ALMA QUE CHORA A Poesia Interminável · Capítulo 87 de 192
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ALMA QUE CHORA

A João Saldanha

Em vão do Cristo os olhos dulçurosos

Onde há o sol do bem e da verdade,

Cheios da luz eterna de saudade,

Como dois mansos corações piedosos,

Em vão do Cristo os olhos lacrimosos

E aquela doce e pura suavidade

Do seu semblante, casto, de bondade,

Cor do luar dos sonhos venturosos,

Servem de exemplo à dor escruciante

Que te apunhala e fere a cada instante,

A punhaladas ríspidas, austeras!

Viste partir a tua irmã, ai, viste,

Como num céu enevoado e triste

O bando azul das fúlgidas quimeras...

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