Vida Lira dos Vinte Anos · Capítulo 22 de 85
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Vida

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Oh! laisse-moi t'aimer pour que j'aime la vie!

Pour ne point au bonheur dire un dernier adieu

Pour ne point blasphémer les biens que l'homme envie

Et pour ne pas douter de Dieu!

ALEXANDRE DUMAS

Oh! fala-me de ti! eu quero ouvir-te

Murmurar teu amor...

E nos teus lábios perfumar do peito

Minha pálida flor.

De tua carta nas queridas folhas

Eu sinto-me viver...

E as páginas do amor sobre meu peito

E, quando, à noite, delirante durmo,

Deito-as no peito meu...

Nos delíquios de amor, ó minha amante,

Eu sonho o seio teu...

A alma que as inspirou, que lhes deu vida

E o fogo da paixão...

E derramou as notas doloridas

Do virgem coração!

Eu quero-as no meu peito, como sonho

Teu seio de donzela,

Para sonhar contigo o céu mais puro

E a esperança mais bela!

II

A nós a vida em flor, a doce vida

Recendente de amor,

Cheia de sonhos, d'esperança e beijos

E pálido langor...

A tua alma infantil junto da minha

No fervor do desejo,

Nossos lábios ardentes descorando

Comprimidos num beijo...

E as noites belas de luar e a febre

Da vida juvenil...

E este amor que sonhei, que só me alenta

No teu colo infantil!

Vem comigo ao luar: amemos juntos

Neste vale tranqüilo...

De abertas flores e caídas folhas...

No perfumado asilo.

Aqui somente a rola da floresta

Das sestas ao calor

O tremer sentirá dos longos beijos...

E verá teu palor.

À noite encostarei a minha fronte

No virgem colo teu;

Terei por leito o vale dos amores,

Por tenda o azul do céu!

E terei tua imagem mais formosa

Nas vigílias do val:

-- Será da vida meu suave aroma

Teu lírio virginal.

IV

Que importa que o anátema do mundo

Se eleve contra nós,

Se é bela a vida num amor imenso

Na solidão -- a sós?

Se nós teremos o cair da tarde

E o frescor da manhã:

E tu és minha mãe e meus amores

E minh'alma de irmã?

Se teremos a sombra onde se esfolham

As flores do retiro...

E a vida além de ti -- a vida inglória -

Não me vale um suspiro?

Bate a vida melhor dentro do peito

Do campo na tristeza

E o aroma vital, ali, do seio

Derrama a natureza...

E, aonde as flores no deserto dormem

Com mais viço e frescor,

Abre linda também a flor da vida

Da lua no palor.

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