Esperanças Lira dos Vinte Anos · Capítulo 30 de 85
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Esperanças

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Oh! si elle m'eût aimé...

ALFRED DE VIGNY , Chatterton

Se a ilusão de minh'alma foi mentida

E, leviana, da árvore da vida,

As flores desbotei...

Se por sonhos do amor de uma donzela

Imolei meu porvir e o ser por ela

Em prantos esgotei...

Se a alma consumi na dor que mata

E banhei de uma lágrima insensata

A última esperança,

Oh! não me odeies, não! eu te amo ainda,

Como dos mares pela noite infinda

A estrela da bonança!

Como nas folhas do Missal do templo

Os mistérios de Deus em ti contemplo

E na tu'alma os sinto!

Às vezes, delirante, se eu maldigo

As esperanças que sonhei contigo,

Perdoa-me, que minto!

Oh! não me odeies, não! eu te amo ainda,

Como do peito a aspiração infinda

Que me influi o viver...

E como a nuvem de azulado incenso...

Como eu amo esse afeto único, imenso

Que me fará morrer!

Rompeste a alva túnica luzente

Que eu doirava por ti de amor demente

E aromei de abusões...

Deste-me em troco lágrimas aspérrimas...

Ah! que morreram a sangrar misérrimas

As minhas ilusões!

Nos encantos das fadas da ventura

Podes dormir ao sol da formosura

Sempre bela e feliz!

Irmã dos anjos, sonharei contigo:

A alma a quem negaste o último abrigo

Chora... não te maldiz!

Chora e sonha e espera: a negra sina

Talvez no céu se apague em purpurina

Alvorada de amor...

E eu acorde no céu num teu abraço

E repouse tremendo em teu regaço

Teu pobre sonhador!

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