Envaidecer traz o brilho onde as sombras se escondem Segue o rastro que leva a um ego que não é de verdade. É o silêncio que as palavras não mais nos respondem A superfície que tenta mergulhar na profundidade.
Ele se cria no intenso ou no contumaz, O reflexo perdido, aquele gesto na ponta dos dedos. O Envaidecer não enxerga humildade ou sinais, Se encontra na história, sem que ninguém sinta seus medos.
Ao Envaidecer tudo que se passou se faz espelho. Com ele, até o verso torto se enfeita. Cria distância do sentimento ao lisonjeio Tenta buscar que sua imagem seja aceita.
Acharam que o Esquecimento se esqueceria de vir, Ele próprio também achou, mas não é que veio Diz-se que quando a memória falha, deixa-se de sentir Como páginas em branco, apagadas do começo pro meio
Esquecimento traz o vazio onde as coisas se perdem, Segue o rio que flui para um mar de profunda vastidão É o silêncio que as palavras não mais nos seguem A ausência que sequer habita alguma imensidão
Ele se cria no lapso, no momento que se desfaz, A chave perdida, aquele nome na ponta da língua. Esquecimento é a trilha sem pegadas ou sinais, A história que se apaga, sem que ninguém sinta.
Nesse diário, tudo que se passou se faz mistério. Com o Esquecimento que em cada verso se esvazia. Cria descanso ao pensamento, um alívio do sério? Ou a pausa na melodia é desespero e não calmaria?
O tempo passa, a Honestidade se revela, Com a clareza de um céu sem véu. Ela é a verdade que nos atropela, O princípio que está além do papel
Honestidade é o dever que nos guia, A palavra que vale mais que o ouro. É a conduta que em retidão confia, O coração que se faz tesouro.
Ela é o acordo selado com um aperto de mão, A promessa cumprida, o dever realizado. Honestidade é a integridade em ação, O caráter que não é negociado.
Sua necessidade é a da transparência, Ela é o alicerce das duradouras relações, Ela é o exemplo de conduta em evidencia. A melodia que sustenta as continuações.
De antemão, a Seriedade se apresenta, Com o semblante firme e o olhar que não desvia. Ela é a necessidade, a figura que se senta, Na cadeira da razão, para a ordem do dia.
Seriedade é o juiz dos atos, O peso na balança do certo e errado. É a mão que assina todos os pactos, O compromisso, o dever que é honrado.
Ela é a palavra dada que se cumpre, A decisão que se toma com gravidade. Seriedade é o silêncio do desnude, A ímparcialidade com reciprocidade
O sentimento desse dia é de reflexão, Sobre o respeito que se tem pela vida, Com a Seriedade se entende a lição. Ou a última estratégia decidida.
No dia trinta e seis, a Nostalgia visita, Carrega o manto de tempos exauridos. É a canção antiga que ainda nos agita, Os corações saudosos, os sonhos vividos.
Nostalgia é o perfume que traz o passado, O toque suave de um conto esquecido. É o brinquedo quebrado, o livro amado, O lugar secreto, o abrigo perdido.
Ela é o sabor do doce da infância, A brisa que sopra da terra natal. Nostalgia é a pura e terna fragrância, Do que foi belo e não volta igual.
A Nostalgia se veste toda de veludo, Senta e escreve o que se recorda. Ela é o elo que liga o agora ao tudo, Ela é a memória que o tempo transborda
Eder B. Jr.
(Inspirado pela sensação causada pela poesia do amigo @andreattotiago)
As portas se abrem e o Inconformismo se ergue, Com o fogo nos olhos e a voz que não se cala. Ele é a rebeldia gritando para que se enxergue A chama que nas injustiças se embala.
Inconformismo é o encontro da multidão, O passo que desvia da trilha comum. É a mão que escreve contra a opressão, O coração que solitário, se faz mais um
Ele é a pergunta que encendeia, o fogo A dúvida que perturba o conforto da mente. Inconformismo é o desejo de um novo jogo, A esperança de um mundo mais coerente.
Ele se faz em luta, no fato, na disputa Ele é o ímpeto que não se satisfaz, O Inconformismo intenso às vezes, até, assusta Mas que em sua busca possa se dormir em paz.
Hoje, a Serendipidade quero apresentar Com a leveza de quem traz um segredo. Ela é o acaso dessa sorte de se espantar O encontro improvável que se torna enredo.
Serendipidade é a descoberta que encanta, O caminho errado que leva ao lugar certo. É a surpresa que a vida, generosa, planta, O presente não esperado, o destino aberto.
Ela é a ideia que surge em um lampejo, A solução encontrada sem ser buscada. Serendipidade sem querer, se faz desejo, O achado precioso, a fórmula não contada
Ela se personifica naquilo que ilumina No meio do confuso, sua estrela brilha. Ela é a poesia que todo o Universo assina, A magia que acontece sem que se use trilha
Nesse novo amanhecer, A Certeza se faz notar, Com passos firmes, Ela caminha sem tropeçar É a mão que escreve O destino sem se importar A voz que declama O futuro sem gaguejar
Ela é o sim dito Com convicção, A escolha feita, A determinação. Certeza é a ponte Sobre a indecisão, A fé que move Sem precisar de oração..
Com a Certeza, Não há sombra de dúvida, Nem o medo que a alma Inquieta, fuja Ela é a promessa Que sempre se cumpre, O destino que se abraça, Que ilumina impede que algo mude.
Enfim, a Certeza é o porto final, O abrigo seguro contra o temporal. A definidora do bem contra o mal A verdade inabalável, o ponto cardinal.
No dia do trabalhador, a Resiliência se levanta, Com cicatrizes que são histórias de superação Ela é a guerreira leal que nunca se espanta, E enfrenta cada desafio com determinação.
Resiliência traz a arte de se reconstruir, De transformar a dor em força e aprendizado. Se faz no poder de cair e, ainda assim, sorrir, De estar quebrado, mas nunca derrotado.
Ela é a raiz que se agarra, em terra se afirma, A flor que floresce após a tempestade. Resiliência é a promessa que se confirma, De que após a noite, vem a claridade.
Às vezes, com conformismo é confundida Mas deve ser observada no tempo presente. Assim, sua chegada não deve ser impedida Só não deixe sua morada ser o eternamente.