FRUTAS E FLORES1 A Poesia Interminável · Capítulo 49 de 192
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FRUTAS E FLORES1

Laranjas e morangos — quanto às frutas,

Quanto às flores, porém, ah! quanto às flores,

Trago-te dálias rubras, dessas cores

Das brilhantes auroras impolutas.

Venho de ouvir as misteriosas lutas

Do mar chorando lágrimas de amores;

Isto é, venho de estar entre os verdores

De um sítio cheio de asperezas brutas,

Mas onde as almas — pássaros que voam —

Vivem sorrindo às músicas que ecoam

Dos campos livres na rural pobreza.

Trago-te frutas, flores, só apenas,

Porque não pude, irmã das açucenas,

Trazer-te o mar e toda a natureza!

1 Nos manuscritos da Fundação Biblioteca Nacional encontramos uma variação para o primeiro verso deste soneto

no qual “goiabas” substitui “morangos”.

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