OS DOIS A Poesia Interminável · Capítulo 78 de 192
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OS DOIS

Aos pobres

— Minha mãe, minha mãe, quanta grandeza

Nesses palácios, quanta majestade;

Como essa gente há de viver, como há de

Ser grande sempre na feliz riqueza.

Nem uma lágrima sequer — e à mesa

Dentre as baixelas, dentre a imensidade

Da prata e do ouro — a azul felicidade

Dos bons manjares de ótima surpresa.

Nem um instante os olhos rasos d’água,

Nem a ligeira oscilação da mágoa

Na vida farta de prazer, sonora.

— Como o teu louco pensamento expandes

Filho — a ventura não é só dos grandes

Porque, olha, o mar também é grande e... chora!

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