#Desafio 016
O relógio avisa,
salto da cama, apressada.
Escovo os dentes,
me visto ofegante:
calça ao contrário?
Tô quase elegante!
Café na mesa,
filha na escola,
bati o ponto
(e, por pouco, a caixola).
O dia não vai devagar,
duas horas a todo toque:
render é o lema!
Almoço? Não, obrigada.
Troquei por consulta
e um sermão do doutor:
“Assim você surta!”
Um pão, um café,
a fome sem respeito.
A dieta? Já era;
virou um conceito.
E o relógio implacável:
“Corre!
Não há outro jeito”.
Segundo turno aberto:
trabalho, academia,
salão, (se der sorte);
pegar a filha na escola
e ainda tem o jantar!
Chave de casa sumiu…
seria azar?
O banho ligeiro,
enfim, um prazer.
A cama é minha paz,
antes de recomeçar.
Constato agora, serena,
quase no adormecer:
são tantos momentos,
que delícia é…
Viver?
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Aceito
Não me atrevo
A intervir no frágil equilíbrio natural.
Eu aceito o feito!
Nem sempre compreendo,
Mas entendo onde é o meu lugar.
E aceito!
Mesmo com os olhos,
Por vezes marejados,
Observo tão ricos prados
Verdes a refletir em meu olhar.
Sou grata por observar.
A beleza, que me cativa,
Não é cativa de mim.
Eu aceito!
Nessa vida, estou de passagem,
Com as asas abertas,
Tal quais colibris.
MarU
Não me atrevo
A intervir no frágil equilíbrio natural.
Eu aceito o feito!
Nem sempre compreendo,
Mas entendo onde é o meu lugar.
E aceito!
Mesmo com os olhos,
Por vezes marejados,
Observo tão ricos prados
Verdes a refletir em meu olhar.
Sou grata por observar.
A beleza, que me cativa,
Não é cativa de mim.
Eu aceito!
Nessa vida, estou de passagem,
Com as asas abertas,
Tal quais colibris.
MarU
Um dia eu
entardecerei em esquecimento
de anoitedormecer.
Escurecerei então
o véu azul de vento,
embalado
por estrelas de brilho manso
para um futuro
florinascer.
Serenando cada suspiro
de profundo
solosonhar em descanso;
sementear.
Como árvore de seiva verde
e folha doce e dançante
à beira de clareiramirante
lunar.
Dormir
uma noite de mil vidas
sem sol de despedidas:
apenas gota, terra
e eu inteiro
sem palavras,
som, luz
ou cheiro...
...até regerminar.
Alberto Busquets.
#Desafio 016
entardecerei em esquecimento
de anoitedormecer.
Escurecerei então
o véu azul de vento,
embalado
por estrelas de brilho manso
para um futuro
florinascer.
Serenando cada suspiro
de profundo
solosonhar em descanso;
sementear.
Como árvore de seiva verde
e folha doce e dançante
à beira de clareiramirante
lunar.
Dormir
uma noite de mil vidas
sem sol de despedidas:
apenas gota, terra
e eu inteiro
sem palavras,
som, luz
ou cheiro...
...até regerminar.
Alberto Busquets.
#Desafio 016
#Desafio 015
Rimas soltas pelo chão da sala:
O peso suave do encantamento!
Sonha e leva-me de mãos dadas.
Abre teu mundo onde a imortalidade
reina, sem hesitar…
Porque amar um poeta é intuir
que a escrita nasce do silêncio,
do que não se diz.
O que não cabe em palavras, ecoa no peito,
transcendendo a linguagem em divina harmonia.
Ser musa, inspirar e elevar
um grandioso ser
no delicado entrelaçar
de amor e arte;
onde o Entremeio se firma e reluz.
É tornar-se, com louvor:
verso, prosa e lar.
Doce lar!
Crs Ribeiro
Rimas soltas pelo chão da sala:
O peso suave do encantamento!
Sonha e leva-me de mãos dadas.
Abre teu mundo onde a imortalidade
reina, sem hesitar…
Porque amar um poeta é intuir
que a escrita nasce do silêncio,
do que não se diz.
O que não cabe em palavras, ecoa no peito,
transcendendo a linguagem em divina harmonia.
Ser musa, inspirar e elevar
um grandioso ser
no delicado entrelaçar
de amor e arte;
onde o Entremeio se firma e reluz.
É tornar-se, com louvor:
verso, prosa e lar.
Doce lar!
Crs Ribeiro
O Que Sou
sou os tombos que levei
as cicatrizes que deixaram
sou as vezes que errei
crendo ser coisa certa
sou todo dúvida, mente aberta
sou bicho, natureza e música
sou impulso, não me seguro
também inseguro e pierrot
quem sou? nem sei
mero civil dentro da lei
todo café que já tomei
e, nele, o poema que pensei
poeta do espontâneo
verso o que transpira
fenômeno cutâneo d'alma
sou a essência que inalei
e instalei na lembrança
sou o banco onde sentei
e neles aquilo que devaneei
sou caos e dilemas
os sonhos não realizados
insônias, preguiças, problemas
tanta coisa
nem cabe no poema
sou os pores do sol que admirei
toda lua cheia por qual enamorei
o choro, o riso, a raiva, o tédio, o gozo
montanha-russa
sou deslocado
não sou desta geração
sou pop, rock e blues
tenho medo
do mundo e da solidão
sou girassol em busca da luz.
sou os tombos que levei
as cicatrizes que deixaram
sou as vezes que errei
crendo ser coisa certa
sou todo dúvida, mente aberta
sou bicho, natureza e música
sou impulso, não me seguro
também inseguro e pierrot
quem sou? nem sei
mero civil dentro da lei
todo café que já tomei
e, nele, o poema que pensei
poeta do espontâneo
verso o que transpira
fenômeno cutâneo d'alma
sou a essência que inalei
e instalei na lembrança
sou o banco onde sentei
e neles aquilo que devaneei
sou caos e dilemas
os sonhos não realizados
insônias, preguiças, problemas
tanta coisa
nem cabe no poema
sou os pores do sol que admirei
toda lua cheia por qual enamorei
o choro, o riso, a raiva, o tédio, o gozo
montanha-russa
sou deslocado
não sou desta geração
sou pop, rock e blues
tenho medo
do mundo e da solidão
sou girassol em busca da luz.
Se você não gosta
deixa o outro gostar
cada um tem um gosto
e um desgosto
nada vai mudar
nem ficar como está
dezembro ou agosto
o importante é degustar
quer apostar?
Edu Liguori
deixa o outro gostar
cada um tem um gosto
e um desgosto
nada vai mudar
nem ficar como está
dezembro ou agosto
o importante é degustar
quer apostar?
Edu Liguori
Em um de seus tantos encontros
ao horizonte,
o Céu suspirou ao Mar:
"Sua profundidade me encanta!
Bela, misteriosa, escura...
Gostaria muito de a alcançar!"
Com ondas verdes
roçando sua tez azul,
o Mar marolou ao Céu:
"A vastidão pode ser mesmo
uma maldição...
Não vês?
Estou contido,
meu contentor escondido,
não posso crescer a não ser em você!
Mas a ti, que mostra menos que eu,
a ti que ninguém sequer compreendeu
e achas que sou profundo na escuridão?
Minhas gotas percorreram tua solitude.
Minhas chuvas caíram, voaram, e sabem
que 'profundo' é rasa palavra
a quem contempla a infinitude!
Escuro! És mais!
E frio, e imenso, misterioso.
Deverias olhar mais para trás
e para si também
e decerto perceberás
que sou gota imponente
ao comando do que nem imagino estar além!
Sou limitado, e esta é minha beleza.
Reflito-te, é minha natureza!
Somos parecidos, tão diferentes!
Mas aqui ao horizonte somos convergentes
e podes molhar-te em mim
e posso contemplar-me a ti
e nosso amor cresce forte".
Retornando ao amado
algumas gotas de liberdade,
o Céu o envolve mais perto
no abraço apaixonado
de mais um fim de tarde:
"Sim. Temos sorte."
Tons de vermelho carmim
indicam o dia em desenlace.
O albatroz sorri.
O sol se põe.
O amor renasce.
Alberto Busquets.
#Desafio 015
ao horizonte,
o Céu suspirou ao Mar:
"Sua profundidade me encanta!
Bela, misteriosa, escura...
Gostaria muito de a alcançar!"
Com ondas verdes
roçando sua tez azul,
o Mar marolou ao Céu:
"A vastidão pode ser mesmo
uma maldição...
Não vês?
Estou contido,
meu contentor escondido,
não posso crescer a não ser em você!
Mas a ti, que mostra menos que eu,
a ti que ninguém sequer compreendeu
e achas que sou profundo na escuridão?
Minhas gotas percorreram tua solitude.
Minhas chuvas caíram, voaram, e sabem
que 'profundo' é rasa palavra
a quem contempla a infinitude!
Escuro! És mais!
E frio, e imenso, misterioso.
Deverias olhar mais para trás
e para si também
e decerto perceberás
que sou gota imponente
ao comando do que nem imagino estar além!
Sou limitado, e esta é minha beleza.
Reflito-te, é minha natureza!
Somos parecidos, tão diferentes!
Mas aqui ao horizonte somos convergentes
e podes molhar-te em mim
e posso contemplar-me a ti
e nosso amor cresce forte".
Retornando ao amado
algumas gotas de liberdade,
o Céu o envolve mais perto
no abraço apaixonado
de mais um fim de tarde:
"Sim. Temos sorte."
Tons de vermelho carmim
indicam o dia em desenlace.
O albatroz sorri.
O sol se põe.
O amor renasce.
Alberto Busquets.
#Desafio 015
Canteiro
Fez minha alma e coração de canteiro,
Plantou suas rosas, regou…
E floresceu meu mundo inteiro.
Fez meu coração de canteiro,
Plantou-se ali e enraizou.
Florescemos flores novas,
Que o jardineiro podou.
Me fiz seu canteiro de canto.
Floresci flores mortas,
Secas, sem regas nem encantos
E a planta não vingou.
Desfiz do canteiro vagabundo.
Recompus minha alma e coração,
Retomei meu mundo.
Quem quer flores no lugar de sentimentos?
Sou mais o som
De um coração sadio batendo,
Que um canteiro “sadô” fedendo
Flores de dor e desilusão.
MarU
Fez minha alma e coração de canteiro,
Plantou suas rosas, regou…
E floresceu meu mundo inteiro.
Fez meu coração de canteiro,
Plantou-se ali e enraizou.
Florescemos flores novas,
Que o jardineiro podou.
Me fiz seu canteiro de canto.
Floresci flores mortas,
Secas, sem regas nem encantos
E a planta não vingou.
Desfiz do canteiro vagabundo.
Recompus minha alma e coração,
Retomei meu mundo.
Quem quer flores no lugar de sentimentos?
Sou mais o som
De um coração sadio batendo,
Que um canteiro “sadô” fedendo
Flores de dor e desilusão.
MarU
O que Há
(013 de 365)
Já não há mais poemas;
Há a simples constatação de estar aqui.
Há a penúria de mais detalhes; e estar sem ti
Já serve de motivo para todos os temas.
Já não há mais beleza;
Ou, por outra, nada é mais belo do que nada:
As coisas simplesmente diferem; tu, minha amada,
Não é maior que uma vadia nem menor que uma princesa.
Já não há mais poemas:
Qual a razão de trovar o que já criou Deus?
Tudo já existe: as loucas madrugadas, os lábios teus,
Todas as respostas e todos os novos dilemas.
Já não há mais melodia:
Qual o som ainda não soprado? Qual a essência
Da flauta dos anjos? Não; não há ciência
Que a tudo não explique, e não há, portanto, poesia.
Já não há mais nada;
Mais nada: nada vale a pena
Nem teu olhar escuro, nem tua pele morena,
Nem teu cabelo solto nem tua boca molhada.
Já nada mais há – mas... não temas:
As palavras moram sob os meus cabelos
E ainda há espaço para os mais belos
Poemas.
(013 de 365)
Já não há mais poemas;
Há a simples constatação de estar aqui.
Há a penúria de mais detalhes; e estar sem ti
Já serve de motivo para todos os temas.
Já não há mais beleza;
Ou, por outra, nada é mais belo do que nada:
As coisas simplesmente diferem; tu, minha amada,
Não é maior que uma vadia nem menor que uma princesa.
Já não há mais poemas:
Qual a razão de trovar o que já criou Deus?
Tudo já existe: as loucas madrugadas, os lábios teus,
Todas as respostas e todos os novos dilemas.
Já não há mais melodia:
Qual o som ainda não soprado? Qual a essência
Da flauta dos anjos? Não; não há ciência
Que a tudo não explique, e não há, portanto, poesia.
Já não há mais nada;
Mais nada: nada vale a pena
Nem teu olhar escuro, nem tua pele morena,
Nem teu cabelo solto nem tua boca molhada.
Já nada mais há – mas... não temas:
As palavras moram sob os meus cabelos
E ainda há espaço para os mais belos
Poemas.
Não me levem a sério:
Escrevo porque sou
imperfeito.
O papel é o sonho
possível;
A caneta, o empenho
provável.
O que
você lê
vai além dos
defeitos.
É tão livre de mim
que vira, ao fim,
inclassificável.
Alberto Busquets.
#Desafio 014
Escrevo porque sou
imperfeito.
O papel é o sonho
possível;
A caneta, o empenho
provável.
O que
você lê
vai além dos
defeitos.
É tão livre de mim
que vira, ao fim,
inclassificável.
Alberto Busquets.
#Desafio 014