sei se fui um bom pai, se devia ter sido, se tomei o lugar alheio ou se simplesmente fui improvisando, porque a vida não permite ensaio.
Ainda vou me orgulhar do que fui para eles. Ainda vou me orgulhar do que fui para mim. Ainda vou me orgulhar do que sou, enfim.
E, aí, sim, a vida terá válido a pena. Porque há algo que aprendi tentando ser pai: viver não é algo que façamos por nós mesmos.
#Desafio 218
Ao Teu Morrer
Que nunca
se quebre
o encanto,
que teu
corpo,
manto
e pranto,
me arranca
ao amanhecer.
Ao toque,
minha febre
inflama,
sou chama
que em ti
derrama,
erguendo-me
para
te obedecer.
Prenda-me
como
quem ama,
me açoita
como
quem clama,
e depois
me faça
estremecer.
Não ouses
compaixão
no rito,
me consuma
até
o infinito,
faz-me gritar,
me desfazer.
Que dure
o sempre
insano,
te quero
fera
e humano,
me afoga
sem
se conter.
O tempo,
em nós,
dissolve,
meu tesão
em ti
revolve:
só finda
ao
teu morrer.
Crs Ribeiro
Ao Teu Morrer
Que nunca
se quebre
o encanto,
que teu
corpo,
manto
e pranto,
me arranca
ao amanhecer.
Ao toque,
minha febre
inflama,
sou chama
que em ti
derrama,
erguendo-me
para
te obedecer.
Prenda-me
como
quem ama,
me açoita
como
quem clama,
e depois
me faça
estremecer.
Não ouses
compaixão
no rito,
me consuma
até
o infinito,
faz-me gritar,
me desfazer.
Que dure
o sempre
insano,
te quero
fera
e humano,
me afoga
sem
se conter.
O tempo,
em nós,
dissolve,
meu tesão
em ti
revolve:
só finda
ao
teu morrer.
Crs Ribeiro
O velho e o mar
pés na areia ele pensa
o que são as ondas?
sem reposta, reflete
que importa, as ondas
são as ondas e não preciso
saber mais que isso
com os pés na areia
consigo caminhar
e tocar as ondas do mar
o velho e o mar
descobriram a razão
as ondas do mar
caminhar
sem perguntar
Edu Liguori
pés na areia ele pensa
o que são as ondas?
sem reposta, reflete
que importa, as ondas
são as ondas e não preciso
saber mais que isso
com os pés na areia
consigo caminhar
e tocar as ondas do mar
o velho e o mar
descobriram a razão
as ondas do mar
caminhar
sem perguntar
Edu Liguori
#Desafio 213
Fé
Fé?
Fé é ficar de pé
com o joelho do mundo
no seu pescoço.
É rir no esboço,
amar no esgoto,
escrever poesia
com o cotovelo
pressionando o rosto.
Não é trocadilho,
minha filha,
é trauma com rima.
Porque verso
não é enfeite
é arma branca,
lâmina linguística,
faca sem cabo
cravada no dicionário.
E eu sigo:
entre ser verbo
ou virar silêncio.
Entre rimar com raiva
ou calar com senso.
Mas hoje eu falo.
Hoje eu rasgo.
Hoje eu rimo.
Porque palavra é bala
e eu
sou o gatilho.
Crs Ribeiro
Fé
Fé?
Fé é ficar de pé
com o joelho do mundo
no seu pescoço.
É rir no esboço,
amar no esgoto,
escrever poesia
com o cotovelo
pressionando o rosto.
Não é trocadilho,
minha filha,
é trauma com rima.
Porque verso
não é enfeite
é arma branca,
lâmina linguística,
faca sem cabo
cravada no dicionário.
E eu sigo:
entre ser verbo
ou virar silêncio.
Entre rimar com raiva
ou calar com senso.
Mas hoje eu falo.
Hoje eu rasgo.
Hoje eu rimo.
Porque palavra é bala
e eu
sou o gatilho.
Crs Ribeiro
#Desafio 214
RUÍDO BONITO
A cidade
é um ruído bonito:
todo mundo grita.
ninguém escuta.
Meu peito,
rádio velho,
chiando em estação
no dial errado.
Tenho medo
de virar rodapé
que ninguém lê,
mas que,
de repente,
toca num lugar escondido
de alguém distraído.
Escrevo cartas
com cheiro de adeus.
Não envio.
Não sei pra onde.
Só sei que doem menos
quando viram papel.
Desejo menos dor,
ou — que ousadia —
um cafuné decente,
de olhos fechados,
sem urgência.
Sei que sou difícil,
não me edito.
Amo com todas as falhas
e ainda assim,
não sou esse erro
que tentam deletar
com frieza e clique.
Ás vezes
acordo flor
e o dia me cinza:
me apago devagar.
Mas logo
me rego
com café forte,
lágrima quente
e poesia crua.
Essa noite sonhei
com uma voz que sussurrava:
“tá tudo bem não saber.”
Acordei com essa frase
pendurada no peito
feito medalha
ou promessa.
Se me cruzar por aí,
me lê devagar.
Tenho entrelinhas,
sou cheia de espinhos,
mas também escondo abraços
em tudo o que escrevo.
(talvez até em você)
com amor
(e esse medo bonito
de quem sente demais),
Crs Ribeiro
RUÍDO BONITO
A cidade
é um ruído bonito:
todo mundo grita.
ninguém escuta.
Meu peito,
rádio velho,
chiando em estação
no dial errado.
Tenho medo
de virar rodapé
que ninguém lê,
mas que,
de repente,
toca num lugar escondido
de alguém distraído.
Escrevo cartas
com cheiro de adeus.
Não envio.
Não sei pra onde.
Só sei que doem menos
quando viram papel.
Desejo menos dor,
ou — que ousadia —
um cafuné decente,
de olhos fechados,
sem urgência.
Sei que sou difícil,
não me edito.
Amo com todas as falhas
e ainda assim,
não sou esse erro
que tentam deletar
com frieza e clique.
Ás vezes
acordo flor
e o dia me cinza:
me apago devagar.
Mas logo
me rego
com café forte,
lágrima quente
e poesia crua.
Essa noite sonhei
com uma voz que sussurrava:
“tá tudo bem não saber.”
Acordei com essa frase
pendurada no peito
feito medalha
ou promessa.
Se me cruzar por aí,
me lê devagar.
Tenho entrelinhas,
sou cheia de espinhos,
mas também escondo abraços
em tudo o que escrevo.
(talvez até em você)
com amor
(e esse medo bonito
de quem sente demais),
Crs Ribeiro
Poema do Eterno Amor
(Poemas Antigos)
Sinta-me,
Como jamais sentiu ninguém nesta tua vida;
E toque-me,
Sem o pudor que se dispensa a um amigo.
Beije-me,
Sem se importar com a censura aturdida;
E leve-me;
Pra onde for, onde quiser; irei contigo.
Veja:
Chove lá fora, cai a chuva, molha a Terra;
Mas veja:
A Lua brilha e traz de volta a esperança.
Cresça:
Eu quero ser o homem que em teu corpo encerra;
Creia:
E quero nos teus braços me sentir criança.
Brilhe
Com teu olhar cheio de luz, o meu caminho;
Vista
Com tua aura de ilusão, o meu destino.
Ouça;
Cantam os pássaros a saudade em cada ninho;
E Saiba
Que és a rainha do meu reino pequenino.
(Poemas Antigos)
Sinta-me,
Como jamais sentiu ninguém nesta tua vida;
E toque-me,
Sem o pudor que se dispensa a um amigo.
Beije-me,
Sem se importar com a censura aturdida;
E leve-me;
Pra onde for, onde quiser; irei contigo.
Veja:
Chove lá fora, cai a chuva, molha a Terra;
Mas veja:
A Lua brilha e traz de volta a esperança.
Cresça:
Eu quero ser o homem que em teu corpo encerra;
Creia:
E quero nos teus braços me sentir criança.
Brilhe
Com teu olhar cheio de luz, o meu caminho;
Vista
Com tua aura de ilusão, o meu destino.
Ouça;
Cantam os pássaros a saudade em cada ninho;
E Saiba
Que és a rainha do meu reino pequenino.
#Desafio 216
Sentido Único
(com duplo sentido)
Ando por ruas
que me atravessam.
Viro esquinas,
mas sou eu que desvio
do que não sei nomear.
O destino,
é só um acidente
que se vestiu de escolha.
Todo dia é expediente,
mas nunca o bastante
para dar conta
do que lateja
entre um suspiro e outro.
O que sinto
varia.
Com juros,
sem carência.
Na vitrine da vida,
tudo reluz.
Mas o que é ouro?
E o que é purpurina
que finge profundidade?
Lugar de fala se vende.
Silêncio, não.
Tem quem ouça com a epiderme
e quem veja com os móveis da sala.
Sou poeta.
Inquilina do avesso.
Moro na dobra das palavras,
na rachadura
entre o sentido e o delírio.
Meu vocabulário é torto
feito corpo apaixonado.
Mas minha fé…
essa caminha
descalça
e não
tropeça,
mesmo
nas
ruínas.
Crs Ribeiro
Sentido Único
(com duplo sentido)
Ando por ruas
que me atravessam.
Viro esquinas,
mas sou eu que desvio
do que não sei nomear.
O destino,
é só um acidente
que se vestiu de escolha.
Todo dia é expediente,
mas nunca o bastante
para dar conta
do que lateja
entre um suspiro e outro.
O que sinto
varia.
Com juros,
sem carência.
Na vitrine da vida,
tudo reluz.
Mas o que é ouro?
E o que é purpurina
que finge profundidade?
Lugar de fala se vende.
Silêncio, não.
Tem quem ouça com a epiderme
e quem veja com os móveis da sala.
Sou poeta.
Inquilina do avesso.
Moro na dobra das palavras,
na rachadura
entre o sentido e o delírio.
Meu vocabulário é torto
feito corpo apaixonado.
Mas minha fé…
essa caminha
descalça
e não
tropeça,
mesmo
nas
ruínas.
Crs Ribeiro
#Desafio 206
*deusa absoluta*
Meu sexo
é só meu!
Eu pertenço
a mim mesma.
Meu prazer
é absoluto,
uma força
da natureza.
Eu conheço
os meus mapas
e minhas zonas
erógenas.
Desvendo
meu corpo,
desbravo
meu sexo.
Sem roupas,
desnuda,
em carne
e pele cruas.
Meu poder
é me dar prazer!
E, nisso,
sou deusa
absoluta.
MarU
*deusa absoluta*
Meu sexo
é só meu!
Eu pertenço
a mim mesma.
Meu prazer
é absoluto,
uma força
da natureza.
Eu conheço
os meus mapas
e minhas zonas
erógenas.
Desvendo
meu corpo,
desbravo
meu sexo.
Sem roupas,
desnuda,
em carne
e pele cruas.
Meu poder
é me dar prazer!
E, nisso,
sou deusa
absoluta.
MarU
Querido Diário
Querido diário,
Não sei como começar essa conversa interna, mas estou tentando.
Querido diário,
Queria te contar que ele falou comigo, mas gaguejei. Tive medo de ser um sonho. As palavras que queria dizer simplesmente não saíram... Gosto tanto do meu príncipe azul, mas ele não me nota.
Querido diário,
Não resisti ao vê-lo com aquele chato, que nem sabe ser enfermeiro direito. Porque ele quis estar com ele, e não comigo. Eu sei que sou tímido... mas gosto mais dele.
Querido diário,
Acho que vou desistir... até de escrever.
Querido diário,
Ele me pediu uma informação. Dessa vez não gaguejei. Acho que ele realmente gosta de mim.
Querido diário,
Eu o vi beijando aquele projeto de enfermeiro. Estou com ciúmes, nem sei por quê... Ele nem deve lembrar de mim.
Querido diário,
Acho que vou me fechar para o amor.
Querido diário,
Será que ele vai me notar? Todos os dias vejo fotos deles se beijando. Parece até que estão namorando de verdade. Aquele coisinha nem o ama. Eu sei. Sei demais.
Querido diário,
Ele finalmente me notou. Até me deixou um envelope: todo branco, silencioso, cheio de promessas que eu não sei decifrar.
Querido diário,
Há dois dias recebi o envelope dele. Ele deixou na minha mesa, mas ainda não abri. Estou ansioso. Será uma carta de amor?
Querido diário,
Ele não me ama. Ele vai casar... e me convidou.
Querido diário,
Ele se casa hoje. Mas não vou. Tenho medo de acreditar que o perdi para sempre.
Querido diário,
...
Por Rafael Araújo
Querido diário,
Não sei como começar essa conversa interna, mas estou tentando.
Querido diário,
Queria te contar que ele falou comigo, mas gaguejei. Tive medo de ser um sonho. As palavras que queria dizer simplesmente não saíram... Gosto tanto do meu príncipe azul, mas ele não me nota.
Querido diário,
Não resisti ao vê-lo com aquele chato, que nem sabe ser enfermeiro direito. Porque ele quis estar com ele, e não comigo. Eu sei que sou tímido... mas gosto mais dele.
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Acho que vou desistir... até de escrever.
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Ele me pediu uma informação. Dessa vez não gaguejei. Acho que ele realmente gosta de mim.
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Eu o vi beijando aquele projeto de enfermeiro. Estou com ciúmes, nem sei por quê... Ele nem deve lembrar de mim.
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Acho que vou me fechar para o amor.
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Será que ele vai me notar? Todos os dias vejo fotos deles se beijando. Parece até que estão namorando de verdade. Aquele coisinha nem o ama. Eu sei. Sei demais.
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Ele finalmente me notou. Até me deixou um envelope: todo branco, silencioso, cheio de promessas que eu não sei decifrar.
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Há dois dias recebi o envelope dele. Ele deixou na minha mesa, mas ainda não abri. Estou ansioso. Será uma carta de amor?
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Ele não me ama. Ele vai casar... e me convidou.
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Ele se casa hoje. Mas não vou. Tenho medo de acreditar que o perdi para sempre.
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Por Rafael Araújo