Scismar Lira dos Vinte Anos · Capítulo 3 de 85
Obra Menu

Scismar

Scismar

Fala-me, anjo de luz! és glorioso

À minha vista na janela à noite

Como divino alado mensageiro

Ao ebrioso olhar dos frouxos olhos

Do homem, que se ajoelha para vê-lo,

Quando resvala em preguiçosas nuvens,

Ou navega no seio do ar da noite.

ROMEU

Ai! quando de noite, sozinha à janela

Co'a face na mão te vejo ao luar,

Por que, suspirando, tu sonhas, donzela?

A noite vai bela,

E a vista desmaia

Ao longe na praia

Do mar!

Por quem essa lágrima orvalha-te os dedos,

Como água da chuva cheiroso jasmim?

Na cisma que anjinho te conta segredos?

Que pálidos medos?

Suave morena,

Acaso tens pena

De mim?

Donzela sombria, na brisa não sentes

A dor que um suspiro em meus lábios tremeu?

E a noite, que inspira no seio dos entes

Os sonhos ardentes,

Não diz-te que a voz

Que fala-te a sós

Sou eu?

Acorda! Não durmas da cisma no véu!

Amemos, vivamos, que amor é sonhar!

Um beijo, donzela! Não ouves? no céu

A brisa gemeu...

As vagas murmuraram...

As folhas sussurram:

Amar!

1/1
Menu

Fazer anotação