Produzindo ZINES para expor na Feira Subterrânea da Galeria Metrópole, sábado 25/01/25 às 13h. Vamos?
Lançamento do livro impresso Coração Periférico
@tibianchini
Tiago Bianchini Fidalgo
265
posts
51
seguidores
61
seguindo
Séries por #
Detectadas nos posts
@suyanngomesss
Suyanne Gomes
@literunico
Eder B. Jr.
@thaissanchez
Thais Alessandra Sanchez Barbosa
@liorcassel
Lior Cassel
@Solitude
Dexter Solitude
@nanderfer
Carlos Fernando dos Santos Rodrigues
@maedovankar
Juvi E. Anne
@cynthiabrum
Cynthia Brum
@jjr
Jason Da Silva Cajazeira Junior
@robsonmachado
Robson Luiz Fernandes Machado
@bruno
Bruno Fernando
@ellen
Ellen
@cesar414
César costa
@argentina413
Argentina Sampaio Costa
@diego410
Diego
@janaina405
Janaina Barbosa Dall Acqua
@gabrielle403
Gabrielle Rossa
@EscritosdeVitorHugo
Vitor Hugo Oliveira de Araújo
@purapoesia
Adriel Alves Magalhaes
@rafaelaraujoescritor
RAFAEL ARAUJO
@tamarasfawkes
Tamara S. Fawkes
@carlommarcello
Carlo M. Marcello
@autorpedrobarretho
Pedro Rogério Villar Barreto
@brunosower
Bruno Sower
@josimary184
Josimary Medeiros Giosa
@paulafernandapoesias
Paula Fernanda de Araújo
@carlajaia
Carla Torres Pereira Carrion
@inifadadresch
Inifada Dresch
@mariadriano
Mari Adriano
@fernandafrankka
Fernanda França Lima
@luscaluiz
Lucas Luiz
@luanaescritora
Luana Oliveira
@uaipaulinnn
Paulin Basalces
@yasmin97
Yasmin Oliveira
@andreajguesse
Andrea J Guesse
@Cilene
CILENE RESENDE
@sylvviarubra
Sylvvia Rubraurora
@deivesferraz
Deives Gabriel Ferraz
@Branca20
Branca
@MarU
Mar.U
@AnneCFreitas
Anne C. Freitas
@eduliguori
EDU LIGUORI
@cadantasautora
Carolina Dantas
@fksilvain
F. K. Silvain
@eliz_leao
Eliz Leão
@berthamachadoo
Bertha Machado
@ariazenite
Aria Zênite
@JuNaiane
Jusley Naiane
@CrisRibeiro
Cristiane Inácio Ribeiro Carneiro
@calorliterario_
Lidiane Queiroz Bastos
@sanctallan
ALLAN SCOT
@chico-viana-lwd0u
Chico Viana
@isaferautora
Ana Isabel Fernandes Sombra Freitas
@vidaemverso
Vida em Verso
@Solitude
Dexter Solitude
@nanderfer
Carlos Fernando dos Santos Rodrigues
@cynthiabrum
Cynthia Brum
@jjr
Jason Da Silva Cajazeira Junior
@bekagabypoeta8
Rebeka Gabrielly
@joaoedulima
João Eduardo Lima
@robsonmachado
Robson Luiz Fernandes Machado
@wilcipolli
Wilcleverson Cipolli Pereira Junior
@ellen
Ellen
@omathreis
Matheus Reis
@edsonbas
Edson Basilio
@danielcaetano
Daniel Caetano
@EscritosdeVitorHugo
Vitor Hugo Oliveira de Araújo
@purapoesia
Adriel Alves Magalhaes
@diegorbor
Diego Rbor
@rafaelaraujoescritor
RAFAEL ARAUJO
@tamarasfawkes
Tamara S. Fawkes
@carlommarcello
Carlo M. Marcello
@brunosower
Bruno Sower
@yolanda187
Yolanda Rodrigues Vasconcellos
@autoramarianaaguiar
Mariana Alves Aguiar
@josimary184
Josimary Medeiros Giosa
@bibliogreyce
Greyce Kelly Marques de Mattos
@paulafernandapoesias
Paula Fernanda de Araújo
@corinievre
Corine Gueniévre
@carlajaia
Carla Torres Pereira Carrion
@inifadadresch
Inifada Dresch
@jimmymello
Jimmy Mello
@mariadriano
Mari Adriano
@jessicaS
Jéssica Santos
@fernandafrankka
Fernanda França Lima
@classicos
Clássicos da Literatura
@yasmin97
Yasmin Oliveira
@alemdisse
Além Santos
@andreajguesse
Andrea J Guesse
@versoparalelo
Fagner Mera
@Cilene
CILENE RESENDE
@priscilamoreira
Priscila Moreira
@sylvviarubra
Sylvvia Rubraurora
@marcoshmartinsescritor
Marcos H. Martins
@novidadesliterunico
Novidades Literunico
@deivesferraz
Deives Gabriel Ferraz
@Branca20
Branca
@MarU
Mar.U
@AnneCFreitas
Anne C. Freitas
@aleituracria
A Leitura Cria
@cadantasautora
Carolina Dantas
@fksilvain
F. K. Silvain
@ricardoathos
Ricardo Athos
@berthamachadoo
Bertha Machado
@ariazenite
Aria Zênite
@JuNaiane
Jusley Naiane
@Albertobusquets
Alberto Knobbe Busquets
@CrisRibeiro
Cristiane Inácio Ribeiro Carneiro
@calorliterario_
Lidiane Queiroz Bastos
@lendasurbanas
Lendas Urbanas
@literunico
Eder B. Jr.
@inspiracaoeterna
Inspiração Enterna
#desafio 365 dias
Dia 19 - Fale sobre um livro que narre fatos históricos.
"O Queijo e os Vermes", escrito por Carlo Ginzburg, foi publicada em 1976. É o único livro que eu li com uma abordagem da micro-história, cuja narração historiográfica parte de indivíduos ou eventos aparentemente pequenos para remontar as crenças e peculiaridades de uma época.
Apesar de parecer, o livro não é ficcional. O autor busca arquivos do Vaticano para remontar a vida de Menocchio, um moleiro italiano do século XVI, que foi julgado pela Inquisição por heresia.
O título "O Queijo e os Vermes" é uma metáfora que o protagonista usa para explicar sua visão do universo: ele acredita que o mundo era feito de uma massa caótica, como o queijo, do qual surgiam os vermes, que ele identificava como anjos. E foram estas ideias nada ortodoxas que levaram Menocchio a ser julgado pela Inquisição.
Dia 19 - Fale sobre um livro que narre fatos históricos.
"O Queijo e os Vermes", escrito por Carlo Ginzburg, foi publicada em 1976. É o único livro que eu li com uma abordagem da micro-história, cuja narração historiográfica parte de indivíduos ou eventos aparentemente pequenos para remontar as crenças e peculiaridades de uma época.
Apesar de parecer, o livro não é ficcional. O autor busca arquivos do Vaticano para remontar a vida de Menocchio, um moleiro italiano do século XVI, que foi julgado pela Inquisição por heresia.
O título "O Queijo e os Vermes" é uma metáfora que o protagonista usa para explicar sua visão do universo: ele acredita que o mundo era feito de uma massa caótica, como o queijo, do qual surgiam os vermes, que ele identificava como anjos. E foram estas ideias nada ortodoxas que levaram Menocchio a ser julgado pela Inquisição.
#Desafio dos 365 dias, dia 15:
(Esse é o texto que posteriormente se tornaria a introdução de Folhas)
Todo dia Shard cuidava de uma ovelha. Uma única ovelha. Todo o resto do rebanho pastava sempre nos mesmos lugares, mas Célia era especial. Todos os dias ela subia a encosta onde comia dos arbustos e lambia o musgo. O cajado, um pedaço velho de madeira encontrado entre os arbustos, era só para ele, que mesmo com o corpo jovem precisava do apoio. Célia não precisava de nenhum incentivo, nem para subir, nem para descer; ela sabia as horas melhor que Shard.
E todos os dias Shard via o grande esqueleto. Todos os dias relembrava a história da grande guerra entre os Titãs e os Deuses. A Ruína, era como as pessoas da sua vila chamavam tanto a guerra quanto o esqueleto. Os pássaros voavam em círculos acima do punho da grande espada usada por Ivandra, deusa das folhas, para dar fim ao combate.
Shard não sabia que Utugash era o nome do titã. Não sabia que suas chamas castigaram o vale por décadas. O povo simples de Seme contava apenas dos titãs, como se fossem todos iguais. Ele não sabia que quem brandiu aquela espada um dia também foi uma simples pastora.
Ela que se perdeu dos pais. Que foi criada entre as árvores. Que aprendeu com o som das folhas como alterar o tecido que forma a realidade. Ivandra, deusa das folhas, nasceu da terra, mortal. E como mortal sentiu as chamas de Utugash. E com sua magia ela se levantou, alta como o titã, desafiadora. As chamas como um chicote estalavam à sua volta, hostes de pássaros horrendos, de osso e fogo, gritavam ao seu redor
Mas sozinha ela enfrentou o inimigo. Uma, duas, três vezes o titã a jogou ao chão com sua imensa força. E três vezes ela se levantou. Uma, duas, três vezes as chamas atacaram seu corpo, e as três vezes ela resistiu. Ivandra viu o fogo consumindo a terra onde cresceu, a terra que protegeu. E com a terra o derrotou.
Das pedras de uma colina formou a grande espada. E nela Ivandra colocou sua essência e poder: que sua vida acabasse, mas que os ossos do titã ficassem para sempre presos nessa terra, para nunca mais renascer. Com uma investida ela derrubou o inimigo, e com um golpe enterrou a espada através do titã no corpo pétreo da montanha.
Em um brilho quente como o sol, Ivandra foi consumida. As chamas de Utugash se foram, e seu corpo absorvido pela terra.
(Continua nos comentários)
(Esse é o texto que posteriormente se tornaria a introdução de Folhas)
Todo dia Shard cuidava de uma ovelha. Uma única ovelha. Todo o resto do rebanho pastava sempre nos mesmos lugares, mas Célia era especial. Todos os dias ela subia a encosta onde comia dos arbustos e lambia o musgo. O cajado, um pedaço velho de madeira encontrado entre os arbustos, era só para ele, que mesmo com o corpo jovem precisava do apoio. Célia não precisava de nenhum incentivo, nem para subir, nem para descer; ela sabia as horas melhor que Shard.
E todos os dias Shard via o grande esqueleto. Todos os dias relembrava a história da grande guerra entre os Titãs e os Deuses. A Ruína, era como as pessoas da sua vila chamavam tanto a guerra quanto o esqueleto. Os pássaros voavam em círculos acima do punho da grande espada usada por Ivandra, deusa das folhas, para dar fim ao combate.
Shard não sabia que Utugash era o nome do titã. Não sabia que suas chamas castigaram o vale por décadas. O povo simples de Seme contava apenas dos titãs, como se fossem todos iguais. Ele não sabia que quem brandiu aquela espada um dia também foi uma simples pastora.
Ela que se perdeu dos pais. Que foi criada entre as árvores. Que aprendeu com o som das folhas como alterar o tecido que forma a realidade. Ivandra, deusa das folhas, nasceu da terra, mortal. E como mortal sentiu as chamas de Utugash. E com sua magia ela se levantou, alta como o titã, desafiadora. As chamas como um chicote estalavam à sua volta, hostes de pássaros horrendos, de osso e fogo, gritavam ao seu redor
Mas sozinha ela enfrentou o inimigo. Uma, duas, três vezes o titã a jogou ao chão com sua imensa força. E três vezes ela se levantou. Uma, duas, três vezes as chamas atacaram seu corpo, e as três vezes ela resistiu. Ivandra viu o fogo consumindo a terra onde cresceu, a terra que protegeu. E com a terra o derrotou.
Das pedras de uma colina formou a grande espada. E nela Ivandra colocou sua essência e poder: que sua vida acabasse, mas que os ossos do titã ficassem para sempre presos nessa terra, para nunca mais renascer. Com uma investida ela derrubou o inimigo, e com um golpe enterrou a espada através do titã no corpo pétreo da montanha.
Em um brilho quente como o sol, Ivandra foi consumida. As chamas de Utugash se foram, e seu corpo absorvido pela terra.
(Continua nos comentários)
#desafio - 11
Inspirado na minha filha
Menina faceira
Da pele morena,
Seu copo balança
Pra lá e pra cá
Alegre ela dança
Não liga pra nada,
Ciranda de roda
A saia a rodar
Ela olha pro mundo
E se acha pequena
Eu olho pra ela,
e enxergo
O meu mundo
Inteiro.
Jusley Naiane
Inspirado na minha filha
Menina faceira
Da pele morena,
Seu copo balança
Pra lá e pra cá
Alegre ela dança
Não liga pra nada,
Ciranda de roda
A saia a rodar
Ela olha pro mundo
E se acha pequena
Eu olho pra ela,
e enxergo
O meu mundo
Inteiro.
Jusley Naiane
Vivo questionando o motivo de certas escolhas
Mas no fundo, sei que não posso controlar tudo
Essa minha intensidade de querer tudo ao mesmo tempo
Muitas vezes limita seguir os meus sonhos
Escrevo para libertar sentimentos
Nem sempre faz sentido para os outros, mas no meu coração toda palavra grita.
Tempestade ✍️
Mas no fundo, sei que não posso controlar tudo
Essa minha intensidade de querer tudo ao mesmo tempo
Muitas vezes limita seguir os meus sonhos
Escrevo para libertar sentimentos
Nem sempre faz sentido para os outros, mas no meu coração toda palavra grita.
Tempestade ✍️
Porque estamos em um calor de 30° em sp e sem chuva? Eu quero fazer um video com um look charmoso mas nesse calor NÃO DÁ! Inclusive, quero fazer esse vídeo pra fazer a propaganda do meu livro vendido aqui pela Literunico.
O tema do Livro que apoia o #desafio de hoje é:
16 - Consegue lembrar detalhes sobre algum livro cuja narração é mais intimista?
#Link365TemasLivros
16 - Consegue lembrar detalhes sobre algum livro cuja narração é mais intimista?
#Link365TemasLivros
Banho Premium
Tiro a roupa,
Num ritual sacro.
Solto os cabelos
Para lavá-los.
Afago minha pele,
Em frente ao espelho.
Apalpo meu corpo,
Sinto meus seios.
Cansada, esbravejo
Mentalmente contra
o que vejo.
Mas, sigo pro banho,
Preciso do meu asseio.
Ligo o chuveiro,
Molho o corpo todo primeiro.
Meus cabelos, molhados
Ultrapassam a cintura,
Em comprimento.
Ensaboada e nua,
Enquanto o creme
Faz efeito,
Relaxo com a duchinha
Apontada para o meu grelo.
Relaxa e goza, minha amiga!
“Isso sim é um banho premium”.
MarU
#
Tiro a roupa,
Num ritual sacro.
Solto os cabelos
Para lavá-los.
Afago minha pele,
Em frente ao espelho.
Apalpo meu corpo,
Sinto meus seios.
Cansada, esbravejo
Mentalmente contra
o que vejo.
Mas, sigo pro banho,
Preciso do meu asseio.
Ligo o chuveiro,
Molho o corpo todo primeiro.
Meus cabelos, molhados
Ultrapassam a cintura,
Em comprimento.
Ensaboada e nua,
Enquanto o creme
Faz efeito,
Relaxo com a duchinha
Apontada para o meu grelo.
Relaxa e goza, minha amiga!
“Isso sim é um banho premium”.
MarU
#
Fechamos o balanço até 2024!
"Noites em Claro" vendeu 63 livros em versão impressa
"Perdições" foram 8 impressos e 10 digitais + 704 páginas lidas no KU
Vamos continuar sonhando e esperando que mais leitores entrem em contato com nossa obra.
Agradeço de coração todos que compraram os livros, mais ainda aqueles que comentaram, avaliaram e ajudam na divulgação.
Somos pequenos, mas temos muito orgulho do que já entregamos!
Feliz 2025 para todos os amantes da literatura e da poesia!
"Noites em Claro" vendeu 63 livros em versão impressa
"Perdições" foram 8 impressos e 10 digitais + 704 páginas lidas no KU
Vamos continuar sonhando e esperando que mais leitores entrem em contato com nossa obra.
Agradeço de coração todos que compraram os livros, mais ainda aqueles que comentaram, avaliaram e ajudam na divulgação.
Somos pequenos, mas temos muito orgulho do que já entregamos!
Feliz 2025 para todos os amantes da literatura e da poesia!
#desafio 365 dias
Dia 16 - Perguntas
Um dia me lançaram duas perguntas: 1. Se a criança que você era te visse/conhecesse hoje, o que ela provavelmente te perguntaria? 2. Se você encontrasse com a criança que você já foi, que pergunta faria a ela? Delas, nasceu o texto a seguir.
Aproximei-me.
Ela estava sentada em um canto estratégico da sala: se alguém por ali circulasse, não a veriam, mas, entre os braços da poltrona, dava para ver o desenho animado na tela. Observei por poucos instantes e decidi ir embora, pois não havia nada mais ali para mim. Dei de costas e foi quando ela me surpreendeu:
— Por que você não é bailarina?
Questionou-me de modo inocente. Me enraiveci. Tornei em sua direção, querendo explodir em gritos. Me contive um pouco e respondi com outra pergunta:
— E por que você não sai desse canto?
Ela se assustou e desatou a chorar. Me senti mal por isso, pois eu sabia toda a história. Agachei-me à sua altura e lhe estendi a mão.
— Vamos passear.
Fomos até o quintal. Dolores, nosso gato com nome de gata, corria e subia no coqueiro, depois desaparecia entre as plantas. Ficamos em silêncio, até que ela quis saber:
— A gente vai fazer tudo certo?
— Não — eu disse rindo. — Até porque fazer tudo certo é chato. Como acordar cedo.
Ela odiava acordar cedo.
— Desculpa por você não ser bailarina. — Ela conseguiu se expressar.
— Não se culpe. Culpa é um sentimento desnecessário e cristão. Não somos cristãs — me pus de joelhos, para ficar com meus olhos na altura dos dela. — Nós devemos nos sentir responsáveis, mas nunca culpadas.
Eu ainda ia falar mais, quando nossa mãe chamou da cozinha.
— Aproveite-a — eu disse, mesmo sabendo que ela o faria mesmo sem conselhos.
— Ela vai ficar com a gente, não é?
— É. Para sempre.
Sylvvia Rubraurora
Dia 16 - Perguntas
Um dia me lançaram duas perguntas: 1. Se a criança que você era te visse/conhecesse hoje, o que ela provavelmente te perguntaria? 2. Se você encontrasse com a criança que você já foi, que pergunta faria a ela? Delas, nasceu o texto a seguir.
Aproximei-me.
Ela estava sentada em um canto estratégico da sala: se alguém por ali circulasse, não a veriam, mas, entre os braços da poltrona, dava para ver o desenho animado na tela. Observei por poucos instantes e decidi ir embora, pois não havia nada mais ali para mim. Dei de costas e foi quando ela me surpreendeu:
— Por que você não é bailarina?
Questionou-me de modo inocente. Me enraiveci. Tornei em sua direção, querendo explodir em gritos. Me contive um pouco e respondi com outra pergunta:
— E por que você não sai desse canto?
Ela se assustou e desatou a chorar. Me senti mal por isso, pois eu sabia toda a história. Agachei-me à sua altura e lhe estendi a mão.
— Vamos passear.
Fomos até o quintal. Dolores, nosso gato com nome de gata, corria e subia no coqueiro, depois desaparecia entre as plantas. Ficamos em silêncio, até que ela quis saber:
— A gente vai fazer tudo certo?
— Não — eu disse rindo. — Até porque fazer tudo certo é chato. Como acordar cedo.
Ela odiava acordar cedo.
— Desculpa por você não ser bailarina. — Ela conseguiu se expressar.
— Não se culpe. Culpa é um sentimento desnecessário e cristão. Não somos cristãs — me pus de joelhos, para ficar com meus olhos na altura dos dela. — Nós devemos nos sentir responsáveis, mas nunca culpadas.
Eu ainda ia falar mais, quando nossa mãe chamou da cozinha.
— Aproveite-a — eu disse, mesmo sabendo que ela o faria mesmo sem conselhos.
— Ela vai ficar com a gente, não é?
— É. Para sempre.
Sylvvia Rubraurora