Quando á noite no leito perfumado, etc Lira dos Vinte Anos · Capítulo 9 de 85
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Quando á noite no leito perfumado, etc

Quando á noite no leito perfumado, etc

Dreams! dreams! dreams!

W. COWPER

Quando, à noite, no leito perfumado

Lânguida fronte no sonhar reclinas,

No vapor da ilusão por que te orvalha

Pranto de amor as pálpebras divinas?

E, quando eu te contemplo adormecida

Solto o cabelo no suave leito,

Por que um suspiro tépido ressona

E desmaia suavíssimo em teu peito?

Virgem do meu amor, o beijo a furto

Que pouso em tua face adormecida

Não te lembra do peito os meus amores

E a febre do sonhar de minha vida?

Dorme, ó anjo de amor! no teu silêncio

O meu peito se afoga de ternura...

E sinto que o porvir não vale um beijo

E o céu um teu suspiro de ventura!

Um beijo divinal que acende as veias,

Que de encantos os olhos ilumina,

Colhido a medo, como flor da noite,

Do teu lábio na rosa purpurina...

E um volver de teus olhos transparentes,

Um olhar dessa pálpebra sombria

Talvez pudessem reviver-me n'alma

As santas ilusões de que eu vivia!

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