"Estendeu a mão para a mesinha de cabeceira e pegou o celular. Uma notificação no bate-papo de seu perfil profissional em uma rede social indicava que alguém que não a seguia mandara uma mensagem. Estranhou. Clicou para abri-la, de cenho franzido. Qual não foi a sua surpresa ao deparar-se com uma imagem conhecida naquela tela… Ruiva, olhos azuis, muito bonita. A foto de perfil era, sem nenhuma dúvida, tirada no mesmo local onde havia sido tirada a foto de Davi… Uma bela praia, com um rochedo ao fundo, vegetação, o mesmo mar, o mesmo sol. Ela usava um biquíni que realçava seu corpo perfeito. Mas o que Alessandra podia querer com ela, Senhor?"
"Carícias sob o céu: a história de Duda & Davi", publicado em capítulos aqui no Literunico.
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Eliz Leão
Insatisfação
Faz tempo que não escrevo safadezas
Também elas não me satisfazem
A carne que tem memória do seu feitiço
Ou a memória que tem o cheiro da sua carne?
Não sei…
Sei apenas que existem esses dias que existo menos
subjugada pelos meus desejos
Eles protestam o que querem e só isso poderá satisfaze-los
O que quero não posso me dar
Tudo grita dentro de mim
Tudo calo
Você não vê?
Parece que vou rachar ao meio
Só por te querer
Faz tempo que não escrevo safadezas
Também elas não me satisfazem
A carne que tem memória do seu feitiço
Ou a memória que tem o cheiro da sua carne?
Não sei…
Sei apenas que existem esses dias que existo menos
subjugada pelos meus desejos
Eles protestam o que querem e só isso poderá satisfaze-los
O que quero não posso me dar
Tudo grita dentro de mim
Tudo calo
Você não vê?
Parece que vou rachar ao meio
Só por te querer
Ele me amou em silêncio
Por tantos dias...
Meses.
Sem me falar uma única palavra,
Ele apenas me olhava viver,
Me incentivava a ser,
Sem nunca, nada esperar.
Sorria, quando me via sorrir
E me dava o ombro, o colo e os ouvidos,
Pacientemente,
Quando eu precisava chorar.
Me entendeu, estendeu a mão.
Me trouxe um pouco de si mesmo, a cada opinião.
Sem nunca, nunca me influenciar sobre qualquer coisa que fosse.
Minhas opiniões, eu mantinha, intactas, seladas e comprovadas, com minha própria experiência de vida.
Não que eu não quisesse mudar, mas entenda, eu já tinha idade suficiente, para não mais acreditar.
Principalmente no amor.
E certo dia, já tenso pelo que sentia, ele se abriu, e eu me fechei.
Me fechei para o que ele havia me confessado, sem pretensão de pensar, imaginar sequer, qualquer coisa em troca.
Foram três dias.
Foram mais de mil palavras.
Se desculpando, se culpando, tentando se redimir, da dor que me causou, tentando me rever.
Tentando voltar a me sentir.
Eu lia, chorava, me afastava. Trabalhava, mal comia, e ansiava.
Por ele.
E eu chorei, me afastei e sofri.
Não queria amar, não sabia ser amada. Não mais. Nunca fui, o que mudaria, agora?
Então, aos poucos, meu coração entendeu, que eu só sofria, pela simples ideia de que eu o amava.
E eu o amava. E eu queria viver esse amor, saber o sabor de ser amada!
O amo até hoje. Ele me ama cada dia mais e todos os dias, é exatamente igual a quando começamos a namorar. Mas o amor, ah, esse amor, é tão imenso, eu já nem sei onde ele começa, e onde termina, o meu eu.
Eliz Leão
Por tantos dias...
Meses.
Sem me falar uma única palavra,
Ele apenas me olhava viver,
Me incentivava a ser,
Sem nunca, nada esperar.
Sorria, quando me via sorrir
E me dava o ombro, o colo e os ouvidos,
Pacientemente,
Quando eu precisava chorar.
Me entendeu, estendeu a mão.
Me trouxe um pouco de si mesmo, a cada opinião.
Sem nunca, nunca me influenciar sobre qualquer coisa que fosse.
Minhas opiniões, eu mantinha, intactas, seladas e comprovadas, com minha própria experiência de vida.
Não que eu não quisesse mudar, mas entenda, eu já tinha idade suficiente, para não mais acreditar.
Principalmente no amor.
E certo dia, já tenso pelo que sentia, ele se abriu, e eu me fechei.
Me fechei para o que ele havia me confessado, sem pretensão de pensar, imaginar sequer, qualquer coisa em troca.
Foram três dias.
Foram mais de mil palavras.
Se desculpando, se culpando, tentando se redimir, da dor que me causou, tentando me rever.
Tentando voltar a me sentir.
Eu lia, chorava, me afastava. Trabalhava, mal comia, e ansiava.
Por ele.
E eu chorei, me afastei e sofri.
Não queria amar, não sabia ser amada. Não mais. Nunca fui, o que mudaria, agora?
Então, aos poucos, meu coração entendeu, que eu só sofria, pela simples ideia de que eu o amava.
E eu o amava. E eu queria viver esse amor, saber o sabor de ser amada!
O amo até hoje. Ele me ama cada dia mais e todos os dias, é exatamente igual a quando começamos a namorar. Mas o amor, ah, esse amor, é tão imenso, eu já nem sei onde ele começa, e onde termina, o meu eu.
Eliz Leão
Guarda-chuva (miniconto)
— Rápido, conte algum problema pra mim!
Fiquei pasmo com aquela vista. A figura tremeluzente à minha frente se agitava, quase desaparecendo, desesperada por uma resposta minha. Tentou me alcançar, mas sua mão passou reto por mim, dando-me calafrios.
Aquele espectro, vendo meu espanto, começou a agir com mais cautela. Respirou fundo e, com isso, até conseguiu o efeito de ficar menos translúcido. Sua voz também ficou mais audível.
— Preciso de algum problema… qualquer preocupação… senão, desaparecerei. Você… tem algum para me contar?
Vi-o atingir seu auge de opacidade e, depois, voltar a vacilar.
— Um… um problema? Que tipo de problema?
— Qualquer um! Qualquer um… algo que te incomode?
Tentei pensar rápido para evitar que ele sumisse de vez, sem entender bem como aquilo lhe ajudaria.
— O clima… o clima! Vai chover!
— Que mais?
— Que mais? Estamos no meio da rua.
— Que mais?!
— Não temos guarda-chuva! — ele começou a ficar mais sólido, assim como um sorriso no seu rosto. Senti o pedido para continuar - Vamos nos molhar, ficar resfriados… vamos ficar de cama, vamos… vamos sofrer! Não queremos sofrer! Queremos?!
— Não, não queremos!
Saiu saltitante, mais opaco que eu mesmo, em busca de um guarda-chuva.
— Rápido, conte algum problema pra mim!
Fiquei pasmo com aquela vista. A figura tremeluzente à minha frente se agitava, quase desaparecendo, desesperada por uma resposta minha. Tentou me alcançar, mas sua mão passou reto por mim, dando-me calafrios.
Aquele espectro, vendo meu espanto, começou a agir com mais cautela. Respirou fundo e, com isso, até conseguiu o efeito de ficar menos translúcido. Sua voz também ficou mais audível.
— Preciso de algum problema… qualquer preocupação… senão, desaparecerei. Você… tem algum para me contar?
Vi-o atingir seu auge de opacidade e, depois, voltar a vacilar.
— Um… um problema? Que tipo de problema?
— Qualquer um! Qualquer um… algo que te incomode?
Tentei pensar rápido para evitar que ele sumisse de vez, sem entender bem como aquilo lhe ajudaria.
— O clima… o clima! Vai chover!
— Que mais?
— Que mais? Estamos no meio da rua.
— Que mais?!
— Não temos guarda-chuva! — ele começou a ficar mais sólido, assim como um sorriso no seu rosto. Senti o pedido para continuar - Vamos nos molhar, ficar resfriados… vamos ficar de cama, vamos… vamos sofrer! Não queremos sofrer! Queremos?!
— Não, não queremos!
Saiu saltitante, mais opaco que eu mesmo, em busca de um guarda-chuva.
Trova travada
Não troco nosso trato em qualquer troco;
Não trato com tristeza este trabalho.
Extraio a vida de qualquer trancalho
E espalho trovas como um bom matroco.
Das tripas, nas entranhas, transformadas
Coração; trago o extrume ao mostruário
De minhas tramóias, e antes que o cérebro dispare-o,
Distrato o trato das minhas mágoas encrustradas.
E ao trazer à tona tantos sentimentos,
Entrego-me à solidão e ao ódio atro,
E entro em transe, e através do meu teatro
Um tribal monstro vem trucidar meus tormentos.
Destranco a trava que à porta traz-me às ruas
E através das travessas e das entradas
Em teu tributo entrego-me às transas e trepadas
Das triviais donas, travessas e seminuas
E, então, trôpego, em meu trilhar intrépido,
Trago de volta tristezas e transtornos.
E entre um e outro trago, eu me distraio
E traço um traço triscando entre o tráfego.
Transito trôpego, e tropeço a três-por-quatro,
Nos trapos da minha Saint-Tropez destroçada.
E, rumo à porta, atravesso a calçada
E entro em casa, e ponho fim ao meu teatro.
E minhas mãos, de forma trêmula e atroz,
Sempre me traem e trazem teu retrato.
E ao trair teus sonhos, eu, num final ato,
Retorno ao trato, torno a ti, retorno a nós.
Não troco nosso trato em qualquer troco;
Não trato com tristeza este trabalho.
Extraio a vida de qualquer trancalho
E espalho trovas como um bom matroco.
Das tripas, nas entranhas, transformadas
Coração; trago o extrume ao mostruário
De minhas tramóias, e antes que o cérebro dispare-o,
Distrato o trato das minhas mágoas encrustradas.
E ao trazer à tona tantos sentimentos,
Entrego-me à solidão e ao ódio atro,
E entro em transe, e através do meu teatro
Um tribal monstro vem trucidar meus tormentos.
Destranco a trava que à porta traz-me às ruas
E através das travessas e das entradas
Em teu tributo entrego-me às transas e trepadas
Das triviais donas, travessas e seminuas
E, então, trôpego, em meu trilhar intrépido,
Trago de volta tristezas e transtornos.
E entre um e outro trago, eu me distraio
E traço um traço triscando entre o tráfego.
Transito trôpego, e tropeço a três-por-quatro,
Nos trapos da minha Saint-Tropez destroçada.
E, rumo à porta, atravesso a calçada
E entro em casa, e ponho fim ao meu teatro.
E minhas mãos, de forma trêmula e atroz,
Sempre me traem e trazem teu retrato.
E ao trair teus sonhos, eu, num final ato,
Retorno ao trato, torno a ti, retorno a nós.
A(mar) quadril
Na mente, desenha
O que no coração anseia.
Sonha livre, sonha plena!
Serena como o mar,
Que embala sua valsa.
Balança o quadril,
Encaixa nas ondas de frio
O calor que brota das veias.
Encaixa suas conchas na areia,
Que de água salgada
e espuma branca, permeia.
Se alastra na praia,
Invade a faixa de areia.
Banhando a vegetação da margem,
Banhando de vida toda a paisagem.
Esbanja vigor a flor da pele,
No encaixe dos corpos suados.
Deleitam-se em prazer,
Inebriados neste rebolado.
Nua, não cansa nunca!
Como águas de mar
penetrando a areia.
Balança o quadril,
vigorosa como o mar.
Que lança suas ondas,
No vai e vem magnetizado,
Orquestrado em sua natureza.
Pintando o horizonte em cores
com toda a sua beleza.
Serena, sereia…
segue plena, oceano!
Borbulhando
de vida as areias,
Que ferve em suas águas.
Saciada em desejos,
Entrega-se entre beijos.
Alcança o ápice do dia!
Irradiando o poente sol
Que no mar anil, refletia.
Mar U
#
Na mente, desenha
O que no coração anseia.
Sonha livre, sonha plena!
Serena como o mar,
Que embala sua valsa.
Balança o quadril,
Encaixa nas ondas de frio
O calor que brota das veias.
Encaixa suas conchas na areia,
Que de água salgada
e espuma branca, permeia.
Se alastra na praia,
Invade a faixa de areia.
Banhando a vegetação da margem,
Banhando de vida toda a paisagem.
Esbanja vigor a flor da pele,
No encaixe dos corpos suados.
Deleitam-se em prazer,
Inebriados neste rebolado.
Nua, não cansa nunca!
Como águas de mar
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Balança o quadril,
vigorosa como o mar.
Que lança suas ondas,
No vai e vem magnetizado,
Orquestrado em sua natureza.
Pintando o horizonte em cores
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Serena, sereia…
segue plena, oceano!
Borbulhando
de vida as areias,
Que ferve em suas águas.
Saciada em desejos,
Entrega-se entre beijos.
Alcança o ápice do dia!
Irradiando o poente sol
Que no mar anil, refletia.
Mar U
#
Teu abraço
um nó que domina
Tua boca
fome que me devora
Tuas mãos
abraçam e acolhem
cordas a pele, desejo
gemidos preenchem o silêncio.
Sou tua,
até perder o ar.
um nó que domina
Tua boca
fome que me devora
Tuas mãos
abraçam e acolhem
cordas a pele, desejo
gemidos preenchem o silêncio.
Sou tua,
até perder o ar.
Capítulos 17 e 18 de "Carícias sob o céu: a história de Duda & Davi" disponíveis para leitura aqui!!!
+
Maria Eduarda não deu chance para Davi! E ele continua naquele chove-não-molha que só complica a situação. Nestes capítulos, porém, a história começa a se desenrolar e Maria Eduarda, inclusive, consegue alguns avanços importantes na superação do seu trauma.
#epub
#Duda&Davi
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Maria Eduarda não deu chance para Davi! E ele continua naquele chove-não-molha que só complica a situação. Nestes capítulos, porém, a história começa a se desenrolar e Maria Eduarda, inclusive, consegue alguns avanços importantes na superação do seu trauma.
#epub
#Duda&Davi
Ah, eu gosto tanto de nós
De olhar os sóis que dançam no mar
De sentir o vento
Enquanto a gente só quer ficar
Ah, eu gosto sim de nós
Do nosso tempo que para
Do silêncio que fala
Do meu toque que acha o seu
Ah, eu gosto sim de nós
Do beijinho na testa, tão leve
tão nosso
Do sorriso bobo que me desarma
Da maneira como você, sem aviso
Rouba meus beijos e meus pensamentos
É… eu gosto tanto de nós
De como somos sem precisar ser mais
De como, sem pressa
A gente se faz
É estou gostando ….
De olhar os sóis que dançam no mar
De sentir o vento
Enquanto a gente só quer ficar
Ah, eu gosto sim de nós
Do nosso tempo que para
Do silêncio que fala
Do meu toque que acha o seu
Ah, eu gosto sim de nós
Do beijinho na testa, tão leve
tão nosso
Do sorriso bobo que me desarma
Da maneira como você, sem aviso
Rouba meus beijos e meus pensamentos
É… eu gosto tanto de nós
De como somos sem precisar ser mais
De como, sem pressa
A gente se faz
É estou gostando ….