Lagrimas da vida Lira dos Vinte Anos · Capítulo 52 de 85
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Lagrimas da vida

Lagrimas da vida

On pouvait à vingt ans le clouer dans la bière

-- Cadavre sans illusions...

THÉOPH. GAUTIER

Je me suis assis en blasphémant sur le bord

du chemin. Et je me suis dit: -- je n'irai pas plus

loin. Mais je suis bien jeune encore pour mourir,

n'est-ce pas, Jane?

GEORGE SAND , Aldo

Se tu souberas que lembrança amarga

Que pensamento desflorou meus dias,

Oh! tu não creras meu sorrir leviano,

Nem minhas insensatas alegrias!

Quando junto de ti eu sinto, às vezes,

Em doce enleio desvairar-me o siso,

Nos meus olhos incertos sinto lágrimas...

Mas da lágrima em troco eu temo um riso!

O meu peito era um templo -- ergui nas aras

Tua imagem que a sombra perfumava...

Mas ah! emurcheceste as minhas flores!

Apagaste a ilusão que o aviventava!

E por te amar, por teu desdém, perdi-me...

Tresnoitei-me nas orgias macilento,

Brindei blasfemo ao vício e da minh'alma

Tentei me suicidar no esquecimento!

Como um corcel abate-se na sombra,

A minha crença agoniza e desespera...

O peito e lira se estalaram juntos...

E morro sem ter tido primavera!

Como o perfume de uma flor aberta

Da manhã entre as nuvens se mistura,

A minh'alma podia em teus amores

Como um anjo de Deus sonhar ventura!

Não peço o teu amor... eu quero apenas

A flor que beijas para a ter no seio...

E teus cabelos respirar medroso...

E a teus joelhos suspirar d'enleio!

E quando eu durmo... e o coração ainda

Procura na ilusão tua lembrança,

Anjo da vida passa nos meus sonhos

E meus lábios orvalha d'esperança!

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