Estou tentando decidir se publico uma coisa mais quente aqui ou se finjo maturidade por mais alguns dias.
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Eliz Leão
Princípio imaterial da vida
Anima e estro.
Erudito nas dores e amores
Grafemas soltos, bem atados
Em pergaminhos de papel picado.
Fez-se a luz?
Uma alma toca a outra,
Sinapse compartilhada.
Eliz Leão
Anima e estro.
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Fez-se a luz?
Uma alma toca a outra,
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@deives.ferraz:
Ah... Meus livros são bons pra os dias dos namorados também. Tem até casais... No início...
Um deles o casal tá passeando na orla de um rio, e de repente PÁHHH tropeçam em um desvivido boiando nas ondas.
No outro um casal tá assistindo uma série em casa, e de repente PÁHHH são surpreendidos por Lobisomem com fome
Enfim... Feliz dia dos namorados
Ah... Meus livros são bons pra os dias dos namorados também. Tem até casais... No início...
Um deles o casal tá passeando na orla de um rio, e de repente PÁHHH tropeçam em um desvivido boiando nas ondas.
No outro um casal tá assistindo uma série em casa, e de repente PÁHHH são surpreendidos por Lobisomem com fome
Enfim... Feliz dia dos namorados
Uma história que não foi feita por uma IA
(mas me esforcei pra fazer parecer que sim)
(mas me esforcei pra fazer parecer que sim)
O Riacho que Desejava ser Mar
Mais que opinião alheia, importa a verdade que você carrega de si.
Ele nascia no alto da serra, entre árvores frondosas, com uma vista deslumbrante. Deslizava pelas fendas feito um véu de noiva: leve, sereno, quase etéreo. Os animais que habitavam aquele lugar o observavam e murmuravam:
— Ele é estreito, raso… suas cachoeiras não têm cor. Nada se compara ao mar, vasto, profundo, da cor do céu.
O riacho, de tanto ouvir, começou a acreditar. Cada vez que olhava lá do alto, sentia-se pequeno, insignificante. Afinal, era apenas um fio de prata, e o rival, imenso, parecia ter todo o poder do mundo.
Ele observava os navios cruzando o tapete azul e se entristecia ainda mais. Queria ser gigante, abrigar tubarões, ser palco das acrobacias das baleias, berço de pérolas. Em suas piscinas só nadavam peixinhos, que refletiam sua pequenez. Mas o desejo de crescer era intenso. Sonhava em encontrar aquele que lhe causava inveja e perguntar-lhe o segredo da grandeza.
De tanto desejar, a força de seus pensamentos provocou uma tempestade em seu próprio abrigo. Rochas enormes rolaram da montanha em fúria e caíram lá embaixo com estrondo. Ignorando o desastre que havia provocado, ficou orgulhoso: se as pedras podiam descer, ele também podia. Então, deixou-se levar pela chuva torrencial, esticou seus braços fluentes e deslizou até a praia.
Ao chegar à areia, o sol era intenso e seu líquido cristalino se turvou, misturado à terra, à poluição e à pressa. Desesperado, correu em direção ao sonhado arquétipo. Uma onda veio ao seu encontro e o envolveu num abraço firme e salgado. O rio, assustado, se deixou levar. Misturou-se à maré profunda, sentiu o gosto do sal, das embarcações, a densidade do oceano, o poder que antes lhe parecia inalcançável.
Então ouviu pessoas comentando sobre sua beleza, sobre a delicadeza de sua bruma multicolorida, sobre a importância de suas águas cristalinas. Olhou para cima e sentiu vergonha dos sentimentos que carregava dentro de si. Saudade da origem, do silêncio, do verde da serra, das flores, da pureza de sua nascente.
E foi assim que descobriu seu valor: cada um tem sua medida, seu brilho. Ele era doce, essencial, único. E sua beleza, diferente da do mar, era igualmente grandiosa.
Infiltrou-se no solo o mais fundo que pôde, aconchegou-se num lençol freático e se deixou levar de volta ao seu leito no topo da colina, onde vive até hoje, amigo de todos os seres da floresta, mas sem permitir que a opinião alheia interfira em sua autoestima. Havia aprendido: ignorava o que pensavam sobre ele.
Agora sabia seu valor.
Mais que opinião alheia, importa a verdade que você carrega de si.
Ele nascia no alto da serra, entre árvores frondosas, com uma vista deslumbrante. Deslizava pelas fendas feito um véu de noiva: leve, sereno, quase etéreo. Os animais que habitavam aquele lugar o observavam e murmuravam:
— Ele é estreito, raso… suas cachoeiras não têm cor. Nada se compara ao mar, vasto, profundo, da cor do céu.
O riacho, de tanto ouvir, começou a acreditar. Cada vez que olhava lá do alto, sentia-se pequeno, insignificante. Afinal, era apenas um fio de prata, e o rival, imenso, parecia ter todo o poder do mundo.
Ele observava os navios cruzando o tapete azul e se entristecia ainda mais. Queria ser gigante, abrigar tubarões, ser palco das acrobacias das baleias, berço de pérolas. Em suas piscinas só nadavam peixinhos, que refletiam sua pequenez. Mas o desejo de crescer era intenso. Sonhava em encontrar aquele que lhe causava inveja e perguntar-lhe o segredo da grandeza.
De tanto desejar, a força de seus pensamentos provocou uma tempestade em seu próprio abrigo. Rochas enormes rolaram da montanha em fúria e caíram lá embaixo com estrondo. Ignorando o desastre que havia provocado, ficou orgulhoso: se as pedras podiam descer, ele também podia. Então, deixou-se levar pela chuva torrencial, esticou seus braços fluentes e deslizou até a praia.
Ao chegar à areia, o sol era intenso e seu líquido cristalino se turvou, misturado à terra, à poluição e à pressa. Desesperado, correu em direção ao sonhado arquétipo. Uma onda veio ao seu encontro e o envolveu num abraço firme e salgado. O rio, assustado, se deixou levar. Misturou-se à maré profunda, sentiu o gosto do sal, das embarcações, a densidade do oceano, o poder que antes lhe parecia inalcançável.
Então ouviu pessoas comentando sobre sua beleza, sobre a delicadeza de sua bruma multicolorida, sobre a importância de suas águas cristalinas. Olhou para cima e sentiu vergonha dos sentimentos que carregava dentro de si. Saudade da origem, do silêncio, do verde da serra, das flores, da pureza de sua nascente.
E foi assim que descobriu seu valor: cada um tem sua medida, seu brilho. Ele era doce, essencial, único. E sua beleza, diferente da do mar, era igualmente grandiosa.
Infiltrou-se no solo o mais fundo que pôde, aconchegou-se num lençol freático e se deixou levar de volta ao seu leito no topo da colina, onde vive até hoje, amigo de todos os seres da floresta, mas sem permitir que a opinião alheia interfira em sua autoestima. Havia aprendido: ignorava o que pensavam sobre ele.
Agora sabia seu valor.
O "Sim"
Há um instante entre o sim e o não,
Entre o "quero" e o "não devo":
É ali, nesse segundo que não pesa,
Que se decide tudo – ou nada.
Há um furacão que adormece em nós,
À espera de um alô, uma fresta, um acaso.
Mas os dias passam enquanto fugimos,
Enquanto fingimos que o tempo passou.
Há paz em ser minha; há vida em meu abraço.
Mas, se jamais deres o passo, em breve
O anseio pelo chamado se converterá
Na desilusão de não ter sido.
E sequer precisas dar esse passo; basta que chames.
Antes que a chance tenha passado,
A possibilidade se converta em sonho,
E o tempo se torne "nunca mais".
O maior erro não é amar: é fingir que passa.
Porque, quando o corpo pedir e não houver resposta,
Quando a única herança for o arrependimento,
O fim nos lembrará que o início era possível.
***
Quantas vezes já te imaginei chegando?
Quantas madrugadas já chorei
Por um beijo que nem existiu?
Quantos "e se" já enterraram o "sim"?
Um dia, amanhã ou depois,
Terás ido embora,
Terei ficado distante...
E o que hoje poderia ser
O gemido contido do gozo incontrolável
Se tornará o grito silencioso de desespero
Por não mais poder sentir, com fôlego suspenso,
O toque dos meus dedos e o calor dos meus braços.
Não é só pele o que se perde,
Nem só sexo o que se adia.
É a alma que aprende a viver sozinha,
O olhar que esquece como brilha ao ver o outro.
É o silêncio que cresce onde havia riso,
A cama que esfria antes mesmo de ser compartilhada,
O nome que morre na garganta
Antes de sequer ser sussurrado.
***
Então vem. Ou chama. Ou apenas diga:
"Estou aqui. Tenho medo, mas estou aqui."
Porque o amor não precisa de certezas.
Precisa de coragem. De um gesto.
De um "sim" que rompa o silêncio.
Vem. Antes que o "talvez" vire "nunca".
Antes que o "amanhã" vire "tarde demais".
Antes que o nosso encontro, sempre adiado,
Vire a lenda de um amor que quase foi.
Vem – que eu prometo:
Não seremos dois estranhos
Que, um dia, quase se tocaram;
Seremos o instante que o tempo não apagou.
Porque cada verso que você escreveu
Eu já senti.
Já vivi.
Já perdi.
Já desejei de volta.
E quando, enfim, estivermos frente a frente,
Com as mãos tremendo e os olhos cheios,
Só te direi uma coisa – também emocionado:
"Você veio. E o mundo, finalmente, faz sentido."
Para todos que ainda têm tempo.
Chamem. Vão. Amem.
Antes que o "nunca mais" chegue em silêncio.
Há um instante entre o sim e o não,
Entre o "quero" e o "não devo":
É ali, nesse segundo que não pesa,
Que se decide tudo – ou nada.
Há um furacão que adormece em nós,
À espera de um alô, uma fresta, um acaso.
Mas os dias passam enquanto fugimos,
Enquanto fingimos que o tempo passou.
Há paz em ser minha; há vida em meu abraço.
Mas, se jamais deres o passo, em breve
O anseio pelo chamado se converterá
Na desilusão de não ter sido.
E sequer precisas dar esse passo; basta que chames.
Antes que a chance tenha passado,
A possibilidade se converta em sonho,
E o tempo se torne "nunca mais".
O maior erro não é amar: é fingir que passa.
Porque, quando o corpo pedir e não houver resposta,
Quando a única herança for o arrependimento,
O fim nos lembrará que o início era possível.
***
Quantas vezes já te imaginei chegando?
Quantas madrugadas já chorei
Por um beijo que nem existiu?
Quantos "e se" já enterraram o "sim"?
Um dia, amanhã ou depois,
Terás ido embora,
Terei ficado distante...
E o que hoje poderia ser
O gemido contido do gozo incontrolável
Se tornará o grito silencioso de desespero
Por não mais poder sentir, com fôlego suspenso,
O toque dos meus dedos e o calor dos meus braços.
Não é só pele o que se perde,
Nem só sexo o que se adia.
É a alma que aprende a viver sozinha,
O olhar que esquece como brilha ao ver o outro.
É o silêncio que cresce onde havia riso,
A cama que esfria antes mesmo de ser compartilhada,
O nome que morre na garganta
Antes de sequer ser sussurrado.
***
Então vem. Ou chama. Ou apenas diga:
"Estou aqui. Tenho medo, mas estou aqui."
Porque o amor não precisa de certezas.
Precisa de coragem. De um gesto.
De um "sim" que rompa o silêncio.
Vem. Antes que o "talvez" vire "nunca".
Antes que o "amanhã" vire "tarde demais".
Antes que o nosso encontro, sempre adiado,
Vire a lenda de um amor que quase foi.
Vem – que eu prometo:
Não seremos dois estranhos
Que, um dia, quase se tocaram;
Seremos o instante que o tempo não apagou.
Porque cada verso que você escreveu
Eu já senti.
Já vivi.
Já perdi.
Já desejei de volta.
E quando, enfim, estivermos frente a frente,
Com as mãos tremendo e os olhos cheios,
Só te direi uma coisa – também emocionado:
"Você veio. E o mundo, finalmente, faz sentido."
Para todos que ainda têm tempo.
Chamem. Vão. Amem.
Antes que o "nunca mais" chegue em silêncio.
O contrabaixo no meio da sala
Se eu me calo, é porque não me importo.
Se eu dou espaço, é porque não gosto.
Se eu procuro, é porque estou pressionando.
Se eu finjo que está tudo bem, é porque sou dissimulado.
Estou cansado de ser um monstro.
De acabar com vidas e casamentos felizes.
De não ser compreendido,
De ser temido como um predador,
Prestes a acabar com a sanidade mental de pessoas decentes.
Estou cansado de estar errado.
De agredir mesmo quando não faço nada.
De ser o chato, o ranzinza, o inflexível.
O maldito autista insuportável.
Não quero mais pensar em nada, nem em ninguém.
Quero pensar em mim.
No que restou de mim.
E vocês, que me lêem, não se iludam:
Eu sou um ser desprezível, que inclusive
Tem a cara-de-pau de me fingir de pessoa do bem,
Enquanto destruo corações e mentes ao meu redor.
Eu, o vil, o mau, o torpe.
O que, mesmo sem fazer nada, atrapalha.
O que, mesmo calado, ofende.
Mesmo calado.
Não esperem que eu seja um piano,
De cauda, brilhante, dando glamour ao ambiente:
Eu sou o feioso, o rude, o agressivo.
O eterno inconveniente.
O que incomoda mas não pode ser expulso.
O contrabaixo no meio da sala.
Se eu cantar, perceberão todos como sou dispensável,
E se arrancar as minhas cordas,
Tornar-me-ei ainda mais uma bagagem grande e inútil.
Tudo isso, até o dia em que não estiver mais,
Em que ninguém mais puder ouvir falar de mim
(Não que alguém vá me procurar um dia, eu sei)
Até o dia em que meus graves ríspidos e intrusos
Não mais invadam a doce vida de ninguém.
E aí, sim, dirão que, no fundo, ao longe,
Eu até que era uma boa alma,
Eu até que serviria a um propósito,
Ou que poderia ser útil para a felicidade de alguém.
E um dia, eu sei, alguém dirá, com lágrimas de crocodilo,
Como aquele rapaz era uma boa pessoa.
Se eu me calo, é porque não me importo.
Se eu dou espaço, é porque não gosto.
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Tem a cara-de-pau de me fingir de pessoa do bem,
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Tudo isso, até o dia em que não estiver mais,
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Não mais invadam a doce vida de ninguém.
E aí, sim, dirão que, no fundo, ao longe,
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Eu até que serviria a um propósito,
Ou que poderia ser útil para a felicidade de alguém.
E um dia, eu sei, alguém dirá, com lágrimas de crocodilo,
Como aquele rapaz era uma boa pessoa.
Pai
- Cabo Mendes, ele ainda não quer colaborar.
Uma voz pingando de sarcasmo. Ele não aguentava mais apanhar, mas não tinha como dizer mais nada. O comandante estava sorrindo - ou assim imaginava ele, pois já não conseguia distinguir os borrões entre o inchaço da pálpebra aberta e o sangue que inundava a retina.
- Desde ontem, comandante. Não abre o bico. O que faremos?
Ontem. Um dia tão, tão distante. Não se lembrava de ter ido dormir, mas lembrava-se de ter acordado aos pontapés.
"Como é difícil acordar calado"
- Sabe o que eu acho, Cabo Mendes?
- Acho que posso adivinhar, comandante. Quer que eu vá buscar a turquesa? Talvez ele ainda não tenha entendido o que é "dor".
Novos risos, satisfeitos e ansiosos pelos próximos passos.
Ele tentava não esquecer do porquê de estar ali. Tentava manter, no imenso telão de projeção da sua mente, aquela imagem do sol nascendo por trás dos montes verdes, da terra que, um dia, jurou viver e morrer, jurou fertilizar e tornar produtiva.
- Sim, sim, cabo... Então traga a dor para ele.
"Tragar a dor"
Lembrava do rosto do seu Amor, sorrindo, de cabelos soltos e revoltos ao vento. Era com esse rosto em mente que ele queria se despedir desse mundo... Uma nova bofetada veio lhe acordar dos devaneios:
- Não vai falar nada, desgraçado? Você sabe que já está morto, não é? Que não vai mais sair daqui...NÃO É?
"Talvez a vida seja um fato consumado", mas, não; não era assim que as palavras lhe vinham à mente. Agora já não fazia diferença: o importante era manter em segurança aqueles que ele amava.
Um objeto pontiagudo e afiado lhe dilacerou um dedo; aquele dedo que tocava as mais belas canções para ela, na rede, ao pôr do sol. A dor já não era material; seu corpo já não era seu de fato.
"Resta a cuca".
A dor era lancinante, mas o pior mesmo era saber que não voltaria mais a rever aqueles olhos negros e aquela boca que tantas vezes lhe fizera perder o juízo - e só esperava que todo aquele sofrimento não fosse em vão. Não falaria mais nada. Já bastava o que não conseguira suportar.
- Eu estou tentando te ajudar, você sabe... Eu sei que você queria estar na sua casa... Mas, De que adianta ter boa vontade? Vocês não prestam, mesmo, são a escória.
Ouvia risos, ecoando na tontura da calada noite. Misturava-se à letra o riso que quebrava o silêncio.
"Esse silêncio todo me atordoa"
E era melhor assim: o torpor o ajudava a abstrair a dor que ainda viria. O desespero do corpo, ainda tão arraigado à luta pela vida que - ele sabia - já não valia mais nada.
Ouviu o morder das lâminas da turquesa. Lhe abriram as pernas. Chutes e pisões e objetos pontiagudos lhe atingindo as partes baixas. O tilintar da turquesa, voraz, vindo morder e esmigalhar tudo o que visse pela frente.
Sentiu um cheiro novo, entre o sangue e o pavor: queimado. A sua testa ardia sob o ferro quente.
"Cheiro de fumaça de óleo diesel"
- Sabe por que estamos te marcando? Porque você não passa de gado, ouviu bem? GADO. Você obedece aos comunistas malditos que querem fazer desse país uma nova Cuba. Uma nova Rússia. Um novo Chile. AQUI NÃO!
"Tanta mentira, tanta força bruta"
Nova pancada na têmpora. De repente, tudo ficou mudo.
"Silêncio na cidade não se escuta"
Por uns instantes, as risadas deram lugar ao nada. E, em meio ao nada, a voz da amada conseguiu sobressair-se:
- Não fraqueje. Talvez o mundo não seja pequeno. Em breve, vamos nos encontrar, em outra realidade, menos morta.
Como era doce a voz da sua amada!... Esboçou um leve sorriso ao lembrar; a boca já sem dentes e de língua inchada.
E então, sentiu entre as pernas que a turquesa trabalhava.
Um grito desumano.
No chão, um mar escorregadio,
"tinto de sangue".
- Ah, quer saber? Esse não vai conseguir falar mais nada, mesmo.
Ele só queria voltar para o mundo dos seus sonhos. Voltar a sonhar com seu Amor, num vestido de chita, chamando para o almoço. Ele queria provar de novo aquela boca e aquele corpo, "morrer do meu próprio veneno".
O Cabo espeta a faca no seu pescoço, a tentar separar o corpo da mente.
"presa na garganta"
"a faca já não corta"
Ele agora está prestes a perder de vez.
"perder de vez tua cabeça".
Saudade. Sensação de nunca mais. Últimas lembranças daqueles olhos negros. Eles estarão chorando agora, sabendo do seu destino. Balbucia, quase inaudível:
- Afasta... de mim...
Mas o comandante já não tem paciência. Puxa a colt, puxa o gatilho:
- Cale-se.
- Cabo Mendes, ele ainda não quer colaborar.
Uma voz pingando de sarcasmo. Ele não aguentava mais apanhar, mas não tinha como dizer mais nada. O comandante estava sorrindo - ou assim imaginava ele, pois já não conseguia distinguir os borrões entre o inchaço da pálpebra aberta e o sangue que inundava a retina.
- Desde ontem, comandante. Não abre o bico. O que faremos?
Ontem. Um dia tão, tão distante. Não se lembrava de ter ido dormir, mas lembrava-se de ter acordado aos pontapés.
"Como é difícil acordar calado"
- Sabe o que eu acho, Cabo Mendes?
- Acho que posso adivinhar, comandante. Quer que eu vá buscar a turquesa? Talvez ele ainda não tenha entendido o que é "dor".
Novos risos, satisfeitos e ansiosos pelos próximos passos.
Ele tentava não esquecer do porquê de estar ali. Tentava manter, no imenso telão de projeção da sua mente, aquela imagem do sol nascendo por trás dos montes verdes, da terra que, um dia, jurou viver e morrer, jurou fertilizar e tornar produtiva.
- Sim, sim, cabo... Então traga a dor para ele.
"Tragar a dor"
Lembrava do rosto do seu Amor, sorrindo, de cabelos soltos e revoltos ao vento. Era com esse rosto em mente que ele queria se despedir desse mundo... Uma nova bofetada veio lhe acordar dos devaneios:
- Não vai falar nada, desgraçado? Você sabe que já está morto, não é? Que não vai mais sair daqui...NÃO É?
"Talvez a vida seja um fato consumado", mas, não; não era assim que as palavras lhe vinham à mente. Agora já não fazia diferença: o importante era manter em segurança aqueles que ele amava.
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"Resta a cuca".
A dor era lancinante, mas o pior mesmo era saber que não voltaria mais a rever aqueles olhos negros e aquela boca que tantas vezes lhe fizera perder o juízo - e só esperava que todo aquele sofrimento não fosse em vão. Não falaria mais nada. Já bastava o que não conseguira suportar.
- Eu estou tentando te ajudar, você sabe... Eu sei que você queria estar na sua casa... Mas, De que adianta ter boa vontade? Vocês não prestam, mesmo, são a escória.
Ouvia risos, ecoando na tontura da calada noite. Misturava-se à letra o riso que quebrava o silêncio.
"Esse silêncio todo me atordoa"
E era melhor assim: o torpor o ajudava a abstrair a dor que ainda viria. O desespero do corpo, ainda tão arraigado à luta pela vida que - ele sabia - já não valia mais nada.
Ouviu o morder das lâminas da turquesa. Lhe abriram as pernas. Chutes e pisões e objetos pontiagudos lhe atingindo as partes baixas. O tilintar da turquesa, voraz, vindo morder e esmigalhar tudo o que visse pela frente.
Sentiu um cheiro novo, entre o sangue e o pavor: queimado. A sua testa ardia sob o ferro quente.
"Cheiro de fumaça de óleo diesel"
- Sabe por que estamos te marcando? Porque você não passa de gado, ouviu bem? GADO. Você obedece aos comunistas malditos que querem fazer desse país uma nova Cuba. Uma nova Rússia. Um novo Chile. AQUI NÃO!
"Tanta mentira, tanta força bruta"
Nova pancada na têmpora. De repente, tudo ficou mudo.
"Silêncio na cidade não se escuta"
Por uns instantes, as risadas deram lugar ao nada. E, em meio ao nada, a voz da amada conseguiu sobressair-se:
- Não fraqueje. Talvez o mundo não seja pequeno. Em breve, vamos nos encontrar, em outra realidade, menos morta.
Como era doce a voz da sua amada!... Esboçou um leve sorriso ao lembrar; a boca já sem dentes e de língua inchada.
E então, sentiu entre as pernas que a turquesa trabalhava.
Um grito desumano.
No chão, um mar escorregadio,
"tinto de sangue".
- Ah, quer saber? Esse não vai conseguir falar mais nada, mesmo.
Ele só queria voltar para o mundo dos seus sonhos. Voltar a sonhar com seu Amor, num vestido de chita, chamando para o almoço. Ele queria provar de novo aquela boca e aquele corpo, "morrer do meu próprio veneno".
O Cabo espeta a faca no seu pescoço, a tentar separar o corpo da mente.
"presa na garganta"
"a faca já não corta"
Ele agora está prestes a perder de vez.
"perder de vez tua cabeça".
Saudade. Sensação de nunca mais. Últimas lembranças daqueles olhos negros. Eles estarão chorando agora, sabendo do seu destino. Balbucia, quase inaudível:
- Afasta... de mim...
Mas o comandante já não tem paciência. Puxa a colt, puxa o gatilho:
- Cale-se.
Nunca mais
Nunca mais o reflexo dos teus olhos
Nunca mais o perfume da tua pele.
Nunca mais a esperança e euforia
De te ver e sentir que és minha metade.
Nunca mais a alegria da tua voz,
De manhã, cantarolando e sorrindo.
Nunca mais a ansiedade no encontro
De duas almas buscando a mesma felicidade.
Há algo de saudade no inacabado:
Nunca foi pouco, mas sempre quis mais;
Mas, por mais que queiramos, a vida real
Insiste em nos mostrar que é querer demais.
Nunca vou te esquecer, nem o que senti,
O que sentimos, o que viveríamos... Nunca mais
Nunca mais o reflexo dos teus olhos
Nunca mais o perfume da tua pele.
Nunca mais a esperança e euforia
De te ver e sentir que és minha metade.
Nunca mais a alegria da tua voz,
De manhã, cantarolando e sorrindo.
Nunca mais a ansiedade no encontro
De duas almas buscando a mesma felicidade.
Há algo de saudade no inacabado:
Nunca foi pouco, mas sempre quis mais;
Mas, por mais que queiramos, a vida real
Insiste em nos mostrar que é querer demais.
Nunca vou te esquecer, nem o que senti,
O que sentimos, o que viveríamos... Nunca mais
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✨ Quando Nossa Música se Afogou no Rio ✨
Um humano e uma sereia se apaixonam durante o verão e passam a se encontrar à beira de um rio. Porém, em uma tarde, o humano se depara com a sereia esperando por ele enquanto observa de forma melancólica a caixinha de música que ele lhe deu de presente em seu último encontro. Ele se aproxima com um mau pressentimento sobre a conversa que o espera.
❝— Você está correndo atrás da felicidade — disse ela —, e eu também. Mas se continuássemos seguindo pelo mesmo caminho, só um de nós a encontraria.❞
"Quando Nossa Música se Afogou no Rio" é um conto de fantasia e drama, originalmente escrito para a edição de 2024 do Concurso Literário Aline Alencar — que trouxe como tema "o som do amor".
✨ Quando Nossa Música se Afogou no Rio ✨
Um humano e uma sereia se apaixonam durante o verão e passam a se encontrar à beira de um rio. Porém, em uma tarde, o humano se depara com a sereia esperando por ele enquanto observa de forma melancólica a caixinha de música que ele lhe deu de presente em seu último encontro. Ele se aproxima com um mau pressentimento sobre a conversa que o espera.
❝— Você está correndo atrás da felicidade — disse ela —, e eu também. Mas se continuássemos seguindo pelo mesmo caminho, só um de nós a encontraria.❞
"Quando Nossa Música se Afogou no Rio" é um conto de fantasia e drama, originalmente escrito para a edição de 2024 do Concurso Literário Aline Alencar — que trouxe como tema "o som do amor".