Capítulo 11 Dois Mundos no Mesmo · Capítulo 11 de 28
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Capítulo 11

Capítulo 11

O Emprego

A contratação de Jobson renovou as esperanças de sua mãe. Ela transformou o sentimento de tristeza e vergonha em orgulho pelo filho. Era como se a mente tentasse esquecer o que havia vivido e se agarrar a uma nova realidade. Suas forças pareciam renovadas. Fez marmita para ele, mesmo ouvindo Jobson dizer que não precisava, que ele mesmo poderia preparar alguma coisa, que ela podia ficar tranquila. Ainda assim, fez questão. Comprou e preparou até um bife, afinal, era o primeiro dia.

Acompanhou cada passo dele, ajudando, apoiando, ajeitando tudo. Havia muito tempo que ele não sentia aquilo vindo da mãe: tamanha atenção, carinho e dedicação. Aliás, nem sabia se algum dia já a tinha visto assim com ele. Os dois saíram juntos para o trabalho, já que os horários coincidiam.

Jobson estava feliz. Seria uma espécie de faz-tudo. Nem o chefe para quem ele havia sido designado sabia exatamente qual seria sua função. A vaga para a qual se candidatara já tinha sido ocupada por outra pessoa. Mandaram apenas que ele se encaixasse em alguma atividade ali dentro. No primeiro momento, sentiu-se completamente deslocado.

Pediram que aguardasse numa sala, e ele passou quase uma hora ali. Tinha recebido apenas um crachá. Resolveu então tentar ser útil e saiu da sala. A recepcionista, simpática, sorriu para ele e logo desviou o olhar. Um clima estranho pairou no silêncio. Jobson olhou para a lixeira, que estava cheia, e perguntou se podia recolher o lixo. Ela pareceu não saber o que responder. Então ele mesmo quebrou o constrangimento, dizendo que bastava indicar onde deveria levar o saco, que ele faria isso sem problema.

– Jobson, seu nome, não é? – ela perguntou.

– Isso mesmo! – respondeu ele.

– Jobson, temos uma faxineira que faz isso, logo ela deve aparecer. Sendo muito sincera, aparentemente você fez algo bom para alguém, caiu nas graças do pessoal lá de cima e não deve ter muito o que fazer por aqui. Meu conselho é: volte para a sala onde estava e fique por lá. Se o doutor Ricardo aparecer, ele vai te orientar. Caso contrário, quando der seu horário, você registra a saída e amanhã retorna. Uma hora alguém vai falar com você.

Ela tinha uma voz doce, suave. Provavelmente, se xingasse alguém naquele tom, a pessoa ainda seria capaz de agradecer.

– Obrigado pelo conselho.

Jobson voltou para a sala e se sentou de novo, um pouco frustrado. Seria assim o seu primeiro dia.

Na segunda hora ali dentro, ficou ansioso, atento à porta. Depois disso, os pensamentos começaram a voar e ele já nem acreditava mais que alguém apareceria. A fome chegou. Lembrou que a recepcionista tinha falado sobre ir embora, mas não tinha dito nada sobre almoçar. Ficou com vergonha de sair e perguntar de novo. Esperou, esperou, esperou. Então abriu a bolsa e resolveu comer a marmita ali mesmo. A comida já estava fria, mas era melhor do que passar fome ou precisar sair da sala. Além disso, a mãe a tinha preparado com tanto carinho que isso bastava para que ele não se importasse.

Quando estava quase terminando, um homem entrou na sala.

– Boa tarde! Opa! Você está almoçando aqui? Minha nossa, dona Vanessa não lhe mostrou o refeitório? – disse ele, ao dar de cara com aquela cena.

– Não, senhor. Eu fui perguntar se podia tirar o lixo, fazer alguma coisa, e ela disse para eu aguardar, se fosse preciso, até a hora de ir embora. Fiquei com vergonha de sair e perguntar sobre o almoço, mas a fome falou mais alto – respondeu Jobson, com humildade. – A culpa foi minha, me desculpe – completou, guardando tudo e começando a limpar a mesa.

– Imagina! Eu é que te devo desculpas. Era para ter te recebido pela manhã, mas tive uma reunião e só consegui vir agora, depois do almoço. Não se preocupe, a Joelma já vai passar por aqui e limpa isso. Eu sou o doutor Ricardo, e você vai trabalhar diretamente para mim. Vai ficar responsável por pequenas tarefas do dia a dia que eu preciso resolver e que, por falta de tempo, acabo não conseguindo fazer. Tudo bem para você?

Jobson ainda estava incomodado com uma pequena marca de água que a marmita tinha deixado sobre a mesa. Não tinha conseguido limpá-la direito e, por isso, mal prestou atenção no que o doutor Ricardo dizia.

– Sim, sim, doutor, claro! Estou muito contente com a oportunidade – respondeu.

– Ótimo. Já estou atrasado para o compromisso da tarde. Na minha sala tem uma pilha de relatórios em cima da mesa. A única coisa que preciso que você faça hoje é verificar, minuciosamente, se assinei todos eles. Isso é muito importante. Dona Vanessa vai indicar onde fica a sala.

Terminou de falar já saindo da sala.

– Dona Vanessa, por favor... – ainda se ouvia do lado de fora. – Indique minha sala para o Jobson. Vou seguir os compromissos da agenda.

Foi então que Jobson percebeu que Vanessa era a secretária do doutor Ricardo.

O homem saiu da mesma forma intempestiva com que tinha entrado. Jobson terminou de limpar a mesa e saiu logo depois, seguindo para o outro andar do prédio, onde ficava a sala indicada por Vanessa.

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