MANHÃ A Poesia Interminável · Capítulo 165 de 192
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MANHÃ

Alta alvorada. — Os últimos nevoeiros

A luz que nasce levemente espalha;

Move-se o bosque, a selva que farfalha

Cheia da vida dos clarões primeiros.

Da passarada os voos condoreiros,

Os cantos e o ar que as árvores ramalha

Lembram combate, estrídula batalha

De elementos contrários e altaneiros.

Vozes, trinados, vibrações, rumores

Crescem, vão se fundindo aos esplendores

Da luz que jorra de invisível taça.

E como um rei num galeão do Oriente

O sol põe-se a tocar bizarramente

Fanfarras marciais, trompas de caça.

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