Oh! não maldigão! Lira dos Vinte Anos · Capítulo 80 de 85
Obra Menu

Oh! não maldigão!

Oh! não maldigão!

Oh! não maldigam o mancebo exausto

Que nas orgias gastou o peito insano...

Que foi ao lupanar pedir um leito,

Onde a sede febril lhe adormecesse!

Não podia dormir! nas longas noites

Pediu ao vício os beijos de veneno...

E amou a saturnal, o vinho, o jogo

E a convulsão nos seios da perdida!

Misérrimo! não creu... Não o maldigam,

Se uma sina fatal o arrebatava...

Se na torrente das paixões dormindo

Foi naufragar nas solidões do crime.

Oh! não maldigam o mancebo exausto

Que no vício embalou, a rir, os sonhos,

Que lhes manchou as perfumadas tranças

Nos travesseiros da mulher sem brio!

Se ele poeta nodoou seus lábios...

É que fervia um coração de fogo

E da matéria a convulsão impura

A voz do coração emudecia!

E quando p'la manhã da longa insônia

Do leito profanado ele se erguia,

Sentindo a brisa lhe beijar no rosto

E a febre arrefecer nos roxos lábios...

E o corpo adormecia e repousava

Na serenada relva da campina...

E as aves da manhã em torno dele

Os sonhos do poeta acalentavam...

Vinha um anjo de amor uni-lo ao peito,

Vinha uma nuvem derramar-lhe a sombra...

E a alma que chorava a infâmia dele

Secava o pranto e suspirava ainda!

1/1
Menu

Fazer anotação