V. Luar de verão Lira dos Vinte Anos · Capítulo 43 de 85
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V. Luar de verão

V. Luar de verão

O que vês, trovador? -- Eu vejo a lua

Que sem lavor a face ali passeia...

No azul do firmamento inda é mais pálida

Que em cinzas do fogão uma candeia.

O que vês, trovador? -- No esguio tronco

Vejo erguer-se o chinó de uma nogueira...

Além se entorna a luz sobre um rochedo,

Tão liso como um pau de cabeleira.

Nas praias lisas a maré enchente

S'espraia cintilante d'ardentia...

Em vez de aromas as douradas ondas

Respiram efluviosa maresia!

O que vês, trovador? -- No céu formoso

Ao sopro dos favônios feiticeiros

Eu vejo -- e tremo de paixão ao vê-las -

As nuvens a dormir, como carneiros.

E vejo além, na sombra do horizonte,

Como viúva moça envolta em luto,

Brilhando em nuvem negra estrela viva

Como na treva a ponta de um charuto.

Teu romantismo bebo, ó minha lua,

A teus raios divinos me abandono,

Torno-me vaporoso... e só de ver-te

Eu sinto os lábios meus se abrir de sono.

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