Tarde de verão Lira dos Vinte Anos · Capítulo 26 de 85
Obra Menu

Tarde de verão

Tarde de verão

Viens!...

Que l'arbre pénétré de parfums et de chants,

............................................

Et l'o,bre et le soleil, et l'onde et la verdure,

Et le rayonnement de toute la nature

Fassent épanouir comme une double fleur

La beauté sur ton front, et l'amour dans ton coeur!

V. HUGO

Como cheirosa e doce a tarde expira!

De amor e luz inunda a praia bela...

E o sol já roxo e trêmulo desdobra

Um íris furta-cor na fronte dela.

Deixai que eu morra só! enquanto o fogo

Da última febre dentro em mim vacila,

Não venham ilusões chamar-me à vida,

De saudades banhar a hora tranqüila!

Meu Deus! que eu morra em paz! não me coroem

De flores infecundas a agonia!

Oh! não doire o sonhar do moribundo

Lisonjeiro pincel da fantasia!

Exaurido de dor e d'esperança

Posso aqui respirar mais livremente,

Sentir ao vento dilatar-se a vida,

Como a flor da lagoa transparente!

Se ela estivesse aqui! no vale agora

Cai doce a brisa morna desmaiando:

Nos murmúrios do mar fora tão doce

Da tarde no palor viver amando!

Uni-la ao peito meu -- nos lábios dela

Respirar uma vez, cobrando alento;

A divina visão de seus amores

Acordar o meu peito inda um momento!

Fulgura a minha amante entre meus sonhos,

Como a estrela do mar nas águas brilha,

Bebe à noite o favônio em seus cabelos

Aroma mais suave que a baunilha.

Se ela estivesse aqui! jamais tão doce

O crepúsculo o céu embelecera...

E a tarde de verão fora mais bela,

Brilhando sobre a sua primavera!

Da lânguida pupila de seus olhos

Num olhar de desdém entorna amores,

Como à brisa vernal na relva mole

O pessegueiro em flor derrama flores.

Árvore florescente desta vida,

Que amor, beleza e mocidade encantam,

Derrama no meu seio as tuas flores

Onde as aves do céu à noite cantam!

Vem! a areia do mar cobri de flores,

Perfumei de jasmins teu doce leito;

Podes suave, ó noiva do poeta,

Suspirosa dormir sobre meu peito!

Não tardes, minha vida! no crepúsculo

Ave da noite me acompanha a lira...

É um canto de amor... Meu Deus! que sonhos!

Era ainda ilusão -- era mentira!

1/1
Menu

Fazer anotação