O SEU BONÉ A Poesia Interminável · Capítulo 65 de 192
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O SEU BONÉ

À atriz Adelina Castro

É um boné ideal, de feltros e de plumas,

Que ela usa agora, assim como um turbante

Turco, aveludado, doce como algumas

Nuvens matinais que rolam no levante.

Lembro quando ao vê-lo a rubra Marselhesa,

Lembro sensações e coisas de prodígio

E penso que ele tem a máscula grandeza

Desse sedutor, vital barrete frígio!...

Às vezes meu olhar medindo-lhe o contorno

E a flácida plumagem que serve-lhe de adorno,

— Satânico, voraz, esplêndido de fé!

Exclama num idílio cândido e singelo,

Por entre as convulsões artísticas do Belo; —

Oh! tem coração e alma, esse boné!...

(Corte, out. 1883)

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