SAUDAÇÃO A Poesia Interminável · Capítulo 130 de 192
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SAUDAÇÃO

Ao Liceu de Artes e Ofícios

Como esta luz é serena,

Como esta luz é sincera;

Como eu vejo a primavera

Num lápis e numa pena.

Que prismas de luz ardente,

Que prismas de luz suave;

Como eu sinto um canto de ave

Em cada boca inocente.

Sim! Que o estudo é como a aurora

Que nos entra pela casa,

Num vivo fulgor de brasa,

Vibrante, alegre, sonora.

Ele rasga a treva espessa,

Num só momento — cantando;

Vai estrelas semeando

Em cada tenra cabeça.

Tira os crânios do letargo

Da ignorância — pois entra

Como um sol e se concentra

Num esplendor muito largo.

Quem, ó Arte imaculada,

Medisse o ser da criança,

Pela alma de uma esperança

Pela alma de uma alvorada.

Quem aos páramos subindo,

Eternamente pudesse,

Dos astros a loura messe

Arrancar — depois abrindo

Os peitos das criancinhas

Jogá-los dentro e beijá-las

Cheias de pompa e das galas

Que a luz concede às rainhas!...

Pois que a treva entre fulgores,

É como, dentre ataúdes,

Rebentar como virtudes,

As mais simpáticas flores.

Ah! Ninguém sabe, por certo,

Quanto é bom, quanto é saudável,

Sentir a crença adorável

Como um clarão sempre aberto.

Ver os germens do futuro

No campo eterno da escola,

Brilhando como a corola

De um lírio cândido e puro.

Ver morrer — como uns invernos

Da vida, os velhos colossos

E ver erguerem-se os moços

Como verões sempiternos.

Mães, ó mães tão extremosas,

Dos vossos ventres fecundos

Saem todos esses mundos

Das ideias fulgurosas.

Tudo isso quanto há escrito

De pensamento e crenças

Saiu das fontes imensas

De um grande amor infinito.

E desde a escrita à leitura

E desde um livro a uma carta,

A bondade sempre farta

Das mães — esplende e fulgura.

Bom dia ao mestre que é guia

Das belas crianças louras!

Bom dia às mães porvindouras,

À mocidade — Bom dia!

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