Cavalgada
(Pra não perder o jeito - se é que já não perdi...)
Deitado, lendo um livro.
Apareces na porta, sorriso maroto.
Chemise semi-transparente sobre os ombros
Tentando ajudar as rendas negras
A esconder o escândalo que é o teu corpo.
A chemise saindo corpo, vai para a ponta dos dedos.
Você a gira sobre a cabeça, e joga em mim.
Fechou o livro e aproveito a vista:
A visão do paraíso que sei ser meu.
*Vem cá, meu bem, quero te contar uma coisinha...*
Você vem - dois passos. Sorriso sapeca.
Dois polegares entre a pele e a renda da calcinha,
Descendo, descendo, a cada passo.
A calcinha na ponta dos dedos,
Girando sobre a cabeça,
Voando até o meu rosto.
Seu cheiro. Molhada. Deliciosa.
Descubro o meu rosto, e me descubro em brasa:
Algo se move dentro da minha peça íntima.
Crescendo, crescendo, a cada passo.
*Vem, meu bem, quero cochichar no seu ouvido*
*Tudo o que pretendo fazer com você... *
Você nota o volume se expandindo,
E entende que aquela peça já está apertada demais.
Puxa para baixo, seus olhos me encarando,
O sorriso ainda preenchendo os seus lábios
Mas, agora, disputando espaço
Com algo maior, mais quente e mais intenso.
*Isso. Delícia. Beija. Lambe*
Mas nem preciso dizer, você é mestra.
Especialista em me levar à loucura,
Me olhando entre os cabelos desarrumados.
*Vem mais pertinho, Amor, que eu te conto*
* o que tá passando pela minha cabeça.*
A cueca, nas pontas dos seus dedos,
Gira sobre a cabeça e voa pra longe.
Te puxo pra perto. *Senta aqui, senta...*
Você apoia as mãos no meu peito.
O livro está jogado ao lado da cama,
Observando seu quadril procurando o encaixe.
E quando encaixa... Ah!... Peças perfeitas!
Um gemido, um grito, cabeça para trás.
Minhas mãos seguram sua cintura,
Ajudando e regendo o movimento.
O sutiã, na ponta dos seus dedos,
Girando sobre a cabeça,
Voa, nem sei pra onde:
No meu rosto, apenas dois seios suados.
*Mais, poeta, mais!*, você sussurra,
Rouca, olhos nos meus
Provocando e devorando meus pensamentos.
*Vem cá, seu puto, deixa eu te cochichar de novo.*
Eu sou poeta. Teu corpo é verso.
Uma cavala que cavalga e chama.
Arfa, sobe, desce, geme, grita.
Crava as unhas no meu peito e os olhos na minha alma.
O juízo, na ponta dos dedos,
Girando sobre a cabeça, voa longe;
Teu gozo vem como um frenesi incontrolável,
Em teu cavalgar intenso e galopante.
*Ah, poeta, me mata, me inunda!*
Você se deita no meu peito já arranhado
Suando, arfando, buscando o ar e os sentidos.
Corpo amolece, sussurros que conversam:
*– Porra, poeta, você me pegou de jeito.*
*– Que striptease! Adoro quando você faz isso.*
*– Você me tira do sério, eu não resisto.*
*– Quero ser teu pra sempre.*
*– Te amo. Cada vez mais...*
(O livro? Depois eu compro outro...)
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Hoje, o perfil @classicos irá finalizar as postagens dos poemas de Alberto Caeiro heterônimo de Fernando Pessoa.
Lembrando que todas as obras disponibilizadas são retiradas do site Domínio Público (Abrir link !
Dentro do site a leitura é mais confortável, mas você pode acessar as obras diretamente através do site do domínio também.
Boa leitura!
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Às vezes odeio ser poeta
desgosto sentir tanto
e saber o gosto amargo
da derrota
às vezes sinto raiva
deste sistema que sequestra
me encanta e desaponta
amarrota
às vezes sou tão só
que ouço meu peito
as células e o sangue
que me sabota
Edu Liguori
desgosto sentir tanto
e saber o gosto amargo
da derrota
às vezes sinto raiva
deste sistema que sequestra
me encanta e desaponta
amarrota
às vezes sou tão só
que ouço meu peito
as células e o sangue
que me sabota
Edu Liguori
#Desafio187
Geografia do Teu Riso
Nasce,
no arco enviesado dos teus lábios,
uma covinha linda;
do lado esquerdo,
matreira,
quase vinda
de um capricho do tempo,
um desenho no vento
que me prende
e desafia.
E ali se desfaz,
sem alarde,
qualquer traço do meu juízo:
feito prece sem fé,
feito vinho sem taça,
feito gozo sem riso.
Bem ali,
eu derrapo
no acidente geográfico
do teu sorriso,
desatino pacífico,
meu caos mais bonito.
O sulco do teu rosto
me desnuda sem tocar,
desenha, impiedoso,
o mapa de naufragar
onde cada linha é aposta,
e cada curva, um lugar
que
não
quero
mais
deixar.
Crs Ribeiro
Geografia do Teu Riso
Nasce,
no arco enviesado dos teus lábios,
uma covinha linda;
do lado esquerdo,
matreira,
quase vinda
de um capricho do tempo,
um desenho no vento
que me prende
e desafia.
E ali se desfaz,
sem alarde,
qualquer traço do meu juízo:
feito prece sem fé,
feito vinho sem taça,
feito gozo sem riso.
Bem ali,
eu derrapo
no acidente geográfico
do teu sorriso,
desatino pacífico,
meu caos mais bonito.
O sulco do teu rosto
me desnuda sem tocar,
desenha, impiedoso,
o mapa de naufragar
onde cada linha é aposta,
e cada curva, um lugar
que
não
quero
mais
deixar.
Crs Ribeiro
#Desafio 183
A balança entre nós
Se encontraram uma vez,
na esquina torta do destino
um com o peito pra dentro,
outra, querendo colo divino.
Ele pesava o mundo em silêncio,
ela gritava com olhos de luz.
Ele: introspecto,
ela: explosão que seduz.
Na balança dos dois,
não havia medida justa:
ela queria mimo,
ele, caverna e busca.
Amaram-se num relâmpago,
que cortou o tempo em dois.
Ela queria ser tocada com palavras,
ele, calava depois.
Ela: sobrecarga de afeto.
Ele: superproteção.
Dois excessos opostos,
dançando na contramão.
Ela queria atenção inteira,
ele, amar sem se expor.
Dois pesos de uma moeda,
que só gira na dor.
Hoje, ele carrega suas culpas,
feito pedra na alma, discreto.
Ela finge não doer, mas chora
por um abraço completo.
A balança nunca equilibra
quando um ama em silêncio
e o outro em voz alta demais.
Mas ainda assim, ambos pesam:
no mesmo coração,
em lados opostos
do cais.
Crs Ribeiro
A balança entre nós
Se encontraram uma vez,
na esquina torta do destino
um com o peito pra dentro,
outra, querendo colo divino.
Ele pesava o mundo em silêncio,
ela gritava com olhos de luz.
Ele: introspecto,
ela: explosão que seduz.
Na balança dos dois,
não havia medida justa:
ela queria mimo,
ele, caverna e busca.
Amaram-se num relâmpago,
que cortou o tempo em dois.
Ela queria ser tocada com palavras,
ele, calava depois.
Ela: sobrecarga de afeto.
Ele: superproteção.
Dois excessos opostos,
dançando na contramão.
Ela queria atenção inteira,
ele, amar sem se expor.
Dois pesos de uma moeda,
que só gira na dor.
Hoje, ele carrega suas culpas,
feito pedra na alma, discreto.
Ela finge não doer, mas chora
por um abraço completo.
A balança nunca equilibra
quando um ama em silêncio
e o outro em voz alta demais.
Mas ainda assim, ambos pesam:
no mesmo coração,
em lados opostos
do cais.
Crs Ribeiro
#Desafio 180
*Encruzilhada*
Bebeu a cachaça,
direto do vidro
na encruzilhada…
Pra enganar o frio
e as ideias atravessadas.
Assou o bicho…
que deu seu axé
na oferenda sagrada.
Agradeceu
aos céus e orixás,
por isso:
merenda encontrada.
Religião e tradição:
Aos devotos e atendidos,
todos gratos,
na encruzilhada,
ao improviso.
Lutando,
todos os dias,
por sua vida…
Mas hoje,
o mendigo vai comer!
… E viver
mais um dia,
por isso.
Laroyê! Laroyê!
Adorei as almas.
Ogunhê.
Atotô Obaluaiê.
Muito obrigada!
Muito obrigada!
MarU
*O texto acima é uma homenagem inspirada por uma cena real.
Escrevo com reverência, não como iniciada, mas como quem observa com respeito o sagrado nas ruas.
*Encruzilhada*
Bebeu a cachaça,
direto do vidro
na encruzilhada…
Pra enganar o frio
e as ideias atravessadas.
Assou o bicho…
que deu seu axé
na oferenda sagrada.
Agradeceu
aos céus e orixás,
por isso:
merenda encontrada.
Religião e tradição:
Aos devotos e atendidos,
todos gratos,
na encruzilhada,
ao improviso.
Lutando,
todos os dias,
por sua vida…
Mas hoje,
o mendigo vai comer!
… E viver
mais um dia,
por isso.
Laroyê! Laroyê!
Adorei as almas.
Ogunhê.
Atotô Obaluaiê.
Muito obrigada!
Muito obrigada!
MarU
*O texto acima é uma homenagem inspirada por uma cena real.
Escrevo com reverência, não como iniciada, mas como quem observa com respeito o sagrado nas ruas.
Mais uma novidade no site!
Já interagiu com o seu Simbionte hoje?
Continue publicando, interagindo e utilizando as ferramentas do site para alimentar o seu Simbionte.
Já interagiu com o seu Simbionte hoje?
Continue publicando, interagindo e utilizando as ferramentas do site para alimentar o seu Simbionte.
#Desafio 179
*Essa marca de você*
A madrugada fria,
guarda na memória
o retrato de você.
Cravado na carne:
seu cheiro,
seu charme…
seu jeito irreverente,
seu corpo quente.
Meu corpo te chama!
Na lembrança… sente?
Revive aquele quarto,
aquela cama,
deitados…
nossos corpos nus,
nosso suor sagrado…
Seu volume rígido
dentro.
Meus sentidos
se perdendo.
Seu jeito
de fazer amor comigo:
intenso…
lento…
me degustando…
Me fazendo ferver por dentro!
Me marcando…
pra sempre.
MarU
*Essa marca de você*
A madrugada fria,
guarda na memória
o retrato de você.
Cravado na carne:
seu cheiro,
seu charme…
seu jeito irreverente,
seu corpo quente.
Meu corpo te chama!
Na lembrança… sente?
Revive aquele quarto,
aquela cama,
deitados…
nossos corpos nus,
nosso suor sagrado…
Seu volume rígido
dentro.
Meus sentidos
se perdendo.
Seu jeito
de fazer amor comigo:
intenso…
lento…
me degustando…
Me fazendo ferver por dentro!
Me marcando…
pra sempre.
MarU
O Tempo
Há um ano era outra pessoa;
Havia em mim restos de muitas memórias
Ainda frescas e latentes.
Havia aqui outro futuro,
Outras esperanças e outros projetos.
Alguns deles foram concretizados.
Alguns deles foram abandonados.
Alguns nem chegaram a ser levados a sério.
Há um ano venho mudando,
Venho evoluindo e involuindo,
Venho andando em círculos e saltando à frente.
Venho vivendo, enfim,
Aprendendo dia após dia,
Com os anseios que não poderia ter,
Com os erros que não poderia cometer,
Com os medos que jamais deveria ter tido.
Há um ano sou outro que me vê
E esse outro gosta cada vez mais de si
Cada vez mais de mim.
Cada vez mais de nós.
Perdi pessoas que eram pra vida inteira,
Reencontrei pessoas que jamais reencontraria,
Conheci pessoas impossíveis,
Reconheci a mim.
Tive várias vidas; tive vários destinos distintos.
Tive mortes e renascimentos constantes.
Tive amores e desamores e reamores.
E termino tendo a mim mesmo.
Uma nova etapa começa. Novas etapas começarão.
E sei que não cumprirei todos os projetos,
Pois encontrarei projetos ainda melhores para cumprir.
Hoje tenho ausências que não serão mais sentidas
E presenças que serão para sempre comemoradas.
Hoje tenho a mim.
E a ti, que me lê.
Hoje preciso apenas de mais um ano
Para me tornar uma nova pessoa.
Há um ano era outra pessoa;
Havia em mim restos de muitas memórias
Ainda frescas e latentes.
Havia aqui outro futuro,
Outras esperanças e outros projetos.
Alguns deles foram concretizados.
Alguns deles foram abandonados.
Alguns nem chegaram a ser levados a sério.
Há um ano venho mudando,
Venho evoluindo e involuindo,
Venho andando em círculos e saltando à frente.
Venho vivendo, enfim,
Aprendendo dia após dia,
Com os anseios que não poderia ter,
Com os erros que não poderia cometer,
Com os medos que jamais deveria ter tido.
Há um ano sou outro que me vê
E esse outro gosta cada vez mais de si
Cada vez mais de mim.
Cada vez mais de nós.
Perdi pessoas que eram pra vida inteira,
Reencontrei pessoas que jamais reencontraria,
Conheci pessoas impossíveis,
Reconheci a mim.
Tive várias vidas; tive vários destinos distintos.
Tive mortes e renascimentos constantes.
Tive amores e desamores e reamores.
E termino tendo a mim mesmo.
Uma nova etapa começa. Novas etapas começarão.
E sei que não cumprirei todos os projetos,
Pois encontrarei projetos ainda melhores para cumprir.
Hoje tenho ausências que não serão mais sentidas
E presenças que serão para sempre comemoradas.
Hoje tenho a mim.
E a ti, que me lê.
Hoje preciso apenas de mais um ano
Para me tornar uma nova pessoa.