Capítulo 9 Dois Mundos no Mesmo · Capítulo 9 de 28
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Capítulo 9

Capítulo 9

A Festa

Nicolas precisava ir a uma festa. Não era por diversão. Era um compromisso, um evento social. Sua mãe dissera que aquilo era muito importante e que tinha prometido a uma amiga que providenciaria para que ele conhecesse a filha dela.

Nicolas imaginava que, assim como o trabalho escravo tinha acabado com a Lei Áurea, os casamentos arranjados entre famílias da elite também tivessem sido erradicados. Mas não. No máximo, o que existia era a ilusão de escolha. Você não é obrigado a fazer isso, pode escolher entre isso, algo parecido com isso e uma terceira opção menos parecida ainda, que provavelmente o colocará numa situação pior. O rapaz já tinha inventado outras desculpas para escapar de compromissos semelhantes, mas daquela vez se viu encurralado. No fim, condicionou sua ida a apenas conhecer a garota, ficar duas horas e voltar para casa. A mãe concordou, e tudo ficou acertado.

Nicolas analisou o convite, que exigia traje fino, e imaginou uma espécie de coquetel. Seria chato, mas administrável. A surpresa veio quando percebeu que a cobertura do hotel de luxo onde aconteceria o evento tinha sido transformada numa verdadeira balada. Não havia nada de coquetel ou encontro social refinado. Ao entrar, a música alta, o serviço de bebidas já circulando, a luz baixa e a desordem fizeram com que ele quase voltasse para trás.

– Nicolas!

Era a voz de Tomás, filho de Perry, melhor amigo de seu pai.

– Não acredito que você veio!

A animação do rapaz ao vê-lo ali não se comparava em nada à frieza do convívio escolar. Parecia um amigo antigo.

Rapidamente, Nicolas foi puxado para o meio da turma. Cumprimentou um monte de pessoas como se as conhecesse, embora não fizesse ideia de quem eram, e teve uma taça de alguma bebida colocada na mão para o que parecia ser um brinde. Virou a primeira. Logo o copo estava cheio de novo. A alegria era contagiante, e o ambiente o fazia se sentir especial. Em pouco tempo, Nicolas já experimentava uma sensação completamente diferente daquela que dominava o seu dia a dia.

– Está se divertindo?

Ouviu uma voz feminina atrás dele.

Quando se virou, viu uma garota muito bonita, talvez uma das mais bonitas que já tinha visto.

– Me chamo Ellen, filha de Aurora. Sou a garota que, supostamente, você deveria conhecer. Muito prazer, Nicolas.

A garota disse tudo isso ao pé do ouvido, de uma forma tão sensual que foi difícil para ele se concentrar de fato no que estava sendo dito.

Eles beberam juntos, riram, dançaram. Nicolas nunca tinha se divertido tanto.

Mas, em determinado momento, Ellen, Tomás e todo o grupo que os cercava começaram a usar uma droga que Nicolas não conhecia, nem sabia qual era. Num primeiro momento, ele recusou. Mas começou a observar a reação dos outros. Percebeu que Ellen parecia se divertir mais com as outras pessoas depois que ele recusou o comprimido.

Ele se aproximou dela. Ellen ofereceu de novo, e desta vez ele aceitou. Ela colocou o comprimido na própria boca, beijou Nicolas e o passou para a boca dele. Ele engoliu, e os dois continuaram se beijando.

A reação foi rápida. Se antes ele já estava feliz, agora parecia flutuar. Não havia mais tristeza, nem problema algum. O mundo se reduzia àquilo que ele via, e o eterno era aquele instante. Passou a perceber tudo em flashes. Alguns momentos muito breves se estendiam como se estivessem em câmera lenta. Outros simplesmente desapareciam, e ele não sabia explicar como saía de um lugar e surgia em outro.

Foi assim que acabou num quarto de hotel com Ellen, Tomás e Gabrielle. Os casais, embora estivessem ali juntos, não transaram no mesmo cômodo. Ficaram separados, ainda que se ouvissem e rissem da situação. Nicolas chegou a pensar que aquilo era um sonho, que jamais faria algo daquele tipo. Mas a boca de Ellen, em sua boca, em seu corpo, não lhe dava espaço para pensar em mais nada.

Depois, só se lembrava do momento em que acordaram nus, jogados na cama, despertados por uma batida policial. A polícia encontrou uma mala de Tomás, no quarto, repleta de drogas. Mal conseguiram vestir a roupa antes de serem algemados e levados para a delegacia.

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