CRISTO A Poesia Interminável · Capítulo 102 de 192
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CRISTO

Cristo morreu, ó tristes criaturas,

Era matéria como vós, morreu;

E quando à noite sepulcral desceu

Gelou com ele o oceano das ternuras.

Nunca outro sol de irradiações mais puras

Subiu tão alto e tanto resplendeu,

Nunca ninguém tão firme combateu

Da humanidade todas as torturas.

Morreu, que se ele, o Deus, ressuscitasse,

Limpa de sangue e lágrimas a face,

Os seus olhos tranquilos, virginais,

Dons inefáveis, corações piedosos,

Tinham de abrir-se muito dolorosos,

Também chorando quando vós chorais!

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